segunda-feira, 23 de abril de 2012

Indígenas desafiam fronteiras e se unem contra grandes obras na América Latina

João Fellet
Atualizado em  23 de abril, 2012 - 11:15 (Brasília) 14:15 GMT

Líderes indígenas em reunião com o presidente da Funai (Foto: Valter Campanato/ABr)
Grupos buscam trocar experiências bem-sucedidas e unificar posição junto a organizações internacionais
Desafiando as fronteiras nacionais, indígenas de países latino-americanos estão se articulando de forma inédita na oposição a obras que afetam seus territórios e a políticas transnacionais de integração.
Com o auxílio de tecnologias modernas e de conexões históricas, índios de diferentes grupos têm buscado unificar posições em organizações internacionais como ONU e a OEA (Organização dos Estados Americanos). Experiências bem-sucedidas por toda a América Latina em disputas com governos e empresas também vêm sendo compartilhadas.
"Estamos mapeando todas as conquistas dos nossos parentes (povos indígenas) no continente para aproveitarmos as experiências deles aqui no Brasil", afirma Marcos Apurinã, coordenador-geral da Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira).
"Nossos problemas são praticamente idênticos aos dos indígenas dos outros países", diz ele à BBC Brasil.
Essa aproximação tem sido liderada pelas grandes organizações indígenas nacionais e por movimentos regionais, como a Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica), que agrega grupos do Equador, Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.
Além de manter as organizações filiadas informadas sobre disputas envolvendo indígenas nos países membros, a Coica tem promovido encontros entre seus integrantes.
Nas reuniões, discutem-se, entre outros temas, formas de pressionar os governos a demarcar territórios, como recorrer a organismos internacionais para fazer valer os direitos indígenas e o impacto de grandes obras nas comunidades tradicionais.
"Nos preocupa a nova forma de desenvolvimento conhecida como economia verde. Entendemos isso como um esforço para a exploração dos recursos naturais nos territórios indígenas", diz à BBC Brasil Rodrigo de la Cruz, coordenador técnico da Coica.
Cruz cita algumas obras que considera dramáticas para indígenas na América Latina: no Brasil, a hidrelétrica de Belo Monte; na Bolívia, a construção de estrada que atravessaria o parque nacional Tipnis; no Equador, a exploração petrolífera na Reserva Faunística Yasuní; no México, a estrada Bolaños-Huejuquilla; e na América Central, o Projeto Mesoamérica (integração de redes elétrica e de transporte do México à Colômbia).
Clique Leia mais: Na fronteira Brasil-Peru, índios se mobilizam contra obras binacionais
Todas as obras acima são ou foram objeto de protestos de indígenas. E, como parte delas afeta povos tradicionais em mais de um país, também entraram na pauta dos encontros entre índios de regiões fronteiriças.

Obras transnacionais

A reportagem da BBC Brasil esteve na divisa com o Peru, onde índios dos dois lados têm se reunido para tratar dos efeitos de uma série de obras destinadas a ampliar a integração binacional nos próximos anos.
A primeira delas – a rodovia Interoceânica, que liga o noroeste brasileiro a portos peruanos no Pacífico – saiu do papel em 2011 e trouxe, segundo os indígenas, vários problemas à região, como desmatamento e mineração ilegal.
Jaime Corisepa, presidente da Federação Nativa do Rio Madre de Dios e Afluentes (Fenamad), principal movimento indígena do Departamento (Estado) peruano de Madre de Dios, diz temer um agravamento das condições caso os próximos projetos de integração saiam do papel. Um deles é o acordo energético que prevê a construção de seis hidrelétricas no Peru para abastecer o mercado brasileiro.
Protestos de índios contra o acordo fizeram o governo peruano suspendê-lo e anunciar que ele só vigorará após as comunidades tradicionais serem consultadas, conforme determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Clique Veja mapa: Conheça pontos de tensão para povos indígenas na América Latina

Laços históricos

A articulação entre povos indígenas dos países amazônicos também é facilitada por fatores históricos. Marcela Vecchione, consultora da Comissão Pró-Índio (CPI) do Acre, diz que as fronteiras na região foram definidas conforme critérios econômicos e não levaram em conta as comunidades presentes, que, em muitos casos, foram divididas pelos limites nacionais.
Ao longo de várias décadas, segundo ela, esses povos mantiveram relação intensa com os dos países vizinhos, cruzando as fronteiras livremente. Com a demarcação de terras indígenas pelos governos nacionais nas últimas décadas, porém, esse fluxo migratório foi reduzido, embora muitos povos binacionais (ou até trinacionais, em alguns casos) mantenham alianças por meio de casamentos e relações de parentesco com índios de países vizinhos.
Geraldo Manchineri (Foto Joao Fellet/ BBC Brasil)
Muitos machineri passam parte do ano em um país e o resto, no outro
É o caso dos manchineri, que vivem na região da divisa Brasil-Peru. São comuns os casos de índios desse grupo que passam parte do ano em um país e o resto, no outro.
Geraldo Manchineri, que vive em uma aldeia indígena no Peru, sempre visita os parentes do lado brasileiro – a reportagem da BBC Brasil o encontrou numa praça em Brasileia (AC).
Segundo Ricardo Verdum, doutor em Antropologia pela Universidade de Brasília, os povos indígenas começaram a se articular em encontros internacionais nas décadas de 1960 e 1970, quando países africanos e asiáticos lutavam para se livrar do jugo europeu. A evolução do diálogo resultou na Convenção 169 da OIT, de 1989, e na Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, de 2007.
Ele diz, porém, que o grande desafio dos movimentos é fazer com que os países que subscreveram os documentos os respeitem.
Para isso, segundo Verdum, nos últimos anos, a articulação entre indígenas (especialmente na América Latina) tem se intensificado e ganhado contornos mais institucionais, com a criação de órgãos para fazer frente às políticas dos Estados nacionais.
"Hoje, eles estão bem mais atentos, buscando se organizar de forma politicamente autônoma", afirma à BBC Brasil.
Verdum diz esperar que, em alguns países, esse processo enseje a criação de Parlamentos dos Povos Indígenas, órgãos que seriam vinculados ao Poderes Legislativos nacionais e serviriam para a elaboração de políticas específicas para os índios.

Conferências virtuais

Além de dialogar sobre desafios comuns em reuniões internacionais, indígenas latino-americanos têm usado a internet para alinhar posições sobre temas que não necessariamente envolvam grandes obras ou conflitos com governos.
Tashka Yawanawá, líder da Associação Sociocultural Yawanawá, que atua no Acre, mantém um blog (awavena.blog.uol.com.br) e usa a internet para fazer videoconferências com povos de países vizinhos.
Nos últimos dias, ele diz ter conversado pelo Skype com índios peruanos sobre como as comunidades tradicionais podem se beneficiar dos "serviços ambientais" que prestam (como o plantio de ervas medicinais ou a preservação ambiental em seus territórios). O tema foi debatido em encontro recente nas Filipinas.
Segundo Tashka, a humanidade hoje vive "numa aldeia global em que tudo está conectado".
"Hoje os povos indígenas não podem mais fugir do homem branco, da tecnologia. Temos que nos atualizar, nos preparar para encarar esse novo mundo."

