sexta-feira, 27 de julho de 2012

Organizadores dos Jogos pedem desculpas por erro com bandeira norte-coreana

Atualizado em  26 de julho, 2012 - 07:08 (Brasília) 10:08 GMT

Equipe da Coreia do Norte durante o jogo em Glasgow (AP)
Equipe da Coreia do Norte durante o jogo em Glasgow (AP)
Os organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres pediram desculpas à Coreia do Norte pelo erro cometido antes do jogo da seleção de futebol feminino do país.
Imagens das jogadoras da Coreia do Norte foram mostradas em um telão ao lado de uma bandeira da Coreia do Sul.
A seleção norte-coreana saiu do campo em protesto e o jogo, realizado na cidade de Glasgow, começou com uma hora de atraso. As norte-coreanas enfrentaram a seleção da Colômbia, vencendo por 2-0.
O diretor-executivo do comitê organizador dos Jogos de Londres, Paul Deighton, afirmou que foi um erro humano simples e não vai ocorrer novamente.
As autoridades na Coreia do Norte não comentaram o incidente.

Fonte: BBC Brasil.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Satélite flagra maior área de degelo na Groenlândia dos últimos 30 anos

Dados mostram que 97% da ilha teve ao menos uma fina camada de gelo derretida em meados deste mês

Groenlândia
Representação dos dados captados por satélites mostram 40% da Groenlândia em processo de derretimento (à esquerda, em rosa) e com 97% do território com a superfície sofrendo degelo (à direita, em rosa) (Divulgação Nasa)
Dados captados por três satélites flagraram o que pode ser o mais amplo derretimento da camada de gelo que cobre a Groenlândia registrado nos últimos 30 anos. As informações foram analisadas por uma equipe da Nasa (agência espacial americana) e por cientistas de universidades.
Em 8 de julho deste mês, 40% da camada de gelo sofreu derretimento na superfície ou perto dela, segundo a Nasa. Em apenas quatro dias, o processo se acelerou. Em 12 de julho, 97% de toda a área da Groenlândia já apresentavam sinais de degelo.
Isso significa que quase toda a cobertura de gelo da Groenlândia, a partir de suas mais finas camadas nas margens costeiras até o centro da ilha, onde com camada de dois quilômetros de espessura de gelo, passou por algum grau de derretimento na superfície.
Segundo a Nasa, é comum que nesta época do ano, verão no Hemisfério Norte, cerca de 50% da superfície de gelo da Groenlândia passe por derretimento, mas o nível registrado agora surpreendeu os especialistas.
Os cientistas ainda não sabem se a água desse degelo vai congelar novamente ou se ela será perdida para o oceano. Caso se perca, ainda é cedo para afirmar o quanto poderá contribuir para o aumento do nível dos oceanos.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/satelite-flagra-maior-area-de-degelo-na-groenlandia-dos-ultimos-30-anos

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Entenda o conflito na Síria

tualizado em  18 de julho, 2012 - 18:03 (Brasília) 21:03 GMT

Confrontos acirraram crise que teve início em março de 2011
Poucos dias após o confronto armado entre as forças pró-governo e opositores ter chegado à capital do país, Damasco, um atentado suicida atingiu nesta quarta-feira o centro nervoso do regime de Bashar al-Assad, causando a morte de alguns dos principais nomes de sua cúpula de segurança.
Segundo a imprensa estatal síria, morreram no ataque o ministro da Defesa do país, general Dawoud Abdelah Rayiha, seu vice-ministro, general Assef Shawkat (cunhado de Assad), e o general sírio Hassan Turkmani, chefe do grupo governamental encarregado da crise, ex-ministro da Defesa e até então assistente do vice-presidente.
Outros membros importantes do governo sírio também teriam ficado "gravemente" feridos, como o ministro do Interior, Mohammad Ibrahim al-Shaar, e o o chefe do serviço de Inteligência, Hisham Ikhtiar.
Analistas já consideram a investida contra o alto escalão do governo como um prenúncio da derrocada do regime.
Veja abaixo um série de perguntas e respostas sobre o conflito na Síria.

Como os protestos começaram?

Protestos na Síria | Crédito da foto: Reuters
Protestos na Síria começaram de forma pacífica em março de 2011, na cidade de Deraa
As manifestações contra o governo começaram na cidade de Deraa, no sul da Síria, em março de 2011, quando um grupo de pessoas se uniu para pedir a libertação de 14 estudantes de uma escola local.
Os alunos haviam sido presos e supostamente torturados por terem escrito no mural do colégio o conhecido slogan dos levantes revolucionários na Tunísia e no Egito: "As pessoas querem a queda do regime".
O protesto reivindicava maior liberdade e democracia na Síria, mas não a renúncia do presidente Bashar al-Assad.
A manifestação, pacífica, foi brutalmente interrompida pelas forças do governo, que abriram fogo contra os opositores, matando quatro pessoas.
No dia seguinte, em meio ao funeral das vítimas, o governo sírio fez uma nova investida contra os moradores de Deraa, causando a morte de mais uma pessoa.
A reação desproporcional do governo acabou por impulsionar o protesto para além das fronteiras de Deera.
Cidades como Baniyas, Homs e Hama, além dos subúrbios de Damasco, juntaram-se a partir desse episódio aos protestos contra o regime.

Quantas pessoas já morreram? Qual a extensão dos estragos?

Segundo a ONU, mais de 9 mil pessoas foram mortas por forças de segurança e, pelo menos, outras 14 mil foram presas.
Já o governo estima o número de mortos em cerca de 4 mil - aproximadamente 2,5 civis e o restante integrantes das forças de segurança.

O que pedem os manifestantes? O que conseguiram até o momento?

Inicialmente, a principal reivindicação dos manifestantes era por um sistema político mais democrático e maior liberdade de expressão em um dos países mais repressivos do mundo árabe.
Contudo, ao passo em que as forças pró-governo abriram fogo contra protestos originalmente pacíficos, os opositores ao regime começaram a pedir a renúncia do presidente Bashar al-Assad.
Assad, por outro lado, afirmou que não deixaria o poder, porém, nas poucas declarações públicas que fez desde o início do conflito, o presidente sírio anunciou algumas concessões e prometeu reformas.
Como resultado, o estado de sítio, que durou 48 anos, foi abolido em abril de 2011 e uma nova Constituição, propondo eleições multipartidárias para além do partido dominante Baath, foi aprovada mediante um referendo em fevereiro deste ano.
O governo também alega que concedeu anistia a presos políticos. Na versão oficial, milhares foram libertados, mas cerca de 37 mil ainda permanecem trancafiados nas penitenciárias do país, segundo agências humanitárias.
Para ativista de oposição, as promessas de Assad têm pouco efeito diante da violenta repressão que continua a ser imposta pelo regime.

Existe uma oposição organizada?

Burhan Ghalioun | Crédito da foto: AFP
Exilado em Paris, Burhan Ghalioun é um dos principais líderes da oposição síria
As autoridades sírias sempre restringiram a atuação de partidos políticos de oposição e ativistas. Por essa razão, analistas avaliam que esses grupos tiveram um papel pouco preponderante na eclosão do levante popular.
Porém, à medida que as manifestações ganharam contornos nacionais, os grupos de oposição começaram a declarar seu apoio às reivindicações dos manifestantes e, em outubro do ano passado, anunciaram a formação de uma frente unida, o Conselho Nacional Sírio (CNS), composto, em sua maioria, pela comunidade de muçulmanos sunitas, há décadas perseguida por Assad.
O CNS é liderado pelo dissidente sírio Burhan Ghalioun, atualmente radicado em Paris, e pela Irmandade Muçulmana.
A principal frente de oposição síria, no entanto, não conta com o apoio dos cristãos e dos alauítas (minoria muçulmana à qual pertence Assad), que, juntos, correspondem a 10% da população síria e até agora têm se mantido leais ao governo.
A primazia do CNS, todavia, tem sido desafiada pelo Comitê de Coordenação Nacional (CCN), um bloco de oposição liderado por antigos dissidentes do regime, alguns dos quais são avessos à presença de islamitas no CNS.
A desunião frustou a comunidade internacional. Em meados de março deste ano, os grupos de oposição concordaram em colocar suas diferenças de lado e se comprometeram a atribuir ao CNS o papel "de interlocutor e representante formal da população síria".
Ainda assim, a frente de oposição tem tido dificuldade de angariar o apoio do Exército Livre Sírio (ELS), que reivindicou a autoria do atentado contra a cúpula de segurança de Assad.
O ELS tem sede na Turquia e, equipados com melhor armamento, apesar de inferior ao do governo, tem lançado uma série de ataques contra as forças de segurança do regime.
O líder do ELS, Riyad al-Asaad, afirma que suas tropas somam 15 mil homens, ainda que estimativas oficiais deem conta de que o número não passa de 7 mil.

Quem apoia Assad?

Assad é apoiado majoritariamente pela minoria alauíta, da qual faz parte, e por cristãos, que temem perseguições religiosas.
A maioria dos opositores, entretanto, é de origem sunita, que já foi massacrada pelo regime no início dos anos 1980.

Qual a posição da comunidade internacional?

Hillary Clinton | Crédito da foto: AFP
Governo americano é um dos principais defensores de uma intervenção militar na Síria
Especialistas apontam a Síria como um dos países mais importantes do Oriente Médio, uma vez que temem um "efeito-ricochete" em nações vizinhas devido à proximidade do governo de Assad com grupos como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, nos territórios autônomos da Palestina.
O país também é um dos principais aliados do Irã, arqui-inimigo dos Estados Unidos, de Israel e inclusive da Arábia Saudita, o que pode levar qualquer conflito armado na região a uma crise de grandes proporções internacionais.
A Liga Árabe inicialmente permaneceu em silêncio diante do conflito, mas acabou impondo sanções econômicas à Síria em uma tentativa de forçar Assad a renunciar ao poder.
Em janeiro de 2012, a entidade divulgou um ambicioso plano de reforma política para a Síria, que propunha a substituição do presidente sírio pelo seu vice-presidente, o início das conversas com setores da oposição e, finalmente, a convocação de eleições multipartidárias supervisionadas por observadores internacionais.
A Liga pediu então apoio do Conselho de Segurança da ONU. Mas a resolução elaborada pelas Nações Unidas, que propunha, em última análise, uma intervenção militar, foi vetada pela China e pela Rússia, que possui laços militares e econômicos estreitos com a Síria.
Em 12 de março deste ano, após aproximadamente um mês de intensos bombardeios na cidade de Homs que deixaram mais de 700 mortos, ao norte de Damasco, a ONU e a Liga Árabe enviaram Kofi Annan, o ex-secretário-geral do organismo multilateral, ao país.
Annan propôs a Assad um plano de paz com seis pontos, que reivindicava, entre outras coisas, um cessar-fogo entre todas as partes e a libertação de presos. Assad, por sua vez, concordou com o plano no dia 27 do mesmo mês, apesar do ceticismo mundial. A violência, no entanto, não cessou.
Recentemente, o Brasil, que havia se posicionado contra a intervenção estrangeira, subiu o tom das críticas em comunicados divulgados pelo Itamaraty, condenando o massacre de civis.

Qual o papel da Rússia no conflito?

Aviões russos | Crédito da foto: AP
Aliada da Síria, Rússia tem laços econômicos e militares estreitos com governo de Assad
A Rússia tem ligações econômicas e militares estreitas com a Síria. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês), sediado na Suécia, o país liderado por Vladimir Putin é o principal fornecedor de armas ao governo de Assad, seguido pelo Irã.
Mas, na análise do comentarista político Konstantin von Eggert, da rádio russa Kommersant, ao apoiar Damasco, o Kremlin diz ao mundo que nem a ONU ou qualquer outro grupo de países tem o direito de dizer quem pode ou não governar um Estado soberano.
Segundo o comentarista, desde a queda de Slobodan Milosevic, até então presidente da extinta Iugoslávia, em 2000, e especialmente depois da "Revolução Laranja" de 2004 na Ucrânia, a liderança russa é obcecada pela idéia de que os Estados Unidos e a União Europeia arquitetam a queda dos governos que, por algum motivo, julgam inconvenientes.
Eggert avalia que Putin e sua equipe temem que algo parecido possa também acontecer na Rússia.
Além disso, diz o comentarista, a crise líbia no ano passado teria reforçado a desconfiança russa sobre a retórica humanitária ocidental, que não passaria, segundo Moscou, de "camuflagem para a troca de regimes".
Muitos dirigentes russos, incluindo Putin, consideram a abstenção do então presidente Medvedev na votação do Conselho de Segurança da ONU que autorizou uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia um desastre.

A Al-Qaeda está envolvida no conflito?

Nawaf al-Fares | Crédito da foto: AFP
Principal político sírio a ter desertado, Nawaf al-Fares aponta conexões entre al-Qaeda e Assad
Em entrevista à BBC, Nawaf al-Fares, ex-embaixador da Síria no Iraque e até agora o político mais importante ligado ao governo de Assad a ter desertado, disse que o regime colaborou com militantes sunitas da rede Al-Qaeda em uma série de atentados atribuídos às forças opositores ao governo sírio.
Fares também afirmou que a Síria possui um grande estoque de armas químicas de destruição em massa e que Assad não descartaria usá-las caso sua queda fosse prenunciada.
A alegação, no entanto, causa surpresa, uma vez que Assad é da minoria alauíta (um ramo do islamismo xiita). Mesmo assim, Fares afirmou que "há suficiente evidência na história de que muitos inimigos se unem quando há um interesse comum".
"A Al-Qaeda está buscando espaço para atuação e novas fontes de apoio, ao passo que o regime quer encontrar formas de aterrorizar a população síria", disse o ex-embaixador de Assad à BBC..

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Uma nova era do petróleo está a caminho

O pesquisador de Harvard, Leonardo Maugeri, faz previsões audaciosas e contraria a teoria de que a era do combustível fóssil está próxima do fim

Ana Clara Costa
A nova era do petróleo: descobertas e avanços tecnológicos abrem espaço para expansão da oferta
A nova era do petróleo: descobertas e avanços tecnológicos abrem espaço para expansão da oferta (Viktor Veres/AFP)
Um estudo recém-publicado sobre o volume das reservas de petróleo – e as novas descobertas no mar, nas rochas e nas areias – está causando alvoroço no mundo acadêmico. Intitulada “Petróleo: A nova Revolução”, a pesquisa feita pelo pesquisador italiano Leonardo Maugeri afirma categoricamente que não só o fim da era do petróleo está longe, como o aumento da capacidade de produção alcançará quase 20% nos próximos oito anos – uma taxa de crescimento que não se vê desde a década de 1980. Isso significa, nas contas do pesquisador, que o mundo poderá produzir 110,7 milhões de barris de petróleo por dia em 2020 (veja quadro). Maugeri redigiu o relatório durante o ano sabático que tirou para estudar na Universidade de Harvard. Até então, o italiano era um dos altos executivos da petrolífera ENI, a maior empresa do setor em seu país. “Ao contrário do que a maioria das pessoas acredita, a capacidade de fornecimento de petróleo está crescendo mundialmente a níveis sem precedentes, e que poderão até superar o consumo”, diz em seu estudo.

A argumentação de Maugeri é calcada em dois pontos que se interligam. O primeiro é a descoberta de novas reservas no mundo ocidental – não apenas de petróleo convencional, como é o caso do encontrado na camada pré-sal brasileira, mas também de jazidas de gás da rocha xisto, nos Estados Unidos, e as areias betuminosas do Canadá. Todas elas são novas formas de petróleo encontradas na natureza – e que diferem do líquido negro e pastoso jorrando da terra. Tais reservas correspondem às chamadas fontes não convencionais do combustível fóssil, que exigem avançados processos tecnológicos e químicos para sua extração. Isso leva ao segundo ponto defendido pelo pesquisador: de que o surgimento de fontes não-convencionais fará com que o Ocidente transforme-se no novo “centro de gravidade” da produção e exploração de petróleo global, diminuindo a dependência da oferta proveniente do Oriente Médio. Segundo o pesquisador, estima-se que haja no planeta 9 trilhões de barris de combustível fóssil não-convencional. O mundo tem capacidade para produzir, atualmente, 93 milhões de barris por dia – ou 34 bilhões de barris/ano.
Maugeri não sugere que o Iraque ou a Arábia Saudita terão queda em sua capacidade de produção. Muito pelo contrário. As perspectivas para ambos os países são de um acréscimo de 6 milhões de barris/dia de petróleo até 2020 (veja quadro). Contudo, graças ao avanço da oferta no Ocidente, ele argumenta que mundo ficará menos sujeito à volatilidade de preço do barril trazida por questões geopolíticas que afetam os países árabes. “Isso fará com que a Ásia seja o mercado de referência para o petróleo árabe e a China se transforme em nova protagonista nas questões políticas da região”, afirma o pesquisador. Para os Estados Unidos, Maugeri estima que a capacidade de produção passe, dentro de oito anos, dos atuais 8,1 milhões de barris/dia para 11,6 milhões de barris/dia. Em outras palavras, o país deve desbancar a Rússia e se tornar o segundo maior produtor de petróleo – os sauditas seguirão na liderança. No caso do Brasil, Maugeri prevê que a capacidade de produção deverá sair de 2 milhões de barris/dia para 4,5 milhões de barris/dia em 2020 devido à exploração do pré-sal.
Avanços tecnológicos – O estudo do pesquisador italiano foi taxado de otimista por parte da comunidade acadêmica. A principal crítica de estudiosos está no fato de Maugeri ter minimizado os riscos e os desafios de investimento nos avanços tecnológicos necessários para extrair petróleo de fontes não convencionais. “Quando se exige uma tecnologia muito mais avançada, que envolve altos custos ambientais, esbarra-se na questão do preço. Quanto os investidores estarão dispostos a investir nesse tipo de empreitada e quanto os consumidores estarão dispostos a pagar por esse combustível? Esse tipo de resposta é imprevisível, por enquanto”, afirma Peter Kiernan, da Economist Intelligence Unit (EIU).
Maugeri, contudo, fez a conta. Segundo ele, mesmo com um barril de petróleo cotado a 70 dólares – hoje o contrato para agosto do produto sai por 87,10 dólares o barril nos EUA e 102,40 dólares por barril no mercado europeu –, a extração de toda essa nova capacidade será lucrativa. Isso levaria a commodity a um novo patamar de preço que, segundo o pesquisador, poderá transformá-la em alternativa energética mais barata. “É preciso pensar que o petróleo ‘fácil e barato’ de hoje não era tão fácil e barato quando foi descoberto”, diz ele. O estudo que publicou em Harvard aponta que 2012 não encontra precedentes em aportes de recursos no desenvolvimento de novas tecnologias de extração e produção. Até o final do ano, serão 600 bilhões de dólares em investimentos – um recorde que deverá implicar melhora de eficiência nos próximos anos.
Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também cita o gás de xisto nos Estados Unidos como exemplo do que está por vir. Há dez anos, o uso deste produto como fonte de energia era praticamente inexistente no país e hoje representa mais de 23% da oferta de combustível. “Muitos acreditam que poderá até mesmo haver uma superoferta de gás em 2017”, explica Pires. Na edição desta semana, a revista britânica Economist discorre sobre o gás natural (em especial, o de xisto nos EUA) em 14 páginas de reportagem. O estado de Dakota do Norte, onde está localizada a reserva de Bakken, a maior fonte americana de gás, é considerado o eldorado do emprego no país.
A teoria do fim – O mundo do petróleo é dividido em dois grupos teóricos – com poucos adeptos ao meio termo. Numa ponta da discussão estão os adeptos da teoria do “pico do petróleo”, que prevê o fim do mineral devido à explosão do consumo e ao esgotamento das reservas. Tadeusz Patzek, professor e engenheiro de petróleo da Universidade do Texas, em Austin, é um de seus defensores mais fervorosos. “Há um aumento de fontes de combustível, mas há um aumento muito maior da demanda, sobretudo em mercados emergentes como China e Índia. Por outro lado, grandes exportadores, como países do Oriente Médio, continuam produzindo, mas exportam menos. E isso ocorre porque estão consumindo o petróleo que produzem. Como é possível falar em aumento de oferta se as exportações não irão aumentar”, questiona. Para Patzek, o petróleo não irá acabar, mas a oferta não crescerá no mesmo ritmo que a demanda. Sobre isso, o ex-ministro de Energia da Arábia Saudita dos anos 1970, o Sheik Ahmed Zaki Yamani, tem uma frase histórica repetida à exaustão do Texas a Bagdá. “A Idade da Pedra não acabou pela falta de pedra, e a Idade do Petróleo irá acabar muito antes que o mundo fique sem petróleo”.
A escola alternativa, que tem no premiado Daniel Yergin – autor do livro vencedor do Pulitzer, 'O Prêmio' – um de seus maiores expoentes, acredita na evolução tecnológica como caminho para explorar as reservas existentes e descobrir formas alternativas de combustível. A teoria do fim do petróleo é, para eles, infundada. “Crises energéticas já foram anunciadas inúmeras vezes, assim como a morte do petróleo. Até agora, nada disso aconteceu. Mas o discurso fatalista persiste mesmo entre especialistas no assunto. Ignoram-se as conquistas que a tecnologia já proporcionou e ainda vai proporcionar futuramente”, disse Yergin em entrevista a VEJA, em 2007. Ele lembrou que os investimentos em novas tecnologias permitiram que os Estados Unidos dobrassem sua produção de energia desde a década de 70. “Por que não a dobrariam nos próximos trinta anos?”. Os cálculos de Maugeri mostram que, cinco anos após esta entrevista, Yergin e a linha de pensamento em que se enquadra estão vencendo o debate na academia.
Um lugar para os “verdes” – O peso das previsões alarmistas sobre o fim da era do petróleo tende, portanto, a perder força. Mas é verdade também que toda a gama de fontes renováveis de energia – vistas como um contraponto ao uso de combustíveis fósseis – terá seu lugar garantido no futuro. Os ambientalistas podem até exercer pressão pela prevalência dos combustíveis “verdes”, mas a continuidade dos investimentos no segmento está assegurada por uma combinação de fatores sociais, econômicos e geopolíticos.
As sociedades atuais, nos mais diversos países, são mais empenhadas em cobrar responsabilidade ambiental de governos e empresas. Neste sentido, grandes tragédias representam pontos de inflexão. O acidente da plataforma da BP no Golfo do México, em 2010, gerou, por exemplo, uma mobilização antipetróleo nos Estados Unidos que tornou a operação de extração em águas profundas muito mais cara. “Os acidentes são poucos. Mas, quando acontecem, são dramáticos. E isso cria uma pressão social que tem impacto direto no preço da exploração”, diz Kiernan, da EIU. Em resumo, a cobrança por tecnologias seguras de exploração implica custos para as grandes empresas – e estes podem ser bem altos – que podem tornar interessantes investimentos em biocombustíveis, energia eólica, etc.
Matriz diversificada – O fator mais relevante, contudo, chama-se legislação. Governos de diversas nações tanto podem, por força de lei, inibir determinados tipos de exploração quanto viabilizar fontes renováveis. Os líderes dos países o fazem provavelmente menos em resposta aos anseios da população e mais por puro planejamento estratégico. Afinal, todos se preocupam em garantir uma oferta farta de energia por décadas e décadas porque não é possível correr o risco de limitar o crescimento econômico por sua escassez. É demasiadamente arriscado confiar em poucas fontes quando se quer ter um futuro seguro. Além disso, os governos não querem ficar dependentes e vulneráveis às instabilidades de países produtores – muitos dos quais são até hoje ditaduras. Autossuficiência é, portanto, mais que mero capricho. Para Adriano Pires, este cenário deverá equilibrar avanços tecnológicos, preservação ambiental e busca por novas fontes de energia para complementar a oferta mundial. “Eu vejo a matriz energética do mundo muito mais diversificada daqui para frente, mas ainda com uma participação grande recaindo sobre o petróleo e o gás”, diz o especialista.
 Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/economia/pesquisa-mostra-o-surgimento-da-nova-era-do-petroleo

Golpe no Paraguai: para entender melhor em que situação estamos no Brasil e na América Latina

14/7/2012 11:12,  Por Gilberto de Souza - do Rio de Janeiro
Brasil
As vítimas do capitalismo são aqueles que tentam dividir a riqueza de uma nação por um número maior de pessoas
Os EUA, como o próprio nome indica, são um conjunto de Estados, unificados pela defesa da livre iniciativa no campo social, do capitalismo em seu modelo econômico e por uma espécie de democracia suficiente para manter o aparato estatal mínimo, mas capaz de permitir aos empresários a manutenção dos lucros crescentes e ascendentes, segundo a cartilha do velho Adam Smith. Cada empresa usa da mesma receita, pregada no ideário de liberdade sim, mas para lucrar cada vez mais e, sempre que o lucro estiver ameaçado, fazer uso da força militar financiada com os impostos arrecadados, em qualquer lugar do mundo onde haja uma reação ao american way of life. Este se baseia no consumo exacerbado pelas classes sociais mais baixas como forma de sustentar o preço das ações na Wall Street, e na propaganda, como o estilo de vida que o mundo deve almejar. Imaginam os norte-americanos que isso é ser civilizado, moderno e ‘adequado’ aos padrões que os grandes conglomerados econômicos fixaram em defesa de seus próprios interesses.
Na Constituição norte-americana – um tipo de contrato de longo prazo que garante os investimentos privados – a liberdade, a democracia e os direitos humanos servem como pano de fundo para o discurso que valida a intervenção externa em qualquer outra nação onde, segundo seus executivos, tais valores encontrem-se ameaçados. Esta ameaça é identificada sempre que os ganhos empresariais são confrontados com os interesses de cada sociedade. Se o Iraque pensa em suspender a venda de petróleo aos EUA, invadem-no. Se Cuba oferece uma nova visão social, baseada no conhecimento ao invés do consumismo, impõem um bloqueio de mais de meio século. Se, na América Latina, os partidos de esquerda crescem e formam governos, tratam de derrubá-los. Financiam violentos golpes de Estado, como ocorreu no Brasil, no Chile e na Argentina, ou forjam uma tomada do poder com base no Parlamento corrupto, a exemplo de Honduras e, agora, do Paraguai. A questão de fundo, no entanto, é sempre a mesma. Qualquer ameaça às empresas norte-americanas será sempre respondida com força suficiente para dizimá-la.
Há, porém, uma onda mundial – que navega pela internet, ocupa ruas e praças – e é capaz de denunciar os Estados Unidos como algozes da democracia, detratores dos direitos humanos e uma força mercenária, sustentada pela minoria que se apropriou da riqueza mundial. Trata-se de um movimento que ainda engatinha na ampla gama de países classificada, até pouco tempo atrás, como a horda do Terceiro Mundo. Mas hoje, frente à crise instaurada no âmago do próprio sistema capitalista, levanta-se de forma a impedir, por exemplo, uma invasão à Síria. Ou o ataque às instalações nucleares do Irã. Ou, ainda, a manutenção de um embargo ao governo cubano, cada vez mais pífio diante da interação destes países que se afastam da linha ditada por Washington. Longe, porém, de estarem derrotados, os EUA e os países-membros da Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan), mais os satélites que os orbitam, agem com desenvoltura nas mais variadas frentes, a ponto abusar da sorte, como no golpe paraguaio.
Acontece que, em um jogo pesado como este, durante o qual ocorrem assassinatos seletivos ou em massa, venda de armas, compra de parlamentares, aliciamento de intelectuais e tantos outros expedientes sujos, o Brasil, a Rússia, a China, a Índia e a África do Sul (ou Brics, como é conhecido esse grupo) ainda tratam de questões idênticas de forma heterogênea, sem a coesão que os Estados defensores do capitalismo detêm, desde o ápice do Império Britânico. Armados até os dentes, com um poderio bélico capaz de destruir toda a vida no planeta seguidas vezes, como se fosse necessário mais do que uma só, estes atores trabalham no contra-ataque. Esperam para ver até onde chega o avanço da reação aos interesses do capital internacional e, em seguida, lançam mão do expediente mais adequado à defesa do sistema. Na América Latina, foi assim contra Allende, Jango, Zelaya e, agora, Lugo. A simples ideia de cucarachos se insurgirem contra os poderosos norte-americanos é capaz de causar insônia na base empresarial do Primeiro Mundo.
Se for para o caldo entornar de vez, basta um governo desses anunciar a estatização dos bancos, a revisão da dívida externa, a suspensão das remessas de lucros, a reforma agrária, a substituição da propriedade privada em nome do interesse coletivo ou a nacionalização da indústria. Em questão de horas, a IV Frota estará a postos nas costas do que a mídia colonizada passará, rapidamente, a chamar de nação terrorista, ameaça vermelha ou coisa que o valha. Em minutos, a Igreja Católica, as sinagogas e os protestantes convocarão seus crentes a uma guerra santa contra os comunistas. As facções armadas, dentro das Forças Armadas, receberão um soldo extra, trasladado pelas agências de inteligência dos países ricos, para matar e esfolar à vontade. As carolas voltarão a bater panelas na Avenida Rio Branco e pronto. Estará montado o circo, no qual os palhaços serão aqueles que protestavam por 10% do PIB para a Educação, pela terra para quem nela trabalha, por uma América Latina para os latino-americanos. Cerram as portas e tacam fogo.
Uns, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou sua sucessora, Dilma Rousseff, no Brasil, vão tentando mudar as coisas meio que na flauta, sem levantar muita poeira. Deixam que os bancos lucrem o quanto quiser. Permitem que as elites econômicas da Avenida Paulista e do agronegócio ajam com desenvoltura, apoiadas nos meios de comunicação patrocinados por rios de dinheiro público e algum da banca, em mega agências de publicidade. Mantêm todo mundo bebendo refrigerante sabor cola e garantem a segurança do patrimônio internacional. Fazem uns acordos esdrúxulos com a direita, aparecem mal na foto, mas vão em frente. ‘No sapatinho’, como diria o sambista.
Outros, porém, seguem no atalho para uma sociedade mais justa e igualitária. Hugo Chávez, na Venezuela, Cristina Kirschner, na Argentina, Evo Morales, na Bolívia e Rafael Correa, no Equador, começaram a agir de forma objetiva, sem floreios porque o tempo é curto. O golpe no Paraguai, no entanto, já faz parte da contra-ofensiva capitalista. Não tendem, os EUA e seus sócios, deixar barato uma revolução como essa na América Latina, no que consideram o galinheiro deles ou, na melhor das hipóteses, o celeiro de alimentos, água e biodiversidade, no entendimento mais amplo da Doutrina Monroe.
Preparemo-nos, pois, para as surpresas guardadas no saco de maldades do Tio Sam.
Elas vêm. Inexoravelmente, vêm.
Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do Correio do Brasil.
Fonte  Correio do Brasil

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Senado decide sobre cassação de Demóstenes; entenda o caso

Atualizado em  11 de julho, 2012 - 06:02 (Brasília) 09:02 GMT

Senador Demóstenes Torres (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)
Senador Demóstenes Torres pode ser cassado nesta quarta-feira no Senado
Quatro meses após a eclosão das denúncias de corrupção contra o empresário Carlinhos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) poderá se tornar nesta quarta-feira o primeiro congressista a cair por envolvimento com o caso.
Expulso do DEM após ser acusado de interceder por Cachoeira, Demóstenes terá seu futuro definido em votação secreta no Senado. Serão necessários ao menos 41 dos 80 votos dos senadores para que ele seja cassado.
Caso perca o mandato, Demóstenes ficará inelegível até 2023, conforme determina a Lei da Ficha Limpa.
Ele poderá se tornar o segundo senador suspeito de corrupção a ser cassado – o primeiro foi Luiz Estevão, que em 2000 deixou o posto em meio ao escândalo do superfaturamento das obras do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.
A BBC Brasil preparou uma série de perguntas e respostas sobre as acusações contra Demóstenes e desdobramentos da investigação sobre Cachoeira, empresário acusado de exploração de jogos de azar ilegais.

Quais são as acusações contra o senador?

Demóstenes é acusado de agir no Congresso, no Judiciário e no Executivo em favor do empresário Carlinhos Cachoeira, suspeito de comandar um esquema de corrupção e de exploração de jogos ilegais.
Em troca, segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), o senador recebeu R$ 3,1 milhões do grupo do empresário, além de presentes. Demóstenes também é acusado de ter mentido ao Senado quando negou conhecer as atividades ilícitas de Cachoeira.
A PGR pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para investigar a ação do senador, mas o órgão ainda não decidiu sobre o pedido.

Como o envolvimento entre Demóstenes e Cachoeira veio à tona?

Em fevereiro, Cachoeira foi preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, cujo alvo era a exploração de máquinas caça-níqueis em Goiás. Escutas feitas durante a investigação e divulgadas após a prisão revelaram a proximidade entre Cachoeira e Demóstenes Torres.
As gravações também mostraram ligações do empresário com os governos de Goiás e do Distrito Federal. Como consequência, a PGR pediu ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) a abertura de inquéritos para investigar os governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF). O órgão ainda não decidiu sobre o pedido.
Os dois governadores, que negam irregularidades, depuseram na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada em abril para investigar a atuação de Cachoeira.

O que Demóstenes diz sobre as denúncias?

O senador diz que não beneficiou Cachoeira e que não recebeu dinheiro dele. Demóstenes afirma que a Polícia Federal fez uma "divulgação seletiva" das gravações de suas conversas com o empresário, de modo a comprometê-lo.
Além disso, segundo ele, as gravações não podem ser usadas contra ele por terem sido feitas sem autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele diz que a autorização era necessária, já que, por ser senador, tem direito a foro privilegiado.
Ao avaliar demanda do senador, no entanto, o STF decidiu que as escutas foram legais.

A Operação Monte Carlo teve outros desdobramentos?

Sim. A PF estendeu a investigação à ligação de Cachoeira com a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal desde 2009. Cachoeira é acusado de ter feito lobby para que a Delta ganhasse contratos públicos de forma irregular.
No fim de abril, o ex-diretor da Delta, Cláudio Abreu, foi preso sob acusação de pagar propina para que a empresa vencesse licitação no Distrito Federal. Também foi decretada a prisão do ex-diretor da empresa em São Paulo, Heraldo Puccini Neto. Ele está foragido.
Em meio às denúncias, o presidente da Delta, Fernando Cavendish, renunciou ao cargo. Já a empresa foi declarada inidônea pela Controladoria Geral da União (CGU).
Cavendish é amigo do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). A oposição tem insistido para que Cabral também seja convocado à CPI e investigado pela Procuradoria Geral da República, mas por ora os pleitos não avançaram.

Há outros congressistas envolvidos nas investigações sobre Cachoeira?

Sim. Atendendo a pedido da Procuradoria Geral da República, o STF autorizou a abertura de inquéritos contra os deputados federais Carlos Leréia (PSDB-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ). Os três são citados nas investigações da PF por envolvimento com Cachoeira.
Os deputados federais Protógenes Queiroz (PC do B-SP) e Rubens Otoni (PT-GO) também foram mencionados nas investigações.
Otoni, Leréia e Sandes Júnior terão seus casos analisados pela Corregedoria da Câmara, que pode recomendar a perda de seus mandatos. Não há prazo para análise dos casos de Queiroz e Nercessian. Todos os deputados negam irregularidades.

Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Entrada da Venezuela no Mercosul divide governo do Uruguai

Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil
Atualizado em  5 de julho, 2012 - 16:35 (Brasília) 19:35 GMT

José Mujica, do Uruguai. Reuters
Mujica é de uma ala mais à esquerda da coalizão que seu vice e seu chanceler
A entrada da Venezuela no Mercosul dividiu a base do governo do presidente do Uruguai, José Mujica. O mandatário disse nesta quinta-feira que seu vice-presidente, Danilo Astori, está "equivocado" ao criticar a entrada da Venezuela no bloco enquanto o Paraguai está suspenso desta integração.
"Danilo (Astori) se equivoca ao dizer que o ingresso da Venezuela no Mercosul foi uma ferida letal. Não é nada letal. Letal é como estávamos antes", disse Mujica. Segundo ele, o Mecosul estava "paralisado' e é preferível criticá-lo a deixá-lo estagnado.
Astori havia afirmado que a forma como a Venezuela entrou no Mercosul, com o Paraguai suspenso, "é a pior ferida institucional" do bloco desde sua criação em 1991.
O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, também disse que discordava da maneira como foi definida esta adesão. Segundo ele, na reunião do Mercosul, semana passada, em Mendoza, a presidente Dilma Rousseff teria pedido que os chanceleres deixassem os presidentes sozinhos.
No encontro a portas fechadas, disse, Dilma, Mujica e Cristina Kirchner, da Argentina, teriam resolvido a entrada da Venezuela e marcado uma reunião no dia 31 deste mês a fim de formalizar esta integração.
Almagro havia garantido à oposição uruguaia que a inclusão da Venezuela não ocorreria com o Paraguai suspenso. As afirmações do ministro uruguaio foram criticadas pelo assessor internacional da Presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia. Almagro foi criticado dentro e fora do governo, mas Mujica declarou que ele "está mais firme que nunca" no cargo.

Frente Ampla

Mujica, Astori e Almagro fazem parte da coalizão de centro-esquerda Frente Ampla que governa o Uruguai desde 2005. Mujica é da ala mais à esquerda da legenda, o Movimento de Participação Popular (MPP). Astori, ex-ministro da Economia, é definido como social-democrata ou uma "esquerda mais moderada", segundo especialistas.
Na opinião do especialista uruguaio Marcel Vaillant, professor de comércio internacional da Universidade da Republica, de Montevidéu, as divisões podiam ser esperadas já que a entrada da Venezuela com o Paraguai suspenso é "questionável".
"A forma particular como a Venezuela entra para o bloco é questionável e muitos têm suas dúvidas. Pelos tratados do Mercosul, os quatro países deveriam aprovar esta integração e faltam apenas alguns meses para que o Paraguai eleja novos parlamentares. Teria sido razoável esperar a eleição paraguaia e ter ouvido os especialistas jurídicos do bloco", disse ele em entrevista à BBC Brasil.
Os paraguaios vão eleger presidente, vice e parlamentares em abril do ano que vem. A entrada da Venezuela no Mercosul dependia da aprovação do Senado paraguaio e foi aprovada pelos Congressos do Uruguai, da Argentina e do Brasil.
Segundo Vaillant, Mujica afirmou que o Uruguai deverá ter "compensações" por este apoio à Venezuela como a possibilidade de negociar diretamente com outros países ou blocos. Mujica disse ainda, nesta quinta-feira, que Mercosul e Unasul deveriam formar um único grupo integrado.

Fonte: BBC Brasil  - http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/07/120705_mercosul_uruguai_mc.shtml

Relação do Brasil com sua história muda após Lei de acesso a Informação

3/7/2012 12:37,  Por Redação, com Portal Vermelho – de Brasília
brasileiro
Só no primeiro mês de vigência da Lei, governo recebeu 10,4 pedidos de informações
A Lei de Acesso à Informação está mudando a forma do brasileiro se relacionar com sua própria história. Desde que entrou em vigor, em 17 de maio, já proporcionou o acesso a registros históricos que, em muitos casos, poucos suspeitavam sequer que existiam.
No Arquivo Nacional, encontram-se à disposição dos interessados os documentos secretos e ultrassecretos do extinto Sistema Nacional de Informações e Contrainformação (SISNI), incluindo os serviços de inteligências da Forças Armadas, da Polícia Federal e de ministérios e outros órgãos do governo, como o Itamaraty.
Desde a manhã de segunda, também está disponível a base de dados da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), criada pelo ex-presidente Collor de Mello, em 1990, para substituir o Serviço Nacional de Inteligência (SNI), o temível órgão de inteligência da Ditadura Militar, idealizado pelo general Golbery do Couto e Silva. A SAE funcionou até 1999, quando foi criada a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). E, embora tenha sido criada e extinta durante o regime democrático, herdou práticas de arapongagem da ditadura militar, colocando sob sua mira figuras emblemáticas, especialmente, para a esquerda brasileira.
Relegada a categoria de secretaria, a SAE não tinha o mesmo status do seu antecessor, o SNI, ligado à presidência da república, e que, mesmo durante o governo de transição do ex-presidente José Sarney, continuou monitorando esquerdistas, realizando escutas ilegais e operações clandestinas. Perdeu quadros, força e influência. Passou a ser comandado por civis. Voltou a ganhar peso com sua remilitarização, a partir de 1992, já no governo de Itamar Franco, que assumiu a presidência da república após o impeachment de Collor.
Em até 30 dias, será aberto à consulta pública o acervo do extinto Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), que funcionou entre 1946 e 1999, antes da criação do Ministério da Defesa. São 37 volumes de documentos considerados secretos e ultrassecretos, além de 52 volumes de boletins reservados: correspondências entre autoridades militares e civis do governo brasileiro ou entre integrantes do governo e representantes de outros países sobre temas relacionados à defesa, segurança nacional e cooperação internacional, além de relatórios sobre a conjuntura política nacional e internacional.

Acesso amplo e irrestrito

Desde o dia 18/6, já está permitido o acesso irrestrito aos acervos do próprio SNI e dos demais órgãos que compunham o SISNI. São dossiês pessoais dos considerados “subversivos” e de organizações de esquerda, como partidos políticos, sindicatos, movimentos sociais, igrejas, universidades e movimento estudantil, além de informações sobre prisões, mortes, tortura, repressão à guerrilha urbana e rural, entre outros.
Parte desses documentos já podia ser consultada desde 2005, de forma bastante restrita. No caso dos dossiês pessoais, apenas com autorização da própria pessoa ou de seus familiares. Nos documentos mais gerais, todos os nomes citados eram devidamente apagados. Por isso, grande parte dos documentos ainda é inédita para o público. Eles revelam, por exemplo, como se dava a infiltração dos agentes do regime dentro das universidades públicas ou mesmo a relação da ditadura com a política indigenista que dizimou aldeias inteiras de índios.
Há também os documentos produzidos pelo Centro de Informações do Exterior (Ciex), serviço de inteligência criado pelo Itamaraty em 1966 para monitorar os passos dos brasileiros tidos como “subversivos” no exterior e, da mesma forma, os dos estrangeiros no Brasil. Mostram o pioneirismo brasileiro na articulação da Operação Condor, criada pelas ditaduras da América Latina para a troca não apenas de informações, mas também de militantes estrangeiros nos países envolvidos.

Balanço

No primeiro mês de vigência da Lei de Acesso, o governo recebeu 10,4 mil pedidos de informações. De acordo com balanço da Controladoria Geral da União (CGU), mais de 70% foram respondidas, a maioria antes do prazo. Das respondidas, 82% atenderam ao pedido; 10% negaram e, em 7% dos casos, não se tratava da competência do governo brasileiro.

Fonte: Correio do Brasil - http://correiodobrasil.com.br/relacao-do-brasil-com-sua-historia-muda-apos-lei-de-acesso-a-informacao/480053/

Mercosul ‘empurra' Paraguai a se aliar com outros países, diz ministro

Atualizado em  4 de julho, 2012 - 14:28 (Brasília) 17:28 GMT

Manuel Ferreira Brusquetti. BBC Brasil
Brusquetti diz que seria lamentável a saída definitiva do Paraguai do Mercosul
Os países do Mercosul estão "empurrando" o Paraguai a buscar alianças com outros países ou blocos. A análise é do novo ministro da Fazenda do país, Manuel Ferreira Brusquetti, indicado pelo também novo presidente, Federico Franco.
Em uma entrevista exclusiva à BBC Brasil durante sua passagem por Buenos Aires, o ministro disse que ficou "surpreso" com a "atitude do Brasil" em apoiar a suspensão do Paraguai e a entrada "às pressas" da Venezuela no bloco.
"Na pratica, trocaram o Paraguai pela Venezuela mas como disse o vice-presidente uruguaio, com quem conversei, ferindo a institucionalidade do Mercosul", disse.
Brusquetti disse que espera manter a estabilidade econômica no Paraguai e "proteger os brasiguaios" nestes 14 meses de gestão de Franco.
Economista com mestrado na universidade de Essex e doutorado na universidade de Massachusetts, ele era consultor antes de ser ministro e diz que "seria interessante" que os sócios do Mercosul enviassem missão ao Paraguai.
"O que ocorre hoje é o renascimento da tríplice aliança, mas com o Uruguai com dúvidas sobre este recesso".
BBC Brasil - Qual o principal desafio econômico do Paraguai hoje?
Manuel Ferreira Brusquetti - Sustentar a estabilidade macroeconômica que conseguimos até agora, com uma taxa de inflação controlada e um déficit fiscal controlado. E começar a gerar políticas que possam implementar as condições para o desenvolvimento econômico, basicamente estimular obras que são necessárias no Paraguai há muitos anos e medidas que permitam maior igualdade social.
BBC Brasil - E de onde sairiam os recursos?
Brusquetti - Hoje temos um fundo de compensação de (hidrelétrica) Itaipu, com mais de US$ 150 milhões. O dinheiro já existe, o que não existe é a lei que nos permita utilizar estes recursos. O texto do projeto já está no Congresso e vamos enviar, nos próximos dias, algumas modificações.
BBC Brasil - O senhor pensa na revisão do acordo de Itaipu com o Brasil?
Brusquetti - Este é um governo que não tem tempo para fazer isso. Esse é um governo que está semeando para que o próximo governo faça a colheita. Na verdade achei atraente esse convite do presidente porque hoje existe a oportunidade de se fazer muitas coisas no Paraguai que em outras circunstancias seria complicado fazer. Porque a verdade é que precisamos de muito apoio do Parlamento para fazer as realizações e achamos que hoje existe essa vontade política do Parlamento.
BBC Brasil - E a reforma agrária, que esteve no centro do conflito que precipitou o impeachment de Lugo?
Brusquetti - Sabemos que não temos muito tempo, mas temos tempo para fazer o cadastramento, que depende do Ministério da Fazenda. No Paraguai não se sabe a quantidade de terras que existe. Com isso vamos ter identificado (propriedades de) até 100 hectares. Serão mais ou menos umas 30 mil propriedades. Depois vamos reduzir esta medição para até 20 hectares, mas nós não temos tempo. O próximo governo saberá exatamente o que se dispõe, quantas terras existem e o que se pode fazer.
BBC Brasil - Como o senhor vê a questão dos brasiguaios, que estão no centro de muitos conflitos de terras? Algo pode mudar ou seguirá tudo como está atualmente?
Brusquetti - Acho que os brasiguaios trabalharam muito para a aproximação do Paraguai e do Brasil nesses dias. Eles estiveram com a presidente (Dilma Rousseff). Eu trabalhei muito com os brasiguaios. Gente de muito valor, que chegou com uma enxada, um machado na mão e nada mais. Que há 35 anos chegou para trabalhar em condições sub-humanas e hoje tem o que tem em função do esforço e do trabalho.
BBC Brasil - Ou seja, as atuais regras continuariam valendo para os brasiguaios? Haverá mudanças de regras?
Brusquetti - Ao contrario, o que queremos é proteger essas pessoas. Pessoas que compraram suas terras honestamente e não me importa de que país seja. Temos os uruguaios, quem têm 1 milhão de hectares no Paraguai. Muitos brasileiros, argentinos que investiram. Nós, na verdade, queremos proteger estas pessoas para que possam trabalhar e também queremos proteger o camponês. Eles também foram enganados no pseudo processo de reforma agrária, onde lhes deram um pedaço de terra, mas nunca lhes deram o titulo de propriedade. É preciso trabalhar para construir a legalidade para estas questões.
BBC Brasil - E a Liga dos Carperos, que estaria envolvida nos últimos episódios de terra no país? Como seria essa relação? Também vão conversar com eles?
Brusquetti - Na verdade esta parte não funciona muito no Ministério (da Fazenda). Na nossa pasta vamos contribuir com o cadastramento.
BBC Brasil - O Paraguai foi suspenso do Mercosul. Como o senhor viu essa decisão?
Brusquetti – Conversei com o vice-presidente (do Uruguai), Danilo Astori. Achei suas observações muito pertinentes, porque na verdade isso ataca a institucionalidade do Mercosul. A exclusão do Paraguai para incluir a Venezuela é uma decisão que não pode ser tomada às pressas porque pode ferir a legitimidade do Mercosul e isso poderia afetar a união no futuro. Se está gerando um ambiente de tríplice aliança em pleno século 21, o século da globalização. E na verdade o que temos é que avançar com maior integração e unidade e o que ocorreu foi um desproposito. Teria sido muito mais interessante que o Paraguai pudesse ter participado da cúpula em Mendoza para se reunir com seus pares e discutir o que ocorreu. Porque ao existir uma união aduaneira é preciso haver espaço para que as pessoas com as quais nos estamos integrando opinem sobre os processos que estão ocorrendo.
BBC Brasil - O senhor acha que o que ocorreu (impeachment de Lugo) foi dentro da constitucionalidade?
Brusquetti - Foi feito dentro da constitucionalidade e não há a menor duvida.
BBC Brasil - O senhor acha possível reverter a entrada da Venezuela e a suspensão temporária do Paraguai?
Brusquetti - Pessoalmente acho que sim, que ao Paraguai interessa estar no Mercosul e eu pessoalmente vou trabalhar nisso, mesmo quando não esteja mais no governo. Tiraram o Paraguai para colocar a Venezuela. Como economista, me interessa que a Venezuela entre no Mercosul. Para mim é a ampliação do espaço do mercado comum. Mas não posso aceitar o que o Congresso paraguaio deixer de decidir. Essa é a regra do Mercosul, desrespeitada nada menos do que pelo Brasil. O Brasil, que quer ser o líder da América do Sul, não vai respeitar as regras? Como ficará sua reputação internacional? Hoje não vejo uma situação muito clara.
BBC Brasil - O senhor ficou surpreso com a atitude do Brasil? Do Itamaraty?
Brusquetti - O Itamaraty está envolvido nessa situação? Não acho.
BBC Brasil - O senhor acha que foi mais uma decisão política?
Brusquetti - Acho que foi uma decisão política. Me surpreende porque o Brasil está jogando outras cartas e isso pode ser nefasto para suas aspirações. Qual será a visão que se terá do Brasil no resto do mundo?
BBC Brasil - Como o senhor vê essa dita pressa de se ampliar o Mercosul em um momento no qual China se interessa pela região? O Paraguai pode chegar a rever sua presença no Mercosul?
Brusquetti - Estão empurrando o Paraguai a fazer isso. Foi iniciado no Paraguai um processo de discussão sobre isso. Espero que não sigam levando (o país) a tomar esse tipo de decisão (de buscar outros blocos). Tem gente dizendo no Paraguai que é preciso sair do Mercosul e negociar com outros grupos, como se fossemos um país associado. E tem gente dizendo que devemos sair completamente do bloco. Fala-se de tudo.
BBC Brasil - Por exemplo, um tratado de livre comércio com Estados Unidos (como indicou o próprio presidente Federico Franco)?
Brusquetti - Com Estados Unidos, com a o grupo (Aliança) do Pacifico, enfim. Isto seria realmente muito lamentável se ocorresse.
BBC Brasil – E a relação do Paraguai com o Brasil? Os dois países têm uma relação histórica, comercio bilateral, Itaipu....
Brusquetti – O Paraguai é o principal destino de imigração brasileira no mundo. No Paraguai moram 700 mil brasileiros. Existem partes do Paraguai onde o idioma é o português. Os brasiguaios falam português. Gente que nasceu no Paraguai, filhos de brasileiros, falam português. O português é o terceiro idioma do Paraguai (depois de espanhol e guarani). Nós temos um vinculo de irmandade e de relação de muitos anos.
BBC Brasil - No Brasil e na Argentina houve a interpretação de que ocorreu um golpe no Paraguai. Como o senhor viu essa reação?
Brusquetti - Foram cumpridos os processos constitucionais. O que está se discutindo é quanto tempo poderia ter durado esse processo (de impeachment). Acho que existe um erro na constituição paraguaia. No processo de impeachment, a pessoa acusada não é removida do seu cargo. O processo de Collor de Mello durou três meses, mas Collor foi removido do seu cargo para ser julgado. A constituição paraguaia não diz isso. Acho que o Paraguai deveria rever esta questão.
BBC Brasil – O impeachment de Lugo é um tema que ainda gera polêmicas ou já se virou a página?
Brusquetti - Nos ambientes de polarização, muita gente está a favor. Na verdade não a favor de Lugo mas contra a forma de como foi o episódio (de impeachment). Todo mundo entende que foi dentro da constitucionalidade mas também se discute que o tempo foi muito curto...Mas agora muita gente começou a se unir contra a Tríplice Aliança. Essa situação me preocupa porque gera um sentimento de nacionalismo tão forte que pode ser difícil retroceder. E nós queremos e precisamos nos integrar cada vez mais ao mundo. Mas estão despertando este sentimento no cidadão paraguaio.
BBC Brasil – O Uruguai seria parte desta "Triplice Aliança" ou apoiaria o Paraguai?
Brusquetti – Acho que o vice-presidente Astori, do Uruguai, coincide com essa visão de que não se respeitou o Tratado de Assunção. Por isso acho que temos que esperar o tempo para que o tempo cure as feridas.

Fonte: BBC Brasil  - http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/07/120704_paraguai_economia_brusquetti_mc.shtml

Proposta de livre comércio entre Mercosul e China opõe Brasil e Argentina

Atualizado em  27 de junho, 2012 - 14:50 (Brasília) 17:50 GMT

Wen Jiabao e Cristina Kirchner. AFP
As chances de que a proposta prospere são pequenas em função da oposição da indústria brasileira.
Em meio à crise paraguaia, o anúncio de que a China teria interesse em um acordo de livre comércio com o Mercosul causou surpresa e colocou em campos opostos diplomatas do Brasil e da Argentina, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
O governo de Pequim também ofereceu uma linha de crédito de US$ 10 bilhões para financiar projetos de infraestrutura na América Latina.
As propostas chinesas foram feitas na Argentina na sexta-feira passada pelo primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, durante uma vídeo conferência da qual também participaram a presidente brasileira, Dilma Rousseff, e o uruguaio José Mujica, além da presidente argentina, Cristina Kirchner. A única ausência foi a Paraguai, que vive um conturbado processo de sucessão presidencial.
Segundo os especialistas, as chances de que a proposta de livre comércio prospere são pequenas em função da oposição da indústria brasileira.
Miriam Gomes Saraiva, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, explica que a ideia de um tratado de livre comércio entre o Mercosul e a China é defendida claramente pela Argentina e vista por Brasília com preocupação por causa da ameaça que produtos chineses podem representar à indústria brasileira.
A opinião é a mesma de Kevin Gallagher, especialista em relações China-América Latina da Universidade de Boston e que está em Buenos Aires pesquisando o tema.
"Todos os países latino-americanos poderiam se beneficiar de um acesso privilegiado ao mercado chinês, que consome 72% da soja argentina e 50% do aço brasileiro, mas o potencial do impacto de um aumento das importações chinesas divide a região", explica.
Durante a teleconferência, o primeiro-ministro chinês ressaltou o "interesse comum e o grande potencial" do possível acordo.
Dilma, por sua vez, defendeu que o estreitamento dos laços com a China poderia ajudar a evitar um contágio da crise global nos países emergentes, mas para Gallagher a declaração foi política.
Presidente brasileira Dilma Rousseff e primeiro-ministro chinês Wen Jiabao (Foto AP)
Presidente Dilma cumprimenta o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao após a conferência Rio +20
"A grande preocupação do Brasil hoje é como diversificar sua economia, reduzindo a dependência das exportações de commodities, cujo principal consumidor é a China, e aumentando a competitividade dos produtos de maior valor agregado, que muitas vezes competem com os chineses", afirma o analista.

Paraguai

Para Saraiva, não foi à toa que a ideia foi lançada em um momento em que o Paraguai está afastado do bloco. Segundo a professora, a diplomacia argentina aproveitou a suspensão do país do Mercosul para fazer pressão sobre o Brasil.
"O anúncio dessa proposta e as conversações relacionadas a ela foram possíveis agora por causa do afastamento do Paraguai (do Mercosul), já que o fato de esse país não manter relações diplomáticas (com a China) vem impedindo há muito tempo qualquer acordo", afirma Saraiva, especialista em diplomacia brasileira e cooperação sul-sul.
O Paraguai é um dos poucos países do mundo que não reconhece o governo de Pequim, mas sim o governo chinês de Taiwan. A ilha, no entanto, é considerada uma Província rebelde pelos chineses continentais.
Saraiva ressaltou que a chance de que um acordo comercial com a China avance são pequenas. Até porque costurar esse acordo exigiria tempo - e a princípio o afastamento do Paraguai, decidido após o impeachment-relâmpago do presidente Fernando Lugo, é apenas temporário.

Presença chinesa

A proposta da China de abrir uma linha de crédito de US$ 10 bilhões para financiar projetos de infraestrutura na região já é menos polêmica, embora para o Brasil também crie desafios, além de oportunidades.
Desde 2005, a China emprestou, principalmente por meio do Banco de Desenvolvimento Chinês, cerca de US$ 75 bilhões para países latino-americanos segundo um estudo coordenado por Gallagher e publicado pelo Inter-American Dialogue.
Só em 2010 os créditos chineses totalizaram US$ 37 bilhões, de acordo com o mesmo estudo - mais do que o total aplicado na região pelo Banco Mundial, o Banco Inter-Americano de Desenvolvimento e o EximBank dos Estados Unidos juntos.
A maior parte desses recursos se destina a obras de infraestrutura e costuma ser condicionada à contratação de construtoras chinesas em um esquema semelhante ao implementado pelo BNDES.
A diferença é que, em troca dos empréstimos, os chineses podem exigir exportações de petróleo e outros recursos naturais - como no caso de algumas linhas de crédito para a Venezuela.
Entre as obras financiadas por capital chinês estão hidrelétricas no Equador e poços de exploração de petróleo em Cuba. O Brasil também recebe uma parte importante desses empréstimos, mas, segundo Gallagher, também há uma preocupação no país com a competição que as empresas chinesas representam na região para as brasileiras.
"Por isso o BNDES está se estruturando para apoiar mais a expansão internacional das companhias brasileiras", opina o analista.

Fonte: BBC Brasil  http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/06/120627_china_mercosul_ru.shtml

domingo, 1 de julho de 2012

Mercosul suspende Paraguai e incorpora Venezuela; alto representante do bloco renuncia

UOL, em São Paulo
O Mercosul decidiu nesta sexta-feira (29) suspender o Paraguai do bloco e incorporar a Venezuela como membro pleno. A decisão foi acordada entre os presidentes do Brasil, Uruguai e Argentina, reunidos na 43ª cúpula do Mercosul realizada em Mendoza, na Argentina.
Após a reunião de líderes, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, confirmou a suspensão temporária do Paraguai do Mercosul, até as eleições presidenciais de abril de 2013.
A medida ficará em vigor até que “seja efetivado o processo democrático e novamente se instale nesse país a eleição popular”, explicou a mandatária. No último dia 22, o ex-presidente paraguaio Fernando Lugo foi deposto por um processo de impeachment aprovado pelo Congresso em menos de 30 horas. No mesmo dia, o vice de Lugo, o liberal Federico Franco, assumiu como mandatário.
Cristina Kirchner reiterou que o Paraguai não sofrerá sanções econômicas, para não prejudicar a população. “Nosso objetivo é conseguir uma melhor qualidade de vida.”
Ela ainda acrescentou que os presidentes do Mercosul decidiram pelo ingresso da Venezuela no bloco, como membro pleno. Antes, o país era membro observador, ao lado de Chile, Colômbia, Peru, Equador e Bolívia.
A adesão será concretizada em uma reunião em 31 de julho, que será realizada no Rio de Janeiro, segundo Cristina.

Renúncia

Depois do anúncio da suspensão do Paraguai e da incorporação da Venezuela, o alto representante do Mercosul, o brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães, renunciou ao seu cargo. Ele alegou motivos “políticos” e apresentou um relatório no qual adverte sobre o futuro do bloco.
“O exercício deste cargo só é possível com o firme apoio político dos governos dos Estados que fazem parte do bloco”, afirmou. “As razões da minha demissão são, assim, de natureza política.”
O diplomata brasileiro havia assumido o cargo – criado em dezembro de 2010 – em janeiro de 2011, com a função de realizar a articulação política, a formulação de propostas e representação das posições comuns do Mercosul, criado em 1991.

Crise política

Nesta semana, Lugo declarou não reconhecer a autoridade política de Franco, e anunciou um giro pelo território paraguaio a fim de "explicar detalhadamente" à população o que aconteceu no que chamou de "sexta-feira negra", o último dia 22.
Franco, por sua vez, montou um novo governo e criticou a decisão do Mercosul de suspender o Paraguai das reuniões do bloco.
Por sua vez, a Organização dos Estados Americanos (OEA) anunciou que enviará uma missão ao Paraguai neste fim de semana, para analisar de perto a crise política no país sul-americano.

Fonte: www.uol.com.br

Projeção do IBGE mostra que brasileiros viverão até 80 anos em 2040; especialista fala em reforma previdenciária

Hanrrikson de Andrade e Débora Melo
Do UOL, no Rio e em São Paulo  
A expectativa de vida da população brasileira --que aumentou 25,4 anos no período entre 1960 e 2010, segundo dados do Censo Demográfico 2010-- chegará a 80 anos em 2040, segundo projeção do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
De acordo com o técnico em geografia do IBGE Gabriel Borges, responsável pela análise das estatísticas sobre envelhecimento, "o crescimento é contínuo", e está diretamente associado a uma expressiva queda dos índices de mortalidade.
"A taxa de mortalidade da população vem caindo desde 1940. Claro que alguns grupos, como os jovens do sexo masculino, estão mais sujeitos a uma ligeira desaceleração dos índices de mortalidade, mas a projeção feita pelo IBGE em 2008 [e que ainda não engloba os dados do Censo 2010] estabelece essas metas. Até 2040, a esperança de vida estará em 80 anos", explicou.
Borges afirmou que os resultados obtidos no período intercensitário --entre 1991 e 2010-- já eram esperados pelo IBGE, e que o ritmo de crescimento da esperança de vida da população também foi impactado pelo fluxo migratório e pela diminuição das taxas de natalidade. Segundo ele, isso acarretou em uma maior participação ativa dos idosos.
"A maior participação da população de 65 anos ou mais de idade na área rural em relação à área urbana é em função também dos movimentos migratórios, já que as saídas daquela área normalmente se dão nas idades mais jovens, permanecendo as pessoas mais velhas", explica o IBGE no relatório sobre os dados coletados para o Censo 2010.
Nos últimos 50 anos, houve aumento de 54,6% para 68,5% da participação da população em idade ativa (15 a 64 anos de idade). O número médio de filhos por mulher caiu de 6,3 para 1,9 nesse período, valor abaixo do nível de reposição da população.
Os pesquisadores constataram uma redução nos níveis de fecundidade que acarretou na diminuição de 42,7% (1960) para 24,1% (2010) de participação da população entre 0 e 14 anos de idade no total. Já o crescimento da participação da população de 65 anos ou mais, no período entre 1960 e 2010, saltou de 2,7% para 7,4%.
"Os governantes precisam entender quem é e quantos são a população. A diminuição do número de crianças está ligada a uma maior participação das pessoas mais velhas, que estão cada vez mais ativas", afirmou Borges.
"Participamos constantemente de palestras com representates dos governos, e explicamos que a estrutura etária é um dos principais pontos para avaliação de políticas relacionadas a esse assunto. (...) A partir da análise dos dados, existe toda uma forma de repensar as políticas que são aplicadas, principalmente com foco na saúde e na questão previdenciária", completou.
De acordo com o técnico do IBGE, apesar do aumento expressivo da expectativa de vida população, ainda há uma "distância significativa" em relação aos países desenvolvidos. "Em algum momento a gente espera que aconteça essa convergência", finalizou.

Previdência Social

Para o economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Marcelo Caetano, o aumento da expectativa de vida da população e do número de idosos no país impactam ao menos três áreas das contas públicas: saúde, previdência e cuidado com idosos.
Caetano, que é especialista em previdência, afirma que mais cedo ou mais tarde o governo terá que articular uma reforma na Previdência Social. “Ao menos duas mudanças são necessárias: a criação de uma idade mínima para a aposentadoria por tempo de contribuição e uma revisão das pensões por morte, que é o benefício mais distorcido de todos”, diz.
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Atualmente, a aposentadoria por tempo de contribuição exige 35 anos de pagamentos ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), no caso do homem, e 30 anos, no caso da mulher.
“No geral, a idade de quem se aposenta por tempo de contribuição no Brasil é muito baixa, mesmo com o fator previdenciário [fórmula usada no cálculo do benefício, que reduz o pagamento de quem se aposenta cedo]. Com o segurado recebendo o benefício por muito tempo, a conta não fecha”, diz Caetano.
As propostas para acabar com o fator e criar um novo modelo --que incluem mudanças no pagamento da pensão da morte-- estão em discussão no Congresso. No entanto, para Caetano, “a dificuldade da reforma é que ela nunca é urgente”.
“Nada é de graça. A sociedade é que vai ter que pagar. Qualquer reforma força o aumento da carga tributária ou, então, a migração de recursos de um setor para outro. Por isso nunca é urgente".

Mudanças na pirâmide etária

As mudanças referentes à expectativa de vida da população --o que inclui taxa de natalidade, índice de mortalidade e fluxo migratório-- alteraram a pirâmide etária, com estreitamento da base e o alargamento do topo, refletindo a estrutura de população mais envelhecida, característica dos países mais desenvolvidos, de acordo com o IBGE.
"O estreitamento da base e o alargamento do topo da pirâmide etária é o caminho para uma estrutura mais envelhecida, características dos países mais desenvolvidos, que apresentam uma estrutura mais cilíndrica", explica o instituto.
"O contingente populacional das crianças menores de 1 ano de idade [pouco mais de dois milhões], que representava 3,1% da população total, passou, em 2010, para uma participação de 1,4%, representando um volume de 2,7 milhões de crianças menores de 1 ano de idade", completa.
 Fonte: uol.com.br