quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Um breve comentário sobre a rebelião no Complexo Policial de Feira de Santana-Ba


A preocupante questão da guarda de presos da justiça por policiais nas dependências das delegacias no Estado da Bahia, ganhou novas proporções no último dia 23 de setembro de 2011, quando o agente investigador Marivaldo  Novaes sofreu um atentado promovido por presos, em uma rebelião no Complexo da 1ª Coorpin de Feira de Santana.
A cidade de Feira de Santana, 2ª mais populosa do estado, com cerca de 550 mil habitantes, já deveria possuir em seu território uma cadeia pública, com um ambiente adequado para manter detidos os presos à disposição da justiça e profissionais também adequados à guarda. Falam de direitos humanos, mas será que as autoridades não sabem que se mantêm detidas pessoas em condições sub-humanas, amontoados como bichos, sem atenção médica ou psicológica, não estou aqui para “dar um de protetor dos fracos e oprimidos”, mas ao não nos manifestarmos, somos cúmplices na fabricação de monstros. Sim meu caros! Monstros. Alguns já chegam prontos, mas a maioria se transforma num ambiente desses. Em um local assim, não dá pra acreditar que haja socialização, sem chance mesmo.
 A própria Polícia Civil tem sua culpabilidade, pois com sua inércia vem empurrando essa questão acima por muito tempo sem solução, vendo a cada ano acontecer agressões contra policiais civis que estão trabalhando fora das funções designadas no seu estatuto. Como se não bastasse, ainda colocam um único policial para responsabilizar-se por mais de 130 detentos,  numa cadeia que comporta 44. Apesar de não concordar com policiais como carcereiros, sabe-se que existem chefias de “carceragem fantasma”, policiais que recebem cerca de 400,00 (quatrocentos reais) a mais nos salários e nunca desempenharam a função. Isto acontece aqui em Feira de Santana. Talvez se houvesse mais de um nessa função, que repito não concordo, poderia ter sido evitada a fatalidade ocorrida na última sexta-feira.
Foi noticiado que Promotores de Justiça estiveram no Complexo Policial Bandeira para saber as causas da rebelião. Como se não soubessem!!! Talvez não acreditem que aqueles presos possam se rebelar com tamanho “bom tratamento”, que recebem naquelas dependências. A sociedade organizada precisa cobrar de nossos gestores soluções para esses problemas, somente com uma mobilização efetiva poderemos mudar essa situação. A violência está tomando conta de nossa cidade, somente quem vive de perto essa realidade nas delegacias sabe qual é o nível da violência em nosso Estado, com pessoas sofrendo assaltos e agressões diversas, familiares chorando a perda de seus entes. Sem essa de que são em maioria envolvidos em delitos, antes eram pessoas, nasceram pessoas e foram transformados em marginais. A solução não é dizimar essas pessoas, pois a “fábrica de possíveis marginais”, não pára de funcionar. Se não buscarmos uma intervenção na base de nossa sociedade feirense em particular, teremos muito mais problemas por vir. Dentre as mudanças, defendo um investimento maciço na geração de oportunidades para nossos jovens, gerando perspectiva de ascendência na sociedade e isso só poderá ser viabilizado através da educação, palavra que ainda parece ser pouco interessante nas ações governamentais. Mas esse é um outro assunto para uma discussão a posteriori.
Cláudio Moura – Policial Civil, Professor de Geografia, Especialista e Mestrando em Modelagem e Ciência da Terra e Ambiente com enfoque no estudo sobre homicídios.

