terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Rússia alerta Ocidente contra ataque ao Irã

Atualizado em  18 de janeiro, 2012 - 17:45 (Brasília) 19:45 GMT
Sergei Lavrov. Reuters
Para Lavrov, possível ataque ao Irã inflamaria uma tensão sectária na região
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou nesta quarta-feira que um ataque militar do Ocidente contra o Irã seria uma "catástrofe" e criticou a imposição de novas sanções a Teerã.
Segundo o chanceler, uma ação desse tipo provocaria uma fuga de massas de refugiados do Irã, além de ampliar a tensão sectária na região.
"(Um ataque desses) pode inflamar o confronto entre sunitas e xiitas que já está latente", disse Lavrov.
As declarações de Lavrov foram feitas após o ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, dizer que qualquer decisão sobre um ataque ao Irã estava "muito distante". O país é a única potência nuclear da região.
Tensões entre Ocidente e o Irã foram ampliadas nas últimas semanas, após os monitores nucleares da ONU confirmarem que Teerã está produzindo urânio enriquecido a 20% em uma usina perto de Qom.
Em resposta, Estados Unidos e União Europeia anunciaram novas sanções contra o país – o que fez o Irã ameaçar fechar o estreito de Ormuz, uma rota essencial para o escoamento do petróleo da região.
A situação se agravou ainda mais na semana passada, quando o Irã acusou Israel e os Estados Unidos pela morte de um cientista nuclear em Teerã.
Washington e seus aliados suspeitam que o Irã está tentando desenvolver, sob sigilo, armas nucleares. Já o Irã insiste que seu programa tem fins pacíficos.

Negociações

Ainda nesta quarta-feira, o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, disse que negociações sobre o programa nuclear devem acontecer em Istambul em breve.
No entanto, a chancelaria britânica afirmou que ainda não há datas e nem planos concretos para as discussões e que o encontro não será realizado enquanto Teerã não "demonstrar claramente sua disposição em negociar sem pré-condições."
"Até que isso aconteça, a comunidade internacional vai somente ampliar a pressão sob o Irã, por meio de sanções pacíficas e legítimas", afirmou a chancelaria em um comunicado.
No ano passado, Brasil e a Turquia tentaram mediar um acordo – fracassado - para a troca de combustível nuclear do Irã com outro país (que devolveria a Teerã urânio altamente enriquecido, em troca de material bruto). Desta vez, segundo Itamaraty, o Brasil não foi consultado para essa possível reunião em Istambul.

Impacto na economia

Para o especialista em diplomacia da BBC, Jonathan Marcus, as discussões sobre o assunto focam a probabilidade de um ataque aéreo israelense e americano às instalações nucleares do país e um confronto marítimo no Golfo, no qual os Estados Unidos tentariam garantir o livre acesso ao estreito de Ormuz.
Segundo Marcus, outro fator que inflama a tensão é o fato de a economia iraniana começar a sofrer seriamente com as sanções.
Comparada aos governos anteriores, a administração de Barack Obama é a que mais está de um confronto aberto com Teerã.
Marcus afirma que, no momento, as hostilidades podem ser evitadas. Mas, segundo ele, muitos especialistas acreditam que há uma sensação de pessimismo crescente – uma crença de que Estados Unidos e Irã vão entrar em confronto em algum momento.
E essa é, segundo o correspondente, uma situação muito perigosa, já que tais expectativas têm impacto direto no desenrolar dos eventos.
Fonte: BBC-Brasil