Fonte: BBC- Brasil

Funai alerta para risco de genocídio de índios isolados no Acre

João Fellet
Atualizado em  19 de abril, 2012 - 05:47 (Brasília) 08:47 GMT

Indígenas brasileiros | Foto: Gleison Miranda/Funai/Survival
Avanço da exploração entre o Brasil e o Peru
pode levar a genocídio entre índios da região
O avanço da exploração econômica na fronteira entre o Brasil e o Peru ameaça causar um genocídio entre índios que vivem isolados na região, segundo organizações indígenas e indigenistas ouvidas pela BBC Brasil.
Estimados em algumas centenas pelo escritório da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Rio Branco (AC), esses índios – em sua maioria falantes das línguas pano e aruak – vivem nas cabeceiras de rios na fronteira, atravessando-a livremente.
No entanto, segundo indigenistas, a exploração de madeira e o tráfico de drogas estão deslocando esses povos, que, em contato com outras populações (indígenas ou não), poderão ser dizimados por doenças ou confrontos armados.
"Notamos que há mudanças nas rotas dos isolados, que têm avançado além dos espaços que costumavam frequentar, por conta da pressão que sofrem do lado peruano", diz a coordenadora da Funai em Rio Branco, Maria Evanízia dos Santos.
"Índios contatados estão preocupados, e muitas aldeias se mudaram por conta da proximidade, para evitar confrontos".
O quadro, diz Santos, se agravará caso obras planejadas por governantes locais saiam do papel. Há planos de construir uma estrada entre as cidades peruanas de Puerto Esperanza e Iñapari, margeando a fronteira com o Brasil, e de fazer uma rodovia ou uma ferrovia entre Cruzeiro do Sul (AC) e Pucallpa, no Peru. Ambas as obras cruzariam territórios de índios isolados.
"Se eles forem espremidos, vão para cima dos manchineri da TI (Terra Indígena) Mamoadate, que vão se defender. Como há histórico de conflitos, não é leviano falar em risco de genocídio", diz o coordenador-substituto da Funai em Rio Branco, Juan Scalia.
O termo também é citado por indígenas peruanos: "Se a estrada de Puerto Esperanza a Iñapari sair, haverá um genocídio", afirma Jaime Corisepa, presidente da Federação Nativa do Rio Madre de Dios e Afluentes (Fenamad), principal movimento indígena do Departamento (Estado) de Madre de Dios.

Risco de conflitos

As pressões sofridas por índios isolados no território peruano e seus possíveis efeitos no Brasil já fizeram com que o presidente da Funai, Márcio Meira, procurasse a embaixada do Peru em busca de providências. Paralelamente, movimentos como a Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-Acre) têm promovido encontros com índios brasileiros contatados para conscientizá-los sobre as ameaças sofridas pelos isolados e desencorajar conflitos.
"Eles percebem que os isolados estão vivendo o tempo das correrias de seus avós, que fugiam dos empresários da seringa", diz Marcela Vecchione, consultora da CPI-Acre. Ela se refere à violência sofrida pelos índios da região durante o ciclo da borracha, entre o fim do século 19 e início do 20.
Acredita-se que os índios isolados sejam remanescentes de grupos massacrados e perseguidos durante aquele período. Com o declínio da extração de borracha, eles voltaram a seus territórios.
"Sabemos que eles estão bem, têm comida suficiente e vivem em malocas bem cuidadas", diz Santos, da Funai, citando informações colhidas em expedições do órgão. Numa delas, em março de 2010, um avião sobrevoou uma aldeia de índios isolados, que atiraram flechas contra a aeronave. As fotos estamparam jornais do mundo todo.

Encontros

Embora a expressão índios isolados possa sugerir grupos que vivam completamente alheios ao mundo exterior, há numerosos relatos de encontros entre essas populações e índios contatados, bem como de encontros entre índios isolados e não-indígenas que habitam o entorno de seus territórios.
Muitos desses encontros resultaram em conflitos, o que rendeu aos isolados o apelido de "índios brabos" na região. Em 1986 e 1987, segundo relato do sertanista da Funai José Carlos Meirelles, o acirramento dos conflitos levou índios kaxinawá e ashaninka contatados a pedirem que o governo "amansasse os brabos".
Em resposta, a Funai criou em 1988 o Departamento de Índios Isolados, cuja missão é proteger esses povos sem promover nenhuma relação. Desde então, a política da Funai estabelece que só haverá contato com esses indígenas se eles desejarem.
No entanto, têm se tornado cada vez mais constantes os relatos da presença de índios isolados em áreas ocupadas por indígenas contatados ou comunidades de agricultores e pescadores.
Em informativo publicado em dezembro de 2010 pela CPI-Acre, indígenas e ribeirinhos entrevistados dizem que índios isolados furtaram seus pertences, como roupas, utensílios domésticos e ferramentas. Os saques, segundo o informe, têm sido especialmente frequentes no município de Jordão (AC). Um deles, em 2009, ocorreu em vilarejo a cinco horas de caminhada da sede da prefeitura.
Também na publicação da CPI-Acre, Getúlio Kaxinawá, um dos principais líderes indígenas do rio Jordão, relata a morte de um "brabo" por caçadores não-índios, em 2000. "Sei também que em maio de 1996 os brabos mataram duas mulheres lá na colocação Tabocal (…), a dona Maria das Dores (47 anos) e sua filha Aldeniza (13 anos). A filha, atingida por várias flechadas, uma delas na garganta, morreu nessa colocação e a mãe, com uma flechada na barriga, só morreu quase dois meses depois num hospital de Rio Branco".
Kaxinawá relata ainda um ataque dos "brabos" que resultou na morte do dono de um seringal, em 1997, e de ofensiva empreendida pelo grupo contra uma comunidade de não-índios: "Cercaram a sede do (seringal) Alegria, fazendo muito medo a todos os moradores de lá. Eles também cercaram e flecharam uma escola lá no alto Tarauacá e depois a maioria dos moradores se retirou de lá por causa da vingança dos brabos".

Exploração de petróleo

Além das ameaças impostas pelas estradas, por madeireiros e traficantes, ONGs alertam para os riscos da exploração petrolífera na região fronteiriça. No lado peruano, vários lotes já foram cedidos a empresas privadas para a prospecção dos bens.
A ONG Survival International afirma que o governo peruano está permitindo que as empresas avancem sobre territórios de índios isolados, violando diretriz da ONU que defende a proteção dessas áreas.
A organização diz que, em 1980, ações semelhantes provocaram a morte de quase metade dos membros do povo nahua. À época, funcionários da Shell abriram caminhos na terra indígena em que a comunidade vivia isolada, disseminando doenças entre seus integrantes, segundo a ONG.
Também há preocupações quanto à exploração de petróleo e gás do lado brasileiro. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) deve concluir neste ano testes sísmicos para avaliar a viabilidade de extrair os recursos.

Fonte: BBC- Brasil

Lagarde quer mais dinheiro dos Brics para o FMI

Pablo Uchoa
Atualizado em  19 de abril, 2012 - 14:08 (Brasília) 17:08 GMT

Christine Lagarde
Christine Lagarde disse que Brics 'têm em comum o fato de valorizar o multilateralismo'
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, reforçou nesta quinta-feira seu pedido para que os países Bric – Brasil, Rússia, Índia e China – aportem mais recursos para a instituição.
Abrindo a temporada de reuniões do FMI e do Banco Mundial em Washington, Lagarde disse que os Brics "têm em comum o fato de valorizar o multilateralismo", em um chamamento quase explícito à boa vontade do grupo para participar no reforço ao caixa da instituição.
"(O termo) Bric é uma bela denominação criada pela Goldman Sachs. Mas eles têm diferentes questões, como câmbio e fluxos de capital, têm diferentes programas de crescimento com inclusão", disse Lagarde, respondendo à pergunta de um jornalista chinês sobre a contribuição financeira do grupo para o FMI.
"Certamente o que eles têm em comum é sua dedicação ao multilateralismo, e isto certamente será demonstrando pelos vários números, incluindo cada um dos que você está pensando, espero, até o fim da Reunião de Primavera."
Durante o encontro, que vai até domingo, o FMI quer levantar US$ 400 bilhões para reforçar o poder de fogo do Fundo contra a crise na zona do euro.