Brasil sobe em ranking de tecnologia, mas escassez de talentos preocupa



Atualizado em  27 de setembro, 2011 - 04:56 (Brasília) 07:56 GMT
O númer de formandos em TI cresceu no Brasil, mas a qualidade de suas habilidades não avançou
O Brasil avançou no setor de tecnologia da informação, mas poderia ter crescido mais não fossem entraves como burocracia e deficit de especialistas, segundo um ranking realizado pela Economist Intelligence Unit, o braço de pesquisa e análises da revista The Economist.
Investimento em pesquisas e em infraestrutura ajudaram o país a galgar uma posição em relação a 2009, ocupando agora a 39ª posição no índice, feito pela Economist Inteligence Unit para a organização Business Software Alliance (BSA).
No ranking, que mede principalmente a competitividade no setor, o Brasil está imediatamente atrás da China e muito à frente de outros países da América Latina, com exceção do Chile, que é o líder regional.
"O crescimento da pontuação brasileira na categoria 'pesquisa e desenvolvimento' foi a maior responsável tanto pela evolução na pontuação geral do Brasil, como em sua posição no ranking", disse à BBC Brasil o diretor da BSA no Brasil, Frank Caramuru.
O país ocupa agora o primeiro lugar entre os países da América Latina neste quesito, que tem peso maior na pontuação e avalia investimentos públicos e privados, além do número de patentes e valor recebido por royalties em relação ao número de habitantes.
Segundo Caramuru, a nota brasileira saltou de 1,6 na primeira edição do estudo em 2007 para 21,2 na edição deste ano.
Crise de talentos
Alguns itens da categoria "capital humano" também ajudaram a impulsionar a posição brasileira. O número de formandos nas áreas de ciências e engenharia aumentaram, levando o país a ocupar o 8º lugar nessa classificação.
No entanto, o Brasil permaneceu estagnado no que diz respeito à qualidade de habilidades tecnológicas, gerando temores sobre a escassez de profissionais de tecnologia da informação (TI) qualificados para atender a demanda.
Para Caramuru, já se pode falar em uma crise de talento no mercado brasileiro de TI. "A avaliação aponta para a necessidade de um aprimoramento do currículo dos cursos de ciências da computação, bem como de um estímulo à essa opção de carreira entre estudantes", disse.
"Hoje estima-se que existam 90 mil vagas não preenchidas neste setor no Brasil, e uma projeção da FGV avalia que, em 2014, esse déficit pode chegar a 800 mil."
Morosidade
Progressos na "infraestrutura na tecnologia da informação" também trouxeram mais avanços que retrocessos para o cenário brasileiro. Entre os aspectos positivos está a ampliação da telefonia celular, cujo índice de penetração já ultrapassa os 100%.
Por outro lado, a morosidade na expansão da banda larga no país é citada como aspecto negativo, já que dificulta a absorção de serviços de TI.
Mas na hora de apontar culpados, o levantamento aponta o dedo principalmente para a burocracia brasileira, que freia a inovação e a implantação de TI no país.
Para Caramuru, a estrutura regulatória do país é um grande entrave. "Restrições para contratar e demitir são um empecilho especial para o setor de tecnologia e inovação, em que o mercado sofre mudanças constantes e no qual a agilidade de gestão é crucial para se manter a competitividade."
Brics
Barreiras como essas precisam ser vencidas rapidamente pelo Brasil, se o país quiser competir realmente com os países dos Brics.
Segundo o estudo, embora a Índia e a China estejam hoje no meio da lista de classificação (34ª e 38ª respectivamente), ambos ganharam terreno no ranking e tudo indica que devem subir mais posições nos próximos anos.

"Os Brics possuem vantagens de mão-de-obra menos custosas em relação a países desenvolvidos", afirma Caramuru.
"China e Índia, em relação ao Brasil, deram saltos maiores no ranking devido à quantidade de alunos matriculados em cursos de ciência e engenharia, bem como uma formação mais sólida em TI. Ambos os países estão no top 10 global no quesito capital humano."
Futuro
Entre muitos números e opiniões de especialistas da área, o ranking deixa pistas do que pode ser feito para avançar novas posições nos setores de tecnologia da informação.
Para o diretor da BSA, estimular a opção de estudantes pela área é fundamental. "Na Índia, dois terços dos estudantes universitários estão matriculados em cursos de ciências exatas e engenharia. No Brasil são apenas 14%."
A análise também mostra que formar estudantes com habilidades ou aptidões em TI é importante, mas já não é suficiente.
"Uma grade complementar voltada aos negócios é essencial para esses profissionais prosperarem e contribuírem de forma mais significativa com suas empresas."
Fonte: BBC - Brasil

