quarta-feira, 17 de julho de 2013

Protestos eclodem na Índia após morte de 22 crianças por merenda contaminada

Atualizado em  17 de julho, 2013 - 06:41 (Brasília) 09:41 GMT

Dezenas de crianças doentes estão recebendo tratamento
Protestos violentos eclodiram no Estado de Bihar, na Índia, após a morte de pelo menos 22 crianças por causa de merenda escolar contaminada.
Multidões armadas com paus atacaram veículos policiais na cidade de Chapra, para onde foram levadas várias crianças que adoeceram depois de comer a refeição em uma escola no vilarejo de Masrakh.
Dezenas de crianças, todas com menos de 12 anos, estão sendo tratadas em hospitais da cidade de Chhapra e na capital do Estado, Patna. Muitas delas estão em estado grave.
Segundo o ministro da Educação do Estado, P.K. Shahi, médicos disseram que os corpos exalavam cheiro de organofosforados, usados em pesticidas.
Autoridades estão investigando o caso. As famílias das vítimas receberam ofertas de indenização de (US$ 3.370) cada.
O programa de merenda escolar indiano, conhecido como Merenda Escolar do Meio-Dia, oferece refeições gratuitas às crianças como estratégia para aumentar o índice de presença escolar, mas geralmente é afetado por condições higiênicas precárias.
O pai de um dos estudantes, Raja Yadav, contou que o filho começou a vomitar após chegar da escola e teve de ser levado às pressas para o hospital.

Inseticidas

Os médicos que estão atendendo as crianças confirmaram que a causa das 21 mortes foi intoxicação alimentar.
"Nós suspeitamos que os legumes ou o arroz estivessem contaminados com inseticidas", disse à BBC Amarjeet Sinha, autoridade da rede de educação local.
Outro médico acredita que o óleo vegetal estava contaminado.
A jornalista Amarnath Tewary disse que moradores do vilarejo relataram que este não é o primeiro caso de comida contaminada no programa de merenda escolar.
O governador do Estado de Bihar, Nitish Kumar, convocou uma reunião de emergência e enviou uma equipe de peritos à escola.
Bihar é um dos Estados mais pobres e populosos da Índia.
A merenda escolar do meio-dia é o maior programa de alimentação escolar do mundo, alcançando 120 milhões de crianças em 1,2 milhões de escolas espalhadas pela Índia, informou o governo.
O esquema começou em 1925 na cidade de Chennai, no sul do país, para atender crianças pobres. Segundo correspondentes na Índia, no Estado de Bihar o programa já foi alvo de várias acusações de corrupção.

Fonte : BBC Brasil


Um mês depois, manifestantes avaliam legado de megaprotestos

Atualizado em  17 de julho, 2013 - 04:36 (Brasília) 07:36 GMT 
 
Denis se converteu em uma liderança comunitária depois de organizar uma caminhada pacífica; Bruno diz que as coisas estão mudando, mesmo sem saber se para melhor ou pior. E Lucio avalia que sua geração saiu da "sonolência" política.
Eles são alguns dos jovens que engrossaram as multidões que tomaram as ruas do país na onda de manifestações que se espalhou por todas as regiões do Brasil.
Exatamente um mês atrás, em 17 de junho, os protestos alcançaram diversas cidades brasileiras e culminaram com a tomada do teto do Congresso Nacional pelos manifestantes de Brasília; poucos dias depois, em 20 de junho, a multidão que saiu para protestar foi estimada em mais de 1 milhão de pessoas em todo o país.
Mas até onde vai o impacto da mobilização vista em junho na vida dos jovens do país? E qual é o papel que eles veem para si nos rumos da política do país?
"Essa geração, que já é a maior parcela da população brasileira, assumiu um novo tipo de protagonismo, e acho que isso é irreversível", opina à BBC Brasil o cientista político Paulo Baía, da UFRJ.
"Eles não têm a obrigação de serem gratos pelo fim da hiperinflação como a geração anterior. Demandam reconhecimento, respeito, participação no processo decisório", diz Baía.
"Mas as instituições comuns não os representam neste momento. São pessoas que sabem o que não querem e estão abertas a possibilidades" - mesmo que essas possibilidades ainda não estejam totalmente claras, acrescenta o acadêmico.
A BBC Brasil conversou com cinco jovens de diferentes perfis e graus de militância política, em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, e perguntou como os protestos mudaram suas expectativas em relação ao país - bem como suas próprias vidas. Confira:
Denis Neves (à esq.) em reunião com Eduardo Paes
Denis (esq.) levou demandas da Rocinha a reunião com o prefeito Eduardo Paes (segundo à dir.)
A onda de protestos acabou transformando Denis da Costa Neves, de 27 anos, em uma liderança na favela da Rocinha (RJ), onde mora.
"Fui nos dois primeiros protestos (de 17 e 18 de junho), no Centro do Rio, mas depois resolvi fazer algo diferente: um protesto com a pauta (das reivindicações) da Rocinha", diz o estudante de Design na PUC-RJ.
Da ideia saiu a caminhada que levou milhares de pessoas da Rocinha a um protesto diante da casa do governador Sérgio Cabral, no Leblon, em 25 de junho. "Com amigos, criei o evento no Facebook e fiquei surpreso quando 2 mil confirmaram presença. Quando a favela desce pro asfalto o pessoal acha que vai dar problema, mas a caminhada foi pacífica", conta.
O grupo conseguiu se reunir com Cabral e com o prefeito Eduardo Paes, levando demandas específicas: "O principal é o dinheiro do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do qual um terço é previsto para ser gasto com um teleférico. A comunidade se divide quanto a se quer o teleférico, mas é unânime em uma coisa: temos outras prioridades, como saneamento, saúde", conta.
Denis conta que Cabral se comprometeu a finalizar obras do PAC 1, que ele diz estarem paralisadas, antes de debater o teleférico. Outro passo concreto foi a criação de uma comissão de fiscalização das obras, formada pelos próprios moradores da Rocinha.
"Valeu a pena protestar, porque estamos conseguindo ser consultados, mas estamos de olho", prossegue Denis, que se diz neófito no jogo da política.
"Passei a receber telefonema de deputados, sofri pressão política enorme, foi muita exposição e minha mãe ficou até preocupada. Mas quero me manter apartidário. Estamos aprendendo a quem recorrer (no caso de demandas populares), com quem conversar."
Denis diz que no momento tem "respirado política", mas não pensa em virar candidato e mantém seus planos de trabalhar na área de jogos eletrônicos. Ao mesmo tempo, suas perspectivas quanto ao Brasil mudaram.
"Antes dos protestos, não imaginava que isso pudesse acontecer. As pessoas veem os brasileiros como um povo acomodado, então dá orgulho de lutar pelos nossos direitos."
 
Fonte: BBC Brasil

terça-feira, 28 de maio de 2013

O desafio de exportar valor


Os manufaturados vêm perdendo espaço nos embarques da região sul do país. Pudera: nunca os asiáticos compraram tanta comida

Por Flávio Ilha
Os exportadores de bens manufaturados terão de lidar com boas e más notícias em 2013. O movimento de recuperação da economia americana, iniciado no último trimestre de 2012, deve se estender no próximo ano e puxar as exportações brasileiras da categoria, especialmente dos três Estados do sul. Essa é a boa notícia.

