
Países ocidentais e árabes pressionam a Síria para que abra um corredor humanitário para Homs
Um relatório da Comissão Independente de Inquérito sobre a Síria apresentando nesta quinta-feira à ONU aponta a existência de violações "generalizadas e sistemáticas" aos direitos humanos no país árabe e afirma ter evidências de que militares e "autoridades dos mais altos níveis do governo" sírio têm responsabilidade por crimes contra a humanidade.
O documento da comissão chefiada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro ainda afirma que uma lista confidencial com nomes de suspeitos de terem cometido tais violações foi entregue à Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay.Em entrevista à BBC, Pinheiro disse que a "situação se deteriorou muito" na Síria nas últimas semanas, com o cerco à cidade de Homs, principal reduto oposicionista.
"Temos mais evidências do que vem ocorrendo, dessa escalada de conflito armado. Conseguimos encontrar testemunhas e entrevistamos vários desertores (do Exército sírio). Temos agora um importante conjunto de evidências (de violações de direitos humanos)", afirmou.
O relatório mostra que os abusos ocorrem dos dois lados do conflito. A comissão pondera, no entanto, que a violência de grupos oposicionistas não se compara à repressão do regime de Bashar al-Assad.
A comissão de inquérito, formada em setembro do ano passado, não teve autorização do regime sírio de atuar no país.
Na semana passada, a Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, disse que a organização deixou de contar o número de vítimas no conflito, dada a escalada de violência.
A Comissão de Direitos Humanos havia divulgado no último mês de dezembro que mais de 5 mil oposicionistas haviam sido mortos. Ativistas falam agora em mais de 7 mil. O governo, por sua vez, fala em 2 mil soldados mortos.
Cerco a Homs
Principal reduto da oposição, Homs enfrenta mais um dia de forte bombardeio das forças de Assad, um dia após a morte de dois jornalistas ocidentais.Ativistas relatam ataques de artilharia e mísseis ao distrito de Baba Amr, que chegou a ser tomado pelos oposicionistas.

Base da oposição, cidade de Homs é alvo de bombardeios constantes das forças sírias
Nesta sexta-feira, representantes de países árabes, europeus e dos Estados Unidos irão se reunir na Tunísia para discutir a crise na Síria. É esperado um ultimato a Assad na reunião.
Segundo o Itamaraty, o Brasil foi convidado para o encontro e deverá ser representado pelo encarregado de negócios da embaixada brasileira na Tunísia.
A reunião, no entanto, acabou esvaziada pelo anúncio de que China e Rússia não participarão do debate. Os dois países, que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, também vetaram resoluções contra o regime de Assad nos últimos dias.
Jornalista quer deixar a Síria
A jornalista francesa Edith Bouvier, ferida em um ataque à cidade de Homs na quarta-feira, fez nesta quinta-feira um apelo ao regime, para deixar a Síria e ser levada ao Líbano.No vídeo postado por ativistas da oposição, Edith diz que teve o fêmur quebrado e precisa urgentemente de uma cirurgia.

Colvin tinha 30 anos de experiência como correspondente estrangeira
Em seu último artigo, publicado no domingo, Marie Colvin, disse que "a magnitude da tragédia humana na cidade (de Homs) é imensa. Os moradores vivem aterrorizados. Quase todas as famílias têm um morto ou um ferido entre seus integrantes".
Fonte BBC Brasil