Poder de decisão

O ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, que participa de reuniões nesta quinta-feira na capital americana, já disse no início da semana que o Brasil só vai aportar mais recursos ao FMI se a contribuição for acompanhada de mais poder de decisão na instituição.
Não se sabe de quanto poderia ser o aporte dos Bric ao FMI. Em 2009, eles emprestaram ao caixa da entidade US$ 80 bilhões adicionais (US$ 50 bilhões da China e US$ 10 bilhões de cada um dos outros).
Na quarta-feira, Lagarde disse que o FMI já conseguiu US$ 320 bilhões, principalmente dos países da zona do euro (cerca do US$ 200 bilhões), Japão (US$ 60 bilhões), países nórdicos como Suécia, Noruega e Dinamarca e, na quarta-feira, de Polônia e Suíça.
A diretora-gerente disse que o Fundo deve receber mais recursos, mas não quis dizer de que países. "Cabe a eles anunciar", sintetizou.

Políticas de ajuda

Em outra entrevista coletiva no FMI, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, também fez alusão ao poder econômico dos mercados emergentes, desta vez no sentido de diminuir a pobreza em seus países e ajudar países mais pobres a atingir o mesmo objetivo.
Zoellick, que participa de seu último encontro anual das duas instituições – ele deixa o cargo no fim de junho –, falava sobre a importância de ajudar os países de renda média, onde estão dois terços das pessoas que vivem com menos de US$ 2 por dia.
"Exite uma estimativa conservadora de ajuda estrangeira dos países emergentes para os mais pobres de US$ 15 bilhões. É provavelmente uma estimativa modesta", disse Zoellick.
Segundo a organização Oxfam, a ajuda global provida pelos países desenvolvidos foi de US$ 133 bilhões no ano passado.
"Precisamos mudar nossa noção de ajuda, de um modelo de caridade para o modelo de investir em capital humano e infraestrutura nos países em desenvolvimento", afirmou o presidente do Banco Mundial.
"Se dois terços do crescimento vêm dos países em desenvolvimento, temos de mudar nossa mentalidade."
Para Zoellick, os países em desenvolvimento dão lições sobre como combater a pobreza dentro de seu próprio território.
"O programa Bolsa Família no Brasil, Oportunidades no México, são feitos por metade de um ponto percentual do PIB. E no entanto eles cobrem 15-20% das pessoas e proveem uma escada para o crescimento. Nós no Banco ajudamos a aumentar programas de transferência de renda em cerca de 40 outros países", exemplificou.
"A questão da ajuda não é os números mas a eficiência: vamos nos concentrar nas redes básicas de ajuda social em todos os países, para lidar com a volatilidade e as incertezas. Se esperarmos outra crise, será muito tarde."

Fonte: Correio do Brasil

CPMI começa a investigar o esquema de Cachoeira

19/4/2012 11:38,  Por Redação, com RBA - de Brasília
Cachoeira
Os deputados e senadores reunidos para abertura da CPMI do Cachoeira
O Congresso Nacional criou oficialmente, na manhã desta quinta a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que vai investigar as relações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com parlamentares e agentes públicos e privados. O esquema de crimes e fraudes faz parte das apurações das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal.
A vice-presidente do Congresso, Rose de Freitas (PMDB-ES), comunicou que as lideranças da Câmara e do Senado têm até terça-feira para indicador os titulares e suplentes que farão parte da CPMI. A comissão será composta por 15 senadores e 15 deputados titulares e igual número de suplentes. Os parlamentares serão indicados seguindo o critério de proporcionalidade, aquele partido que dispõe de mais políticos terão direito a um maior número de cadeiras.
Com atraso
Com 20 minutos de atraso, o Congresso formalizou nesta manhã a criação da CPMI, após a leitura do requerimento para este fim, na sessão extraordinária do Congresso Nacional, pelo 1º secretário, deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), e constitui regimentalmente o ato de criação da CPMI.
A vice-presidente do Congresso, Rose de Freitas (PMDB-ES) convocou sessão conjunta para a próxima terça-feira, às 19h30, para apresentação dos membros da comissão. Essa também é a data-limite para a indicação dos nomes pelas bancadas partidárias.
Na primeira reunião da CPMI, será eleito o presidente do colegiado e indicado o seu relator. A comissão tem o prazo de 180 dias, com possibilidade de prorrogação, para concluir os trabalhos.
Assinaturas
O requerimento contabilizava até o ato da leitura 72 assinaturas no Senado e 337 na Câmara, número mais do que suficiente para garantir o quórum, que é de 27 senadores e 171 deputados.
O número de apoiadores da investigação pode ser alterado até à meia-noite, quando será publicado o ato de criação da CPMI. Até lá, os parlamentares podem assinar o documento ou retirar suas assinaturas. O requerimento para a criação da CPMI foi protocolado junto à Mesa do Congresso na noite de terça-feira.
Segundo a Constituição, uma CPI tem poderes de investigação próprios das autoridades judiciais e pode, por exemplo, ouvir testemunhas, investigados e indiciados, requisitar informações e documentos sigilosos a instituições financeiras, além de quebrar os sigilos bancário, fiscal e de dados. Ao término das investigações, as conclusões devem ser encaminhadas ao Ministério Público.
 
 Fonte: Correio do Brasil

“É inaceitável outra Cúpula das Américas sem Cuba”, sentencia presidente colombiano

15/4/2012 11:58,  Por Redação, com Carta Maior - de Cartagena, Colômbi
Cuba
Dilma, Santos colocam Obama em uma saia justa
Após inaugurar a sexta Cúpula das Américas, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu que fosse deixada para trás a teimosia ideológica na questão cubana e que fosse superado um “anacronismo da guerra fria”. Além disso, afirmou que uma nova reunião de cúpula da região sem a presença de Cuba seria inaceitável. E, da mesma forma, seria inaceitável uma nova cúpula com um Haiti prostrado na pobreza extrema.
Diante da maioria dos mandatários da região, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro ministro canadense Stephe Harper, que se opuseram à presença de Cuba neste encontro continental, Santos – um dos principais aliados norte-americanos na região – ecoou, assim, a controvérsia surgida na véspera entre os chanceleres, que não chegaram a um acordo sobre o documento final da cúpula. Os dois países da América do Norte rejeitaram incluir no texto a necessidade de incorporar Cuba em futuras reuniões.
Sem nunca citar os Estados Unidos, o presidente anfitrião pediu aos países do continente para que deixassem para trás os paradigmas do passado, criassem pontes e fossem criativos para superar as dificuldades do hemisfério, entre elas a situação de Cuba. O isolamento, o embargo, a indiferença, o olhar para outro lado, já demonstraram sua ineficácia, acrescentou.
Santos sustentou ainda que no mundo de hoje não se justifica esse caminho, que não passa de um “anacronismo que nos mantém presos à era de uma guerra fria superada há várias décadas”. É hora, defendeu, de superar a paralisia provocada pela teimosia ideológica e de buscar consensos mínimos para que esse processo de mudança que também está ocorrendo na ilha chegue a um bom termo, pelo bem do povo cubano.
Para o presidente colombiano, é inaceitável que Cuba não participe da próxima Cúpula das Américas. Não podemos também chegar à próxima cúpula invocando um espírito hemisférico se antes não somos capazes de contribuir, coletivamente, para que o Haiti entre com vigor na senda do crescimento e da superação da pobreza extrema, acrescentou. Ele pediu ainda que em vez de impulsionar agendas próprias, os países do hemisfério, que queiram ajudar, façam sua a agenda do próprio governo haitiano, que conhece melhor do que ninguém as necessidades de seu povo.
– Tem faltado o mais importante nos gestos de boa vontade para ajudar o Haiti: conhecer o que quer e o que realmente precisa o povo haitiano – afirmou.
A cúpula do continente iniciou com a cantora colombiana Shakira, que cantou o hino nacional de seu país diante de um auditório repleto, onde estavam os 31 presidentes da região, no centro de convenções desta histórica cidade cercada de muralhas. Além do de Cuba, somente os presidentes da Venezuela,
Nicarágua e Equador, por diferentes motivos, não participaram do encontro.
Também participaram da sessão de abertura o secretário geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e a secretária executiva da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, que fizeram um balanço da situação na região e concordaram que não deve haver mais países excluídos.
Insulza, sem mencionar expressamente o caso cubano, defendeu o fim das exclusões e destacou os avanços democráticos que a região vive hoje, além dos aportes e da vitalidade que está transformando os países latino-americanos em uma fortaleza econômica desconhecida até agora. Para o secretário geral da OEA, existem grandes diferenças regionais, mas assinalou que essas diferenças devem ser reconhecidas de modo solidário. A melhor solução, defendeu, é ter diálogo, cooperação e tolerância. Enquanto isso, a funcionária da Cepal afirmou que o progresso e o bem estar dos povos do continente americano constituem uma responsabilidade entre Canadá, Estados Unidos, América latina e Caribe. Ela insistiu que a cooperação é essencial para cumprir uma agenda de desenvolvimento econômico com igualdade, daí a importância da constituição da comunidade dos estados americanos e do Caribe, porque isso mudou a forma de nos relacionarmos.
Tradução: Katarina Peixoto (Agência Carta Maior)
Fonte: Correio do Brasil