A nem tão boa é que a conjuntura internacional deve tirar espaço dos manufaturados na pauta de exportações do sul do país. Mais ainda diante da visível retomada dos preços das commodities. A alta esperada das cotações será muito influenciada pelo aumento de produção da China, maior compradora de insumos básicos do Brasil. Outra contrapartida negativa é que os chineses estão vendendo cada vez mais manufaturados na América Latina – e neste compasso o gigante asiático vai conquistando fatias de mercado das indústrias brasileiras, tradicionais fornecedoras do mercado latino-americano.

graos-sacos-projexp-350Uma superprodução agrícola brasileira, prevista para esta safra, também deve embaralhar o mercado com o peso da balança pendendo ainda mais para o lado das commodities. O resultado é que a participação de bens industriais no total de exportações brasileiras vem caindo fortemente. Era de 80% no primeiro semestre de 2005 – e chegou a 59% no mesmo período de 2012, segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). “As exportações de produtos industriais tendem a melhorar em 2013, tendo um parceiro importante como os Estados Unidos, que começaram a absorver mais bens industrializados nos últimos meses do ano passado. Mas o peso maior continuará sendo dos produtos básicos”, diz Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

As estimativas da Funcex para 2013 são de superávit de US$ 21 bilhões na balança comercial brasileira, resultantes de exportações da ordem de US$ 262 bilhões e importações de US$ 241 bilhões. De acordo com a Funcex, a produção industrial terá desempenho mais forte, contribuindo para um crescimento de 3,5% no PIB neste ano. “O perfil exportador focado em commodities não mudará, mas a indústria tende a se recuperar internamente, o que deve contribuir para o aumento das suas exportações”, diz Branco. Apesar de terem perdido para a China o posto de principal parceiro comercial do Brasil, os Estados Unidos ainda são os principais compradores de produtos acabados nacionais. O grande interesse dos americanos é por aviões, peças automotivas, motores e máquinas, descreve Branco. “Recentemente, as exportações para os Estados Unidos de etanol – produto de alto valor agregado – subiram 9% em função da quebra de safra americana, mas isso é pontual e não deve se repetir”, avisa o economista.

Branco ressalta, ainda, que o Brasil precisa acelerar sua competitividade industrial para reverter o desinteresse dos mercados internacionais pelos manufaturados. Quase metade das exportações brasileiras se concentra, hoje, em apenas cinco commodities. As vendas de minério de ferro, petróleo bruto, complexo soja, açúcar (bruto e refinado) e carnes responderam, em 2012, por 46,8% dos produtos destinados ao exterior. O percentual cresce ininterruptamente, desde 2006, quando a fatia dos cinco produtos ficou em 28,2% nos oito primeiros meses daquele ano. Em 2011, a parcela das cinco commodities atingiu 43,4%. A demanda asiática, em especial da China, por produtos primários fez disparar os preços e aumentar os volumes das exportações nos últimos anos. Ao mesmo tempo, as vendas de produtos manufaturados perderam fôlego, prejudicadas pelo dólar barato e pela desaceleração da economia global no pós-crise.

Enxurrada de commodities

Com essa combinação, as commodities dominaram a pauta de exportações, definindo uma tendência que incomoda muitos analistas, tanto pela dependência exagerada dos produtos primários quanto pela concentração excessiva em poucos deles. “Há dez anos, nossa pauta de exportações de bens acabados aos EUA era liderada pela venda de aviões, celulares e automóveis. Em 2012, a inversão foi completa, com o petróleo encabeçando as vendas aos Estados Unidos com 22% do total, seguida por bens siderúrgicos”, detalha Branco.

A tarefa de defender um mercado tradicional é dificultada pela falta de políticas objetivas do governo brasileiro para a indústria, além dos constantes desentendimentos entre os próprios países parceiros da América Latina – vide a crise com a Argentina. O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor Müller, ressalta que a perspectiva é melhor em 2013, embora o cenário não mude de forma tão radical. “Vamos dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. O mercado mundial estava ruim para qualquer Estado brasileiro. Acontece que temos uma ligação direta com a Argentina. Quando eles fecharam as fronteiras, sentimos isso mais do que os outros Estados”, alerta.

Um estudo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) mostra que, em 2012, o Brasil teve participação de 1,6% nas exportações mundiais, o melhor índice nas vendas globais desde 1950 – quando a participação foi de 2,3%. Ou seja: a fatia brasileira está crescendo mesmo com a enxurrada de commodities na pauta de exportações. “Mas, em termos de cenário internacional, nós continuamos na mesma posição: 20º, 21º, 22º lugar”, destaca José Augusto de Castro, presidente da AEB. Ele atribuiu o patamar atingido em 2012 ao aumento de preços. “Como o próprio governo diz, as exportações cresceram porque o preço das commodities aumentou. Não foi a quantidade. Ou seja, (não há) nenhum mérito para o Brasil. O país sequer define o preço desses produtos.”

A liderança de países exportadores é exercida pela China – que detinha a 28ª posição em 1950. É, disparado, a melhor evolução no ranking mundial. “A China é a locomotiva do mundo. Serve como exemplo para nós”, entende Castro. Ele chama a atenção, também, para um segundo vagão – a Índia, que já passou o Brasil e ocupa, atualmente, a 17ª posição na relação de países exportadores. Segundo Castro, a Índia exporta mais de 90% de produtos manufaturados e apresenta crescimento econômico consistente, a exemplo da China.

Quem analisa os números da balança comercial sabe que as exportações dependem, hoje, de um número reduzido de commodities e, especialmente, do mercado chinês. Se, no antigo sistema colonial, o Brasil estava atrelado exclusivamente a Portugal, no século 20 essa dependência no comércio exterior passou a ser em relação aos Estados Unidos e, agora, no século 21, à China. Uma dependência que cresce ainda mais à medida que a Ásia se firma como o último oásis de crescimento acelerado do mundo. Recentemente, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) promoveu rodadas de negócios de empresas brasileiras com compradores da China, Taiwan, Hong Kong e Cingapura focadas na venda de commodities. Os setores contemplados foram os de carne bovina, de frango e suína, cafés especiais, vinho e mel. Ao todo, 45 compradores manifestaram interesse em fechar negócio – proporcionando uma expectativa de US$ 55 milhões em vendas para 2013.

O próprio governo, porém, está buscando uma forma de nivelar o peso das commodities e o dos produtos industrializados. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), por exemplo, vem desenvolvendo rodadas de negócios no exterior com empresas de diferentes portes e setores. Todos podem contar com consultoria e estruturas de apoio da agência no exterior. Com uma condição: “A gente não apoia exportações de commodities”, avisa Regina Silveiro, diretora de gestão e planejamento da Apex-Brasil. Segundo ela, a agência esteve diretamente ligada a 16,8% de tudo que o país exportou em 2012. O que indica um avanço de 1,4% em relação ao ano anterior. “Temos, hoje, 15 setores que não são nem mesmo de indústrias, mas de serviços. São empresas da chamada ‘economia criativa’, como produtores independentes de TV, cinema, editoras de livro e até grupos de artes contemporâneas”, descreve Regina.