Com sanções duras, Europa aumenta tensão com Irã

Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia aprovaram nesta segunda-feira a adoção de um embargo ao petróleo iraniano, como resposta ao programa nuclear do governo de Teerã.
A medida envolve a proibição imediata de novos contratos para a compra de petróleo do Irã por parte dos países do bloco.
Além disso, a União Europeia também vai impor restrições ao Banco Central iraniano e expandir uma série de outras medidas já existentes que visam diminuir a capacidade do Irã de negociar com outros países.
Segundo analistas, as novas sanções, que também determinam que os contratos de petróleo existentes serão cumpridos até o dia 1º de julho, devem aumentar ainda mais a tensão entre o bloco europeu e o Irã.
O editor da BBC para a Europa Gavin Hewitt afirma que estas estão entre as medidas mais duras já adotadas pela União Europeia contra o país.
O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que o embargo mostra "a determinação da União Europeia nesta questão".
"É absolutamente correto fazer isto quando o Irã continua a desrespeitar resoluções da ONU e se recusa a participar de negociações importantes sobre seu programa nuclear", acrescentou.
O governo iraniano nega que esteja tentando desenvolver armas nucleares e diz que o diálogo e não as sanções é a única forma de resolver a disputa.
Em resposta ao anúncio da União Europeia, um político iraniano afirmou que Teerã deve suspender imediatamente todas as vendas de petróleo para países europeus.
Ali Fallahian teria dito à agência de notícias iraniana Fars que o Irã deve parar de exportar o petróleo antes do dia 1º de julho, "para que o preço do petróleo aumente e os europeus... tenham problemas".

Novos fornecedores

A União Europeia compra cerca de 20% das exportações de petróleo iraniano.
A Grécia é um dos países europeus que mais depende do combustível do país, pois compra cerca de um terço do petróleo que usa do Irã.
Itália e Espanha também compram do Irã, cada um, 10% do petróleo que usam. Estes países agora terão que procurar novos fornecedores.
O embargo deve ser adotado em etapas, para minimizar o impacto nos países que importam petróleo do Irã.
Segundo o analista da BBC para assuntos de Defesa Jonathan Marcus, outros fornecedores, como a Arábia Saudita, parecem inclinados a cobrir a falta que o petróleo iraniano poderá fazer, apesar das ameaças do Irã contra aquele país.
Marcus destaca também o fato de que os clientes do Irã na Europa estão entre os países europeus com economias mais fracas.

Petróleo para a Ásia

Os principais clientes do Irã, no entanto, não estão na Europa, mas na Ásia.
Os Estados Unidos já tentaram, com sucesso apenas limitado, convencer a Coreia do Sul e o Japão a diminuírem as importações do petróleo iraniano.
A China, que compra mais de um quinto do petróleo produzido pelo Irã, é a chave para o sucesso de sanções contra o país. Mas, o governo chinês está enviando sinais conflitantes.
Por um lado, a China parece ter diminuído os pedidos para o Irã e tentado aumentar suas ligações com outros produtores da região do Golfo Pérsico.
Mas, ainda não está claro se isto reflete um desejo de alertar, diplomaticamente, o Irã ou uma manobra para conseguir o melhor preço, já que o setor de petróleo do Irã está sob pressão.

Consequências e tensão

Os diplomatas ocidentais ainda não sabem se estas novas sanções serão bem sucedidas. Não há dúvidas de que a economia iraniana deve ser prejudicada, mas ainda não se sabe quais serão as consequências para o programa nuclear do país, que é uma questão de orgulho nacional.
Iranianos fazem fila em caixa automático de Teerã (AFP)
Povo iraniano deve ser o mais prejudicado por sanções
O que se sabe, segundo Jonathan Marcus, é que o povo iraniano vai sofrer as consequências e não a elite do país.
Em vista disto, alguns países ocidentais até esperam por uma mudança no regime iraniano.
Mas sempre houve uma ambivalência da política ocidental a respeito deste assunto e as forças de oposição iranianas não mostraram sinais mais fortes de terem ganho mais fôlego depois das revoluções da chamada Primavera Árabe.
Ainda há muita incerteza em relação às opções de Israel, se o país pretende ou não atacar as instalações nucleares iranianas em 2012.
Por enquanto, os Estados Unidos parecem estar tentando convencer os israelenses a dar mais tempo para sanções e pressão diplomática.
Mas, a ameaça de um ataque israelense agora foi substituída por um temor mais urgente, a ameaça do Irã de bloquear o estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico, uma importante rota comercial.
Um confronto no estreito poderia facilmente evoluir para um conflito mais amplo com o Irã. E, devido ao estado volátil naquela região, um conflito como este poderia se transformar em uma guerra mais ampla.
Fonte BBC-Brasil