Muçulmana multada por uso do véu na França diz sofrer insultos diários


Atualizado em  26 de setembro, 2011 - 06:08 (Brasília) 09:08 GMT
Hind Ahmas (Foto AP)
Hind Ahmas exibe a multa que foi obrigada a pagar
A francesa muçulmana Hind Ahmas, que foi a primeira pessoa a ser condenada pela Justiça francesa por usar o niqab, um véu que deixa apenas os olhos à mostra, diz “ser insultada todos os dias” ao caminhar pelas ruas com o rosto coberto.
O uso da vestimenta em locais públicos foi proibido por lei na França desde abril passado.
“São insultos pessoais ou contra os muçulmanos. Normalmente, as pessoas gritam grosserias pelas janelas dos carros ou esperam que eu me distancie delas nas calçadas para me ofender”, contou Ahmas em entrevista à BBC Brasil.
“Sou chamada de lixo, de terrorista, extremista ou me dizem para eu voltar para o Afeganistão”, diz ela. Hind afirma que não sofre pressões por parte de membros da família ou homens muçulmanos para cobrir o rosto.
“Vivo como qualquer mulher, a única diferença é a minha escolha de vestimenta”, afirma Ahmas, que é divorciada e mãe de uma garota de quatro anos.
A França é o primeiro país europeu a aplicar a proibição do uso do véu que cobre parcialmente ou totalmente o rosto em qualquer espaço público, como transportes, lojas, parques, escolas e repartições.
Multa
Na semana passada, a Justiça condenou Ahmas, 32 anos, e Najate Naït Ali, 36 anos, a multas de 120 e 80 euros, respectivamente (cerca de R$ 300 e R$ 200). A multa máxima prevista na lei é de 150 euros.
Segundo Ahmas, a lei francesa “viola o direito europeu, que garante a liberdade de convicções religiosas”.
Por esse motivo, ela continua usando normalmente o niqab - que deixa apenas os olhos à mostra.
“Retirar o niqab significaria renegar minha fé”. Faz quase sete anos que uso o véu integral, muito antes das discussões sobre a lei. Não cubro o rosto por provocação ou porque o assunto está na moda”, diz ela, que mora em Aulnay-sous-Bois, uma periferia pobre de Paris.
Mas, por enquanto, ela só foi parada nas ruas pela polícia “quatro ou cinco vezes”, sendo que em um dos casos foi algemada e levada para a delegacia.
“Eles queriam me revistar e exigi que fosse uma policial feminina. Mas não precisavam me algemar, foi abuso de autoridade.” Nos outros controles de identidade, ela aceitou ir à delegacia ou mostrou seu rosto na rua aos policiais em áreas de menor movimento.
'Sinônimo de terrorismo'
Ahmas considera que a condenação na Justiça é “uma excelente notícia porque dá destaque para o assunto e representa o ponto de partida para conseguir a revogação da lei.”
Ela já entrou com recurso contra a decisão dada na semana passada e prevê levar o caso à Corte Europeia de Direitos Humanos.
Ahmas criou a associação “Cidadãs da Liberdade” para defender a anulação da lei. Sua amiga Kenza Drider, que usa o niqab e na semana passada anunciou sua candidatura às eleições presidenciais do próximo ano, também integra a associação.
Mas para se tornar oficialmente candidata, Drider precisará recolher 500 assinaturas de políticos franceses, o que dificilmente deverá ocorrer.
Ahmas afirma que o governo francês criou a lei do véu integral por motivos eleitorais, “para desviar a atenção em relação aos reais problemas do país e para que o islamismo seja menos visível na França”.
“O islamismo passou a ser sinônimo de terrorismo, de Bin Laden e de bombas. Estou tão longe disso tudo. Só aspiro a ter uma vida tranquila e poder levar minha filha ao zoológico sem ser insultada”, diz ela.
Fonte BBC - Brasil

sábado, 24 de setembro de 2011

Greenpeace faz manifestação no Senado contra Código Florestal

21/9/2011 11:00,  Por Redação, com ABr- Brasília

Representantes do Greenpeace promoveram nesta quarta-feira umamanifestação no Senado contra o projeto de lei do novo Código Florestal. Estava prevista para esta manhã a votação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do parecer do senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).
manifestação
Ativistas do Greenpeace protestaram nesta manhã em frente ao Senado contra aprovação do novo Código Florestal
Como foram impedidos pela Polícia Legislativa de entrar nas dependências da Casa, os manifestantes fixaram faixas no gramado da entrada que dá acesso à biblioteca. Este é o primeiro de uma série de protestos que o Greenpeace agendou para outras capitais como Belo Horizonte, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
- As mudanças propostas no Código Florestal vão contra os alertas das maiores instituições científicas do país. Se for aprovado assim, quem sai perdendo é o Brasil, disse a representante da campanha Amazônia Greenpeace, Tatiana Carvalho. Ela acrescentou que o relatório de Luiz Henrique cria condições para aumentar “a devastação” no país.
Tatiana Carvalho ressaltou que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) já demonstraram, em estudos, que o Brasil tem 61 milhões de hectares agricultáveis. Tatiana Carvalho disse que análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 75% dos alimentos consumidos pelos brasileiros são produzidos por pequenos agricultores.
Fonte:  Correio do Brasil