Mas ainda é pouco. Cada vez mais, a produção industrial brasileira dá sinais de estagnação. Ao mesmo tempo, os concorrentes estrangeiros se apropriam de parte do crescimento do consumo no Brasil. Edson Campagnolo, presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), diz que o industrial do seu Estado tem “um olho no gato e outro no rato”. “Ele olha para o mercado externo em busca de redução de custos e de oportunidades com o câmbio. Mas também olha para o mercado interno – até porque não pode esquecer dele”, ilustra Campagnolo. O desafio, agora, é não perder o rato e nem o gato.

Fonte: http://www.amanha.com.br/home-internas/4849-o-desafio-de-exportar-valor

Empresas diminuem exigências para ampliar contratações no Brasil


Por Camilla Costa
Atualizado em  28 de maio, 2013 - 04:46 (Brasília) 07:46 GMT
Indústria no Brasil | Foto: Reuters
Empresas brasileiras estão diminuindo suas exigências para a contratação de profissionais como forma de driblar a escassez de talentos, segundo um levantamento da consultoria internacional Manpower Group.
Segundo a pesquisa, publicada anualmente, 68% dos empregadores do Brasil dizem ter dificuldades para contratar profissionais de áreas mais e menos qualificadas - de operários a diretores financeiros.
O número representa uma pequena queda em relação a 2012, quando 71% diziam ter dificuldades. Mesmo assim, o Brasil continua em segundo lugar entre os 42 países analisados e todo o mundo - atrás apenas do Japão, onde 85% dos patrões sofrem mais para contratar. A média global de dificuldade é 35%.
"Na Ásia, o principal problema é que eles não encontram pessoas para preencher as vagas. No Brasil há pessoas, mas elas não tem a qualificação adequada. E as empresas já perceberam não vão encontrar esses profissionais mais qualificados."
Segundo Marcia Almström, diretora de recursos humanos da consultoria no Brasil, a diminuição do percentual no Brasil é resultado de estratégias as empresas para lidar com a escassez de talentos, que incluem diminuir as exigências para que os candidatos preencham as vagas.
"Ao invés de esperar por um profissional 100% pronto, as empresas estão contratando os menos prontos e absorvendo a responsabilidade de capacitar essas pessoas", disse à BBC Brasil.
Na pesquisa de 2013, um número menor de empresários citou a falta de talentos específicos e de candidatos como as principais razões de não conseguir preencher vagas. O estudo entrevistou cerca de 40 mil empregadores em todo o mundo, 750 somente no Brasil.

Mudanças

Os engenheiros, caíram da terceira para a sexta posição do ranking, mas de acordo com Almström, a maior facilidade para contratar profissionais de engenharia ainda não é efeito da abertura de novos cursos universitários e centros de inovação no país.
"Ainda existe a necessidade de formar engenheiros e só vamos colher frutos efetivos das ações de educação e formação entre três e cinco anos", afirma.

Áreas com maior dificuldade de contratação no Brasil

1. Técnicos
2. Operadores de produção
3. Profissionais de finanças
4. Trabalhadores de ofício manual
5. Operários
6. Engenheiros
7. Motoristas
8. Secretárias, Assistentes pessoais e pessoal de assistência em escritórios
9. Representantes de vendas
10. Mecânicos

Fonte: Pesquisa de Escassez de Talentos 2013, do Manpower Group
"O que acontece hoje é que temos mais engenheiros atuando na área de engenharia. Havia muitos engenheiros em bancos e na indústria de telecom, por exemplo. A procura das empresas e o aumento dos salários acabou trazendo mais engenheiros para os cargos."
A mobilização dos engenheiros, de acordo com a especialista, beneficiou especialmente as áreas de construção civil, engenharia de petróleo e outras relacionadas a infraestrutura.
O terceiro lugar na lista de profissionais difíceis de contratar em 2013 foi ocupado pelos contadores e outros profissionais de finanças. Mas nesse caso, a dificuldade de contratar funcionários está relacionada ao aumento da exigência das empresas.
"A gestão das empresas ficou mais complexa. Elas têm que conseguir resultados num mercado que não está reagindo bem, especialmente no Brasil, com um crescimento que foi anunciado e não se concretizou. Por isso elas estão procurando profissionais de finanças mais experientes, especialmente CFOs e diretores financeiros", diz Almström.
Os profissionais de finanças, no entanto, são os únicos altamente qualificados a figurar entre as primeiras cinco posições da lista. O levantamento põe em evidência mais uma vez a falta de profissionais com nível técnico ─ que ocupam o primeiro lugar ─ e também de operários e trabalhadores manuais. A escassez permeia todas as áreas técnicas, de automação a edificações, de eletrônica a alimentos e bebidas.
O "apagão de mão de obra" em setores de baixa e média qualificação no mercado brasileiro já havia sido apontado por estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao governo.
De acordo com a especialista, muitos destes funcionários buscam oportunidades de atuar em funções mais qualificadas ─ fenômeno que também motivou a criação da nova estratégia por parte dos empregadores.
"As empresas estão tentando dar cada vez mais oportunidades de carreira e de formação para tornar os postos mais atraentes para os operários e não perdê-los para o mercado. Oferecendo oportunidades de carreira também se abrem janelas na etapa mais básica da produção (à medida que os operários são promovidos), mas a empresa controla melhor a rotatividade de profissionais", disse Marcia Almström.

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Crescem indícios de que Hezbollah ajuda governo sírio em conflito

Atualizado em  2 de maio, 2013 - 08:59 (Brasília) 11:59 GMT

Milicianos na fronteira sírio-libanesa (BBC)
Na fronteira, milicianos só admitem que Hezbollah ajuda 'dando apoio logístico'
O grupo militante xiita libanês Hezbollah há tempos vinha sendo suspeito de enviar combatentes para ajudar o regime de Bashar al-Assad, na vizinha Síria.
Inicialmente, os únicos indícios dessa colaboração eram funerais de membros do Hezbollah realizados na Síria, mas era impossível saber ao certo quanto combatentes xiitas libaneses estiveram no país ou qual seria exatamente o seu papel.
Agora, pela primeira vez, a BBC pode testemunhar o envolvimento do Hezbollah em alguns dos combates-chave com os quais o regime Assad diz estar reconquistando o controle de determinadas áreas.
E o indicativo mais claro do envolvimento do Hezbollah vem do próprio grupo.
Em um raro discurso transmitido na terça-feira, o líder do grupo, Hassan Nasrallah, declarou que "a Síria tem amigos verdadeiros que não a deixarão cair (perante) os EUA, Israel ou radicais islâmicos".
Alegando que grupos armados de oposição são fracos demais para derrubar Assad, Nasrallah afirmou que, ante a ameaça de rebeldes de capturar aldeias sob controle do governo, "é normal oferecer toda a ajuda possível e necessária para o Exército sírio".

