quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Venezuela investiga suposto massacre de 80 ianomâmis por garimpeiros brasileiros

Atualizado em  30 de agosto, 2012 - 06:24 (Brasília) 09:24 GMT

Índios ianomâmi na Amazônia brasileira
Ianomâmis vivem na região amazônica do Brasil e da Venezuela
A Promotoria da Venezuela investiga um suposto massacre de índios ianomâmi em uma aldeia situada na fronteira com o Brasil, num caso em que garimpeiros brasileiros são apontados como suspeitos da morte de até 80 de pessoas.
O suposto massacre, segundo testemunhas e sobreviventes, teria sido desencadeado pela tentativa dos garimpeiros de estuprar mulheres indígenas.
A Promotoria Geral da Venezuela indicou nesta quarta-feira uma comissão para investigar o suposto ataque, que teria sido cometido em julho, mas cujos detalhes só vieram à tona nos últimos dias.
De acordo com a ONG Survival International, os índios, que teriam encontrado os corpos carbonizados das supostas vítimas do massacre, só conseguiram reportar a ação muito tempo após ela ter sido cometida, já que os ianomâmi vivem em uma região isolada e as testemunhas levaram dias para chegar a pé até o povoamento mais próximo.

Histórico

Os ianomâmi são uma das maiores tribos relativamente isoladas da América do Sul. Vivem em florestas tropicais e em montanhas no norte do Brasil e no sul da Venezuela. No Brasil, seu território tem o dobro do tamanho da Suíça. Na Venezuela, os índios ianomâmis vivem em uma região de 8,2 milhões de hectares no Alto Orinoco. Juntas, as duas regiões formam o maior território indígena florestal em todo o mundo.
A denúncia sobre o suposto massacre ocorre no ano em que os indígenas celebram as duas décadas de criação do território ianomâmi no Brasil. Em março deste ano, o líder ianomâmi Davi Kopenawa havia alertado a ONU, em Genebra, sobre os perigos trazidos pela mineração ilegal, colocando a vida de indígenas em risco, principalmente em tribos isoladas, e contribuindo para a destruição da floresta e a poluição de rios.
''Testemunhas que conversaram com os três sobreviventes do ataque contaram que a comunidade irotatheri foi atacada e que ali vivem aproximadamente 80 pessoas. Esse é o número de mortos com o qual estamos trabalhando, mas esse dado ainda não foi confirmado", disse à BBC Mundo Luis Shatiwë, secretário-executivo da organização ianomâmi Horonami.
Especialistas que conhecem a região e a realidade das comunidades pediram cautela e advertiram sobre a dificuldade em verificar-se a precisão das denúncias, em parte pelo fato de que é complicado o acesso à zona conhecida como Alto Orinoco.

'Corpos carbonizados'

Ainda segundo o relato de Luis Shatiwë, "no último dia 5 de julho, um grupo de garimpeiros queimou a aldeia irothatheri. Em seguida, três visitantes chegaram à comunidade e encontraram os corpos carbonizados''.
Segundo observadores, região é alvo da ação de garimpeiros ilegais desde os anos 1980
''Ao tomarem outro caminho para voltar, os visitantes encontraram três sobreviventes no meio da selva, que narraram que os garimpeiros pretendiam abusar sexualmente de mulheres ianomâmis. Diante da resistência dos ianomâmis, que conseguiram resgatar as jovens, os mineiros começaram a murmurar e a se organizar para matar e destruir a comunidade. Foi assim que o ataque ocorreu'', afirmou Shatiwë.
''Os três sobreviventes disseram que não podiam abandonar a aldeia, já que tinham ali os corpos sem vida de seus entes queridos. E pediram aos visitantes que transmitissem a informação ao exterior e pedissem ajuda. Assim começou o itinerário de volta, que culminou nesta semana, com a apresentação da denúncia formal do massacre perante as autoridades de Puerto Ayacucho (na Venezuela)'', contou Shatiwë.
A denúncia foi apresentada perante a Promotoria-Geral e a Defensoria Popular, em Puerto Ayachucho, e também perante a 52ª Brigada de Guarnição Militar, que registrou os depoimentos.

Incursões de garimpeiros

Em entrevista à BBC Mundo (serviço em espanhol da BBC), a antropóloga Hortensia Caballero disse que a ação ilegal dos garimpeiros brasileiros na região ocorre desde o final dos anos 1980.
Em 1993, uma incursão de garimpeiros da comunidade Haximú, em território venezuelano, levou à morte de 16 índios ianmoami.
''Foi nesse momento que o Estado Venezuelano começou a se envolver, quando se deu conta de que a matança havia ocorrido em seu território. Um grupo de direitos humanos com sede em Puerto Ayacucho fez uma denúncia perante a Comissão Interamericana por julgar que governo venezulano atuava de forma negligente, e a comissão deu razão aos ianomâmis'', afirmou a antropóloga.
Em 1999, o governo da Venezuela assinou um acordo no qual se comprometeu a implementar e financiar um programa de saúde para o povo ianomâmi e a firmar um acordo com o governo do Brasil com o intuito de promover a vigilância e a repressão à mineração ilegal.
Um advogado que trabalhou com organizações indígenas no Estado do Amazonas, na Venezuela, e que prefere manter anonimato devido ao temor de represálias, disse à BBC Mundo que teme que as incursões de mineiros ilegais em áreas indígenas estejam se intensificando.
''Devido à subida do ouro, existe uma incursão muito forte de mineração ilegal em toda a zona, e, com ela, todo um sistema de delinquência organizada, que vai além da área ianomâmi e se propaga por todo o Estado."
A Venezuela conta com cerca de 15 mil índios ianomami no Estado do Amazonas e outra parte no Estado de Bolívar. Os indígenas estão distribuídos ao longo de 200 comunidades, que mantêm práticas tradicionais de caça, pesca, coleta, ritos fúnebres, mitos e cosmologia.

Fonte:BBC Brasil

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Cientistas alertam para consequências de degelo recorde no Ártico

Atualizado em  28 de agosto, 2012 - 05:56 (Brasília) 08:56 GMT

Gelo no Ártico (Foto: BBC)
Ártico perdeu mais gelo neste ano do que em qualquer outro período desde 1979
O Ártico perdeu mais gelo marinho neste ano do que em qualquer outro período desde que registros por satélite começaram a ser feitos, em 1979, segundo a Nasa (a agência espacial americana).
Cientistas que calculam as perdas afirmam que isso é parte de uma mudança fundamental.
Além disso, o gelo marinho geralmente atinge seu ponto mais baixo em setembro, então acredita-se que o derretimento deste ano vá continuar.
Segundo a Nasa, a extensão de gelo marinho caiu de 4,17 milhões de km² em 18 de setembro de 2007 para 4,10 milhões de km² em 26 de agosto de 2012.
A cobertura de gelo marinho aumenta durante o frio dos invernos no Ártico e encolhe quando as temperaturas voltam a subir. Mas, nas últimas três décadas, satélites observaram um declínio de 13% por década no período de verão.
A espessura do gelo marinho também vem diminuindo. Sendo assim, no total o volume de gelo caiu muito – apesar de as estimativas sobre os números reais variarem.
Joey Comiso, o principal pesquisador no Goddard Space Flight Center da Nasa, disse que o recuo deste ano foi causado pelo fato do calor de anos anteriores ter reduzido o gelo perene – que é mais resistente ao derretimento.
"Diferentemente de 2007, as temperaturas altas no Ártico neste verão não foram fora do comum. Mas nós estamos perdendo o componente espesso da cobertura de gelo", disse Comiso.
"Assim, o gelo no verão fica muito vulnerável."

'Morte inevitável'

Segundo Walt Meier, do National Snow and Ice Data Center, que colabora nas medições da cobertura de gelo, "no contexto do que aconteceu nos últimos anos e ao longo dos registros de satélite, isso é um indicativo de que a cobertura de gelo marinho do Ártico está mudando fundamentalmente".
O professor Peter Wadhams, da Universidade de Cambridge, disse à BBC que "diversos cientistas que trabalham com medição de gelo marinho previram alguns anos atrás que o recuo iria se acelerar e que o verão Ártico se tornaria livre de gelo em 2015 ou 2016".
A previsão, na época considerada alarmista, agora está se tornando realidade, diz ele. E o gelo ficou tão fino que irá inevitavelmente desaparecer.
"Medições de submarinos mostraram que (a região) perdeu pelo menos 40% de sua espessura desde os anos 1980. Isso significa uma inevitável morte para a cobertura de gelo, porque o recuo de verão é agora acelerado pelo fato de que enormes áreas de água aberta permitem que tempestades gerem grandes ondas, as quais quebram o gelo restante e aceleram seu derretimento", afirmou.
"As implicações são graves: a maior área de água aberta reduz o albedo médio (refletividade) do planeta, acelerando o aquecimento global; e nós também estamos vendo a água aberta causar derretimento do permafrost (solo composto por terra, gelo e rochas congelados), liberando grandes quantidades de metano, um poderoso gás causador do efeito estufa", disse.