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Na ONU, Dilma alerta sobre crise e defende Estado palestino


Atualizado em  21 de setembro, 2011 - 12:02 (Brasília) 15:02 GMT
Dilma em discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta quarta (Reuters)
Presidente foi a primeira mulher a discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU desde 1947
No primeiro discurso de uma mulher na abertura da Assembleia Geral da ONU, a presidente Dilma Rousseff cobrou nesta quarta-feira união dos países no combate à crise econômica internacional e "lamentou" ainda não poder saudar a presença de um Estado palestino nas Nações Unidas.
A presidente brasileira declarou que o mundo vive um "momento delicado e uma oportunidade histórica", que pode derivar em "graves rupturas políticas e sociais sem precedentes" por conta da crise econômica.
"Ou nos unimos (para combatê-la) ou sairemos todos derrotados. A crise é série demais para ser administrada por poucos", disse Dilma, pedindo ajustes fiscais nas nações afetadas por crises da dívida, combate ao protecionismo, e, em aparente referência à China, estímulo aos mercados internos de países superavitários e fim da guerra cambial – ou seja, de reduções artificiais do câmbio para beneficiar exportações.
Diante de um plenário lotado, Dilma iniciou o discurso – sua estreia em grandes fóruns internacionais – com aparente nervosismo, movendo-se de um lado ao outro.
Ao dizer que dividia com todas as mulheres a emoção de abrir o debate geral da assembleia, a presidente se emocionou e ficou com a voz embargada.
Ela foi aplaudida pela plateia em cinco ocasiões: quando se referiu ao fato de ser a primeira mulher a discursar na abertura do evento; ao dizer que, na língua portuguesa, as palavras “vida, alma e esperança” pertencem ao gênero feminino; ao elogiar a criação da ONU Mulher, órgão que defende a igualdade de gêneros; ao defender a criação de um Estado palestino; e ao pregar a reforma do Conselho de Segurança da ONU.
Reformas
A presidente afirmou que “a reforma das instituições financeiras multilaterais deve prosseguir, aumentando a participação dos países emergentes" em órgãos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.
A presidente também pleiteou mudanças no Conselho de Segurança (CS) da ONU, do qual o Brasil historicamente aspira se tornar membro permanente, com direito a veto. Para a presidente, o CS na forma como está perde "legitimidade".
Ao dar as boas-vindas na ONU ao Sudão do Sul, nação oficialmente criada neste ano, Dilma disse que lamentava "ainda não poder saudar o ingresso da Palestina" no organismo multilateral.
"Acreditamos que chegou o momento de ter a Palestina (como Estado independente) e reconhecer seu direito legítimo à soberania", declarou. "Só a Palestina livre poderá atender aos anseios de Israel por segurança."
As declarações de Dilma ocorrem às vésperas da possível formalização do pedido da Autoridade Palestina pelo reconhecimento da ONU ao Estado palestino.
O pedido, a ser feito pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, durante a Assembleia Geral, enfrenta forte resistência dos Estados Unidos, que prometem vetá-lo no Conselho de Segurança, alegando que a independência só pode surgir de negociações bilaterais entre palestinos e israelenses.
Em discurso logo após o de Dilma, o presidente americano, Barack Obama, disse que "não há atalho para encerrar um conflito que dura décadas".
"A paz não virá por meio de resoluções na ONU. Se fosse fácil assim, já teria ocorrido", afirmou ele. Bastante aplaudido quando subiu ao palco, Obama não provocou o mesmo entusiasmo durante sua fala nem ao encerrá-la, arrancando aplausos discretos.
Primavera Árabe
Dilma também saudou em seu discurso os protestos da Primavera Árabe, dizendo que o Brasil "se solidariza com a busca pela liberdade".
Mas a presidente criticou interferências "com o uso da força" em países atravessando revoltas populares e repressão governamental – em nova mostra da oposição do governo brasileiro à ação militar da Otan (aliança militar ocidental) na Líbia, feita com base em uma resolução aprovada na ONU.
Na opinião de Dilma, "é preciso que as nações encontrem uma forma legítima de ajudar (os países em convulsão)”.
“Estamos convencidos de que o uso da força é a última alternativa. A busca pela paz não pode se limitar a intervenções em situações extremas".
Por fim, Dilma também disse que tem "orgulho de viver um momento histórico" de ser a primeira mulher a discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU – pronunciamento este que desde 1947 fica a cargo do presidente brasileiro.
"Sinto-me representando todas as mulheres", declarou a presidente, dizendo que a voz feminina é "a voz da democracia e da igualdade".
O Brasil é responsável pelo discurso inaugural da Assembleia Geral desde sua primeira Sessão Especial, em 1947. À época, coube ao diplomata brasileiro Oswaldo Aranha o primeiro discurso da sessão, tradição que se manteve desde então.
Fonte: BBC Brasil

