A preocupante questão da guarda de presos da justiça por policiais nas dependências das delegacias no Estado da Bahia, ganhou novas proporções no último dia 23 de setembro de 2011, quando o agente investigador Marivaldo Novaes sofreu um atentado promovido por presos, em uma rebelião no Complexo da 1ª Coorpin de Feira de Santana.
A cidade de Feira de Santana, 2ª mais populosa do estado, com cerca de 550 mil habitantes, já deveria possuir em seu território uma cadeia pública, com um ambiente adequado para manter detidos os presos à disposição da justiça e profissionais também adequados à guarda. Falam de direitos humanos, mas será que as autoridades não sabem que se mantêm detidas pessoas em condições sub-humanas, amontoados como bichos, sem atenção médica ou psicológica, não estou aqui para “dar um de protetor dos fracos e oprimidos”, mas ao não nos manifestarmos, somos cúmplices na fabricação de monstros. Sim meu caros! Monstros. Alguns já chegam prontos, mas a maioria se transforma num ambiente desses. Em um local assim, não dá pra acreditar que haja socialização, sem chance mesmo.
A própria Polícia Civil tem sua culpabilidade, pois com sua inércia vem empurrando essa questão acima por muito tempo sem solução, vendo a cada ano acontecer agressões contra policiais civis que estão trabalhando fora das funções designadas no seu estatuto. Como se não bastasse, ainda colocam um único policial para responsabilizar-se por mais de 130 detentos, numa cadeia que comporta 44. Apesar de não concordar com policiais como carcereiros, sabe-se que existem chefias de “carceragem fantasma”, policiais que recebem cerca de 400,00 (quatrocentos reais) a mais nos salários e nunca desempenharam a função. Isto acontece aqui em Feira de Santana. Talvez se houvesse mais de um nessa função, que repito não concordo, poderia ter sido evitada a fatalidade ocorrida na última sexta-feira.
Foi noticiado que Promotores de Justiça estiveram no Complexo Policial Bandeira para saber as causas da rebelião. Como se não soubessem!!! Talvez não acreditem que aqueles presos possam se rebelar com tamanho “bom tratamento”, que recebem naquelas dependências. A sociedade organizada precisa cobrar de nossos gestores soluções para esses problemas, somente com uma mobilização efetiva poderemos mudar essa situação. A violência está tomando conta de nossa cidade, somente quem vive de perto essa realidade nas delegacias sabe qual é o nível da violência em nosso Estado , com pessoas sofrendo assaltos e agressões diversas, familiares chorando a perda de seus entes. Sem essa de que são em maioria envolvidos em delitos, antes eram pessoas, nasceram pessoas e foram transformados em marginais. A solução não é dizimar essas pessoas, pois a “fábrica de possíveis marginais”, não pára de funcionar. Se não buscarmos uma intervenção na base de nossa sociedade feirense em particular, teremos muito mais problemas por vir. Dentre as mudanças, defendo um investimento maciço na geração de oportunidades para nossos jovens, gerando perspectiva de ascendência na sociedade e isso só poderá ser viabilizado através da educação, palavra que ainda parece ser pouco interessante nas ações governamentais. Mas esse é um outro assunto para uma discussão a posteriori.
Cláudio Moura – Policial Civil, Professor de Geografia, Especialista e Mestrando em Modelagem e Ciência da Terra e Ambiente com enfoque no estudo sobre homicídios.
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ResponderExcluirTrata um homem de acordo com o que ele é, ele continuará na mesma; trata-o de acordo com o que pode e deve ser, e ele converter-se-á no que pode e deve ser.
ResponderExcluir(J. W. Goethe, escritor alemão)
Concordo, que realmente o foco está na educação, nem os poderes pulblicos e até mesmo os proprios cidadãos (pais de alunos ou responsáveis) não estão vendo a educação como base fundamental a ser respeitada e valorizada como deveria ser, é a base, e essa base é de fundamental importância para formarmos cidadãos para um futuro melhor.
ResponderExcluirEnsinar não é uma actividade como as outras. Poucas profissões serão causa de riscos tão graves como os que os maus professores fazem correr aos alunos que lhe são confiados. Poucas profissões supõem tantas virtudes, generosidade, dedicação e, acima de tudo, talvez entusiasmo e desinteresse. Só uma política inspirada pela preocupação de atrair e de promover os melhores, esses homens e mulheres de qualidade que todos os sistemas de educação sempre celebraram, poderá fazer do ofício de educar a juventude o que ele deveria ser: o primeiro de todos os ofícios.
ResponderExcluir(Pierre Bourdieu)