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Índios pataxós invadem cinco fazendas no sul da Bahia

15/4/2012 21:52,  Por Redação, com ABr - de Brasília

ÍndiosÍndios da etnia Pataxó Hã Hã Hãe ocuparam cinco propriedades rurais na madrugada deste domingo, em terras que são disputadas com fazendeiros e com empresas agropecuárias no litoral sul da Bahia, de acordo com o agente da Polícia Civil no município de Pau Brasil, Sagro Bonfim.
Ele disse à Agência Brasil que índios da Aldeia Caramuru-Paraguaçu invadiram as fazendas antes de o dia amanhecer, segundo relatos de fazendeiros que procuraram a delegacia local para registrar as ocorrências e notificaram que mais de 30 pessoas estão reféns dos índios.
O policial informou que as invasões têm se tornado corriqueiras na disputa pela posse de 54 mil hectares de terras nos municípios de Pau Brasil, Camacan e Itaju da Colônia, e ele teme que haja “derramamento de sangue” na região enquanto não houver definição sobre a propriedade das terras.
Até porque, segundo Bonfim, as polícias Civil e Militar do estado “pouco ou nada podem fazer”, uma vez que as terras são consideradas como área de reserva federal e as forças auxiliares não têm acesso ao local, a não ser que a Polícia Federal (PF) solicite nosso apoio, acrescentou.
Sagro Bonfim disse que a unidade da PF mais próxima fica em Ilhéus, a mais de 150 quilômetros do local, e foi avisada do ocorrido no início desta manhã, mas adiantou que os federais só irão à reserva amanhã (16), ocasião em que as autoridades dos municípios afetados terão uma visão mais exata a respeito das invasões e de seus efeitos.
Ele acrescentou que não há, por enquanto, nenhuma informação sobre a existência de feridos nas invasões deste domingo, mas revelou que o clima é de tensão na região, a ponto de os habitantes de Pau Brasil terem feito barricadas nos acessos à cidade para evitar a circulação dos índios, que reclamam a posse das terras há 28 anos.
Uma Ação Cível Originária (ACO) 312 protocolada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) no Supremo Tribunal Federal (STF) assegura que a área foi demarcada como reserva indígena em 1936, mas o governo estadual concedeu títulos de posse a fazendeiros da região em anos posteriores, gerando o conflito.
Em vista disso, a Funai ajuizou a ACO 312 para garantir aos pataxós a posse e o usufruto da terra indígena Caramuru-Paraguaçu. A ação foi a plenário em 2008, quando o ex-ministro Eros Grau, então relator do processo, manifestou-se favorável à ação da Funai. O ministro Carlos Alberto Menezes Direito solicitou vista, mas morreu sem reencaminhar a matéria, e seu substituto, o ministro Dias Toffoli, declarou-se impedido por ter atuado no processo quando advogado-geral da União.
Em outubro do ano passado o processo foi redistribuído para a ministra Cármen Lúcia, que já autorizou a mesa do STF a agendar a reapresentação da ACO 312.

Fonte: Correio do Brasil

domingo, 15 de abril de 2012

O papa e o marxismo

12/4/2012 12:32,  Por Frei Betto

"O marxismo não é mais útil"
O papa Bento XVI tem razão: o marxismo não é mais útil. Sim, o marxismo conforme muitos na Igreja Católica o entendem: uma ideologia ateísta, que justificou os crimes de Stalin e as barbaridades da revolução cultural chinesa. Aceitar que o marxismo conforme a ótica de Ratzinger é o mesmo marxismo conforme a ótica de Marx seria como identificar catolicismo com Inquisição. Poder-se-ia dizer hoje: o catolicismo não é mais útil. Porque já não se justifica enviar mulheres tidas como bruxas à fogueira nem torturar suspeitos de heresia. Ora, felizmente o catolicismo não pode ser identificado com a Inquisição, nem com a pedofilia de padres e bispos.
Do mesmo modo, o marxismo não se confunde com os marxistas que o utilizaram para disseminar o medo, o terror, e sufocar a liberdade religiosa. Há que voltar a Marx para saber o que é marxismo; assim como há que retornar aos Evangelhos e a Jesus para saber o que é cristianismo, e a Francisco de Assis para saber o que é catolicismo.
Ao longo da história, em nome das mais belas palavras foram cometidos os mais horrendos crimes. Em nome da democracia, os EUA se apoderaram de Porto Rico e da base cubana de Guantánamo. Em nome do progresso, países da Europa Ocidental colonizaram povos africanos e deixaram ali um rastro de miséria. Em nome da liberdade, a rainha Vitória, do Reino Unido, promoveu na China a devastadora Guerra do Ópio. Em nome da paz, a Casa Branca cometeu o mais ousado e genocida ato terrorista de toda a história: as bombas atômicas sobre as populações de Hiroshima e Nagasaki. Em nome da liberdade, os EUA implantaram, em quase toda a América Latina, ditaduras sanguinárias ao longo de três décadas (1960-1980).
O marxismo é um método de análise da realidade. E, mais do que nunca, útil para se compreender a atual crise do capitalismo. O capitalismo, sim, já não é útil, pois promoveu a mais acentuada desigualdade social entre a população do mundo; apoderou-se de riquezas naturais de outros povos; desenvolveu sua face imperialista e monopolista; centrou o equilíbrio do mundo em arsenais nucleares; e disseminou a ideologia neoliberal, que reduz o ser humano a mero consumista submisso aos encantos da mercadoria.
Hoje, o capitalismo é hegemônico no mundo. E de 7 bilhões de pessoas que habitam o planeta, 4 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, e 1,2 bilhão padecem fome crônica. O capitalismo fracassou para 2/3 da humanidade que não têm acesso a uma vida digna. Onde o cristianismo e o marxismo falam em solidariedade, o capitalismo introduziu a competição; onde falam em cooperação, ele introduziu a concorrência; onde falam em respeito à soberania dos povos, ele introduziu a globocolonização.
A religião não é um método de análise da realidade. O marxismo não é uma religião. A luz que a fé projeta sobre a realidade é, queira ou não o Vaticano, sempre mediatizada por uma ideologia. A ideologia neoliberal, que identifica capitalismo e democracia, hoje impera na consciência de muitos cristãos e os impede de perceber que o capitalismo é intrinsecamente perverso. A Igreja Católica, muitas vezes, é conivente com o capitalismo porque este a cobre de privilégios e lhe franqueia uma liberdade que é negada, pela pobreza, a milhões de seres humanos.
Ora, já está provado que o capitalismo não assegura um futuro digno para a humanidade. Bento XVI o admitiu ao afirmar que devemos buscar novos modelos. O marxismo, ao analisar as contradições e insuficiências do capitalismo, nos abre uma porta de esperança a uma sociedade que os católicos, na celebração eucarística, caracterizam como o mundo em que todos haverão de “partilhar os bens da Terra e os frutos do trabalho humano”. A isso Marx chamou de socialismo.
O arcebispo católico de Munique, Reinhard Marx lançou, em 2011, um livro intitulado O Capital – um legado a favor da humanidade. A capa contém as mesmas cores e fontes gráficas da primeira edição de O Capital, de Karl Marx, publicada em Hamburgo, em 1867.”Marx não está morto e é preciso levá-lo a sério”, disse o prelado por ocasião do lançamento da obra. “Há que se confrontar com a obra de Karl Marx, que nos ajuda a entender as teorias da acumulação capitalista e o mercantilismo. Isso não significa deixar-se atrair pelas aberrações e atrocidades cometidas em seu nome no século 20″.
O autor do novo O Capital, nomeado cardeal por Bento XVI em novembro de 2010, qualifica de “sociais-éticos” os princípios defendidos em seu livro, critica o capitalismo neoliberal, qualifica a especulação de “selvagem” e “pecado”, e advoga que a economia precisa ser redesenhada segundo normas éticas de uma nova ordem econômica e política.”As regras do jogo devem ter qualidade ética. Nesse sentido, a doutrina social da Igreja é crítica frente ao capitalismo”, afirma o arcebispo.
O livro se inicia com uma carta de Reinhard Marx a Karl Marx, a quem chama de “querido homônimo”, falecido em 1883. Roga-lhe reconhecer agora seu equívoco quanto à inexistência de Deus. O que sugere, nas entrelinhas, que o autor do Manifesto Comunista se encontra entre os que, do outro lado da vida, desfrutam da visão beatífica de Deus.
Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais

Fonte: Correio do Brasil

FMI sugere ‘gatilho’ para elevação da idade de aposentadoria

Casal de idosos. | Foto: BBC
FMI diz que gastos com aposentadoria também são problema em países emergentes
O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou nesta terça-feira que os países tenham mecanismos automáticos de elevar a idade da aposentadoria para cada ano que aumente a longevidade da população de um país.
A sugestão foi feita durante a divulgação do quarto capítulo do Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global, que trata do impacto financeiro – para os países, empresas e indivíduos – do aumento da longevidade.
"Enquanto todos concordamos que viver mais é uma coisa boa, isso também representa um risco, porque podemos ficar sem dinheiro na aposentadoria", disse a chefe da Divisão de Estabilidade Financeira do FMI, Laura Kodres, resumindo as bases do estudo.
O vice-diretor da Divisão, Erik Oppers, disse que o órgão recomenda que os países elevem a idade de aposentadoria proporcionalmente ao aumento da longevidade.
"Não basta aumentar a idade uma vez e ficamos por isso. É um processo dinâmico: as pessoas continuam a viver mais, cada vez mais. Não se trata apenas de aumentar a idade uma vez, é preciso continuar aumentando", afirmou Oppers.
"Isto pode ser um processo difícil do ponto de vista político, mas se houver uma regra que institua uma mudança automática proporcionalmente à longevidade, (os políticos) não teriam de revisitar o tema."

'Peso' da aposentadoria

Talvez por causa das dificuldades políticas, os governos tendem, segundo o relatório, a subestimar a longevidade de seus cidadãos para efeitos idade de aposentadoria em cerca de três anos.
Se for esse o aumento da longevidade até 2050, afirma os relatório, "os custos já elevados do envelhecimento podem aumentar em mais 50%".
Isto representaria um custo adicional acumulado de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010 nas economias avançadas e 25% do PIB de 2010 nas economias emergentes.
A maior parte deste custo será absorvida por governos, através de seus regimes de aposentadoria, ou por empresas, através de seus planos de pensão.
A solução, para o relatório, é um remédio amargo. "Compensar os efeitos dos riscos da longevidade requer uma combinação de elevação na idade da aposentadoria (seja estatutária, seja voluntária); maiores contribuições para planos de aposentadoria e uma redução dos benefícios pagos", diz o relatório.
Os analistas do FMI observam que se para os países ricos o "peso" das aposentadorias é maior – porque a proporção da população mais velha é maior – nos emergentes é o tema é cada vez mais importante.
"É um processo dinâmico: as pessoas continuam a viver mais, cada vez mais. Não se trata apenas de aumentar a idade uma vez, é preciso continuar aumentando."
Erik Oppers, vice-diretor da Divisão de Estabilidade Financeira do FMI
Entretanto, segundo Laura Kodres, como muitos dos novos trabalhadores que engrossam o mercado formal em países emergentes não faziam parte inicialmente de um sistema previdenciário, nem todos os custos das suas aposentadorias são transferidas para terceiras partes.
Isso significa que são os próprios indivíduos que, sem a cobertura de planos corporativos ou a rede de previdência do governo, têm de arcar com os próprios custos do envelhecimento.
"O risco financeiro não acaba, ele simplesmente é transferido para os indivíduos", afirmou a especialista.

Dificuldades políticas

A dificuldade de implementar medidas lógicas e matemáticas, entretanto, fica evidente quando se observam as reações a propostas semelhantes recentemente.
Tanto na França quanto na Grã-Bretanha, o aumento das idades mínimas de aposentadoria levou milhares de manifestantes às ruas.
No Brasil, onde os especialistas também chamam atenção para os desequilíbrios entre benefícios, idade de aposentadoria e recursos disponíveis, o déficit da previdência do setor público já foi chamado de "bomba-relógio".
Recentemente, a revista britânica The Economist descreveu o Brasil como "um país jovem, com uma conta de previdência de velho".
O país gasta 13% do seu PIB com a previdência, mais que qualquer país do G7 com exceção da Itália, que tem uma população idosa três vezes maior que a do Brasil.

Fonte: BBC- Brasil

Imigrantes haitianos entram no Brasil após três meses de espera

Imigrantes haitianos no Peru | Foto: João Fellet/BBC
Após três meses de espera no Peru, grupo de
245 imigrantes haitianos começa a entrar no Brasil
Após três meses de espera em Iñapari, no Peru, um grupo de 245 imigrantes haitianos obteve permissão de entrada no Brasil e começou a cruzar a fronteira nesta terça-feira, informa a Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Acre.
O plano do governo acriano é de que todos os integrantes do grupo sejam levados até a capital, Rio Branco, no máximo até o próximo domingo.
Nesta terça-feira um ônibus da Secretaria da Justiça do Acre levará 30 mulheres e uma criança de seis meses de Iñapari, no Peru, até Brasileia, a cerca de 100 quilômetros da fronteira. Outras oito mulheres e 204 homens serão levados no decorrer da semana.
"Daremos prioridade às mulheres, crianças e pessoas doentes. Após darem entrada em seus documentos, eles serão levados ainda hoje para Rio Branco", diz Damião Borges, da Secretaria de Direitos Humanos acriana.
Além dos 245 que chegam nos próximos dias, outros 26 imigrantes haitianos que entraram de forma ilegal no Brasil aguardam em Brasileia a autorização do governo federal para emitir documentos.

Comemoração e trabalho

"Fizemos uma festa ontem à noite. Após tanta calamidade e sofrimento, e a viagem desde o Haiti, deixamos agora nosso agradecimento ao povo do Peru, que nos acolheu e nos deu abrigo e comida, e agora aos brasileiros, onde poderemos trabalhar e ter uma nova vida", disse à BBC Brasil Facius Etienne, o líder do grupo.
"Só queremos trabalhar. Trabalhar para ajudar nossas famílias. E agora poderemos fazer isso no Brasil. É um grande prazer ver nossas mulheres arrumando as malas para partirmos. É uma alegria no coração", acrescentou.
De acordo com o governo do Acre foi montado um esquema especial em Brasileia para emitir o protocolo que dá entrada no CPF e Carteira de Trabalho do grupo. Em Rio Branco, um alojamento foi montado no Parque de Exposições da cidade, onde os haitianos devem ficar até partirem para outros Estados.
"Logo na semana que vem virão a Rio Branco representantes de empresas de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Eles têm interesse em contratar os imigrantes em setores como construção civil, indústria e hotelaria. Eles só sairão do Acre com CPF, Carteira de Trabalho nas mãos e um emprego", indica Damião Borges.
Ele acrescenta que os 26 ilegais devem se juntar ao grupo tão logo recebam autorização, totalizando 271 haitianos em condições de viver e trabalhar no Brasil.
Recentemente o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, afirmou que o governo regularizará ainda os 363 haitianos que estão em Tabatinga (AM), à espera de vistos.
"Todos receberão carteira de trabalho temporária e assistência das secretarias Estaduais de Justiça do Acre e Amazonas para colocação no mercado", completou.

Mudanças

Conforme mostrou reportagem da BBC Brasil, o grupo em Iñapari estava a caminho do Brasil quando, em 12 de janeiro, o governo mudou os procedimentos migratórios para haitianos e passou a barrar nas fronteiras os que não tivessem vistos. Já os haitianos em Tabatinga entraram no país pouco antes da mudança, mas dependem de regularização para buscar trabalho em outras regiões do país.
Na época, Juana Kweitel, diretora de programas da ONG Conectas, classificou a situação do grupo como um limbo . "Essas pessoas estavam num limbo, porque estavam em trânsito quando as mudanças foram anunciadas."
Pela resolução nº 97/2012 do CNIg, definiu-se que a embaixada do Brasil no Haiti passaria a conceder cem vistos de trabalho ao mês para haitianos que quisessem morar no país. Paralelamente, a Polícia Federal passou a barrar haitianos sem visto nas fronteiras.
Em visita a Iñapari no mês passado, a BBC Brasil mostrou que os haitianos dormiam em praças e dependiam de doações para se alimentar. Muitos afirmaram à reportagem ter gasto quase todas as suas economias na viagem.
Para chegar à fronteira, o grupo enfrentou uma longa viagem desde a capital haitiana, Porto Príncipe. A rota se iniciou com um voo até a República Dominicana, seguido por outro até o Panamá e mais um até o Equador.
De Quito, capital equatoriana, os haitianos seguiram de ônibus à Colômbia e, finalmente, ao Peru, de onde viajaram até a fronteira com o Brasil. O deslocamento levou quatro dias e consumiu, segundo alguns deles, o equivalente a R$ 3 mil.

Fonte: BBC-Brasil

Encontro debate o legado dos 40 anos da Guerrilha do Araguaia

9/4/2012 17:40,  Por Redação, com Adital - de São Paulo
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guerrilha
Uma das últimas fotos da bancada Comunista na Constituinte de 1946. O Senador Prestes ao centro, tendo a sua direita João Amazonas e à esquerda Maurício Grabois. Todos foram cassados por suas convicções comunistas e a maioria ingressou na luta armada
O Memorial da Resistência de São Paulo e o Núcleo de Preservação da Memória Política promoverão o Sábado Resistente dedicado ao símbolo de luta e resistência dos 40 anos da Guerrilha do Araguaia, no dia 14 de abril de 2012,das 14h às 17h30, no Memorial da Resistência, em São Paulo (SP).
De acordo com o Núcleo de Preservação, o debate discutirá o legado domovimento guerrilheiro e espera obter esclarecimentos sobre as ações movidas nas últimas semanas pelo Ministério Público Federal (MPF), para desvendar as responsabilidades pelos crimes que o Estado cometeu na região em que ocorreu a atividade armada, atendendo às determinações da Sentença da Corte Interamericana dos Direitos Humanos.
A abertura será feita às 14h, por Katia Felipini, coordenadora do Memorial da Resistência e Ivan Seixas, presidente do Núcleo de Preservação. Em seguida, das 14h15 às 16h, serão ministradas palestras por Romualdo Pessoa Campos Filho, Professor da Universidade de Goiás e autor do livro Guerrilha do Araguaia: a esquerda em armas; Andrey Borges de Mendonça, procurador da República, integrante do Grupo Direito à Memória e à Verdade do Ministério Público Federal, mestre e doutor pela Universidade Pablo de Olavides e Paulo Abrão Pires Júnior, Secretário Nacional da Justiça e Presidente da Comissão de Anistia doMinistério da Justiça .
Para as 16h, está prevista a projeção de um vídeo em homenagem aos combatentes do Araguaia. Seguindo a programação, às 16h15, será prestada homenagem ao guerrilheiro assassinado, Antônio Guilherme Ribas, ex-presidente da União Paulista de Estudantes Secundaristas. O MPF, pela coragem em denunciar o coronel da reserva Sebastião Curió Rodrigues pelo crime de sequestro qualificado de cinco pessoas atuantes no Araguaia, estará representado pelo procurador da República em Ribeirão Preto, Andrey Borges de Mendonça. Os familiares dos mortos e desaparecidos serão representados por Dalmo Ribeiro Ribas.
Ao final da programação, às 17h, haverá o lançamento da segunda ediçãodo livro de Romualdo Pessoa Campos Filho,Guerrilha do Araguaia: a esquerda em armas, obra publicada pela Editora Universidade Federal de Goiás. O debate reunirá especialistas, militantes de causas libertárias, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão.
A Sentença de Corte Interamericana de Direitos Humanos condena o Estado brasileiro a uma série de ações com caráter imediato, visando a localização dos corpos ainda desaparecidos, à abertura de arquivos, bem como reparações às famílias das vítimas. Também exige do Estado medidas judiciais efetivas para a responsabilização individual pelos crimes cometidos, como outras de caráter mais geral, objetivando o resgate da Verdade Histórica sobre os fatos ocorridos.
A guerrilha
guerrilha
Uma das raras fotos de um pelotão do Exército a caminho do combate contra a guerrilha no Araguaia. A censura impedia a cobertura das ações militares na região
Movimento guerrilheiro existente na região Amazônica, ao longo do Rio Araguaia, entre fins da década de 1960 até a primeira metade de 1970, a Guerrilha do Araguaia, movimento de contestação armada à ditadura militar brasileira, que, embora derrotada, deixou uma lição de resistência e tenacidade.
A Guerrilha foi deflagrada por militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e contou com a participação de mais de 200 pessoas, entre elas camponeses da região, que combatiam a ditadura militar vigente à época. Mais de 60 pessoas foram executadas no conflito e até hoje não se sabe o paradeiro de seus corpos.
O Exército brasileiro, que levou quase 10 mil soldados à região, após três campanhas militares sucessivas de ataque às forças guerrilheiras, conseguiu sufocar o movimento que estava sob a liderança do dirigente comunista, Maurício Grabois, morto em combate em 1972. Grabois, em seu diário, relatou parte das ações da guerrilha pela Rádio Tirana, da Albânia.
“A Rádio Tirana, no dia 2, irradiou artigo do Cid, tendo como centro os acontecimentos ocorridos no Sul do Pará. Matéria curta e muito boa. É um chamamento à luta. Encarou os fatos com grande amplitude e mostrou o sentido político de nossa resistência armada. Na primeira oportunidade discutiremos esse artigo em todos os DD. Também ficamos satisfeitos por estar o Cid são e salvo. A 3, a mesma rádio transmitiu a reportagem a respeito do relatório do Bispo de Marabá sobre os maus tratos ao padre Roberto e à Irmã Maria das Graças. Matéria excelente. O relatório, indiretamente, projeta a nossa luta nacionalmente e fora de nossa fronteira. A resistência armada, aqui no Araguaia, aguça contradições entre a ditadura militar e a Igreja Católica. Corajosa a atitude do Bispo. Este, em seu relatório, fala de guerrilheiros das regiões de S. Domingos e S. Geraldo e informa que um tal major Odon afirmara que o tenente Alfredo , que torturou os religiosos, estava nervoso e cansado por ter passado uma semana na mata. Ficará mais nervoso ainda porque terá que enfrentar por muito tempo os guerrilheiros na selva”, relatou Grabois.
Sábados Resistentes
Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores,estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano.
Veja a programação completa aqui.

Fonte: Correio do Brasil

“Xingu” sintetiza a trajetória dos irmãos Villas-Boas


5/4/2012 11:54,  Por Redação, com Reuters - de São Paulo
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cinema
Xingu: três irmãos, dois mundos, uma missão
Toda vez que se fala na questão indígena no Brasil, uma referência imediata está nos irmãos Villas-Boas. No começo dos anos 1940, os paulistas Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Boas deixaram para trás uma vida classe média em São Paulo, juntando-se à “Marcha para o Oeste” que os colocou em contato com o ambiente em que passariam a maior parte de sua vida, na selva amazônica, e onde imprimiriam uma marca única como sertanistas – que virou referência, ainda que não acima de críticas e contestações.
Xingu, o filme de Cao Hamburger, exibido na mostra Panorama do Festival de Berlim 2012 e próxima atração no Festival de Tribeca (Nova York) este mês, recupera uma parte desta imensa herança do trio, dos quais ficaram mais conhecidos Orlando e Cláudio, depois da morte precoce do caçula Leonardo, em 1961. Orlando morreu em 2002, Cláudio, em 1998.
O primeiro desafio do filme, com roteiro de Cao Hamburger, Elena Soárez e Anna Muylaert, é o enorme período de tempo que se dispõe a atravessar – e que obriga a narrativa a dar saltos e simplificar episódios.
Apesar disso, Xingu supera dois grandes obstáculos ao humanizar cada um dos irmãos e deixar clara sua inquestionável defesa dos indígenas, que culminou na criação do Parque Indígena do Xingu, em 1961 – um verdadeiro milagre, que completou 50 anos mesmo diante do assédio de latifundiários e posseiros para exploração de suas riquezas e terras.
Os primeiros a largar São Paulo rumo a Goiás são Cláudio (João Miguel) e Leonardo (Caio Blat), que têm que fingir-se analfabetos para ser aceitos na expedição que, no governo Getúlio Vargas, busca conquistar novos territórios para o chamado “progresso”.
Funcionário de uma empresa petrolífera em São Paulo, Orlando (Felipe Camargo) é o último a abandonar a vida confortável pela incerteza, mas também pela aventura nessa nova fronteira do Brasil. Manifestando uma liderança natural, os irmãos logo se mostram quadros de valor na abordagem de índios isolados, arredios e, não raro, agressivos contra uma invasão branca afoita e causadora de justificada desconfiança.
Sem formação específica para isso, os irmãos logo se tornam naturais interlocutores dos índios, de quem aprendem línguas, costumes, além de tornar-se seus maiores protetores.
Estas boas intenções por parte dos Villas-Boas não bastam para preservar as populações nativas da cobiça econômica e de uma vasta agenda política, que leva especialmente Orlando a tornar-se uma espécie de negociador permanente com os sucessivos governos do país: Getúlio Vargas, Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros (no governo de quem se criou o Parque do Xingu), João Goulart e os presidentes militares pós-golpe de 1964.
Se fica em primeiro plano a grande afeição entre os três irmãos, também explodem as diferenças que os separam em diversos momentos da vida – como o dramático conflito com Leonardo por seu envolvimento com uma índia que culmina em sua expulsão de volta para São Paulo, no final dos anos 1950. Da mesma forma, Cláudio nem sempre vê com bons olhos as negociações de Orlando junto aos políticos, num jogo que também acarreta diversas concessões.
Um tema que escoa nítido é a inevitabilidade da chegada dos brancos e o esforço dos Villas-Boas para ganhar tempo para os índios, ao mesmo tempo que lhes permitindo formar novas lideranças entre eles mesmos que, no devido tempo, assumirão as funções paternalistas dos sertanistas com mais propriedade.
Uma prova desta evolução no papel dos indígenas como donos da própria história está no próprio elenco indígena do filme, como Tapaié Waurá (no papel do cacique Izaquiri), Maiarim Kaiabi (Prepori) e Awakari Tumã Kaiabi (Pionim) – cuja autenticidade fala por si.
Uma certa amargura, prova do realismo do filme, também percorre os sentimentos dos dois irmãos sertanistas, no último episódio coberto pelo enredo: a construção da Transamazônica, nos anos 1970, que forçou Orlando e Cláudio, contra a vontade, a contatarem os ainda isolados krenacarore. Um contato, aliás, bárbaro para eles: dos 600 índios conhecidos então, apenas 79 restaram.
Talvez o maior mérito de Xingu, além da qualidade técnica de sua fotografia (Adriano Goldman), montagem (Gustavo Giani) e música (Beto Villares), seja conseguir falar com um grande público sobre temas áridos, como devastação e chacina de populações nativas, sem banalizar nenhum deles.

Fonte: Correio do Brasil

O Brasil deve promover a agricultura e proteger as florestas, diz Pnud

  Por Redação, com ABr - de Brasília
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Florestas
Representante do Pnud diz que a legislação brasileira deve manter o espírito de promoção do desenvolvimento agrícola e ao mesmo tempo proteja esse extraordinário patrimônio natural
O representante do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud), no Brasil, Jorge Chediek, disse na quinta-feira que o país deve continuar promovendo a agricultura, porém sem se afastar da proteção às florestas.
A declaração do coordenador-residente do Sistema Nações Unidas no Brasil foi dada a menos de dois meses para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e em meio aos debates sobre o novo Código Florestal.
— O importante é compatibilizar os dois interesses. O melhor é que a legislação brasileira mantenha o espírito dos últimos anos, ou seja, promova o desenvolvimento agrícola e ao mesmo tempo proteja esse extraordinário patrimônio natural, Chediek participou hoje do 1º Encontro de Municípios com o Desenvolvimento Sustentável, promovido pela Federação Nacional de Prefeitos (FNP).
Chediek elogiu o modelo de desenvolvimento do país. Ele disse que o Brasil chegará à Rio+20 como exemplo para outros países, por ter compatibilizado, em pouco tempo, crescimento econômico, melhoria das condições de vida da população, redução das desigualdades e matriz energética eficiente. “O Brasil pode mostrar para o mundo que é possível fazer desenvolvimento humano sustentável e que não é só um conceito teórico, mas que pode ser implementado”.
Apesar das avaliações positivas, a ministra do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Tereza Campello, lembrou que o país ainda tem que enfrentar desafios mais complexos, como erradicar o “núcleo duro da pobreza”. A ministra lembrou, durante o encontro dos prefeitos, que existem 16 milhões de brasileiros que ainda vivem na miséria.
— É difícil chegar até essas pessoas, mas depende do Estado que essa população saia da pobreza, passando a ser beneficiada pelas políticas públicas, como o Bolsa Família, disse a ministra ao pedir empenho dos prefeitos na identificação dessa população.
Tereza Campello também falou sobre a fatia da população que deixou a extrema pobreza brasileira e poderia ser incluída em um programa que o governo Federal mantém há mais de um ano.
Tereza Campello explicou que o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) tem uma linha voltada para essa população, com 1 milhão de vagas disponíveis.
— Estamos pagando estas vagas e os municípios são os atores que vão nos ajudar a fazer essa mobilização. Muitos são adultos e poderiam estar fazendo essa qualificação profissional e com isso melhorar sua inserção no mercado, ter melhor emprego e renda.
Fonte: Correio do Brasil