Brasil ‘descumprirá meta do milênio para mortalidade materna

20/9/2011 9:33,  Redação, com BBC - de Londres


O Brasil deixará de cumprir uma das chamadas metas do milênio para a saúde pública porque o ritmo de redução na mortalidade materna foi medíocre na última década, indica um estudo publicado nesta terça-feira na Grã-Bretanha.

Embora o país tenha avançado na redução da mortalidade de mulheres por conta de complicações com o parto ou a gestação, o lento ritmo de melhora significa que o país chegaria com 25 anos de atraso às metas que deveria cumprir já em 2015.
A pesquisa foi coordenada pelos professores Rafael Lozano e Christopher Murray, do Instituto de Métrica e Avaliação da Saúde (IHME, na sigla em inglês) da Universidade de Washington, Seattle, nos Estados Unidos, e publicada na revista científica britânica The Lancet.
Os pesquisadores calcularam estimativas para o ano de 2011 levando em conta fontes de dados relevantes que haviam ficado de fora de análises anteriores, como registros de nascimento e óbito, pesquisas nacionais, censos e levantamentos feitos pelas autoridades de saúde.
Segundo as estimativas mais recentes, mais de 65 mulheres em cada 100 mil parturientes morrem no Brasil em decorrência de problemas na gestação ou no parto. Nos últimos onze anos, quando o mundo viu uma redução anual de 3,6% nesta estatística, no Brasil o ritmo foi de apenas 0,3%.
Um dos autores do estudo, Haidong Wang, professor-assistente de Saúde Global do IHME, disse que o combate à mortalidade materna teve bons resultados no Brasil entre 1990 e 2000. No período, a taxa caiu de 85,9 para 67 em cada 100 mil, uma redução anual de cerca de 2,5%.
Entretanto, disse Wang, esse avanço foi contido na década seguinte pela epidemia de gripe H1N1 e pela alta percentagem de mulheres que fazem partos cesarianos, nos quais há maior risco de complicações que podem levar à morte.
País é apontado como ‘história de sucesso no combate à mortalidade infantil’
– Quando a epidemia de gripe se espalhou, em 2009, matou muitas mulheres que, se não estivessem grávidas, teriam uma grande chance de ter sobrevivido –, afirmou.
– A epidemia de H1N1 foi um alerta pela necessidade de dar mais atenção tanto a doenças infecciosas, que podem afetar as mulheres durante a gravidez, como a outros fatores crônicos como obesidade.
Metas do milênio
O estudo avaliou o avanço dos países emergentes no cumprimento de duas das metas do milênio, que os países se comprometeram a cumprir até 2015.
Globalmente, a pesquisa estima que o número de mortes relacionadas ao parto caiu de 409 mil para 273 mil entre 1990 e 2011. As mortes de crianças com menos de cinco anos de idade diminuíram de 11,6 milhões para 7,2 milhões no mesmo período.
Apesar do avanço, apenas nove de 137 países emergentes fizeram progressos suficientes para alcançar os objetivos nestas duas áreas: China, Egito, Irã, Líbia, Maldivas, Mongólia, Peru, Síria e Tunísia.
Como o Brasil, 124 chegarão a 2015 sem ter reduzido em 75% a mortalidade materna entre 1990 e 2015, estimam os pesquisadores.
Já o objetivo de diminuir em dois terços a mortalidade entre crianças menores de cinco anos entre 1990 e 2015 seria alcançada por 31 nações emergentes.
No aspecto da mortalidade infantil, o Brasil é apontado como uma “história de sucesso”.
A pesquisa estimou em 1990 o Brasil tinha uma mortalidade infantil entre crianças menores de 5 anos de 53 para cada mil nascidas vivas. Dez anos depois a taxa havia caído para 31,5 e chegou neste ano a 20,9.
Em números absolutos, isso significa que a mortalidade tirou a vida de 193 mil crianças em 1990 e deve tirar a de 63 mil neste ano.
– Achamos que parte disso tem a ver com o esforço do governo de prover acesso universal à saúde. Foi depois da implementação deste princípio na Constituição de 1988 e na reforma de 1996 que registramos a taxa mais rápida de declínio nas mortes de crianças com menos de cinco anos –, afirmou Wang.
Fonte: Correio do Brasil