Ameaças e oportunidades

"As implicações são graves: a maior área de água aberta reduz o albedo médio (refletividade) do planeta, acelerando o aquecimento global; e nós também estamos vendo a água aberta causar derretimento do permafrost (solo composto por terra, gelo e rochas congelados), liberando grandes quantidades de metano, um poderoso gás causador do efeito estufa"
Prof. Peter Wadhams, da Universidade de Cambridge
As opiniões variam sobre a data da morte do gelo marinho de verão, mas as notícias mais recentes causam pessimismo.
Um recente estudo da Universidade de Reading, na Grã-Bretanha, usou técnicas estatísticas e computadores para estimar que entre 5% e 30% da perda recente de gelo se deve à Oscilação Multidecadal do Atlântico – um ciclo natural do clima que se repete a cada 65 a 80 anos. Está em uma fase quente desde meados dos anos 1970.
Mas o restante do aquecimento, estima o estudo, é causado pela atividade humana – poluição e desmatamento de florestas.
Se o gelo continuar a desaparecer no verão, haverá oportunidades, assim como ameaças.
Alguns navios já estão economizando tempo ao navegar por uma rota antes intransitável ao norte da Rússia.
Companhias de petróleo, gás e mineração estão brigando para explorar o Ártico – apesar de sofrerem forte oposição de ambientalistas. O Greenpeace tem protestado contra exploração pela gigante russa Gazprom.
Entre as muitas ameaças, o aquecimento é ruim para a vida selvagem do Ártico. Graças à influência do gelo marinho nas correntes de jato, as mudanças podem afetar o clima na Grã-Bretanha.
As mudanças – caso ocorram – poderiam abrir depósitos congelados de metano que iriam aquecer ainda mais o planeta.
Oceanos mais quentes podem levar a um maior derretimento da cobertura de gelo da Groenlândia, o que contribuiria para a elevação do nível do mar e para mudanças na salinidade do mar, que por sua vez poderiam alterar as correntes oceânicas que ajudam a controlar nosso clima.

Fonte: BBC Brasil

Getúlio e a Nação dos brasileiros


27/8/2012 14:55,  Por Mauro Santayana - do Rio de Janeiro
Vargas
A revolução de 1930 rompeu o acordo tácito entre as oligarquias de Minas e SP
A República – podemos deduzir hoje – não rompeu a ordem social anterior; deu-lhe apenas outra aparência. Seu avanço se fez na autonomia dos Estados, contida pelos constituintes de 1891, que temiam a secessão de algumas regiões, entre elas a do Sul do país, de forte imigração européia. A aliança tácita entre as oligarquias rurais e a incipiente burguesia urbana se realizava na interdependência entre os produtores de açúcar e de café e os comerciantes exportadores e importadores. Nas duas grandes corporações econômicas não havia espaço para os trabalhadores que, negros recém-alforriados ou brancos aparentemente livres, continuavam os escravizados de sempre. Não interessava, portanto, que houvesse um estado nacional autêntico, ou seja com a universalização dos direitos políticos.
Os parlamentos serviam para o exercício intelectual dos bacharéis ilustrados, vindos das fazendas, mas com leituras dos clássicos do pensamento político em moda, como Guizot e Thiers, Acton e Burton, Cleveland, Jefferson e Lincoln. Eram, em sua maioria, fiéis defensores do imobilismo que favorecia o seu bem-estar e o domínio político das famílias a que pertenciam.
A Revolução de 30 correspondeu, assim, a uma nova proclamação da República. Ao romper o acordo tácito entre as oligarquias, provocou a reação de São Paulo, a que se aliaram alguns conservadores mineiros.
Isso não esmoreceu Getúlio e seus colaboradores mais próximos, como Oswaldo Aranha e Alberto Pasqualini, empenhados em ações revolucionárias que conduziriam à construção do verdadeiro estado nacional. Getúlio acreditava que sem cidadãos não há nação. Por isso empenhou-se em integrar os trabalhadores na sociedade brasileira, reconhecendo-lhes alguns direitos já concedidos nos países industrializados europeus e convocando-os, mediante sua liderança e o uso dos instrumentos de propaganda da época, a participar da vida política, com a sindicalização e as manifestações populares.
Os estados necessitam de instituições bem estruturadas, e Getúlio, dentro das limitações do tempo, as criou. O serviço público era uma balbúrdia. Todos os funcionários eram nomeados por indicação política. Getúlio negociou com as circunstâncias, ao criar o DASP e instituir, ao mesmo tempo, o concurso público e as carreiras funcionais, mas deixando alguns cargos, “isolados e de provimento efetivo”, para atender às pressões políticas. Novos ministérios foram criados, a previdência social se institucionalizou, de forma bem alicerçada, e o Presidente pensou grande, nos movimentos que conduziriam a um projeto nacional de independência econômica e soberania política.
Homem vindo do Sul, conhecedor dos problemas da fronteira e dos entreveros com os castelhanos ao longo de nossa história comum, Getúlio tinha, bem nítidos em seus apontamentos pessoais, os sentimentos de pátria. Daí o seu nacionalismo sem xenofobia, uma vez que não só aceitava os estrangeiros entre nós, como estimulava a imigração, ainda que mantivesse restrições com relação a algumas etnias, como era do espírito do tempo.
Vargas sabia que certos setores da economia, ligados ao interesse estratégico nacional, tinham que estar sob rígido controle do Estado, como os de infraestrutura dos transportes, da energia e dos recursos minerais. Daí o Código de Minas, de 1934, e a limitação dos juros, mediante a Lei da Usura, do ano anterior. A preocupação maior foi com o povo brasileiro.
Getúlio conhecia, e respeitava, a superioridade dos argentinos na política nacional de educação. Ele, vizinho do Uruguai e da Argentina, sabia que a colonização portuguesa nisso fora inferior à da Espanha, que não tolhera as iniciativas dos criollos (como eram chamados os nascidos na América) em criar centros de ensino.
A Argentina, ainda em 1622, já contava com a Universidade de Córdoba. Só dois séculos depois (em 1827, com a Independência) surgiriam os primeiros cursos de Direito em São Paulo e em Pernambuco. No Brasil, apenas os senhores de engenho do Nordeste e os mineradores e comerciantes ricos de Minas enviavam seus filhos à Universidade de Coimbra ou aos centros universitários de Paris e Montpellier, na França.
Um dos primeiros atos do Governo Provisório foi criar o Ministério da Educação e Saúde: na visão ampla de Getúlio, as duas categorias se integram. Sem educação, não há saúde, e sem saúde, educar fica muito mais difícil. Essa visão social, que ele demonstrara na campanha da Aliança Liberal, nos meses anteriores à Revolução, estava submetida ao seu sentimento patriótico, à sua idéia de Nação.
Todos os golpes que se fizeram no Brasil, entre eles a tentativa que o levou ao suicídio, foram antinacionais, como antinacional foi o governo neoliberal de Fernando Henrique, que se identificou como o do “fim da era Vargas”. Por tudo isso, passados estes nossos tristes anos, o governo dos tucanos paulistas e acadêmicos da PUC do Rio de Janeiro estará esquecido pela História, enquanto a personalidade de Vargas só crescerá – porque o seu nome se associa ao da pátria, esse sentimento meio esquecido hoje. E as pátrias têm a vocação da eternidade.
Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte

Fonte : Correio do Brasil

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Conheça os cinco vilões do crescimento do Brasil


Atualizado em  22 de agosto, 2012 - 04:35 (Brasília) 07:35 GMT

Dilma Rousseff | Crédito da foto: Agência Brasil
Na semana passada, Dilma Rousseff anunciou pacote bilionário para rodovias e ferrovias
Embora já tenha conquistado o posto de sexta maior economia do mundo em 2011, o Brasil ainda se vê às voltas com dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que destoam do papel assumido pelo país na cena internacional nos últimos anos.
Tal conjunto de entraves, o chamado "Custo Brasil", impede um crescimento mais robusto da economia, minando a eficiência da indústria nacional e a competitividade dos produtos brasileiros.
Segundo especialistas, o recente cenário da queda dos juros deixou tais entraves ainda mais evidentes.
"Por muito tempo, as empresas aproveitaram-se dos juros altos para ganhar dinheiro, aplicando seus lucros no mercado financeiro com vistas a maiores retornos. Porém esse cenário está mudando", afirmou à BBC Brasil André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.
Na prática, com essas aplicações agora menos rentáveis, as empresas começam a deslocar o excedente de capital do setor financeiro para o setor produtivo, investindo na expansão dos próprios negócios.
Nessa transição, o 'Custo Brasil' acaba ficando mais transparente, apontam os analistas.
Na semana passada, o governo anunciou um pacote de R$ 133 bilhões em concessões ao setor privado de rodovias e ferrovias brasileiras pelos próximos 25 anos, na tentativa de contornar graves gargalos da infraestrutura do país.
A decisão foi comemorada, porém ainda há um longo caminho a percorrer. Confira os cinco principais vilões do crescimento da economia brasileira, que, segundo as últimas previsões, não deve crescer acima de 1,75% neste ano.

1) Infraestrutura precária

Segundo um estudo do Departamento de Competitividade de Tecnologia (Decomtec), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), as empresas têm uma despesa anual extra de R$ 17 bilhões devido à precariedade da infraestrutura do país, incluindo péssimas condições das rodovias e sucateamento dos portos.
Rodovia | Crédito da foto: Agência Brasil
Além de mais caro, transporte rodoviário sofre com infraestrutura deteriorada
Como resultado, os custos logísticos acabam encarecendo o produto final. De acordo com um levantamento do instituto ILOS, cerca de 30% do preço da tonelada soja produzida em Mato Grosso e exportada do porto de Santos, por exemplo, referem-se apenas aos gastos com transporte do grão.
"O Brasil também fez uma opção pelo transporte rodoviário, mais caro do que outros meios, como ferrovias ou hidrovias", afirmou Márcio Salvato, coordenador do curso de Economia do Ibmec.
Além da infraestrutura, o país também sofre com as altas tarifas de energia elétrica, apesar de cerca de 70% de sua matriz energética ser proveniente de hidrelétricas, consideradas mais limpas e baratas.
Uma pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Fierj), publicada no ano passado, mostrou que o custo médio de energia no Brasil é 50% superior à média global e mais do que o dobro de outras economias emergentes.

2) Déficit de mão de obra especializada

Indústria | Crédito da foto: Agência Brasil
Falta de mão de obra especializada atravanca crescimento da economia
Em alguns setores da indústria, o Brasil já vive "um apagão de mão de obra", com falta de profissionais qualificados capazes de executar tarefas essenciais ao crescimento do país.
Segundo o mais recente levantamento feito pela consultoria Manpower com 41 países ao redor do mundo, o Brasil ocupa a 2ª posição entre as nações com maior dificuldade em encontrar profissionais qualificados, atrás apenas do Japão.
Entre os empresários brasileiros entrevistados para a pesquisa, 71% afirmaram não ter conseguido achar no mercado pessoas adequadas para o trabalho.
Para efeitos de comparação, na Argentina o índice é de 45%, no México, de 43% e na China, de apenas 23%.
"Se no Japão o maior entrave é o envelhecimento da população, o problema no Brasil é a falta de qualificação profissional", afirmou à BBC Brasil Márcia Almström, diretora da Recursos Humanos da filial brasileira da Manpower.
De acordo com uma pesquisa divulgada neste ano pelo Ipea, o governo direcionou apenas 5% do PIB em 2010 para a educação, contra 7% do padrão internacional.
"Sofremos com a falta de profissionais de nível técnico, de operações manuais e de engenheiros", acrescentou Almström.
Atualmente, segundo a consultoria McKinsey, apenas 7% dos trabalhadores brasileiros têm diploma universitário, atrás da África do Sul (9%) e da Rússia (23%).

3) Sistema tributário complexo

Segundo o relatório 'Doing Business' do Banco Mundial, são necessárias 2.600 horas por ano para empresas de médio-porte brasileiras somente para pagar impostos, contra 415 na Argentina, 398 na China e 254 na Índia.
"Já passou da hora para que o Brasil simplifique seu sistema tributário", disse André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.
Imposto | Crédito da foto: Agência Brasil
Impostos em cascata encarecem produto brasileiro
Um dos exemplos da alta complexidade tributária no Brasil pode ser verificado no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Como está presente em todos as etapas da cadeia produtiva, seu recolhimento ocorre diversas vezes e leva à cobrança de imposto sobre imposto, também conhecido de "imposto em cascata".
"São 27 legislações, uma para cada estado, além de alíquotas diferentes para cada produto. Isso sem falar na alíquota interestadual", afirmou Felipe Salto, economista da Tendências Consultoria e professor da FGV-SP. "Isso dificulta a vida do empresariado brasileiro", acrescentou.
O resultado são produtos menos competitivos, que chegam mais caros às gôndolas e sofrem maior concorrência dos estrangeiros.

4) Baixa capacidade de investimentos público e privado

Historicamente, a taxa de investimentos tanto pública quanto privada é baixa no Brasil, em torno de 18% do PIB.
Especialistas consideram que seria necessário elevar esse patamar para, pelo menos, 25% do PIB, de forma a permitir um crescimento sustentável da economia.
Isso porque, sem investimentos, para a compra de novos maquinários ou para a construção de novas rotas de escoamento, por exemplo, há uma menor eficiência produtiva, o que encarece e diminui a competitividade dos produtos brasileiros.
"É preciso que o governo faça os ajustes necessários para aumentar a confiança do empresariado e, assim, incentivar o investimento", acrescentou Salto.

5) Burocracia excessiva

Cristina Kirchner | Crédito da foto: AFP
Argentina, de Cristina Kirchner, oferece menos burocracia do que o Brasil de Dilma Rousseff
Segundo o Banco Mundial, entre 183 países o Brasil ocupa o 126º lugar quando se analisa a facilidade de se fazer negócios, abaixo da média da América Latina (95º) e atrás de países como Argentina (115º), México (53º), Chile (39º) e Japão (22º).
Até obter retorno sobre seus investimentos, cabe aos empresários brasileiros vencer uma via-crúcis, que, inclui, entre outras etapas, 13 procedimentos apenas para abrir um negócio, ou 119 dias.
Na Argentina, são necessários 26 dias, no Chile, 7 e na China, 14.
Entre tais procedimentos estão, por exemplo, a homologação da empresa em diferentes órgãos de supervisão, o registro dos funcionários e licenças ambientais.
"Ao fim e ao cabo, o custo das empresas é extremamente alto, antes mesmo que elas produzam qualquer centavo", afirmou Salvato.

 Fonte: BBC Brasil

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Reforma agrária, Tocqueville e a esquizofrenia das elites