Câmbio não é grande vilão da indústria, dizem economistas

Atualizado em  3 de abril, 2012 - 13:18 (Brasília) 16:18 GMT
Indústria na Zona Franca de Manaus. ABr
Operários trabalham numa fábrica na Zona Franca de Manaus, que já apresenta desaquecimento.
O Brasil vive um cenário de desindustrialização precoce - na medida em que a indústria perde peso no conjunto da economia - mas o câmbio não é o "único culpado" como vem sendo apontado por governo e empresários, segundo os economistas ouvidos pela BBC Brasil.
Para esses especialistas, há um consenso de que o real valorizado afeta a competitividade da indústria brasileira, uma vez que incentiva as importações ao mesmo tempo que atravanca as exportações, embora esteja longe de ser a raiz do problema, como argumentam dirigentes industriais.
Tal cenário piorou com a recessão nos Estados Unidos e na Europa, uma vez que as indústrias desses países, com um consumo interno desaquecido, passaram a buscar novos mercados para escoar sua produção, como o Brasil e outros emergentes. Com menor consumo nos países ricos, outros grandes exportadores, como a China, também vêm buscando ampliar seus mercados onde o consumo permanece alto.
Segundo os economistas, o desaquecimento da indústria nacional deve-se muito mais aos gargalos estruturais já existentes no país, o chamado "Custo Brasil" - como a elevada carga tributária (em torno de 36% do PIB), a infraestrutura precária e a baixa produtividade do trabalhador - além de uma política de expansão fiscal por parte do governo (que, ao gastar mais, deixa de poupar e, assim, investe menos).
A taxa de investimentos privada, incluída aí a compra de maquinários, também é considerada baixa.
"Tudo isso acaba encarecendo o produto final, que não consegue competir com um similar que vem de fora", disse Ruy Quintans, professor de economia do Ibmec-RJ.
No último ranking do relatório Doing Business do Banco Mundial, que mede a facilidade de se fazer negócios em cada país, o Brasil aparece na 126ª posição entre as 183 nações avaliadas.

Causas e sintomas

No ano passado, a participação no PIB da indústria de transformação (representada pela cadeia industrial que transforma matérias-primas em bens de consumo ou em itens usados por outras indústrias ) foi de apenas 14,6%, segundo o IBGE. O patamar é o mais baixo desde 1956, quando esse segmento respondeu por 13,8% da soma de bens e serviços produzidos pelo país.
Para o economista Rodrigo Constantino, fundador do Instituto Millenium, ao anunciar medidas pontuais (como o aumento do IOF - imposto sobre operações financeiras), "o governo tem atacado mais os sintomas do que as causas dos males que afetam nossa indústria".
Daí a necessidade de políticas que atinjam todos os setores da economia, como a tão pedida reforma fiscal, bem como novas regras previdenciárias que custem menos ao setor produtivo, segundo os economistas.
O cenário de desindustrialização tem impactado, de maneira mais forte, alguns setores específicos - caso da indústria têxtil, que teve retração de 9,2% em 2011, frente à entrada cada vez maior de tecidos chineses no país.
De janeiro a dezembro de 2011, a indústria de transformação também cresceu aquém do esperado (+0,1%), o que elevou os temores de que o setor continue perdendo espaço para concorrentes estrangeiros, levando a demissões e ao fechamento de fábricas a curto e médio prazo.
Segundo entidades que representam o setor, no ano passado, a expansão da demanda por manufaturas foi inteiramente suprida por produtos importados.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a atividade industrial seguirá desaquecida. Dados da última pesquisa "Sondagem Industrial" apontaram que tanto a produção quanto o nível de emprego da indústria em fevereiro ainda se encontram abaixo do patamar recomendável, levando a atividade industrial a registrar retração pelo sexto mês consecutivo.

Formação dos trabalhadores

Se a indústria dá sinais de fôlego curto, o setor de serviços, por outro lado, tem crescido e ocupado cada vez mais espaço no conjunto da economia brasileira. Segundo o IBGE, o setor de serviços representa 67% do PIB em 2011, alta de 2,7% em relação ao ano anterior.
Mas o que poderia ser um sinal de desenvolvimento, pode significar um problema adicional, dada a baixa especialização dos trabalhadores brasileiros. A baixa produtividade (fruto da educação deficiente) também funciona como um freio no desenvolvimento da economia brasileira.
Em países que passaram por processo semelhante, como os Estados Unidos, industrias inteiras foram transferidas para países de produção mais barata - como a China. O vácuo, no entanto, foi preenchido por setores industriais mais desenvolvidos, que apostam na inovação e agregam mais valor aos produtos, aumentando a renda do trabalhador.
"Nessas nações, a indústria perdeu espaço porque, de tão desenvolvida, dinamizou outros setores da economia, que ganharam força, aumentando a renda média da população", concluiu Roberto Messenberg, coordenador do Grupo de Análises e Previsões (GAP) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Para os especialistas, a desindustrialização no Brasil ocorre sem a mesma contrapartida de elevação de renda per capita observada nos países ricos, como Estados Unidos e Japão. E o problema, mais uma vez, esbarra no déficit de formação do trabalhador.
BBC- Brasil

terça-feira, 3 de abril de 2012

Trinta anos após guerra, argentinos e britânicos ainda disputam Malvinas

Uma série de cerimônias e discursos na Grã-Bretanha e na Argentina marcarão nesta segunda-feira o 30º aniversário do começo da Guerra das Malvinas (ou Falklands, para os britânicos).
No total, 255 soldados britânicos e 650 argentinos morreram no conflito que começou com uma invasão argentina das Malvinas no dia 2 de abril de 1982.
O aniversário acontece em um momento de novas tensões entre argentinos e britânicos. Recentemente a Argentina voltou a manifestar seu direito às ilhas, mas a Grã-Bretanha segue comprometida a manter a soberania na região no Atlântico Sul.
A Grã-Bretanha controla as Malvinas desde 1833, mas a Argentina afirma que o território pertencia à Espanha, e que foi herdado pelo país sul-americano com a sua independência.

'Chama eterna'

Veteranos britânicos de guerra e parentes dos mortos farão uma cerimônia especial no Memorial Nacional Arboretum, em Staffordshire, na região oeste da Inglaterra. Uma única vela será acesa como um gesto de memória aos mortos.
O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse que a segunda-feira é um dia de lembrar argentinos e britânicos mortos no conflito
"Há 30 anos, o povo das Ilhas Falklands sofreram um ato de agressão que quis roubá-los das suas liberdades e do seu modo de vida", disse Cameron. "Hoje é um dia de comemoração e reflexão: um dia para lembrar todos aqueles que perderam suas vidas no conflito - os integrantes das nossas Forças Armadas, assim como os argentinos que morreram."
Guerra das Malvinas
Veteranos argentinos fizeram uma vigília na madrugada de domingo para segunda-feira
Ele prestou homenagem ao que chamou de "heroísmo" dos soldados britânicos que libertaram as Malvinas da Argentina, e disse que a Grã-Bretanha está orgulhosa de "corrigir um erro profundo".
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, visitará o porto de Ushuaia nesta segunda-feira, para uma cerimônia de homenagem aos soldados argentinos mortos no conflito. Ela vai acender uma "chama eterna" no local. Na madrugada passada, veteranos de guerra fizeram uma vigília.

Diplomacia

A Argentina solicitou a abertura de negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas, mas o governo britânico diz que não há nada para se discutir, se não houver consentimento dos moradores.
A Grã-Bretanha acusa a Argentina de tentar impor um bloqueio à população local, depois de proibir embarcações com a bandeira de Falklands em seus portos. A medida também foi adotada pelos demais países do Mercosul.
Guerra das Malvinas
Argentina quer a soberania das Ilhas até hoje, mas Grã-Bretanha não aceita negociar
Já os argentinos acusam os britânicos de militarizar o Atlântico Sul, depois que foi divulgado que um dos navios de guerra da Marinha britânica será enviado à região.
A derrota das forças argentinas no conflito contribuiu para o fim do regime militar liderado pelo general Leopoldo Galtieri, que foi preso acusado de "incompetência" na guerra. A premiê britânica na época, Margaret Thatcher, não participará de nenhum dos eventos desta segunda-feira, devido aos seus problemas de saúde.

Fonte: BBC-Brasil