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Dilma viaja a Nova York para Assembleia Geral da ONU


Dilma
presidenta Dilma Rousseff chega neste domingo a Nova York, onde se reunirá com vários chefes de Estado e discursará na abertura da 66ª Assembleia Geral da ONU, na quarta-feira – a primeira vez que uma mulher proferirá o discurso de abertura do evento, tradicionalmente a cargo do Brasil.
Antes disso, na terça-feira, Dilma se reunirá com o presidenta dos Estados Unidos, Barack Obama, para dar continuidade às conversas iniciadas em março, quando o americano visitou o Brasil.
Após o encontro, a presidenta participará do lançamento da Parceria para a Transparência Governamental, que engloba 60 países que se dispõem a adotar medidas em favor da transparência e de apoio mútuo contra a corrupção.
Segundo o porta-voz da Presidência da República, Rodrigo Baena, a próxima reunião do grupo deve ocorrer no Brasil, em 2012. No mesmo dia, Dilma receberá o prêmio Woodrow Wilson para Serviços Públicos, concedido pelo instituto Woodrow Wilson International Center for Scholars.
O ex-presidenta Luiz Inácio Lula da Silva e a médica e fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns (morta em 2010), já receberam a mesma premiação. Um dia antes, a presidenta participará de encontros sobre doenças crônicas e não-transmissíveis e será coanfitriã de um colóquio sobre a participação política de mulheres.
Segurança nuclear
Na quinta-feira, após discursar na abertura da Assembleia Geral, a presidenta integrará uma reunião sobre segurança nuclear. A reunião tratará das perspectivas da energia nuclear após o acidente no Japão, em março, quando um terremoto e um tsunami causaram vazamentos radioativos na usina de Fukushima.
O objetivo do encontro, segundo o porta-voz da Presidência, é desenvolver mecanismos de uso e exploração da energia nuclear com segurança. Ainda no dia 22, a presidenta participará de reunião no Conselho de Segurança da ONU sobre diplomacia preventiva, um dos principais temas desta edição da Assembleia Geral.
Chefes de Estado
Além das reuniões conjuntas e do encontro com Obama, Dilma deve ter conversas reservadas com os presidentas da França, Nicolas Sarkozy, com o premiê britânico, David Cameron, e com o presidenta do México, Felipe Calderón. Nos encontros, ela deve tratar de temas da agenda bilateral com esses países, além de assuntos globais.
É possível ainda que ela se encontre com outros mandatários durante sua estadia em Nova York, como o presidenta da Nigéria, Goodluck Jonathan.
Dilma e embarca de volta ao Brasil na quinta-feira à noite.
Ao menos seis ministros a acompanharão na viagem: Antônio Patriota (Relações Exteriores), Alexandre Padilha (Saúde), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Orlando Silva (Esportes), Helena Chagas (Comunicação Social) e Maria do Rosário (Direitos Humanos).
Paralelamente aos encontros da presidenta, Patriota deve se reunir com os chanceleres de vários países e participar de reuniões ministeriais do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do G-4 (grupo formado por Alemanha, Brasil, Índia e Japão, países que se apoiam mutuamente para obter assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU).