sexta-feira, 30 de março de 2012

Brics discutem criação de Banco de Desenvolvimento em cúpula da Índia

Atualizado em  27 de março, 2012 - 07:33 (Brasília) 10:33 GMT

Dilma chega a hotel em Nova Déli (Roberto Stuckert Filho-PR)
Dilma recebeu um 'bindi' ao chegar em Nova Déli
A presidente Dilma Rousseff chegou nesta terça-feira a Nova Déli, na Índia, para participar da Quarta Cúpula dos Brics (grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), um encontro que deve ser dominado por discussões sobre como estimular o crescimento econômico de forma sustentável e equilibrada.
Ao chegar ao hotel Taj Palace, na capital indiana, Dilma recebeu o tradicional bindi no centro da testa (uma pequena marca feita com pigmento vermelho, símbolo de proteção e energia), um colar de flores e pétalas de rosa.
Os líderes dos cinco países do bloco Brics - além da presidente brasileira, participarão do encontro o premiê indiano, Manmohan Singh, e os presidentes Dmitri Medvedev, da Rússia, Hu Jintao, da China, e Jacob Zuma, da África do Sul – discutirão a criação de um banco de desenvolvimento do bloco, dedicado a investir em projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países pobres e emergentes.
A expectativa é de que os líderes assinem uma declaração sobre a intenção de criar o Banco de Desenvolvimento dos Brics, que funcionaria como uma espécie de alternativa ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional, mas sem definir os detalhes.
"A criação do Banco de Desenvolvimento dos Brics deve virar realidade em cerca de três anos. A intenção é ter dinheiro para investir nos próprios países do grupo e em outros países em desenvolvimento", diz Fabiano Mielniczuk, coordenador de pesquisa do Brics Policy Center, uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro e da PUC/RJ.
"Até o momento, estes países foram forçados a se submeter a políticas de condicionalidade, tendo de cumprir exigências feitas pelo Banco Mundial ou o FMI em troca de empréstimos. Isso não aconteceria com o banco dos Brics."
Está prevista ainda a assinatura de atos em relação a um tema que vem sendo discutido desde a realização da primeira Cúpula dos Brics: a criação de mecanismos para facilitar o comércio e o financiamento em moeda local de investimentos realizados entre os países do bloco.

Rio+20

Às vésperas da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (que acontece em junho, no Rio de Janeiro), a pauta de discussões dos Brics também incluirá temas ligados à economia verde (que prevê a utilização do meio ambiente para gerar riqueza, sem degradação) como forma de distribuir renda e gerar inclusão social.
"Isso envolve a transferência de tecnologia de países ricos para aqueles em desenvolvimento. Nesse sentido, os outros países dos Brics têm muito a aprender com a China, que polui muito, mas investe pesado em pesquisa para migrar para tecnologia limpa", diz Mielniczuk.
Também serão discutidas questões relativas a paz e segurança global, incluindo a situação na Síria e no Irã.
Paralelamente à cúpula dos Brics, está programado um fórum financeiro, com a participação de presidentes de bancos centrais dos países. Haverá ainda um fórum empresarial, que contará com a presença de 60 executivos do Brasil.
Dilma é recebida em Nova Déli por ministra indiana (AP)
Presidente está na capital indiana para participar de cúpula de países emergentes
Na sexta- feira, Dilma deve assinar uma série de acordos bilaterais com a Índia.
O termo Brics foi criado há dez anos pelo economista do banco Goldman Sachs Jim O’Neill, que previu, na época, que Brasil, Rússia, Índia e China (a África do Sul só foi adicionada ao grupo em 2011) iriam impulsionar a economia mundial nas décadas seguintes.
O’Neill previa que os Brics chegariam a representar coletivamente 14% do Produto Interno Bruto (PIB) global, em relação a seus então 8%. Na verdade, apesar da crise financeira global de 2008/2009, este número foi superado, chegando a 19%.
Segundo estimativas do FMI, em 2012, os países dos Brics deverão responder por 56% do crescimento da economia mundial, enquanto os países do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) deverão ser responsáveis por apenas 9% do crescimento.

Fonte BBC-Brasil - http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/03/120327_india_dilma_is.shtml

terça-feira, 27 de março de 2012

Novo movimento inicia ações contra acusados de torturar prisioneiros políticos na ditadura

26/3/2012 12:26,  Por Redação - do Rio de Janeiro e Belo Horizonte
66
levante
O Levante Popular da Juventude realizou atos públicos em todo o país, nesta segunda-feira
Às vésperas de mais um aniversário do golpe de Estado que mergulhou o Brasil em uma ditadura militar de 20 anos, um novo movimento chega às ruas do país, nesta segunda-feira, com o objetivo de promover a denúncia dos acusados de cometer tortura contra prisioneiros políticos durante o período ditatorial. O Levante Popular da Juventude (LPJ) realizou, nesta manhã, em várias capitais brasileiras, “ações simultâneas de denúncia de diversos torturadores, que continuam impunes”, afirma o manifesto liberado junto com o ato político.
Os ativistas apoiam a Comissão da Verdade e exigem a apuração e a punição sobre os crimes cometidos pela ditadura militar. O caráter das ações, conhecida como “escracho”, baseia-se em ações similares as que acontecem na Argentina e no Chile, em que jovens fazem atos de denuncias e revelações dos torturadores que continuam soltos e sem julgamento sobre suas ações durante a ditadura militar.
Em Belo Horizonte, às 6h da manhã, cerca de 70 pessoas realizaram um “escracho” em frente a casa do acusado Ariovaldo da Hora e Silva, no bairro da Graça, uma área residencial da capital mineira. A manifestação contou com faixas, cartazes e tambores, além da distribuição de cópias de documentos oficiais do DOPS, contendo relatos das sessões de tortura com a participação do acusado, “para conscientizar a população vizinha ao criminoso”, disse um porta-voz do movimento. Os vizinhos se mostraram surpresos com o fato do Ariovaldo ter sido torturador do Regime Militar.
– Não sabia que o Seu Ari era um torturador. Tenho na família um caso de perseguido pela ditadura e vou divulgar isso – afirmou um morador da região.
O denunciado permaneceu em casa ouvindo e assistindo a manifestação, tendo aparecido na janela por alguns segundos.
Quem é quem
Ariovaldo da Hora e Silva foi investigador da Polícia Federal, lotado na Delegacia de Vigilância Social como escrivão. Delegado da Polícia Civil durante a ditadura, exerceu atividades no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) entre 1969 e 1971, em Minas Gerais. O nome de Ariovaldo da Hora e Silva consta na obra Brasil Nunca Mais (Projeto A), acusado de envolvimento com a morte de João Lucas Alves e de ter praticado tortura contra presos políticos.
“Foram vítimas dele Jaime de Almeida, Afonso Celso Lana Leite e Nilo Sérgio Menezes Macedo, entre outros. Na primeira comissão constituída para tratar do recolhimento dos documentos do DOPS ao Arquivo Público Mineiro (APM), em 1991, ele foi designado para representar a Secretaria da Segurança Pública do Estado de Minas Gerais (SESP). Em 1998, foi Coordenador de Informações da Coordenação Geral de Segurança (COSEG)”, relata o texto distribuído nesta manhã.
Já o Levante Popular da Juventude é um “movimento social organizado por jovens que visa contribuir para a criação de um projeto popular para o Brasil, construído pelo povo e para o povo”, acrescenta o texto. O LPJ, segundo seus ativistas, não é ligado a partidos políticos: “Com caráter nacional, tem atuação em todos os Estados do país, no meio urbano e no campo. Se propõe a articular jovens, militantes de outros movimentos ou não, interessados em discutir as questões sociais e colaborar para a organização popular. Tem como objetivo propiciar que a juventude tome consciência da sua história e da realidade à sua volta para transformá-la”.
Um dos propósitos do LPJ é o de organizar a juventude para fazer denúncias à sociedade, por meio de ações de Agitação e Propaganda. “Não há bandeiras previamente definidas. A luta política se dá pelas pautas escolhidas pelos próprios militantes, que realizam atividades de estudo e debates, sistematicamente, por todo o país”, continuou.
Manifesto
Os rebelados do Levante também divulgaram, logo após as ações desta manhã, um manifesto no qual situam o objetivo da luta iniciada com o ‘escracho’ ao acusado de torturar presos políticos no país. Leia, na íntegra o Manifesto Levante Contra Tortura:
Mas ninguém se rendeu ao sono.
Todos sabem (e isso nos deixa vivos):
a noite que abriga os carrascos,
abriga também os rebelados.
Em algum lugar, não sei onde,
numa casa de subúrbios,
no porão de alguma fábrica
se traçam planos de revolta.

Pedro Tierra
Saímos às ruas hoje para resgatar a história do nosso povo e do nosso país. Lembramos da parte talvez mais sombria da história do Brasil, e que parece ser
propositadamente esquecida: a Ditadura Militar. Um período onde jovens como nós, mulheres, homens, trabalhadores, estudantes, foram proibidos de lutar por uma vida melhor, foram proibidos de sonhar. Foram esmagados por uma ditadura que cruelmente perseguiu, prendeu, torturou e exterminou toda uma geração que ousou se levantar.

Não deixaremos que a história seja omitida, apaziguada ou relativizada por quem quer que seja. A história dos que foram assassinados e torturados porque acreditavam ser possível construir uma sociedade mais justa é também a nossa história. Nós somos seu povo. A mesma força que matou e torturou durante a ditadura hoje mata e tortura a juventude negra e pobre. Não aceitamos que nos torturem, que nos silenciem, nem que enterrem nossa memória. Não esqueceremos de toda a barbárie cometida.
Temos a disposição de contar a história dos que caíram e é necessário expor e julgar aqueles que torturaram e assassinaram nosso povo e nossos sonhos. Torturadores e apoiadores da ditadura militar: vocês não foram absolvidos! Não podemos aceitar que vocês vivam suas vidas como se nada tivesse acontecido enquanto, do nosso lado, o que resta são silêncio, saudades e a loucura provocada pela tortura. Nós acreditamos na justiça e não temos medo de denunciar os verdadeiros responsáveis por tanta dor e sofrimento.
Convidamos a juventude e toda a sociedade para se posicionar em defesa da Comissão Nacional da Verdade e contra os torturadores, que hoje denunciamos e que vivem escondidos e impunes e seguem ameaçando a liberdade do povo. Até que todos os torturadores sejam julgados, não esqueceremos, nem descansaremos.
Pela memória, verdade e justiça! Levante Popular da Juventude

Fonte: Correio do Brasil -
 http://correiodobrasil.com.br/novo-movimento-inicia-acoes-contra-acusados-de-torturar-prisioneiros-politicos-na-ditadura/415407/

segunda-feira, 26 de março de 2012

ONU apresenta relatório sobre recursos hídricos em Fórum Mundial da Água

O quarto relatório da Organização das Nações Unidas sobre o desenvolvimento dos recursos hídricos no mundo, que foi apresentado nesta segunda-feira (12) com a abertura em Marselha do Fórum Mundial da Água, constitui o documento mais exaustivo até o momento sobre o estado global deste recurso.
O texto, que recopila o trabalho de 28 membros e parceiros do organismo ONU-Água e é trienal, parte das pressões que serão exercidas pela mudança climática, pelo crescimento demográfico estimado entre 2 e 3 bilhões de pessoas nos próximos 40 anos e o consequente aumento da demanda alimentícia e energética.
Adaptar-se aos efeitos de um aumento de dois graus na temperatura global, segundo estimativas do Banco Mundial em 2010, poderia custar entre US$ 70 e 100 bilhões, dos quais entre US$ 13,7 e 19,2 mil seriam destinados principalmente para a provisão de água e gestão de inundações.
A necessidade de responder a um aumento de 60% da demanda energética nas próximas três décadas e investir em energia limpa para reduzir os efeitos da mudança climática fazem da energia hidráulica e dos biocombustíveis fatores essenciais nos planos de desenvolvimento.
A Agência Internacional de Energia (AIE), de acordo com os números recolhidos no estudo, calcula que pelo menos 5% do transporte mundial será alimentado por biocombustíveis em 2030 e que sua produção poderia consumir entre 20 e 100% da quantidade total de água utilizada no mundo pela agricultura.
Levando em conta que um litro de etanol produzido a partir de cana-de-açúcar precisa de 18,4 litros de água e 1,52 metros quadrados de terra, a quantidade de água necessária a essas plantações poderia ser "particularmente devastadora" em regiões como a África Ocidental, onde é escassa.
A agricultura capta atualmente 70% da água doce do planeta e para 2050 é previsto um aumento necessário de mais 70% da produção agrícola e 19% de seu consumo mundial de água, porcentagem que poderia ser maior dependendo de progressos tecnológicos e decisões políticas adequadas.
Os outros setores econômicos continuarão disputando o acesso aos recursos hídricos, e a partir das conclusões apresentadas nesta segunda-feira, se o atual modo de consumo não mudar, a necessidade de água destinada à produção energética crescerá 11,2% até 2050.
Dentro dessa mesma perspectiva temporal, o aumento da população em terras inundáveis, a mudança climática, o desmatamento e a alta do nível do mar ameaçam aumentar o número de pessoas expostas a inundações a 2 bilhões.
O custo econômico dessa situação é considerável: a ONU calculou em 2011 que 90% dos desastres naturais estão ligados à água e que o custo total das pelo menos 373 catástrofes naturais registradas em 2010 chegou a US$ 110 bilhões.
O relatório afirma que nenhuma região se livra da pressão sobre os recursos hídricos: 120 milhões de europeus não têm acesso à água potável. No sul da Europa, certas partes da Europa central e do leste europeu os cursos de água podem chegar a perder até 80% de seu volume no verão.
Na África, onde a taxa média anual de aumento da população ronda 2,6%, 1,4 pontos a mais que a média mundial, a demanda implícita de água acelera a degradação de seus recursos hídricos.
Uma parcela de 66% do continente africano é árido ou semi-árido e mais de 300 milhões dos 800 que habitam a África Subsaariana vivem em um entorno pobre em água, equivalente a menos de mil metros cúbicos por habitante por ano.
A Ásia e o Pacífico, por outro lado, abrigam 60% da população mundial mas não possuem mais que 36% dos recursos hídricos. Em 2008, segundo o texto, cerca de 480 milhões de pessoas não tinham acesso a uma fonte de água de qualidade e 1,9 bilhões não possuíam infraestrutura sanitária correta.
Na América Latina e no Caribe o crescimento demográfico e a alta da atividade industrial duplicaram a taxa de extração de água no século XX. Além disso, dados de 2010 mostram que o degelo das geleiras afeta a provisão de água de cerca de 30 milhões de pessoas.
Entre os árabes e a Ásia Ocidental pelo menos 12 países são atingidos por uma penúria completa de água, equivalente a menos de 500 metros cúbicos por pessoa por ano. Os conflitos cíclicos também pressionam as fontes e os serviços de água das regiões de amparada dos exilados.
O texto fornece além disso outros dados em nível global, como que 80% das águas residuais não são recolhidas nem tratadas e vão direto a outras massas de água ou se infiltram no subsolo, que é fonte de problemas de saúde para a população e de uma deterioração do meio ambiente.
Apesar dos poucos dados sobre as camadas freáticas, consideradas reservas naturais de água, a estimativa é de que sejam fundamentais para a subsistência e a segurança alimentar de entre 1,2 e 1,5 bilhões de famílias rurais nas regiões mais pobres da África e da Ásia.
Apesar das dificuldades de dispor de previsões concretas, o estudo encoraja principalmente a prevenção: a OMS estima que os benefícios econômicos globais apresentados com a redução pela metade do número de pessoas sem acesso sustentável a água potável e instalações sanitárias supera em oito vezes o custo dos investimentos.
Fonte: Uol   http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/efe/2012/03/12/onu-apresenta-relatorio-sobre-recursos-hidricos-em-forum-mundial-da-agua.jhtm

sexta-feira, 23 de março de 2012

Quem era Mohammed Merah, o suspeito dos ataques na França?

Quem era Mohammed Merah, o suspeito dos ataques na França?

Atualizado em  22 de março, 2012 - 14:58 (Brasília) 17:58 GMT

Mohamed Merah/BBC
Imprensa francesa traça perfil do filho de imigrantes, delinquente juvenil e radicalizado na prisão
Mohammed Merah, o suspeito de ter sido o atirador que dirigia uma scooter e matou sete pessoas no sul da França, morreu após a polícia ter cercado seu apartamento em Toulouse nesta quinta-feira.
Cidadão francês de 23 anos, de origem argelina, ele era há tempos conhecido das autoridades francesas como um pequeno criminoso, mas ultimamente suas ligações com o movimento extremista islâmico chamou a atenção.
O homem que teria dito à polícia ser integrante da Al-Qaeda visitou recentemente o Paquistão e o Afeganistão, onde esteve no reduto talebã de Candahar.
Acredita-se que ele admitiu ter matado com tiros três soldados franceses desarmados, assim com um rabino e três crianças pequenas de uma escola judaica. Merah teria segurado uma garotinha, Myriam Monsonego, pelos cabelos para disparar em sua cabeça.
Segundo autoridades francesas, o único arrependimento que manifestou foi de "não ter feito mais vítimas" e ele se orgulhava de ter "colocado a França de joelhos".
6 de março: Uma Yamaha T-Max como a da foto foi roubada e usada pelo suspeito nos ataques. Ele depois pediu para uma oficina trocar sua cor e desligar seu sistema de rastreamento.
Merah dizia ser motivado pela situação dos palestinos, pela presença militar francesa no Afeganistão e pela proibição do véu muçulmano integral na França, segundo disse o promotor de Justiça François Molins.

Delinquente

Mohammed (seu nome também é escrito Mohamed na imprensa francesa) Merah cresceu em Toulouse, em uma residência pobre no bairro de Lês Izards, que apresenta grande criminalidade e forte presença de imigrantes do norte da África.
Depois, ele se mudou para a região mais tranquila de Cote Pavee, no sul da cidade. De uma família de cinco irmãos, ele foi criado principalmente pela mãe divorciada.
A revista francesa Le Point diz que ele era mecânico por profissão e adorava scooters. Ele seria também um competente jogador de futebol amador.
Merah era considerado um delinquente juvenil. Ainda menor de idade, foi denunciado pelo menos 15 vezes por atos de violência e era descrito como tendo um "perfil violento desde a infância e problemas de comportamento".
Preso pela primeira vez em 2005, serviu duas curtas sentenças de prisão, em 2007 e 2009, por roubos e contravenções de trânsito. Em fevereiro, ele foi considerado culpado por dirigir sem licença e deveria aparecer perante um tribunal em abril.
No entanto, dois de seus amigos franceses o descreveram ao jornal francês JDD como "um cara legal" e que "se dava bem com todos".
Um deles, Samir, disse que Merah foi a uma casa noturna de Toulouse na semana passada. "Servi no Exército, e ele nunca mencionou isso. Estou chocado que ele tenha matado também norte-africanos. Não podemos acreditar", disse o jovem.
11 de março: O soldado francês Imad Ibn-Ziaten foi atraído para um encontro após colocar sua scooter à venda. O suspeito organizou um encontro no qual matou o militar.
Mas outras pessoas ajudam a pintar um quadro diferente.
Um jovem citado em condição de anonimato pela revista francesa Le Nouvel Observateur que o encontrou em uma rai (casa noturna popular de música árabe) por ocasião do primeiro assassinato o descreveu como um "largado, um vagabundo".
"Um solitário. Não era sério... às vezes, tinha cabelo comprido, outras curto. Ou pintava de vermelho", contou.
Um ex-soldado francês, amigo da primeira vítima, o sargento Imad Ibn Ziaten, morto no dia 11 de março, foi entrevistado pelo jornal local La Depeche, também em condição de anonimato. Ele teria encontrado Merah no dia 17 de março e o abraçado, como sempre fazia.
"No sábado mesmo, ele me disse que eu estava 'falando com um anjo'. Na hora, não entendi", afirmou. O jornal sugere que "anjo" pode ser uma referência às suas crenças em uma guerra santa, ou jihad.

'Al-Qaeda!'

Merah teria se radicalizado a alguns anos atrás, quando na prisão, diz o Le Point.
A imprensa francesa diz que há dois anos ele forçou um menino a assistir vídeos violentos do Afeganistão. Ele teria espancado a irmã do menino após a intervenção da mãe.
Várias testemunhas ouvidas pelo La Depeche em Les Izards afirmam ter visto Merah na frente da casa da família vestido em roupas camufladas, com uma espada na mão e gritando: "Al-Qaeda!, Al-Qaeda!".
A própria mãe teria reclamado para a polícia, aparentemente sem resultado, diz o La Depeche.
Quando a polícia pediu para a mãe ajudar nas negociações, ela teria se negado, dizendo não ter mais influência sobre seu filho.
21 de março: Um email levou a este endereço em Toulouse. Dois policiais ficaram levemente feridos quando bateram à porta. O suspeito fortemente armado foi então cercado pela polícia.
O advogado francês Christian Etelin, que o defendeu nos últimos anos de acusações não relacionadas com terrorismo, disse à agência AFP que seu cliente nunca transmitiu a sensação de ser um fanático religioso e que os dois nunca conversaram sobre o islamismo.
"Mas há dois anos soube que ele tinha se radicalizado após ir ao Afeganistão", disse o advogado.
Merah esteve no Paquistão entre agosto e outubro do ano passado. No ano anterior, ele já havia sido parado pela polícia afegã em Candahar, tradicional reduto do Talebã. Entregue para autoridades americanas, foi enviado de volta para a França.
A agência de inteligência francesa (DCRI) sabia de suas viagens ao exterior e suspeitava de seu ativismo islâmico.
O ministro do Interior francês, Claude Gueant, revelou que autoridades pediram em novembro de 2011 que Merah explicasse suas visitas aos dois países, e o jovem mostrou fotos para provar ser um turista.
Gueant defendeu a DCRI afirmando que a agência "monitorou muita gente engajada com o islamismo radical". "Expressar ideias e opiniões salafistas não é o suficiente para que alguém seja processado", completou.
Mohammed Merah foi cercado pela polícia dias antes de sua morte. Ele estava armado e resistiu por quase um dia e meio antes de ser morto.

Fonte: BBc-Brasil - http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/03/120321_perfil_merah_rc.shtml

quarta-feira, 21 de março de 2012

Chevron enfrenta novo vazamento de petróleo e prejuízo bilionário


Chevron
Ativistas do Greenpeace protestaram, semana passada, contra o vazamento de petróleo causado pela Chevron
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou, nesta terça-feira, que ainda há vazamentos no poço de petróleo operado pela Chevron, na costa do Estado do Rio. Os pontos de fuga de petróleo, detectados na semana passada, situam-se no fundo do mar na região do Campo de Frade, área operada pela petrolífera norte-americana, onde já houve um vazamento do produto em novembro passado. Segundo um comunicado inicial, divulgado no início da noite passada, técnicos da ANP detectaram ‘cinco pontos ao longo de uma fissura de 800 metros, de onde se observava o aparecimento de gotículas de óleo, em uma vazão reduzida’, na jazida situada a cerca de 120 quilômetros do litoral do estado do Rio de Janeiro.
Segundo a nota, o presidente da Chevron foi convocado para depor sobre as circunstâncias dos novos derramamentos e a ANP consentiu que a empresa interrompesse totalmente a produção no Campo de Frade, localizado na Bacia de Campos. Na quinta-feira passada, a Chevron já havia anunciado que tinha detectado uma nova fuga de petróleo perto da área onde foi registrado o vazamento de novembro passado. Porta-vozes da empresa disseram que tinham encontrado ‘uma pequena mancha’ de petróleo na superfície marinha e que a Chevron tinha mobilizado ‘imediatamente’ seus dispositivos de contenção.
Dois dias depois, a Justiça emitiu uma ordem que impede 17 diretores da Chevron e da Transocean de abandonar o país. Eles serão acusados criminalmente pelo acidente.
Prejuízo
Antes de deixar o Brasil, a Chevron precisará cumprir as normas ambientais que determinam a selagem do campo de Frade, na Bacia de Campos, e a completa desativação da plataforma. O procedimento, segundo cálculos de especialistas, custará quase o mesmo valor dos investimentos realizados pela companhia para iniciar a exploração do poço. Os mais de US$ 2,5 bilhões investidos até agora para implementar o sistema de produção na costa brasileira deverão ser duplicados para que a empresa possa deixar o país. E o processo será lento, advertem observadores, porque o processo de desmontagem da plataforma é extremamente complicado.
Estudo da Bain & Company e Tozzini Freire Advogados, divulgado nesta terça-feira, lista as várias atividades envolvidas na desativação e no abandono dos poços de petróleo. Além do acompanhamento integral por parte dos técnicos em meio ambiente, há uma série de etapas que envolvem não apenas novos estudos ambientais como o desmonte ou afundamento das estruturas. Segundo o estudo feito pela Chevron, “ao final das etapas de perfuração e produção do campo de Frade será necessário realizar a desativação do empreendimento, visando a evitar qualquer risco de poluição ao meio ambiente, minimizar possíveis impactos e garantir a completa segurança de pessoas e instalações durante esta etapa”.
Se houver o vazamento de petróleo em pontos que não a perfuração principal, esse custo da obra tende a crescer exponencialmente. No lugar da selagem integral do poço, porém, a Chevron poderá ceder o direito de exploração a outro grupo ou negociar com os sócios uma saída do consórcio explorador. Os sócios do consórcio são Petrobras e Japão Frade, mas a Chevron possui mais de 50% de participação. A empresa OGX, do investidor Eike Batista, seria uma das interessadas na aquisição dessas cotas, segundo analistas financeiros, na Bolsa Mercadorias de São Paulo.
O Senado marcou, para esta quarta-feira, uma audiência pública na comissão de Meio Ambiente para debater sobre o novo vazamento de óleo no poço da Chevron. Foram convidados os executivos da empresa e autoridades brasileiras.

Fonte: Correio do Brasil

terça-feira, 20 de março de 2012

Vulcão Etna entra em erupção pela quarta vez este ano

Vulcão Etna entra em erupção pela quarta vez este ano

19/3/2012 13:11,  Por Redação, com ABr - Itália
Vulcão Etna em erupção
O vulcão Etna, na região da Sicília, na Itália, entrou nesta segunda-feira em erupção pela quarta vez apenas neste ano, gerando uma nuvem de cinzas. A nuvem atingiu 6 a 7 mil metros de altitude. De madrugada, foram observados os primeiros sinais de atividade.
As lavas do vulcão seguiram em direção ao Vale do Bove, em uma área de deserto, mas o vento levou a fumaça para o Leste da Sicília. A nuvem de fumaça não provocou alterações nas atividades do aeroporto de Catania.
As autoridades estão em alerta, no entanto, porque está prevista a possibilidade de mudanças de rota em caso de necessidade. Em 2011, o Etna entrou em erupção 18 vezes.
Além de ser o vulcão mais alto da Europa, ele é também a mais alta montanha da Itália nos Alpes. Com extensão de 1.190 quilômetros quadrados, o Etna é o maior vulcão da Itália e da Europa, superando o Vesúvio. É um dos mais ativos do mundo e está em constante erupção.

Fonte: Correio do Brasil

Serra trabalha para evitar que CPI da Privataria seja instalada antes das eleições


Privataria
Serra não quer a instalação da CPI da Privataria Tucana
A CPI da Privataria Tucana se transformou, no Congresso, em moeda de troca entre parlamentares da base de apoio ao governo e oposicionistas. A constatação é do deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), autor do pedido para a instalação das investigações sobre desvios bilionários ocorridos durante o processo de privatização das principais empresas públicas brasileiras, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC). Setores mais conservadores da Casa têm feito “uma ação pesada para postergar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)”, disse o parlamentar, em entrevista exclusiva ao Correio do Brasil, na manhã desta segunda-feira.
– Agora é inexorável. A CPI já foi instalada. Não tem mais como voltar atrás. O que se discute são os nomes dos integrantes, mas há uma pressão muito grande, por parte de setores conservadores na Casa, na oposição e em parte do PMDB, para que os trabalhos comecem mesmo somente depois das eleições – afirmou Protógenes Queiroz
Ex-governador paulista e candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, José Serra é o principal suspeito de coordenar um esquema de evasão de divisas jamais visto na história republicana do Brasil, segundo o best seller de Amaury Ribeiro Jr., A Privataria Tucana. Serra, porém, é o virtual candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo e trabalha contra a instalação da CPI que investigará o envolvimento dele, então ministro do governo FHC, como um dos cabeças da quadrilha que se apropriou de parte do resultado obtido na venda de empresas como a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional; além de todas as subsidiárias do Sistema Telebrás, segundo o livro-reportagem.
Ainda de acordo com o jornalista Ribeiro Jr., as Verônicas Serra (filha do principal suspeito) e Dantas (irmã do banqueiro Daniel Dantas, sócio do Banco Opportunity, condenado por crimes como evasão de divisa e formação de quadrilha) usaram três empresas para trazer US$ 5 milhões do Citibank ao Brasil pelo trajeto Miami-Caribe-São Paulo. Isso seria apenas uma pequena fração da propina paga por favorecimento nas privatizações, uma vez que o Ciribank comprou parte da Telebrás em parceria com Dantas.
A revelação destes e outros dados no plenário de uma CPI, antes das eleições municipais, segundo um renomado líder tucano, que prefere falar em condição de anonimato “para evitar situações ainda mais desagradáveis do que outras que têm ocorrido no PSDB paulista”, seria suficiente para naufragar a campanha de Serra à prefeitura paulistana.
– Sem dúvida, um setor do partido tem trabalhado incansavelmente para adiar a instalação da CPI da Privataria. Se os trabalhos começarem antes das eleições, a campanha de Serra corre o sério risco de ir direto ‘para o vinagre’, por mais que se tente controlar o caso junto à imprensa amiga. Mas o partido, infelizmente, está fragmentado. Embora Serra ainda tenha peso específico na legenda, o desgaste é cada vez maior – disse o político tucano.
A instalação da CPI da Privataria, porém, é ponto de honra para o delegado da Polícia Federal, eleito à Câmara dos Deputados pela principal legenda comunista no país. Protógenes Queiróz reúne a militância do Partido para, nos próximos dias, iniciar uma série de manifestações públicas no sentido de pressionar a Mesa Diretora da Câmara a definir, o quanto antes, os nomes dos integrantes da CPI.
– Vamos começar a recolher o apoio, por todo o país, dos eleitores que querem ver o Brasil passado a limpo. Em São Paulo, já na semana que vem, teremos pontos de recolhimento dessas assinaturas. O mesmo movimento se repetirá no Rio de Janeiro e nas principais capitais do país. O momento agora é de mobilização popular – afirmou Protógenes.
Principal elo de ligação entre José Serra e o esquema de desvio dos recursos públicos, durante o processo de privatização, Ricardo Sérgio de Oliveira – indicado para uma diretoria do Banco do Brasil por seu padrinho político – com influência na gestão dos fundos de pensão estatais, ampliou o faturamento de suas empresas, principalmente em negócios com os próprios fundos de pensão. Para a Previ, as empresas dele venderam um prédio por R$ 62 milhões. Da Petros, compraram dois prédios por R$ 11 milhões. Denúncias sobre a ação de Ricardo Sérgio chegaram à capa da revista semanal de ultradireita Veja, em 2002.
O dinheiro da compra do prédio da Petros foi internalizado no Brasil a partir de uma offshore caribenha, no paraíso fiscal onde a filha de Serra operava com suas empresas. Ricardo Sérgio, segundo Protógenes, será um dos primeiros convocados a depor na CPI da Privataria Tucana.

Fonte: Correio do Brasil

sábado, 10 de março de 2012

Potências pressionam Irã por negociação 'séria' sobre programa nuclear

Atualizado em  8 de março, 2012 - 15:05 (Brasília) 18:05 GMT

Parchin (Digital Globe)
Complexo militar de Parchin é alvo preferencial de inspetores da ONU (foto: Digital Globe)
Seis potências mundiais reforçaram nesta quinta-feira o pedido para que o Irã retome negociações "sérias" e sem "pré-condições" sobre seu programa nuclear, um dia após a União Europeia (UE) ter divulgado o lançamento da nova rodada de conversações.
Reunidos em Viena, os integrantes do grupo conhecido como P5+1 (Grã-Bretanha, Estados Unidos, França, Alemanha, Rússia e China) emitiram um comunicado pressionando Teerã para dar início a um diálogo que produza "resultados concretos".
Para o especialista em assuntos diplomáticos e de defesa da BBC, Jonathan Marcus, este pode ser o último esforço diplomático para resolver a crise em torno do programa nuclear iraniano. Se ele falhar, segundo Marcus, uma ação militar se tornará muito mais provável.
O texto do P5+1 diz ainda que as negociações devem dar atenção às "continuadas preocupações da comunidade internacional e que devem incluir ainda sérias discussões sobre medidas concretas para restaurar a confiança" no programa nuclear da República Islâmica.
O grupo também mostrou-se preocupado com as últimas visitas de inspetores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à ONU), que não resolveram questões importantes como a situação no complexo de desenvolvimento nuclear de Parchin.
Membros da agência estiveram no local pela última vez em 2005, e tiveram acesso negado no mês passado.
Na última segunda-feira, o país disse que está preparado, sob certas condições, para permitir a entrada de inspetores a essas instalações consideradas estratégicas ao programa iraniano.
O complexo, localizado 30 km ao sudeste de Teerã, é destinado à pesquisa, desenvolvimento e produção de munição, foguetes e explosivos.

'Diálogo construtivo'

Na quarta-feira, a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton - que havia escrito para o negociador iraniano, Saeed Jalili, em outubro passado, com uma oferta de novos diálogos - disse que Bruxelas espera que o Irã entre em "um processo sustentado de diálogo construtivo que traga progresso verdadeiro para acabar com as antigas preocupações da comunidade internacional sobre seu programa nuclear".
Segundo a chefe da diplomacia europeia, o "objetivo geral continua sendo uma solução abrangente, negociada e de longo prazo, que restaure a confiança internacional na natureza exclusivamente pacífica do programa nuclear iraniano".
Em sua correspondência, Jalili disse que o Irã estava pronto para o diálogo em torno de vários temas.
Ele disse que dá boas-vindas à afirmação das seis potências de que respeitaria o direito do Irã de usar a energia nuclear pacificamente.
Já o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse na segunda-feira, em Washington, que o "tempo estava correndo" para dar um fim ao programa atômico iraniano, alertando que Israel não "viveria à sombra da aniquilação".
O presidente americano, Barack Obama, também afirmou que todas as opções estão na mesa, mas disse que ainda há tempo para uma saída diplomática.
Por sua vez, o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, disse que a ação militar é a última alternativa sempre, mas ressaltou que seu país "vai agir se for obrigado a tanto".

Acesso a Parchin

Os inspetores da AIEA pretendiam visitar as instalações em fevereiro, para esclarecer as "possíveis dimensões militares" do programa atômico iraniano, mas tiveram negada sua entrada.
Os diálogos entre a UE e o Irã já foram retomados e cancelados em várias ocasiões. A última rodada de conversações acabou fracassando, em janeiro de 2011.
De acordo com Jonathan Marcus, a disposição do Irã em permitir o acesso dos inspetores a Parchin será um teste crucial nesta nova abertura diplomática do país persa.
O correspondente da BBC afirma que uma enorme câmara de testes de explosivos está no topo da lista das instalações que a AIEA pretende inspecionar em Parchin.

Fnte: BBC-Brasil

Forte tempestade solar chega à Terra

 Atualizado em  8 de março, 2012 - 05:04 (Brasília) 08:04 GMT
Uma forte tempestade solar deve atingir a Terra nesta quinta-feira, com potencial para afetar redes elétricas, satélites de navegação GPS e rotas de aviões.
Explosões solares
Imagem mostra série de manchas que indicam acúmulo gigante de energia magnética
A tempestade – a mais forte dos últimos cinco anos – vai liberar uma grande carga de partículas entre as 3h e 7h da manhã, no horário de Brasília, segundo especialistas em meteorologia dos Estados Unidos.
De acordo com eles, a tempestade foi provocada por grandes explosões que ocorreram no começo da semana. O efeito maior será sentido nos polos do planeta. Aviões que passam por essas regiões precisarão desviar suas rotas.
As partículas solares chegarão à Terra a 6,4 milhões de quilômetros por hora, segundo o centro meteorológico americano US National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa, na sigla em inglês).
Imagens das regiões do Sol onde as explosões ocorreram revelam uma complexa rede de manchas, indicando que há quantidades enormes de energia magnética.
Outras tempestades magnéticas foram observadas nas últimas décadas. Uma explosão solar enorme, em 1972, paralisou as linhas telefônicas do Estado americano de Illinois.

Fonte BBC-Brasil

Grande terremoto de Tóquio vai acontecer 'nos próximos anos', dizem pesquisadores

Atualizado em  8 de março, 2012 - 09:55 (Brasília) 12:55 GMT
 
 
Na semana em que o Japão lembra um ano da pior tragédia natural da história do país, outra questão é levantada pela mídia local. Quando acontecerá um próximo grande terremoto?
Segundo um estudo feito pela Universidade de Tóquio, há uma probabilidade acima de 70% de a capital japonesa ser atingida por um forte tremor acima dos 7.0 de magnitude nos próximos quatro anos.
Já o estudo encomendado e divulgado pelo governo diz que as chances são de 70% em 30 anos.
Outra pesquisa independente, divulgada pela imprensa japonesa, prevê que as chances de um forte tremor em Tóquio sejam de 10% nos próximos 10 anos.
Cientistas e estudiosos do assunto não chegaram a um consenso ainda. Mas todos concordam que é preciso estar preparado.
A grande preocupação em relação à Tóquio é que a área concentra perto de 35 milhões de habitantes, quase um quarto de toda a população japonesa.
Além disto, a megalópole é o principal centro administrativo e financeiro do arquipélago. O impacto econômico, portanto, seria colossal. Estimativas apontam para um prejuízo de mais de U$ 1 trilhão.
A última vez que capital japonesa sofreu um grande abalo foi em 1923, quando um tremor de magnitude 7,9 deixou 142.800 mortos. A região já foi atingida também por tremores em 1703 e 1855.
O Japão está localizado sobre o encontro de placas tectônicas, no chamado Anel de Fogo do Pacífico. Cerca de 20% de todos os abalos mais fortes no mundo acontecem no arquipélago.

Abalos frequentes

Os pesquisadores da Universidade de Tóquio se basearam em dados que mostram um número cada vez maior de tremores na capital, desde o terremoto de 11 de março.
Diariamente é registrado, em média, 1,48 sismo de magnitude superior a 3 na megalópole. Segundo os cientistas, o número é cinco vezes a mais do que antes.
Eles fizeram os cálculos a partir de registros da Agência de Meteorologia do Japão. E afirmam que, apesar de ser muito difícil de prever com exatidão quando o próximo grande tremor vai acontecer, as pessoas e o governo precisam estar preparados para ele.
Em relação aos cálculos do governo, os pesquisadores disseram que foram feitos com outra metodologia e, talvez, com bases em dados não atualizados.

Tóquio está preparada?

O terremoto de 11 de março aconteceu na região nordeste do país. Mas a capital japonesa também foi fortemente sacudida. Transportes foram paralisados e milhares de trabalhadores tiveram de voltar a pé para casa, causando um caos na cidade.
Uma simulação da Agência de Prevenção de Desastres mostra que se Tóquio for atingida hoje por um tremor acima de 7.0 de magnitude, mais de 6 mil pessoas devem morrer, a maioria por causa de incêndios e desabamentos.
Um especial da tevê Nippon mostrou esta semana que muitos bairros da capital são antigos, com casas de madeiras construídas muito próximas umas das outras, o que facilitaria a propagação de incêndios e dificultaria a fuga dos moradores.
Por conta disto, mais de 470 mil residências seriam totalmente destruídas. Ainda, o fato de a capital japonesa ter muitas áreas aterradas causaria o colapso de diversos prédios, mesmo aqueles preparados para resistir aos tremores.
A previsão dos pesquisadores é de que seriam gerados mais de 90 milhões de toneladas de escombros, quase quatro vezes mais o que foi produzido no terremoto de 11 de março.
Além disto, mais de um milhão de lares ficariam sem água, gás, eletricidade ou telecomunicações durante dias.

Um ano

O terremoto de 9.0 de magnitude atingiu a região nordeste do Japão em março do ano passado. Cerca de 20 minutos depois, ondas de até 40 metros de altura varreram tudo o que tinha pela frente.
Segundo dados da polícia, cerca de 15 mil pessoas morreram e outras 3 mil continuam desaparecidas.
A tragédia se agravou depois que as ondas gigantes atingiram a usina nuclear de Fukushima, causando um acidente nuclear. Mais de 80 mil famílias foram obrigadas a deixar suas casas num raio de 30 quilômetros de distância da planta.
No domingo, diversas cerimônias em todo o país devem lembrar as vítimas da tragédia que mais matou pessoas desde a Segunda Guerra Mundial.
 
 Fonte: BBC_Brasil