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Brasil é segundo país mais desigual do G20, aponta estudo

Brasil é segundo país mais desigual do G20, aponta estudo

Atualizado em  19 de janeiro, 2012 - 06:15 (Brasília) 08:15 GMT
Sem-teto em São Paulo (Reuters)
De acordo com pesquisa, país está à frente apenas da África do Sul
O Brasil é o segundo país com maior desigualdade do G20, de acordo com um estudo realizado nos países que compõem o grupo.
De acordo com a pesquisa Deixados para trás pelo G20?, realizada pela Oxfam - entidade de combate à pobreza e a injustiça social presente em 92 países -, apenas a África do Sul fica atrás do Brasil em termos de desigualdade.
Como base de comparação, a pesquisa também examina a participação na renda nacional dos 10% mais pobres da população de outro subgrupo de 12 países, de acordo com dados do Banco Mundial. Neste quesito, o Brasil apresenta o pior desempenho de todos, com a África do Sul logo acima.
A pesquisa afirma que os países mais desiguais do G20 são economias emergentes. Além de Brasil e África do Sul, México, Rússia, Argentina, China e Turquia têm os piores resultados.
Já as nações com maior igualdade, segundo a Oxfam, são economias desenvolvidas com uma renda maior, como França (país com melhor resultado geral), Alemanha, Canadá, Itália e Austrália.

Avanços

Mesmo estando nas últimas colocações, o Brasil é mencionado pela pesquisa como um dos países onde o combate à pobreza foi mais eficaz nos últimos anos.
O estudo cita dados que apontam a saída de 12 milhões de brasileiros da pobreza absoluta entre 1999 e 2009, além da queda da desigualdade medida pelo coeficiente de Gini, baixando de 0,52 para 0,47 no mesmo período (o coeficiente vai de zero, que significa o mínimo de desigualdade, a um, que é o máximo).
A pesquisa prevê que, se o Brasil crescer de acordo com as previsões do FMI (3,6% em 2012 e acima de 4% nos anos subsequentes) e mantiver a tendência de redução da desigualdade e de crescimento populacional, o número de pessoas pobres cairá em quase dois terços até 2020, com 5 milhões de pessoas a menos na linha da pobreza.
No entanto, a Oxfam diz que, se houver um aumento da desigualdade nos próximos anos, nem mesmo um forte crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) poderá retirar um número significativo de brasileiros da pobreza.
"Mesmo que o Brasil tenha avanços no combate da pobreza, ele é ainda um dos países mais desiguais do mundo, com uma agenda bem forte pendente nesta área", disse à BBC Brasil o chefe do escritório da Oxfam no Brasil, Simon Ticehurst.
"As pessoas mais pobres são as mais impactadas pela volatilidade do preço dos alimentos, do preço da energia, dos impactos da mudança climática."
Simon Ticehurst, chefe do escritório da Oxfam no Brasil
Para ele, é importante que o governo dê continuidade às políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e que o Estado intervenha para melhorar o sistema de distribuição.
"Os mercados podem criar empregos, mas não vão fazer uma redistribuição (de renda)", afirma.

Outras questões

Ticehurst diz que, para reduzir a desigualdade, o Brasil também precisa atacar as questões da sustentabilidade e da resistência a choques externos.
"As pessoas mais pobres são as mais impactadas pela volatilidade do preço dos alimentos, do preço da energia, dos impactos da mudança climática. O modelo de desenvolvimento do Brasil precisa levar isso mais em conta."
Para o representante da Oxfam, a reforma agrária e o estímulo à agricultura familiar também é importante para reduzir a desigualdade.
"Da parcela mais pobre da população brasileira, cerca de 47% vive no campo. Além disso, 75% dos alimentos que os brasileiros consomem são produzidos por pequenos produtores, que moram na pobreza", afirma TiceHurst.
"É preciso fechar esse circuito para que os produtores que alimentam o país tenham condições menos vulneráveis e precárias."
Segundo o estudo da Oxfam, a maioria dos países do G20 apresenta uma tendência "preocupante" no sentido do aumento na desigualdade.
A entidade afirma que algumas dessas nações foram "constrangidas" pelas reduções significativas da desigualdade registradas nos países de baixa renda nos últimos 15 anos.
"A experiência do Brasil, da Coreia do Sul e de vários países de renda baixa e média-baixa mostra que reduzir a desigualdade está ao alcance dos dirigentes do G20", afirma o texto.
"Não existe escassez de potenciais alavancas para políticas (de redução da desigualdade). Em vez disso, talvez exista uma escassez de vontade política", diz o estudo.

Fonte BBC Brasil

Naufrágio na costa italiana traz 'grande risco' ambiental, diz ministro

O naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concordia traz "alto risco" de um desastre ambiental de grandes proporções na região da ilha de Giglio (Toscana), informou nesta segunda-feira a jornalistas o ministro italiano do Meio Ambiente, Corrado Clini.
Segundo declarações de Clini reproduzidas pelo jornal local La Reppublica, "o objetivo é prevenir que o combustível do navio vaze; estamos trabalhando nisso. É algo urgente". 
De acordo com o ministro, cerca de 2,4 mil toneladas de combustível precisariam ser recolhidas do navio.
O Costa Concordia, que transportava 4,2 mil passageiros, naufragou na noite de sexta-feira na costa italiana, após se chocar com uma rocha. O desastre deixou, até a manhã desta segunda-feira, seis mortos e 15 desaparecidos, que estão sendo procurados por equipes de resgate.
Giglio é parte de um arquipélago em uma importante área de preservação ambiental na Toscana que atrai milhares de turistas anualmente, explica a agência France Presse.
Para Clini, as condições ambientais "dependerão das correntes (marítimas), (que podem ameaçar) certamente a ilha, possivelmente o arquipélago e talvez a costa".
La Reppublica aponta que combustível usado no navio é extremamente denso, e seu vazamento pode ser bastante danoso ao ecossistema, "porque pode se sedimentar no fundo (do mar), o que seria um desastre", disse o ministro.
Além disso, há a preocupação sobre o que fazer com o navio naufragado, que tombou lateralmente e está parcialmente submerso.

Vítimas

Na manhã desta segunda, as equipes de resgate anunciaram ter encontrado mais um corpo de um homem, o que elevou o número de vítimas de cinco para seis pessoas.
O corpo foi encontrado em um dos corredores do navio durante a madrugada. As autoridades italianas informaram que ele provavelmente era um passageiro devido ao tipo de colete salva-vidas que usava.
O mau tempo está prejudicando o trabalho das equipes de resgate, que estão fazendo buscas em centenas de cabines inundadas do navio.
"Estamos percorrendo todas as cabines do navio, procurando por sinais de vida, pessoas gritando ou qualquer barulho", afirmou o porta-voz do Ministério do Interior italiano, Francesco Paulo Tronca.
Também nesta segunda-feira, o Itamaraty atualizou o número de brasileiros presentes no navio de 53 para 57 pessoas, sendo seis tripulantes do Costa Concordia.
A empresa que opera o navio que afundou na Itália afirmou, no domingo, que investigações iniciais indicam que erros cometidos pelo capitão do cruzeiro causaram o acidente.
De acordo com a Costa Cruzeiros, Francesco Schettino teria conduzido a embarcação perto demais da costa, além de não seguir os procedimentos de segurança determinados pela empresa.
"Aparentemente, o comandante cometeu erros de julgamento que tiveram graves consequências", dizia o comunicado da empresa.
Fonte: BBC Brasil