19/8/2012 22:35,  Por Gilson Caroni Filho - do Rio de Janeiro

MST
Alexis Henri Charles Clérel, visconde de Tocqueville: "A arte de se associar se desenvolve na exata medida em que as condições de igualdade crescem"
“Eu defendo o direito de manifestação, esse direito é sagrado. Mas há momentos em que se abusa demais dele. O que eu vi hoje foi um desrespeito sem limites” Com essas palavras o deputado Benedito de Lira (PP-AL) definiu a ação de integrantes do Movimento Sem Terra (MST) que bloquearam a BR-314, em protesto contra a proibição de se manifestarem em Marechal Deodoro, município alagoano onde a presidente Dilma inaugurou uma nova fábrica da Braskem.
O que denotam as palavras do parlamentar? Nenhum problema é mais revelador da esquizofrenia das elites brasileiras do que a questão da terra, particularmente o da Reforma Agrária. Convém lembrar que as grandes inteligências nacionais, desde os anos 1930, têm insistido que, enquanto o cerne do país for constituído pela lógica das grandes propriedades, a democracia como forma de governo será, entre nós, uma simples fantasia.
Nós, brasileiros, que tanto prezamos campeonatos de todos os tipos, podemos nos constranger com uma desonrosa posição de destaque: somos um dos líderes mundiais em concentração fundiária. Cerca de 1% dos proprietários rurais detêm 46% das terras cadastradas. O toque de ironia é que são os pequenos produtores sem terra (ou com muito pouca terra) que abastecem o mercado interno, enquanto os créditos, subsídios e financiamentos do Estado continuam, mesmo depois de quase 10 anos de governo progressista, sendo monopolizados pelo agronegócio.
O contingenciamento de 70% das verbas de custeio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) somado à acentuada redução do número de assentamentos são indicadores preocupantes nos dois primeiros anos do governo Dilma. Não há “Brasil Sem Miséria” sem reforma agrária efetiva. É preciso romper com o tempo em que “Planos Nacionais”, tantas vezes remendados, na verdade significavam uma política de compromisso com os latifundiários para tornar inexequível qualquer avanço.
A solução perversa para resolver o problema consistia simplesmente em reduzir dramaticamente a população rural, empurrada para as grandes metrópoles em ritmos sem precedentes. O resultado era a proliferação de favelas, de periferias desassistidas e um exército de semi-cidadãos entregues à própria sorte em cidades carentes de recursos e equipamentos urbanos, um terreno fértil para proliferação de clientelismos que entravaram gravemente o desenvolvimento da democracia.
Até a chegada de Lula à presidência, os governos que o precederam optaram por não aceitar a reforma agrária. Preferiram aceitar a imposição dos que gritam mais forte e que há mais de 500 anos dominam o Brasil. Abandonaram o país moderno, do operário urbano e rural, dos pequenos e médios proprietários, das classes médias e do empresariado progressista. Escolheram o passado, no que ele tem de mais retrógado, no que ele preserva de práticas oligárquicas e excludentes.
Ignoram uma lição histórica de grande valia: não há país capitalista que tenha deixado de intervir decisivamente nesta questão. A Áustria dos canaviais e a França dos bons vinhos são os exemplos mais aparentes onde o interesse social predominou sobre o individualismo egoísta.
Se realmente pretendemos uma sociedade inserida em moldes mais equilibrados, necessitamos ter presente que não a alcançaremos sem uma reforma agrária que enterre seu bisturi diretamente nessas desigualdades. Inglaterra, Holanda, Suécia, Estados Unidos e França já o fizeram há séculos. Japão, Itália, México e outros países, mais recentemente. Isto sem pensar nos países socialistas, que intervieram na propriedade de terra no bojo de revoluções socialistas. E nós, quando o faremos? Ou vamos continuar ostentando os maiores latifúndios do mundo?
Nunca é demais lembrar que para um partido que nasceu dos impulsos dos movimentos de massa, das greves e das lutas populares, certas soluções de compromisso têm prazo de validade definido. Dar ouvidos às ponderações de João Pedro Stédile, mantendo o diálogo permanente com os setores organizados da sociedade, é reafirmar a crença na política como atividade própria dos setores excluídos que querem participar, legal e legitimamente, de todas as decisões da sociedade.
A burguesia não quer hoje a reforma agrária, porque o Brasil, ao contrário do que ocorreu nos países citados, está tentando se desenvolver mantendo intactas as estruturas do latifúndio. Mas todas as classes e suas frações, não; pois sabem que sua sobrevivência e dignidade dependem de um país igualitário, humano, solidário, dependendo isto da intervenção decidida na questão da terra.
Como dizia oportunamente Tocqueville a propósito da jovem democracia americana: “a arte de se associar se desenvolve na exata medida em que as condições de igualdade crescem”. Certamente, a presidente conhece esse trecho, mas nunca é demais uma releitura em momentos de turbulência.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Correio do Brasil e do Jornal do Brasil.

Artigo publicado originalmente em Carta Maior.

Fonte: Correio do Brasil

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Equador dá asilo a criador do WikiLeaks e acirra tensão com Grã-Bretanha

Em entrevista coletiva em Quito, o chanceler equatoriano Ricardo Patiño declarou que o Equador concedeu asilo político a Julian Assange, criador do site WikiLeaks. O cidadão australiano, atualmente sob proteção da Embaixada do Equador em Londres, solicitou asilo após a Grã-Bretanha aprovar um pedido de extradição da Suécia por acusações de estupro e assédio sexual.
Clique Entenda: Por que Assange pediu asilo político ao Equador?
Patiño disse que entre as preocupações equatorianas estão a grande possibilidade de que a Justiça sueca entregue o australiano aos Estados Unidos, onde ele pode vir a enfrentar um julgamento militar, não excluindo as possibilidades de sofrer as penas de prisão perpétua ou de morte.
Julian Assange | Foto: AFP
Australiano criador do site WikiLeaks teve pedido
de asilo político aceito pelo governo do Equador
Assange é o criador do site que no ano passado revelou milhares de documentos contendo informações confidenciais da diplomacia norte-americana.
O chanceler disse que sua decisão se baseia também no fato de que a Austrália, país natal de Assange, falha ao não protegê-lo.
Ele também se pronunciou sobre o comunicado do Ministério das Relações Exteriores britânico, feito na quarta-feira, sobre a possibilidade de permitir que a polícia invada a Embaixada do Equador em Londres para prender Assange.
"Queremos reiterar nossa posição diante da ameaça britânica contra o Equador. Não podemos deixar que um comunicado da Chancelaria da Grã-Bretanha nos intimide".
"[A Grã-Bretanha] está basicamente dizendo ‘nós vamos espancá-los de forma selvagem se vocês não se comportarem’".
Patiño disse que durante todo o processo o governo britânico não cedeu "um só centímetro" para que os dois países chegassem a um acordo diplomático.

‘Poder colonial’

O chanceler citou a posição do Conselho de Segurança das Nações Unidas e das Convenções de Viena e Genebra sobre a proteção diplomática a embaixadas, tratados internacionais dos quais tanto Equador quanto a Grã-Bretanha são signatários.
Em resposta à ameaça britânica, classificada ainda na quarta-feira como uma tentativa de demonstração de "poder colonial", o Equador acionou organizações regionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).
Embaixada do Equador | Foto: PA
Manifestantes protestam a favor de Julian Assange diante da Embaixada do Equador em Londres
"O Equador é uma nação democrática, soberana, e não podemos aceitar tais ameaças à nossa soberania", disse.
Em entrevista à BBC, um ex-embaixador britânico na Rússia, Tony Brenton, disse que a prisão de Assange dentro da Embaixada do Equador seria uma violação do direito internacional e tornaria a vida dos diplomatas da Grã-Bretanha "impossível".
"O próprio governo não tem interesse em criar uma situação em que seja possível que governos de todo o mundo anulem de forma arbitrária a imunidade diplomática. Isto seria muito ruim", disse.
Para Arturo Wallace, analista da BBC Mundo, a tensão diplomática entre os dois países deve unir as forças políticas no Equador.
"Críticos do presidente Rafael Correa vêm acusando o governo de não lidar bem com o caso de Assange, mas agora condenam a posição da Grã-Bretanha como inaceitável. Eles temem, no entanto, que qualquer violação da soberania do Equador fortaleça Correa e o transforme am um herói", diz.
A Grã-Bretanha cita uma lei de 1987, aprovada após um incidente na Embaixada da Líbia em Londres, que permite revogar temporariamente o status de território diplomático de representações de outros países em solo britânico.

Fonte: BBC - Brasil

Comunidades afetadas por Belo Monte serão ouvidas no Congresso

15/8/2012 12:54,  Por Redação, com ABr - de Brasília
A liberação das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte só vai acontecer depois que o Congresso Nacional realizar e aprovar a consulta às comunidades afetadas. De acordo com o desembargador Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que relatou o processo que determinou a paralisação das obras, os parlamentares também terão que editar um novo decreto legislativo autorizando as obras em Belo Monte.
Belo Monte
O relator do embargo, Souza Prudente, disse que atitude do governo com as comunidades foi ditatorial
- Não estamos combatendo o projeto de aceleração do governo. Mas não pode ser um processo ditatorial – disse o desembargador. A empresa Norte Energia, responsável pela obra, foi notificada nesta quarta-feira e poderá recorrer da decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou na segunda-feira a paralisação das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Se a empresa Norte Energia não cumprir a determinação, pagará multa diária de R$ 500 mil. A decisão foi tomada pela 5ª Turma do TRF1, em embargo de declaração apresentado pelo Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA).
O relator do embargo de declaração alegou que o Congresso Nacional deveria ter determinado que as comunidades afetadas fossem ouvidas antes de editar o decreto legislativo, em 2005, autorizando a obra, e não depois. “Só em um regime de ditadura tudo era póstumo. Não se pode se admitir estudos póstumos, a Constituição Federal diz que os estudos têm que ser prévios”. Segundo ele, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) também determina a consulta prévia aos povos que seriam atingidos pela obra.
Souza Prudente disse que a opinião das comunidades afetadas deverá ser levada em consideração no processo de liberação da obra. “A propriedade para o índio é diferente para o branco. O índio tem uma visão mística da propriedade, onde ali está seu avatar. E a Constituição Federal garante isso”.
Outra omissão, segundo Souza Prudente, foi na decisão anterior do TRF1, que considerou que o Supremo teria declarado a constitucionalidade do decreto legislativo do Congresso Nacional. Houve, segundo o magistrado, apenas uma decisão da então presidenta do STF, Ellen Gracie, sobre a questão.

Fonte: Correio do Brasil

Investimentos previstos em energia eólica na Bahia chegam a R$ 6,5 bi

No Dia Mundial do Vento (nesta sexta-feira, 15), a Bahia consolida sua posição de maior polo brasileiro de investimentos em energia eólica. O estado tem hoje uma carteira de inversões de R$ 6,5 bilhões, representados por 57 projetos de usinas elétricas movidas pela força dos ventos e cinco fábricas de componentes para os geradores eólicos. Previstas para se instalar em 11 municípios, até 2015, as usinas irão acrescentar cerca de 1.570 MW à rede elétrica.

“A nossa estimativa é de que, até setembro próximo, 18 usinas estejam prontas, incluindo-se o maior complexo eólico do Brasil, da Renova Energia, com investimentos de R$ 1,2 bilhão e 14 usinas eólicas. Com o início da operação desses parques, a Bahia entrará de vez no mapa mundial da energia eólica”, afirma o secretário da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia.

Entre as cinco indústrias de equipamentos atraídas pelo Governo da Bahia duas delas já estão em pleno funcionamento no Polo Industrial de Camaçari - a espanhola Gamesa e a francesa Alstom, ambas fabricantes de aerogeradores, representando inversões de R$ 50 milhões, cada uma, na implantação das unidades baianas.

Mais duas fábricas estão em processo de implantação em Camaçari. Com investimentos de R$ 45 milhões, a General Eletric (GE) vai produzir nacelles (motor), a Torrebras, do grupo espanhol Windar, investirá R$ 25 milhões na fabricação de torres, e a Aeris Energy, fabricante nacional de pás, vai aplicar R$ 117 milhões na implantação de sua fábrica em Feira de Santana.
Empregos no semiárido
Somente com os empreendimentos já definidos, a indústria movida pelos ventos vai gerar em torno de 1.900 vagas de trabalho. Além de ser uma fonte limpa e de baixo impacto ambiental, a energia eólica beneficia principalmente a população da região do semiárido com a geração de emprego e renda. Segundo Correia, o aumento de indústrias do setor é resultado do esforço do Governo do Estado em atrair novas empresas e consolidar a cadeia da energia eólica na Bahia. “Estamos tomando medidas para fomentar a compra, pelas usinas que aqui estão se implantando, de equipamentos da cadeia eólica fabricados na Bahia”.
Eólicas na Bahia












tabela 
Fonte: SECOM/BA- Secretaria de Comunicação do Estado da Bahia

Nova York aposta em telhados brancos contra o aquecimento global

Atualizado em  14 de agosto, 2012 - 06:15 (Brasília) 09:15 GMT

Cool Roof | Crédito da foto: Rachel Richards/NYC Department of Buildings
Voluntários pintam de branco telhados de prédios em Nova York.
Conhecida pela divulgação e promoção de ações de sustentabilidade, a Prefeitura de Nova York criou um programa pelo qual pretende pintar de branco, senão a totalidade, a maior quantidade possível de telhados da cidade.
O objetivo da medida é reduzir o consumo de energia dos moradores e, assim, o impacto que causam no meio ambiente.
Isso porque, com os telhados pintados de branco, a temperatura no interior de um edifício pode cair até 30%, diminuindo os gastos com ar-condicionado e, consequentemente, a emissão de gases do efeito estufa, o que, em última análise, ajuda a controlar os efeitos nocivos do aquecimento global.
O programa, chamado de "Cool Roofs" (ou "Telhados Frios", em tradução literal), faz parte de um conjunto de medidas tomadas por Nova York com o intuito a reduzir em 30% a emissão de gases causadores do efeito estufa até 2030.
Segundo um estudo realizado pelo Centro de Pesquisa de Sistemas Climáticos da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, um telhado pintado na cor branca registrou, no dia mais quente deste ano, uma temperatura até seis graus menor do que a verificada em um tradicional, sem a tinta.
A explicação é simples e tem origem nas leis da física: enquanto os telhados pretos ou escuros absorvem a energia do sol quase completamente, os brancos refletem os raios solares, dispersando o calor.
Especialistas também indicam que a cobertura branca ajuda na conservação dos telhados das edificações.
Lançado há três anos, o programa já totaliza 260 mil metros quadrados de telhados pintados de branco.
"Estamos trabalhando lentamente e não será possível pintar todos os telhados da cidade, ora pelo material, ora pelas condições de segurança necessárias para pintá-lo. Mas vamos fazer tudo o que pudermos", disse à BBC Tori Edmiston, vice-diretor de Relações Exteriores Comunitárias do Conselho da Cidade de Nova York, a agência da Prefeitura responsável pelo programa.

Mobilização

Para concluir tal tarefa, a Prefeitura conta com a ajuda de jovens voluntários, que atuam como pintores temporários. "Aqui em cima faz muito calor, mas o esforço vale a pena, porque conhecemos pessoas e ajudamos nossa comunidade com um projeto sustentável maravilhoso", disse à BBC James Allison, da ONG Inroads, que seleciona voluntários para participar no programa.
Até agora, 3 mil pessoas já subiram no topo dos edifícios de Manhattan para pintá-los de branco. A segurança dos voluntários e a implementação do projeto ficam a cargo de Loreta Tapia, supervisora do programa.
"Em primeiro lugar, aplicamos duas demãos de tinta látex, que, por ser muito densa, se contrai para depois se expandir. A cor, um branco brilhante, transforma completamente os telhados 'fechados' de Nova York, antes cinza, preto e prata", disse ela à BBC.
Telhados brancos | Crédito da foto: Steve Amiaga/ NYC Department of Buildings
Telhados brancos ajudam a economizar energia e reduzem impacto ambiental.
Qualquer edifício pode participar do programa. A cidade também tem acordos com lojas de tinta, que fornecem o material necessário para o programa.
Apesar dos critérios de elegibilidade serem elásticos, os responsáveis pela iniciativa miram, principalmente, os arranha-céus, onde mais pessoas precisam economizar energia.
Por enquanto, os tetos mais pintados são os de universidades, bibliotecas e edifícios públicos, além de blocos de apartamentos de moradores de baixa renda.
A pintura, entretanto, não prescinde de um detalhado estudo de caso. Nele, calcula-se o consumo de energia do edifício, o valor da economia com a cobertura branca e uma averiguação minuciosa da estrutura do telhado.
No verão, a temperatura registrada nos telhados de Nova York pode superar facilmente 80 graus Celsius.
Há dias, inclusive, que tal limite é ultrapassado. Termômetros já chegaram a marcar 87 graus Celsius no topo dos edifícios da cidade.
Ao lado do asfalto, os telhados são as estruturas que mais absorvem a energia solar, decorrência do fenômeno chamado "ilhas de calor", típico das grandes cidades e responsável pela sensação de abafamento.

'Ilhas de calor'

Nova York, por exemplo, sofre consideravelmente deste efeito, registrando uma temperatura média três graus acima do recomendado para uma cidade. Desde 2009, uma lei exige que todos os novos edifícios construídos na "Big Apple" tenham seus telhados pintados de branco.
Pesquisas mostram que para cada 92 metros quadrados de tinta branca sobre as telhas, uma tonelada de dióxido de carbono deixa de ser jogada na atmosfera.
A atual temporada do programa começou em maio e se estende até outubro, quando os dias ensolarados começam a ceder lugar para o vento frio do começo do outono.
Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cerrado lidera ranking de incêndios no país com 22 mil focos


10/8/2012 13:47,  Por Redação, com ABr - de Brasília
O Cerrado Brasileiro lidera o ranking de biomas com maior número de focos de incêndio registrados de janeiro a julho deste ano. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mais de 22 mil focos foram mapeados.
Incêndios
Mapa de incêndios realizado pelo Inpe
O número chega perto do total de queimadas registrados no Brasil no mesmo período de 2011. Ano passado, foram identificadas 23,6 mil queimadas em todo em todo o país.
A Amazônia fica em segundo lugar no ranking de queimadas deste ano, com 9,2 mil focos de incêndio, seguida pelas regiões de Mata Atlântica (3,4 mil) e Caatinga (3,2 mil).
O Maranhão foi o estado onde ocorreu o maior número de focos de incêndio, chegando a um total de 7,4 mil. Mato Grosso é o segundo com maior volume de queimadas, com 6,8 mil casos, seguido pelo Tocantins (4,3 mil), o Piauí (4 mil) e a Bahia (3,3 mil).
Representantes de órgãos responsáveis pelo combate e monitoramento de queimadas, como o próprio Inpe e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), alertaram no início do ano sobre o risco de ocorrência de maior número de incêndios florestais.
Mesmo tendo a ação do homem como a principal origem das queimadas, é a combinação da falta de chuva, clima seco e temperatura alta que amplia o problema.

Centenário de Jorge Amado relembra escritor que ‘melhor escreveu um país'

Atualizado em  10 de agosto, 2012 - 07:44 (Brasília) 10:44 GMT

Capas de livros em diferentes idiomas de Jorge Amado.
Os livros de Jorge Amado foram traduzidos para 49 línguas.
"Não tenho nenhuma ilusão sobre a importância de minha obra", afirmou Jorge Amado. "Mas, se nela existe alguma virtude, é essa fidelidade ao povo brasileiro."
A intimidade com que expôs traços, costumes e contradições da cultura brasileira foram um dos fatores por trás da popularidade de que Amado desfrutou em vida.
Mas no centenário de nascimento do escritor baiano, celebrado nesta sexta-feira, o reconhecimento sobre a importância de sua obra continua a crescer no Brasil e no exterior.
Amado é um dos escritores brasileiros mais conhecidos internacionalmente, com obras publicadas em 49 línguas e 55 países.
O interesse aumentou com a aproximação do centenário. Nos últimos três anos, pelo menos 45 contratos foram fechados com editoras estrangeiras para a publicação de seus livros, conta Thyago Nogueira, editor responsável por sua obra na Companhia das Letras.
Jorge Amado no Pelourinho.
O escritor Jorge Amado observa o Pelourinho, em Salvador. (Foto: AFP/Agência A Tarde)
Países como Romênia, Alemanha, Espanha, Bulgária, Sérvia, China, Estados Unidos e Rússia são alguns dos que firmaram contratos recentes para lançar seus livros, diz Nogueira.
Para marcar a data, a prestigiosa coleção Penguin Classics está lançando dois de seus livros em inglês, A morte e a morte de Quincas Berro d'água e A descoberta da América pelos turcos. Amado é o segundo autor brasileiro publicado pelo selo, o primeiro foi Euclides da Cunha.
O centenário motivou uma série de seminários e eventos comemorativos em cidades como Salvador, Ilhéus, Londres, Madri, Lisboa, Salamanca e Paris.
A reverberação lembra a frase do escritor moçambicano Mia Couto, para quem Amado fez mais para projetar a imagem do Brasil lá fora do que todas as instituições governamentais reunidas.
"Jorge Amado não escreveu livros, escreveu um país", afirmou Couto em 2008, em uma palestra em que prestou testemunho sobre a forte influência do autor sobre escritores africanos.
Amado nasceu em 12 de agosto de 1912 em Itabuna, na Bahia, e escreveu quase 40 livros, com um olhar aguçado sobre os costumes e a cultura popular do país. Ele morreu em 2001.
A fazenda de cacau em que nasceu, os terreiros de candomblé, a mistura de crenças religiosas, a pobreza nas ruas de Salvador, a miscigenação, o racismo velado da sociedade brasileira são alguns dos elementos que compõem sua obra, caracterizada por uma "profunda identificação com o povo brasileiro", diz Eduardo de Assis Duarte.
"Ele tinha o compromisso de ser uma espécie de narrador do Brasil, alguém que quer passar o país a limpo", diz o pesquisador, professor de Teoria da Literatura na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autor de Jorge Amado: Romance em tempos de utopia.
O baiano destacou a herança africana e a mistura que compõe a sociedade brasileira como valores positivos do país.
Capa do livro de Jorge Amado, recentemente traduzido para o inglês.
Livro traduzido para o inglês na comemoração do centenário de nascimento de Amado. (Foto: Divulgação)
Ele adotava uma postura crítica dos problemas sociais do país e ao mesmo tempo retratava "um povo alegre, trabalhador, que não desiste", diz Assis Duarte. "Para os críticos, ele faz uma idealização do povo."
Amado leva para o centro de suas histórias heróis improváveis para seus tempos - um negro, uma prostituta, um faxineiro, meninos de rua, mulheres protagonistas.
"Ele traz o homem do povo para o centro do livro. Coloca-o como herói de suas histórias e ganha o homem do povo como leitor", diz Assis Duarte.

Comunismo

Tanto a vida quanto a obra de Amado foram marcadas por sua militância no comunismo. Os livros do início de sua carreira eram fortemente ideológicos.
"Saíram livros bons dessa fase, mas também livros muito panfletários, maniqueístas, em que os ricos são todos maus e os pobres são todos bons", comenta a antropóloga Ilana Goldstein, autora de O Brasil best seller de Jorge Amado: literatura e identidade nacional.
O baiano chegou a se eleger deputado em 1945 - seu slogan, lembra Ilana, era "o romancista do povo". Apenas dois anos depois, porém, teve que partir para o exílio na França. Sob pressão da Guerra Fria, o Partido Comunista Brasileiro fora banido e seu mandato, cassado.
Durante os cinco anos de exílio, passados com a esposa Zélia Gattai na França e na antiga Tcheco-eslováquia, Amado viajou e ampliou seu círculo de amizades - conheceu Pablo Picasso, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir.
Nos anos 1950, época em que os crimes do líder soviético Josef Stalin vieram à tona, Amado rompeu com o partido. Iniciou-se uma nova fase em sua literatura, mais leve e bem-humorada, menos ideológica.

Para as massas

Amado gostava de se definir como um "contador de causos". Mais do que explorar novas linguagens literárias, seu objetivo era conquistar leitores e alcançar a massa, diz Assis Duarte.
Sua linguagem era coloquial, simples, como a língua falada; sua forma de contar histórias era folhetinesca, com muitos personagens, ápices e acontecimentos.
Isso ajuda a explicar a rejeição da crítica acadêmica durante muitos anos. Também ajuda a entender as prolíficas adaptações de sua obra para filmes, novelas, peças e séries de TV.
Jorge Amado escrevendo 'Tocaia grande'.
Na foto, Jorge Amado enquanto escrevia Tocaia grande. (Foto: Divulgação)
"Sua literatura se aproxima da cultura de massa. São textos que parecem ter sido escritos para serem adaptados", diz Assis Duarte.
Com a preocupação de proporcionar uma leitura agradável, Amado fez o que queria: conquistar leitores e contar suas histórias.
"Ele foi um escritor popular em um país onde não se lê muito, e que não tem uma tradição de leitura apesar de ter grandes escritores", diz Milton Hatoum.
O escritor amazonense leu Jorge Amado pela primeira vez na escola de Manaus, aos 14 anos. A professora apresentou Capitães da Areia, logo cativando o interesse da classe ao contar que o livro havia sido queimado em Salvador em 1937, durante o Estado Novo.
"Eu era de Manaus, e para mim o Brasil era aquele mundo cercado de água e de floresta. A leitura de Capitães da Areia foi uma revelação de outra paisagem social e geográfica no mesmo país."
Para Hatoum, o universo ficcional rico em tramas e personagens de Amado parece dar conta de toda a pirâmide social do Brasil, da elite política e econômica aos mais desvalidos.
Ele afirma quase poder tocar os lugares e personagens quando lê a obra de Amado. "O mundo que ele criou é cheio de personagens muito vivos, de um colorido, uma sensualidade que não é exótica. Quer dizer, é exótica, talvez, para quem não conhece a Bahia ou o Brasil."


Fonte: BBC Brasil

Governo prevê substituição de combustíveis fósseis por “energia limpa”

Em um país com características favoráveis para produção de energia por fontes renováveis, a mudança de um modelo baseado combustíveis fósseis para um chamado “limpo” e “diverso”, estruturado por fontes renováveis, como a água e a biomassa, é uma tendência. A consideração é do secretário do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, que confirmou a intenção durante encontro promovido pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) sobre geração de energia.
Energia eólica
O país é o 10° que mais investe em energia limpa, segundo dados da ONG The Pew Charitable Trust
- Quando nós damos prioridade ao estudo de hidreletricidade e levamos isso para os leilões, a sociedade caminha para essa direção do fim dos combustíveis fósseis. Quando fazemos a mesma coisa para o petróleo, estamos levando o sistema interligado brasileiro para as áreas afastadas do Brasil, onde se consome derivados de petróleo para produção de energia elétrica, naquela região até 2014 vamos substituir toda geração de energia derivado do petróleo – afirmou Ventura.
- Veremos mais adiante um cenário de diminuição da participação da energia hidrelétrica porque nós temos uma política de diversificação da matriz energética, entrando com outras fontes de energia, como a biomassa e a eólica – explicou.
No decênio de 2010 a 2020, o Brasil terá uma geração de 69.200 MegaWatts – a energia vinda de hidrelétricas representará 35 mil mW, a eólica 10.600 mW, a biomassa 12.300mW. As três fontes juntas representarão 81,3% da energia total produzida no Brasil no período. “Esse caminho mostra que seguimos no sentido de ampliar a sustentabilidade”, considerou. Ele apresentou dado referente ao petróleo, mostrando que essa matriz energética representará apenas 4.100 MW no período apresentado.
Ventura Filho afirmou, ainda, que a principal política pública do país, no sentido de universalizar o serviço, é referente ao programa de distribuição de energia elétrica, o Luz para Todos. Ele afirmou que a política do governo para energia elétrica “levou luz” para 14 milhões de brasileiros.

Fonte: Correio do Brasil

Nasa: “A mudança climática é pior do que pensávamos”

8/8/2012 12:36,  Por Redação, com ABr - de Brasília

O diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa (agência espacial dos Estados Unidos), James Hansen, advertiu que os problemas causados pelas mudanças climáticas são maiores do que se imaginava. Ele disse que suas projeções sobre o aumento da temperatura global são reais, mas admitiu que “falhou” ao não mencionar que ocorre a uma velocidade superior a que estimava.
Seca Texas 2011
Polcial do Texas anda em leito de lago seco em San Angelo, em agosto de 2011, durante seca recorde
O estudo sobre o tema foi publicado na revista da Academia de Ciências dos Estados Unidos (cujo nome em inglês é Proceedings of the National Academy of Sciences) antecipada após o artigo de Hansen em um jornal norte-americano.
- A mudança climática está aqui e é pior do que pensávamos – disse o cientista. Em 1988, ele esteve no Senado norte-americano para analisar o assunto. “[Há] um panorama obscuro sobre as consequências do aumento contínuo da temperatura impulsionado pelo uso de combustíveis fósseis”, disse. “Tenho uma confissão a fazer: fui muito otimista”.
Hansen menciona entre os episódios atribuídos à mudança climática a seca de 2011, no Texas e em Oklahoma, as temperaturas extremas registradas em Moscou em 2010, além da onda de calor que atingiu a França em 2003. As variações climáticas naturais podem ser muito amplas e a relação entre fenômenos extremos e o aquecimento global é tema de intensa controvérsia, segundo o cientista.
O diretor reforçou que as recentes ondas de calor estão vinculadas à mudança climática e que a nova análise estatística realizada por ele e outros cientistas da Nasa mostra claramente esse vínculo. Os cientistas da Nasa analisaram a temperatura média no verão desde 1951 e mostraram que em décadas recentes aumentou a probabilidade do que definem como verões quentes, muito quentes e extremamente quentes.
De acordo com os cientistas, os verões apontados como extremamente quentes se tornaram mais frequentes. Desde 2006, cerca de 10% da superfície em terra no Hemisfério Norte têm registrado temperaturas extremas a cada verão. Hansen disse que é necessário que o público entenda o significado do aquecimento global devido à ação humana.
- É pouco provável que as ações para reduzir as emissões de gases alcancem os resultados necessários enquanto o público não reconhecer que a mudança climática causada pela ação humana está ocorrendo – disse o cientista. “E perceber que haverá consequências inaceitáveis se não forem tomadas ações eficazes para desacelerar esse processo”.

Fonte: Correio do Brasil

Senado aprova projeto que garante 50% das vagas nas universidades públicas para cotas

8/8/2012 14:32,  Por Redação, com ABr - de Brasília
Os senadores aprovaram, na segunda-feira, o projeto que regulamenta o sistema de cotas raciais e sociais nas universidades públicas federais em todo o país. Pela matéria, relatada pela senadora Ana Rita (PT-ES), metade das vagas nas universidades deve ser separada para cotas.
Cotas
A decisão veio após o STF declarar constitucional as políticas de ações afirmativas nas universidades
A reserva será dividida meio a meio. Metade das cotas, ou 25% do total de vagas, será destinada aos estudantes negros, pardos ou indígenas de acordo com a proporção dessas populações em cada estado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A outra metade das cotas será destinada aos estudantes que tenham feito todo o segundo grau em escolas públicas e cujas famílias tenham renda per capita até um salário mínimo e meio. Para os defensores da proposta, esse modelo que combina cotas raciais e sociais é o mais amplo e uniformiza as políticas de reserva de vagas que existem nas diversas universidades federais.
O projeto de regulamentação da política de cotas é aprovado depois que o Supremo Tribunal Federal declarou ser constitucional esse tipo de ação afirmativa nas universidades. A aprovação da matéria foi em votação simbólica, pela maioria dos senadores presentes. O projeto já passou pela Câmara dos Deputados e segue agora para sanção presidencial.

Fonte:  Correio do Brasil

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Novo robô da Nasa pousa com sucesso em Marte

Atualizado em  6 de agosto, 2012 - 03:47 (Brasília) 06:47 GMT

'Curiosity', robô da Nasa em missão em Marte
'Curiosity' pesa uma tonelada e vai buscar vestígios de vida no planeta vermelho.
Um veículo robótico da Nasa pousou com sucesso em uma cratera em Marte como parte de uma missão não tripulada que estudará detalhadamente a possibilidade de ter havido vida no planeta.
A nave que carregava o robô Curiosity conseguiu fazer o veículo pousar no interior da cratera de Gale por volta de 2h31 (horário de Brasília) com um conjunto inédito de procedimentos, usando um guindaste e cordas de náilon.
Com a confirmação do pouso na cratera, de 154 quilômetros de diâmetro, a equipe da Nasa em Pasadena, na Califórnia, celebrou com gritos e abraços o sucesso inicial da missão na qual muitos já trabalham há cerca de 10 anos.
A descida pela atmosfera do planeta, após uma viagem da Terra de 570 milhões de quilômetros, foi chamada de "sete minutos de terror" por conta das manobras de alto risco que reduziram a velocidade da nave, de 20 mil km/h para apenas 1m/s, o que permitiu que as rodas do jipe-robô tocassem a superfície da cratera suavemente.
O veículo deve executar a primeira fase de sua missão em 98 semanas, mas a expectativa é que continue suas pesquisas por cerca de uma década. Geradores de plutônio têm capacidade de fornecer calor e eletricidade por pelo menos 14 anos para a missão. É um sistema de geração de energia diferente do de outras missões que contaram com painéis para geração de energia solar.
O robô está equipado com ferramentas que podem, entre outras coisas, perfurar rochas e coletar amostras de materiais do planeta.
Os estudos do robô começarão em uma montanha localizada no interior da cratera. Ele irá subir a montanha e estudará as pedras ali sedimentadas ao longo de bilhões de anos. O veículo buscará indícios de substâncias que possam ter sido propícias à vida em Marte. Indícios da presença de água no passado de Marte foram detectados em estudos anteriores, feitos a partir de imagens do local.
A missão que enviou o jipe-robô Curiosity a Marte custou US$ 2,5 bilhões.
Imagem da 'Curiosity' da superfície de Marte
Imagem feita pelo robô 'Curiosity' da superfície de Marte.

Fonte: BBC Brasil

domingo, 5 de agosto de 2012

Com Venezuela no Mercosul, Israel levanta dúvidas sobre tratado comercial

bloco do país presidido por Hugo Chávez; apoio venezuelano ao Irã é um deles

Hugo Chavez, ditador da Venezuela
Após entrada no Mercosul, Chávez terá de avaliar se fará ou não acordos com Israel (David Fernández/EFE)
Em entrevista ao jornal uruguaio El País, o embaixador israelense em Montevidéu, Dori Goren, alertou para as consequências políticas e econômicas que a incorporação da Venezuela no Mercosul pode trazer ao bloco – e especificamente para o relacionamento do grupo com Israel. Segundo o diplomata, os efeitos da entrada do país do ditador Hugo Chávez no bloco ainda são desconhecidos – e justamente por isso causam insegurança. "Não sabemos até que ponto isso poderá afetar as relações comerciais com Israel, quer seja de forma geral, quer individualmente com cada país da região", disse Goren. "Além disso, não sabemos da situação jurídica desse novo membro", completou.
O diplomata advertiu para o caráter político da entrada da Venezuela e ressaltou a simpatia do governo de Chávez pelo Irã e seu programa de armas nucleares. "Nossa relação é ruim com a Venezuela porque é um dos países que mais apoia o Irã em todo o mundo. E, se o Irã sobrevive às sanções internacionais, é graças ao apoio econômico da Venezuela", disse Goren. Venezuela e Israel romperam relações diplomáticas em 2009, quando Hugo Chávez expulsou o embaixador israelense, Shlomo Cohen, de Caracas. "Isso deveria preocupar os países do Mercosul, pois há grande quantidade de agentes iranianos operando no continente e estabelecendo redes de terrorismo com a cobertura da Venezuela", disse Goren.
Israel possui um tratado de livre comércio com o Mercosul assinado em 2007 (mas ratificado pelo Senado brasileiro apenas em 2010), além de ter contratos específicos com cada país do bloco. Da forma como o tratado com o bloco foi construído, o país governado por Chávez terá de firmar um tratado específico com Israel. Contudo, o diplomata duvida que isso aconteça. "Na teoria, podemos fazer um processo de negociação bilateral. Mas duvido que façamos isso, tendo em vista que não temos relações diplomáticas com o país. Tal como as coisas estão hoje, essa possibilidade seria algo como ficção científica", afirma o diplomata.
O El País cita um estudo recente feito pela consultoria argentina Ecolatina sobre o impacto político e econômico do ingresso da Venezuela no Mercosul. De acordo com o documento, "o posicionamento de Venezuela no mundo – alinhamento com o Irã e relação conflituosa com os Estados Unidos, Colômbia e Israel – pode afetar a discussão de futuros tratados de livre comércio". Ainda segundo o relatório, o bloco deverá analisar como ficará a situação da Venezuela com todos os países com os quais o Mercosul se relaciona comercialmente. "O exemplo mais sensível é o do acordo de livre comércio com Israel, já que a relação bilateral entre ambos atualmente é nula", informa.
Entrada no bloco – A Venezuela foi admitida no Mercosul em junho, em decisão tomada por Brasil, Argentina e Uruguai. O único obstáculo à presença do país no bloco era o Senado do Paraguai. Contudo, os paraguaios foram suspensos do grupo porque o Mercosul considerou antidemocrático o impeachment do ex-presidente Fernando Lugo – embora tenha fechado os olhos para as agressões de Chávez à democracia.
Fonte: Revista Veja   -http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/com-venezuela-no-mercosul-israel-levanta-duvidas-sobre-tratado-comercial

Antártida já teve palmeiras e temperaturas subtropicais, dizem cientistas

Atualizado em  2 de agosto, 2012 - 14:13 (Brasília) 17:13 GMT

Palmeira à beira do rio Nilo, no Egito (BBC)
Espécies vegetais seriam remanescentes de era de temperaturas amenas
Cientistas que realizam escavações na Antártida desencavaram provas de que a região já abrigou palmeiras, há milhões de anos.
Análises de pólen, matéria vegetal e dejetos de pequenos criaturas forneceram um retrato climático do antigo período Eoceno, há 53 milhões de anos.
O início do período Eoceno, que foi marcado por uma espécie de ''efeito estufa'' do passado, tem despertado crescente interesse científico, já que teria semelhanças com o momento atual da Terra.
''Há duas maneiras de observarmos para onde iremos no futuro'', afirmou em entrevista à BBC o coautor do estudo, James Bendle, da Universidade de Glasgow.

'De volta para o futuro'

''Uma das maneiras é usar modelos baseados na física, mas cada vez mais estamos usando este procedimento 'de volta para o futuro' no qual observamos períodos geológicos do passado que podem ser similares ao caminho que estamos propensos a seguir dentro de dez, vinte ou cem anos'', disse Bendle.
O início do período Eoceno foi uma época de concentração atmosférica de CO2 maior do que a atual marca de 390 partes por milhão (ppm), tendo alcançado em torno de 600 ppm e possivelmente uma marca ainda mais elevada.
As temperaturas globais estavam em média 5 graus Celsius mais altas e não havia um contraste extremo de temperaturas entre os polos e o equador.
Perfurações realizadas recentemente mostram que o Ártico deve ter tido um clima subtropical.
Mas a Antártida apresenta um complexo desafio. A glaciação há 34 milhões de anos varreu boa parte do sedimento que poderia nos fornecer pistas sobre o clima do passado e deixou quilômetros de gelo por cima do que permaneceu daquela época.
Agora, o Programa Integrado de Perfuração Oceânica Integrada (IODP, na sigla em inglês) literalmente chegou ao fundo do que foi o eoceno da região antártica, ao realizar uma perfuração de quatro quilômetros na região leste da Antártida.
A sonda então perfurou através de um quilômetro de sedimento para trazer amostras da época do eoceno. Juntamente com o sedimento, vieram grãos de pólen de palmeiras que eram parentes das baobá e macadâmia da atualidade.
O importante é que a matéria vegetal encontrada também trazia resquícios de organismos unicelulares chamados archaea.

Termômetros de milhões de anos

A estrutura celular destes organismos exibem mudanças moleculares que dependem da temperatura do solo no local onde elas vivem. Suas estruturas permanecem fielmente preservadas após elas morrerem.
Elas são, na prática, pequenos termômetros enterrados de 53 milhões anos atrás. Archaea mantêm sua estrutura ao longo de milhões de anos, dando pistas sobre temperaturas do passado distante.
Os dados sugerem que até mesmo nos períodos mais sombrios do inverno antártico, a temperatura nunca caiu abaixo de 10 graus e que no verão as temperaturas diurnas ficavam na faixa dos 20 graus.
As planícies costeiras abrigou palmeiras e áreas mais para o interior contavam com faias e coníferos.
Bendle afirma que, ainda que oferecendo uma versão análoga à Terra moderna, o Eoceno apresenta elevações de níveis de CO2 que não serão alcançados tão cedo e que talvez jamais venham a ser alcançados caso ocorra uma redução na emissão de CO2.
Mas, de acordo com o especialista, os resultados dos estudos ligados ao período Eoceno podem nos ajudar a aprimorar os modelos de computador que estão sendo usados para avaliar o quão sensível é o clima às emissões que seguramente aumentarão no curto prazo.
Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Aumento na demanda de energia prejudica equilíbrio de matriz energética

30/7/2012 13:31,  Por Redação, com ABr - de Brasília

Apesar de ter conquistado uma matriz energética equilibrada entre fontes de energia renováveis e tradicionais, o governo brasileiro tem se empenhado para manter essa relação diante de um cenário projetado pelo aumento do consumo de energia. Além de garantir a manutenção de sistemas, como o de produção de energia eólica e solar, os pesquisadores buscam novas fontes que poderiam complementar essa oferta para atender a crescente demanda do setor.
Biogás
Os dados mostram que o biogás pode ser um dos três grandes combustíveis do Brasil
A principal motivação do governo para manter esse equilíbrio de fontes na matriz energética é o cumprimento da meta de redução das emissões de gases de efeito estufa. Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas realizada em Copenhague no ano passado, a COP15, o Brasil se comprometeu a reduzir essas emissões entre 36,1% a 38,9% até 2020, em relação ao que emitia em 1990. Entre os setores estratégicos da economia, a energia está sob a mira dos órgãos que se debruçam sobre o problema.
- O setor energético representa a segunda maior preocupação do governo no quesito das emissões de gases de efeito estufa, perdendo apenas para o desmatamento e agropecuária [apontados como os vilões responsáveis por 70% das emissões] – explicou Ana Lúcia Doladela , diretora da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA). O setor energético, desde a produção até o consumo, responde por cerca de 23% dessas emissões. “Uma das formas de reduzir esse impacto é renovar nossa matriz e aumentar nossa eficiência energética”, acrescentou.
Uma das estratégias adotadas pelo Brasil é a aproximação com especialistas europeus. O interesse nas experiências do Velho Continente explica-se pelos esforços e investimentos em pesquisa e produção de fontes alternativas de energia. Ana Lúcia Doladela disse que os técnicos brasileiros têm absorvido conhecimentos e tecnologias européias e acredita que essa relação pode resultar em parcerias estratégicas para o desenvolvimento do setor, ainda em crescimento no Brasil.
- A energia eólica foi estabelecida de forma competitiva. Mas a fotovoltaica ainda é cara e precisa de incentivos para se estabelecer. O ministério têm acompanhado as pesquisas e o governo vem adotando medidas como o estímulo ao uso da fonte solar térmica para aquecimento de água – disse. A diretora do MMA ainda acrescentou que o país também precisa amadurecer tecnologicamente nas pesquisas sobre energia a partir dos oceanos. “Temos três fontes que são as ondas, mares e correntes marítimas. Ainda precisamos muito investimento em tecnologia”, explicou.
Em relação às fontes renováveis a partir da biomassa, como o etanol e o biodiesel, o Brasil assumiu uma posição de liderança no cenário internacional. Como a tendência é de aumento do consumo de energia no país, pesquisadores brasileiros buscam novas fontes que poderiam complementar essa matriz.
Em Concórdia, Santa Catarina, experimentos com o biogás produzido a partir de resíduos de suínos mostraram, segundo técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o potencial do produto tanto para a geração de energia demandada pelas propriedades rurais quanto como fator de agregação de valor à cadeia produtiva.
- Os dados já mostram que o biogás pode se tornar um dos três grandes combustíveis do Brasil. O importante é termos mais fontes, promover o setor e o uso dos resíduos das cadeias produtivas, o que poderia agregar valor a essas produções e atender a demanda crescente por energia no país – disse Manoel Teixeira Souza Júnior, chefe-geral da Embrapa Agroenergia.
Fonte: Correio do Brasil