Apoio militar e treinamento

Sabe-se que o Hezbollah vinha provendo ajuda médica, logística e prática para refugiados sírios que tentam escapar da guerra civil em seu país.
Mas, na últimas semanas, a BBC viu, em algumas áreas, combatentes do Hezbollah cruzando livre e abertamente a fronteira sírio-libanesa, dando apoio militar e treinamento para seus aliados na Síria.
Nasrallah em discurso
Em discurso, líder do Hezbollah disse que a Síria tem 'amigos verdadeiros'
No norte do Líbano, no vale Bekaa, a fronteira tradicional significa pouco para moradores locais, que há séculos fazem trocas comerciais e casam entre si. Mas, passando a fronteira, na crucial cidade síria de Quseir, estão ocorrendo algumas das mais duras batalhas da guerra civil.
Imagens e depoimentos colhidos em Quseir sugerem que o Hezbollah está cada vez mais envolvido no combate e na coordenação de milícias pró-governo, que são pouco organizadas e inexperientes.
O Exército sírio, ainda que amplo e bem equipado, está em seu limite, tentando conter uma rebelião em vários pontos do país que já dura dois anos.
Por isso, o que o Hezbollah conseguir conquistar em Quseir, na cidade próxima de Homs e nos subúrbios de Damasco, será vital para a estratégia militar síria.

Controle de fronteira

A situação do conflito está claramente em mudança. Em partes do noroeste do Líbano, ambos os lados da fronteira são controlados pelo Hezbollah e seus aliados sírios. E eles dizem estar ganhando terreno.
Abu Mohammed
'Estamos defendendo nossa terra de rebeldes', diz miliciano
Com a ajuda de "comitês populares locais", a equipe da BBC conseguiu cruzar a fronteira com a Síria para conversar com Abu Mohammed, miliciano pró-governo.
Durante o breve e tenso encontro, cercado por homens armados com fuzis AK-47, ficou claro que, ao menos nesta área, o Hezbollah, o Exército sírio e as milícias ligadas a Assad operam como se fossem um só.
Ainda assim, Mohammed insistiu que o Hezbollah não está diretamente envolvido no conflito.
"Eles nos dão apoio logístico e médico e nos ajudam a reconquistar território, mas não estão combatendo", diz o miliciano, com seu rosto coberto.
Questionado quanto à preocupação de que o envolvimento de grupos libaneses como o Hezbollah desestabilizariam ainda mais as relações na frágil fronteira, ele disse: "Estamos defendendo nossa terra de rebeldes que bombardeiam nossas aldeias."

Ampliação do conflito

Casa no Líbano alvejada por foguete da oposição síria
Casa libanesa alvejada por sírios mostra que conflito está ultrapassando as fronteiras
O temor é de que o envolvimento do Hezbollah e outras facções façam com que o conflito sírio se espalhe para o outro lado da fronteira. E isso parece já estar acontecendo.
No Líbano, a cidade xiita de Hermel tem sido constantemente alvejada por foguetes de rebeldes sírios, já que a cidade apoia o regime Assad e é acusada de enviar combatentes ao lado sírio da fronteira.
No país, nem todos apoiam o papel do Hezbollah na Síria. Abu Alawa é um idoso da aldeia que fala com carinho das relações sírio-libanesas na região antes de a guerra civil começar.
"Há mais vozes moderadas na comunidade xiita que deveriam ter um papel na resolução do conflito", diz ele. Mas sua voz é cada vez mais solitária numa região com cada vez mais tensões sectárias.

Radicalização

Assim, quanto mais o conflito sírio se prolonga, mais expostas ficam as diferenças entre sunitas e xiitas nos dois países.
Em mesquitas sunitas libanesas, jovens estão sendo radicalizados. Sobretudo em cidades como Trípoli, onde as divisões sectárias espelham as da Síria, clérigos estimulam seus seguidores com chamados à jihad (guerra santa).
Nas últimas semanas, diversos imãs fizeram chamados públicos para que jovens se alistem para o combate.
Em conversa com a BBC em Trípoli, o xeique Salem Rafii disse que a iniciativa é uma resposta necessária ao papel do Hezbollah no conflito vizinho. "Há pessoas oprimidas lá (na Síria). Mulheres e crianças estão sendo estupradas, mortas e expulsas. Então qualquer libanês deveria ir ajudá-los, e será recompensado por Deus", diz.
Com isso, o futuro do Líbano fica ameaçado pelas turbulências na Síria. Geograficamente cercado e historicamente dominado pelo vizinho maior, talvez fosse querer demais que o Líbano e suas divisões sectárias ficassem alheias aos desdobramentos sírios.

Fonte: BBC Brasil

Coreia do Norte condena americano a 15 anos de trabalho forçado

Atualizado em  2 de maio, 2013 - 07:19 (Brasília) 10:19 GMT

Kenneth Bae (AP)
Kenneth Bae foi detido em novembro
A Coreia do Norte anunciou nesta quinta-feira que condenou um cidadão americano a 15 anos de trabalho forçado.
Kenneth Bae, também conhecido pelo seu nome coreano de Pae Jun Ho, foi preso em novembro enquanto trabalhava no país como operador de turismo.
Ele foi acusado de tentar derrubar o governo da Coreia do Norte.
Segundo a agência de notícias oficial norte-coreana, a KCNA, o americano foi julgado na Suprema Corte do país na terça-feira e admitiu as acusações.
O veredito foi dado depois de semanas de tensão entre o governo americano e o norte-coreano, devido ao teste nuclear realizado pela Coreia do Norte em fevereiro.
Vários outros visitantes americanos já foram detidos na Coreia do Norte nos últimos anos. Todos foram libertados depois de negociações.

Fonte: BBC Brasil

Fome matou 260 mil pessoas na Somália entre 2010 e 2012, diz ONU

Atualizado em  2 de maio, 2013 - 08:33 (Brasília) 11:33 GMT

Um relatório produzido pelas Nações Unidas e a Rede de Sistemas de Alertas Antecipados para Crises de Fome, financiada pelos Estados Unidos (Fews Net), mostra que 260 mil pessoas morreram nos últimos dois anos na Somália. A cifra é maior do que a crise que atingiu o país em 1992 e deixou 220 mil mortos.
Metade delas eram crianças com menos de cinco anos, aponta o documento.
A ONU também deixa claro que o mundo ainda reage com muita lentidão a crises humanitárias deste tipo.
A crise atual, segundo especialistas uma das piores tragédias humanas ligadas à fome nos últimos 25 anos, foi gerada por uma seca extrema, e piorada por uma guerra civil entre grupos rivais que lutam pelo poder no país.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Médicos forçam alimentação de presos em Guantánamo

Médicos forçam alimentação de presos em Guantánamo

Atualizado em  30 de abril, 2013 - 21:32 (Brasília) 00:32 GMT
Cerca da prisão de Guantánamo
Prisioneiros que se recusam a comer recebem alimentos por meio de uma sonda nasal
Greves de fome não são novidade em Guantánamo. Jornalistas que visitam a prisão americana rotineiramente são levados ao centro médico.
Nele, um médico militar explica como lida com detentos que recusam comida por qualquer período de tempo.
Ele diz que testou o método nele mesmo, para saber como o detento se sente. Porém, possivelmente o médico passará por essa experiência apenas uma vez.
Os detentos, alguns em greve de fome há muitos meses, passam pelo desconforto muitas vezes. Eles são alimentados por meio de uma sonda nasal, que despeja comida na forma líquida diretamente no estômago. O procedimento muitas vezes é feito de forma forçada.
Eu vi a cadeira onde os detentos são amarrados enquanto o procedimento é feito.
Mas a equipe de militares da prisão insiste que seus procedimentos estão em consonância com o lema da base sobre tratamento "seguro, humano, legal e transparente". Eles dizem que não desejam que um preso morra sob sua responsabilidade .
Os seis suicídios que já aconteceram no local prejudicaram a imagem de Guantanamo.
Mas, apesar da greve de fome não ser uma prática incomum em Guantánamo, o número de envolvidos no atual protesto é impossível de ignorar. Dezenas de médicos adicionais tiveram que ser mandados para trabalhar na prisão.
Um porta-voz de Guantánamo afirmou que cem dos 166 detentos da prisão estão atualmente envolvidos no protesto.
Advogados dos presos dizem que a greve abrange um número maior de detentos.
Um jornalista que esteve recentemente no complexo disse que os guardas têm tido que lidar com um número cada vez maior de alertas "código amarelo" – que significa que um preso está em condições críticas de saúde.
Advogados de alguns dos detentos afirmaram que seus clientes já estão sucumbindo à fraqueza.

Corão

O protesto teria sido motivado por um incidente específico.
No dia 6 de fevereiro, guardas da prisão faziam uma vistoria no campo seis, onde são mantidos os prisioneiros "cooperativos".
A inspeção teria detectado itens contrabandeados, supostamente apreendidos nas celas. Mas, os detentos reclamaram que exemplares do Corão se extraviaram durante a operação.
Assim começou a maior greve de fome da história da prisão. Desde então, aparentemente o tratamento aos presos foi relaxado.
No campo seis, a maioria dos detentos foi autorizada a se reunir e passou a ter acesso a TV por satélite. Eles também puderam fazer telefonemas para seus advogados.
Alguns dos prisioneiros receberam até o direito de telefonar para seus parentes por meio do Skype. Mas o clima voltou a ficar tenso.
No dia 13 de abril, detentos e carcereiros entraram em confronto em áreas comuns do presídio. Segundo autoridades americanas, alguns deles estariam portando armas improvisadas.
Em resposta, os guardas dispararam armas não letais.
Militares americanos afirmaram que invadiram o local onde estavam os presos depois que eles cobriram janelas e câmeras de segurança.
Depois do incidente, as reuniões foram proibidas e os detentos passaram a ser mantidos apenas em celas individuais.
Advogados classificaram o protesto como uma reação ao tratamento rígido dado aos detentos.
Porém, a ação dos presos também parece ser coordenada e elaborada para atrair a atenção.
Em minhas visitas à base, aparentemente as condições melhoraram. Mas isso não parece suficiente para aplacar a raiva crescente de prisioneiros mantidos por anos na prisão, sem perspectiva de julgamento.

Promessa de Obama

Se as ordens do presidente Obama tivessem sido seguidas, Gunatánamo já teria sido fechada há muito tempo.
Ele prometeu durante a campanha que o complexo seria fechado em um ano.
Mas o desejo do presidente foi frustrado por republicanos e até democratas no Congresso. Eles bloquearam as tentativas de levar os detentos a julgamento em tribunais federais americanos.
Na terça-feira, Obama disse que tentaria fechar a prisão novamente. Mas, as mãos deles podem estar atadas.
O enviado especial do Departamento de Estado que estava encarregado de encontrar países dispostos a receber prisioneiros que poderiam ser libertados foi recentemente “transferido”.
O pequeno fluxo de prisioneiros que deixavam Guantanamo para a Arábia Saudita ou para Bermuda foi interrompido.
Relatórios de que alguns detentos de Guantánamo teriam "retornado ao campo de batalha" endureceram a opinião pública.
O presidente pode ser cauteloso em permitir que dezenas de detentos retornem ao Iêmen. Mas o pano de fundo é que a maioria dos detentos já poderia ser libertada.
Poucos foram acusados de terrorismo. O senso de "injustiça" causado por isso é uma questão que deve ser tratada pelo governo americano

:Fonte: BBC Brasil

Novo presidente do Paraguai descarta ida à Cúpula do Mercosul em junho

Horacio Cartes disse que, como só toma posse em agosto, não poderá participar da reunião, que acontecerá no Uruguai

   atualizado às 20h27

Cartes deu sua primeira entrevista coletiva como presidente eleito nesta segunda-feira  Foto: Partido Colorado / Divulgação


O presidente eleito do Paraguai, Horacio Cartes, disse nesta segunda-feira que não vai participar da próxima Cúpula do Mercosul, em junho, porque seria "descortesia" com o atual governo, já que ele só toma posse em agosto. Cartes, eleito no último domingo, foi convidado para a reunião pelo chefe de governo do Uruguai, José Mujica.
Em sua primeira entrevista coletiva após a vitória, Cartes disse que não pode assumir "compromissos que não lhe correspondem". Antes do juramento como novo chefe de Estado paraguaio, "não temos nada que fazer, quem exerce a função de presidente da República é o doutor Federico Franco", lembrou. Franco foi excluído das cúpulas do Mercosul desde que assumiu o poder após o impeachment, no ano passado, de Fernando Lugo.
No entanto, Cartes disse que há disposição dele e também dos vizinhos para a volta do país ao Mercosul e à União de Nações Sul-Americanas (Unasul). "Meses depois (do impeachment) nos sentamos com embaixadores de outros países e vimos que há muita predisposição para endireitar a situação. Só temos dois caminhos: olhamos para trás, e alguns ainda estão olhando para a Guerra da Tríplice Aliança, ou olhamos para frente. Nós notamos que existe toda predisposição para reparar os erros. Tínhamos que esperar as eleições. As eleições passaram e tem um bom clima. Vamos colocar todo o esforço para resolver a situação", disse.
A próxima Cúpula do Mercosul, em junho, será em Montevideú, capital uruguaia. Além dos paraguaios não terem aprovado a entrada da Venezuela, Nicolás Maduro, novo presidente do país, foi considerado "pessoa não grata" pelo Congresso do Paraguai quando era chanceler e vice de Hugo Chávez, morto em março. O Partido Colorado, de Cartes, posicionou-se contra o ingresso da Venezuela. Para reverter esta situação, dois terços dos congressistas precisam aprovar a incorporação dos venezuelanos.
Cartes recebeu felicitações dos presidentes José Mujica (Uruguai), Cristina Kirchner (Argentina) e Dilma Rousseff (Brasil). Com Cristina, agradeceu o fato de a Argentina ter "acolhido mais de 1 milhão de paraguaios, que encontraram lá, o que não encontraram aqui, direito de trabalhar". Com Dilma, por telefone, manifestou interesse em conhecer os programas brasileiros de combate à fome e à pobreza, ressaltando que no Paraguai existe a "equação do diabo: muita pobreza dentro de muita riqueza".
Cristina Kirchner, José Pepe Mujica e Juan Manuel Santos (Colômbia) enviaram mensagens parabenizando o presidente eleito e indicaram que o fim da suspensão do Paraguai dos blocos regionais está próximo porque o país demonstrou ter respeitado as instituições democráticas.
Com informações da Agência Brasil e Agência EFE
Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/america-latina/novo-presidente-do-paraguai-descarta-ida-a-cupula-do-mercosul em-junho,92fe540b9813e310VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Boston: polícia identifica suspeito foragido

Atualizado em  19 de abril, 2013 - 11:11 (Brasília) 14:11 GMT

Dzhokhar Tsarnaev  (foto: AP)
Dzhokhar Tsarnaev, que está foragido, seria um dos dois autores do atentado de Boston
A polícia de Boston informou que está procurando Dzhokhar Tsarnaev, de 19 anos, identificado como um dos dois supostos autores do atentado a bomba durante a Maratona de Boston, na segunda-feira.
Seu irmão mais velho, cujo nome, segundo a mídia americana, seria Tamerlan Tsarnaev, de 26 anos, chamado pela polícia de "suspeito número 1", morreu durante uma perseguição no distrito de Watertown, a dez quilômetros de Boston, na quinta-feira. Os dois seriam da Chechênia, na Rússia, e estariam morando nos Estados Unidos há cerca de dez anos.
Nas imagens divulgadas na quinta-feira pelo FBI, Tamerlan aparece usando um boné preto. Seu irmão, Dzhokhar, está com boné branco.
Segundo o serviço russo da BBC, Dzhokhar Tzarnaev teria mudado da Chechênia para um país na Ásia Central, provavelmente o Quirguistão, de onde partiu para o Daguestão (república russa situada na região do Cáucaso) e, de lá, para os Estados Unidos.
Ainda segundo a BBC, não há informações concretas sobre a procedência de Tamerlan.

A perseguição aos dois homens começou na noite de quinta-feira, depois que a polícia foi acionada em decorrência de um incidente no campus da Massachusetts Institute of Technology (MIT), em que um policial morreu.

Perigo para população

Durante a perseguição policial, os suspeitos, que estavam em um carro, jogaram explosivos e atiraram contra os carros da polícia.
Segundo o porta-voz da polícia Edward Davis, na troca de tiros, Tamerlan morreu e Dzhokhar conseguiu fugir.
A polícia, então, lançou uma megaoperação de busca na região e pediu aos moradores de Boston e arredores que não saiam de casa.
Todos os serviços de transporte público na região estão suspensos.
"Não abram a porta de suas casa para estranhos, a menos que seja um policial", alertou Davis, acrescentando que o homem foragido está armado e representa um perigo para a população.
Em entrevista à BBC, um residente de Watertown relatou momentos de medo quando ouviu fortes explosões e trocas de tiros em frente ao seu prédio na noite de quinta-feira.
Kristian Tuinzing disse que uma das balas trocadas entre policiais e os suspeitos atravessou a parede de seu quarto, perfurou um calendário pendurado na parede e foi parar em cima da sua cama.

Fonte: BBC-Brasil

Dilma chega à Venezuela trazendo 'apoio' da Unasul à paz

Atualizado em  19 de abril, 2013 - 10:06 (Brasília) 13:06 GMT

Dilma e chefes de Estado na reunião da Unasul em Lima (REUTERS/Enrique Castro-Mendivil)
Dilma e os chefes de Estado que participaram da reunião da Unasul participariam da posse de Maduro nesta sexta-feira
A presidente Dilma Roussef reforçou, na manhã desta sexta-feira em Caracas, o papel da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) como referência de "apoio para a paz" na Venezuela, que vive dias de incerteza e expectativa desde a contestação, pela oposição, do resultado da eleição presidencial de domingo.
Chegando ao hotel em Caracas às 07h00 da manhã locais (08h30 em Brasília) para participar da cerimônia de posse de Nicolás Maduro, vencedor do pleito de domingo, a presidente comentou uma nota emitida pela Unasul na madrugada passada, pedindo respeito à decisão das urnas.
"A nota reitera os compromissos da Unasul com os processos democráticos", disse Dilma, "ao mesmo tempo que determina o posicionamento da Unasul como centro de apoio para a estabilidade, a paz e todos os processos que constituam legalmente a sustentação democrática".
A presidente disse ainda que a Unasul "repudia as violências, as mortes, os feridos e também acrescenta um posicionamento no sentido de que haverá uma comissão da Unasul para acompanhar as investigações sobre direitos humanos".
Dilma chegou a Caracas vindo de Lima, no Peru, onde foi realizado um encontro de cúpula extraordinário para discutir a situação na Venezuela.
Segundo a Agência Brasil, no encontro, encerrado na madrugada passada, o bloco também reconheceu a importância de o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país ter decidido verificar 100% das urnas eletrônicas, atendendo a pedido da oposição no país.
Participaram da reunião os presidentes Dilma Rousseff (Brasil), Cristina Kirchner (Argentina), José Mujica (Uruguai), Evo Morales (Bolívia), Sebastián Piñera (Chile) e José Manuel Santos (Colômbia). O encontro foi convocada pelo presidente peruano, Ollanta Humala, responsável pela presidência rotativa da Unasul.
Nicolás Maduro participou da reunião em Lima, convocada após os protestos e manifestações liderados pelo candidato derrotado e governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles.
Após o encontro, os chefes de Estado apresentaram uma ata com cinco pontos de consenso. Além de reconhecer o CNE como órgão soberano para receber reclamações, a Unasul parabenizou o presidente eleito e disse que pretende cooperar para a solução dos problemas que possam afetar a democracia na região.
A Unasul irá designar uma missão observadora para acompanhar a investigação dos atos violentos ocorridos esta semana durante as manifestações que pediam a recontagem dos votos. O governo acusa a oposição de ser responsável pela morte de oito pessoas devido aos protestos.
Dilma e os demais chefes de Estado participam nesta sexta-feira da cerimônia de posse de Maduro na capital venezuelana, marcada para as 13h00 no horário local (14h30 em Brasília).
*Com informações da Agência Brasil
 Fonte: BBC- Brasil

quarta-feira, 6 de março de 2013

Chávez, o militar socialista que transformou a Venezuela

Atualizado em  5 de março, 2013 - 19:16 (Brasília) 22:16 GMT

Mulher segura foto de Hugo Chávez (foto: AP)
Mulher segura foto de Hugo Chávez; presidente era visto por povo como membro da família
Soldado. Bolivariano. Socialista e antiimperialista. Assim se autodefinia o presidente da Venezuela Hugo Chávez. Considerado um dos mais polêmicos e importantes líderes da América Latina, um câncer marcou sua batalha final, encerrando os 14 anos de sua permanência no poder.
Chávez é visto como o homem que transformou a história social e política da Venezuela. Para os setores populares foi uma espécie de "justiceiro" que chegou à Presidência para redistribuir a renda do petróleo, antes privilégio de uma minoria. Para seus opositores foi o político que dividiu o país e atentou contra a propriedade privada, a liberdade de imprensa e a democracia.
O projeto maior de Chávez, a chamada "revolução bolivariana", moveu o tabuleiro da política venezuelana à esquerda. Polêmico, inspirado no prócer independentista Símon Bolívar, criticava em seus discursos as causas que teriam levado o país - quinto maior exportador mundial de petróleo - a manter a maioria da população na pobreza.
Com uma popularidade incomparável na história do país, o líder venezuelano criou um vínculo emocional com seus seguidores que foi além da política. Por alguns é visto como "pai", "irmão", "amigo" ou "filho". Gritos de "Chávez, eu te amo", costumavam acompanhar comícios e atos públicos liderados pelo presidente.
Para Alberto Barrera, autor da biografia Chávez sem uniforme, o presidente estabeleceu "um carisma religioso e afetivo com parte da população". Ele acrescenta que Chávez podia ser comparado a um popstar.
"Ele quis ser jogador de beisebol, mas não deu certo. Gostava de cantar, mas desafinava. Tentou um golpe de Estado e fracassou, e por fim, chegou à Presidência e fez uma revolução", disse um simpatizante.

História

Proveniente de uma família humilde de origem camponesa e de professores primários, Chávez nasceu em 1954, no povoado de Sabaneta, em Barinas no noroeste venzuelano. Cresceu em um casebre, onde foi educado pela avó materna. No Exército, fundou o Movimento Bolivariano Revolucionário 200, que se tornou o alicerce de sua carreira política.
Em fevereiro de 1992, o então tenente-coronel Chávez liderou um golpe de Estado contra o governo de Carlos Andrés Perez. Fracassada a intentona, Chávez foi preso.
Em 1999 foi eleito presidente e promoveu uma Assembleia Constituinte que criou as bases de seu projeto político. Ele estabeleceu uma política nacionalista, atacou latifúndios e promoveu uma onda de nacionalizações em setores estratégicos – petróleo, siderurgia, telecomunicações, eletricidade e parte do setor alimentar.
Essas medidas teriam assustado investimentos estrangeiros e empresários locais que deixaram de apostar no desenvolvimento industrial do país por temor ao "comunismo".
Ao promover mudanças na Constituição, Chávez foi acusado de demagogia e oportunismo. Para seus opositores, as alterações eram parte de um plano para mantê-lo eternamente no poder.
Chávez foi chamado de populista e autocrático, acusado de ameaçar a liberdade de imprensa e de utilizar a máquina estatal para perseguir aqueles que discordavam de sua "revolução".

Pobreza e economia

A estrutura econômica herdada de governos anteriores na qual a atividade produtiva se resumia praticamente à exploração de petróleo, se manteve intacta na era Chávez. Não houve diversificação do campo produtivo e o principal motor da economia continuou sendo o petróleo.
"Chávez surgiu em uma Venezuela comandada por mais de 50 anos por uma elite política e empresarial acomodada pela bonança petroleira." A opinião é do historiador Miguel Tinker Salas, professor de História Latino-americana da Pomona College, da Califórnia. "Chávez canalizou a crise, que de outra forma, poderia ter provocado um enfrentamento social", afirmou à BBC Brasil.
A criação das missões (programas sociais) de saúde e educação inaugurou em 2003 a cooperação com Cuba – estabelecendo a assistência de médicos e educadores em troca de petróleo. Essa aliança se tornou mais tarde o pilar de sustentação do governo e da popularidade do presidente.
"Antes de Chávez, o único direito que nós, os pobres, tínhamos, eram as balas (de repressão)", afirmou à BBC Brasil a dona de casa Miriam Bolívar, enquanto aguardava notícias sobre a saúde do presidente na Praça Bolívar, em Caracas, dias depois de sua última cirurgia.
Na era Chávez, a pobreza na Venezuela caiu mais de 20%, de acordo com a Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), e o país passou a registrar a menor desigualdade entre ricos e pobres entre nações latino-americanas, de acordo com relatório da ONU, com 0,41 no índice de Gini que mede o grau de desigualdade na distribuição da renda domiciliar per capita entre os indivíduos de um país, quanto mais próximo de zero menor a desigualdade.
Apesar de se proclamar socialista, Chávez não conseguiu eliminar uma das maiores mazelas econômicas que afetam principalmente a população de renda mais baixa, a inflação. Com índices que chegam a 30%, a Venezuela tem a maior inflação da América Latina. Seu governo também falhou em não criar uma política econômica de longo prazo que fosse capaz de evitar a recessão.
Além disso, o presidente não conseguiu acabar com a corrupção na administração pública nem reduzir os índices de criminalidade nas ruas.

Amor e ódio

Chávez foi um líder polêmico e o sabia. Na Venezuela polarizada entre chavistas e anti-chavistas, entre socialismo e capitalismo, elementos raciais e de classe social também foram determinantes para incrementar o "amor" e "ódio" em torno à sua liderança.
Seus opositores acreditam que a polarização criada é maléfica para o país, pois apenas um setor da sociedade – os "vermelhos" - teria espaço. "Chávez atacou o velho sistema de exclusão social que dominava a sociedade, mas em contrapartida desenvolveu um novo sistema de exclusão política", afirmou Barrera.
A divisão entre os venezuelanos se aprofundou durante a crise política de 2002-2003 que resultou do fracassado golpe de Estado contra Chávez.
A intensa disputa se arrastou até 2004, quando Chávez saiu vitorioso nas urnas, depois de um referendo sobre seu mandato.
Em 2007, ele cancelou a concessão pública do canal privado RCTV - acusado de apoiar o golpe - , desencadeando uma onda de protestos. Chávez acusava os meios de comunicação privados de serem os porta-vozes da oposição interna e do governo dos Estados Unidos. A saída do ar da RCTV foi vista como um ataque à liberdade de imprensa.
A vitória no referendo em 2009, que lhe permitiu reeleger-se sem limites de mandatos, foi outro auge polêmico - que voltou a dividir a sociedade entre o "sim" e "não".
Ex-aliada do governo, a historiadora Margarita López Maya critica o centralismo desenvolvido em torno da figura presidencial. "Em termos históricos, foi o rei que tivemos na Venezuela. Foi como Luis 14."

Diplomacia

Amparado pelo incremento dos preços do petróleo, Chávez fortaleceu a influência de sua diplomacia no continente. "Ele deixa uma projeção internacional nunca alcançada por outro líder venezuelano", disse à BBC Brasil o analista político Luis Vicente León, da consultoria Datanalisis.
Os Estados Unidos viam com ressalvas a influência de Chávez em outros países da América Latina. O presidente venezuelano costumava dar opiniões sobre eleições em países vizinhos, apoiava abertamente candidatos presidenciais e assinou multimilionários acordos de cooperação.
Chávez criou novos mecanismos de integração regional, como Petrocaribe e Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), orientados na venda de petróleo a preços preferenciais, em troca do pagamento em moeda, mercadorias ou serviços.
Crítico da política "imperialista", Chávez desafiou a influência americana na América Latina, tornando-se, ao lado de Fidel Castro, o principal inimigo dos Estados Unidos na região. Defensor de um "mundo multipolar", se aproximou de figuras como o ex-líbio Muammar Gaddafi e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
O estreitamento das relações entre Caracas e Brasília teve como marco os dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste período, o fluxo comercial foi triplicado e a aliança política consolidada, sobretudo para dirimir crises entre a Venezuela e o governo do colombiano Álvaro Uribe.
Na Presidência, Chávez foi um grande incentivador do chamado "eixo de integração" entre Brasília, Caracas e Buenos Aires - no qual contou com o apoio do ex-presidente Lula, no Brasil, e do casal Kirchner, na Argentina.
Em 2012, Chávez colheu parte dos frutos desses apoios ao ver seu país dentro do bloco do Mercosul após uma manobra diplomática do Brasil e da Argentina que neutralizou a oposição paraguaia a essa integração.

Chávez–dependência

Os venezuelanos foram convocados às urnas em 17 eleições durante os mandatos de Chávez. Ele saiu derrotado apenas uma vez, quando pretendeu reformar 33 artigos da Constituição. Reeleito em outubro de 2012, o câncer impediu que assumisse seu terceiro mandato.
Placas, murais e grafites espalhados por todo o país evocam seu rosto e suas frases. Nas casas mais humildes, a imagem do "comandante" divide o espaço com a foto das famílias nas paredes.
Em seu testamento político, Chávez preparou a população para o que viria: sua quarta cirurgia poderia ser a batalha final contra o câncer. Antes de enfrentá-la, apontou a Nicolás Maduro, vice-presidente e chanceler, como seu substituto na liderança da "revolução bolivariana". Desde então, uma antiga idéia defendida por ele recobrou vida entre seus seguidores: "Eu sou um povo, todos somos Chávez".

Fonte BBC Brasil

domingo, 20 de janeiro de 2013

Entenda os interesses da França no Mali

Atualizado em  16 de janeiro, 2013 - 12:54 (Brasília) 14:54 GMT
Soldados franceses no Mali
Intervenção pode se mostrar mais complexa do que prevê Hollande, dizem analistas
A ação militar francesa no Mali parece haver rendido pontos ao presidente da França, Francois Hollande, nas pesquisas de opinião, mas muitos analistas se surpreenderam com a intervenção do país europeu na sua ex-colônia africana.
A operação militar francesa, que teve início na sexta-feira passada, tem, segundo Hollande, o objetivo único de impedir que grupos rebeldes islâmicos que controlam o norte do Mali assumam o controle de todo o país.
Uma força regional, composta por tropas de vários países da África Ocidental, em poucos dias também estará no Mali para auxiliar nas operações contra os grupos insurgentes.
Pelos termos de um acordo firmado em outubro passado, a França deveria liderar uma missão europeia que daria treinamento com apoio logístico a uma intervenção promovida pelo bloco militar da Comunidade Econômica de Estado de África Ocidental (Cedeao). Ou seja, não estava previsto que a França participaria dos combates.
Hollande tem enfatizado que se o Mali se converter em refúgio de insurgentes islâmicos, a segurança europeia estaria em risco. Mas além da segurança europeia, o que mais estaria por trás da decisão francesa de intervir no conflito africano?

Ameaça à Europa

Os rebeldes islâmicos, alguns dos quais teriam ligações com a rede Al-Qaeda, já controlam metade do Mali, e a chance de que venham a controlar todo o território do país não é de todo remota, segundo Paul Melly, analista de temas africanos da BBC.
Especialistas concordam que o Exército no Mali não tem capacidade de conter a ofensiva rebelde. A captura recente de Konna, o ponto mais ao norte do país que ainda não havia caído nas mãos dos militantes islâmicos, funcionou como um grito de alerta.
''Representantes do governo da França não estavam exagerando quando disseram que, sem a intervenção francesa, os insurgentes islâmicos poderiam chegar à capital, Bamako, em questão de dias'', afirma Melly.
De acordo com o analista, isso teria sido desastroso não apenas para o Mali, mas para toda a África Ocidental, ''ameaçando a estabilidade e as estruturas democráticas de toda a região''.
Isso também poria em jogo todos os interesses da ex-metrópole francesa, que, historicamente, sempre teve uma presença importante na região.
Rebeldes com aparentes elos com a Al-Qaeda conquistaram o norte do Mali
E seria preocupante também para a comunidade internacional, segundo Melly. ''Permitir que um país da África ocidental outrora estável ruísse completamente diante de grupos cujo objetivo é exportar a guerra santa seria arriscar a estabilidade e a segurança de várias nações, do Senegal à Nigéria'', opina o analista.

Intervencionismo francês

A França tem um histórico de intervenções militares em suas antigas colônias em momentos de insurreições, golpes de Estado e instabilidade política.
O analista da BBC Tim Whewell frisa que a França, que até os anos 50 e 60 controlava vários países africanos, ''nunca deixou a região por completo''.
''Mesmo após a independência de suas antigas colônias africanas, a França já interveio em conflitos no Gabão, na República Centro-Africana, na Costa do Marfim e na República do Congo'.'
Então, por que mudou de ideia tão subitamente se seu plano inicial era apenas fornecer apoio logístico? A resposta do governo francês é que o próprio governo interino de Mali pediu a ajuda francesa quando os rebeldes avançaram até assumir o controle de Konna, cidade considerada crucial e situada a pouco mais de 680 km da capital malinesa, Bamako.

Impulso a Hollande

Os índices de popularidade do presidente Francois Hollande vinham despencando, e muitos acreditam que a intervenção favorece a sua imagem.
Até o momento, o líder socialista vinha se posicionando como um estadista antibelicista, com planos de retirada imediata de tropas francesas no Afeganistão.
Topas nigerianas no Mali
Soldados nigerianos integram tropas internacionais no Mali; instabilidade malinesa pode afetar região, diz analista
Mas seus índices de aprovação caíram para a faixa de 20% desde que ele chegou ao poder, no ano passado. E uma pesquisa recente mostrou que 3 em cada 4 franceses duvida que ele será capaz de cumprir suas promessas.
Francois Heisbourg, diretor do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, baseado na Grã-Bretanha, afirmou que a intervenção no Mali deu a Hollande um empurrão em um momento difícil para seu governo.
"Hollande é visto, inclusive por muitos de sus seguidores, como um homem indeciso, como Obama era visto nos primeiros meses de seu mandato", afirma.
''Sua decisão de intervir no Mali, que foi rápida, contundente e aparentemente efetiva, mudou subitamente a imagem de Hollande.''

Aposta de risco

Mas os analistas advertem também que a decisão francesa representa uma aposta de risco.
''Os rebeldes estão muito bem equipados, têm grande mobilidade e conhecimento do terreno. A França tem vantagem aérea, mas os bombardeios podem ser contraproducentes e alienar uma parte da população civil do Mali'', diz à BBC BBC Nigel Inkster, ex-agente do MI6, o serviço de inteligência britânico.
Jonathan Marcus, especialista da BBC em assuntos diplomáticos, afirma que os objetivos da missão francesa são poucos claros: "O envio de tropas visa conter o avanço dos rebeldes islâmicos ou que o governo do Mali retome o controle do norte do país? Trata-se de uma área gigantesca'', comenta.
Os próprios meios de comunicação franceses já manifestaram preocupações com a intervenção e destacaram que ''é fácil entrar, mas difícil sair''.
 Fonte: BBC Brasil