segunda-feira, 25 de julho de 2011

Sobe para 93 número de mortos do agente norueguês de extrema-direita


24/7/2011 13:50,  Por Redação, com agências internacionais - de Sundvollen, Noruega
Breivik
Milhares de noruegueses depositaram flores próximo ao local das explosões na capital Oslo
A Noruega estava em luto neste domingo pelas 93 pessoas mortas em ataques feitos por um norueguês que classificou a sua ação como “atroz, mas necessária” para acabar com a política liberal de imigração e o crescimento do islamismo. No seu primeiro comentário desde a prisão, Anders Behring Breivik, 32 anos, disse pelo seu advogado que queria se explicar em uma audiência na segunda-feira que discutirá sobre a extensão do tempo dele em custódia.
– Ele disse que acredita que a ação foi atroz, mas na sua cabeça ela foi necessária – disse o advogado Geir Lippestad para o jornal da TV2, acrescentando que Breivik confessou ter sido o responsável pelas execuções no acampamento da juventude do partido trabalhista e pelo ataque à bomba contra prédios do governo em Oslo que aconteceu um pouco antes no mesmo dia.
O chefe da polícia de Oslo Sveinung Sponheim confirmou aos repórteres que Breivik poderia falar no tribunal. Mas não está claro se a audiência será aberta ou fechada ao público.
– Ele admitiu os fatos do ataque à bomba e do tiroteio, mas ele não admite ter culpa criminal – disse Sponheim, acrescentando que Breivik disse ter agido sozinho.
A Polícia ainda não confirmou a veracidade desta declaração já que algumas testemunhas na ilha falaram sobre mais de um atirador, afirmou Sponheim. Policiais armados prenderam várias pessoas em uma ação feita em uma casa anexa a um armazém no norte de Oslo, disse um advogado da polícia para a agência inglesa de notícias Reuters. Elas foram libertadas ao longo do dia e não tinham relação com os ataques da sexta-feira. Nenhum explosivo foi encontrado.
Tragédia histórica
A violência dos ataques, os piores a atingir a Noruega desde a II Guerra Mundial, chocou profundamente a nação tradicionalmente pacífica de 4.8 milhões de pessoas. O rei Harald e o primeiro-ministro Jens Stoltenberg estavam entre os participantes de uma cerimônia na catedral de Oslo. O premiê falou emocionado sobre as vítimas, algumas das quais ele conhecia.
– Isso é uma tragédia nacional – declarou.
Pessoas chorando colocavam flores e velas do lado de fora da catedral.
– Deixamos flores hoje porque a tragédia que atingiu a Noruega e o mundo inteiro nos assustou muito e queremos mostrar o nosso mais profundo pesar – disse Trude-Mette, 43, que trabalha em Oslo, enquanto ela e os seus filhos choravam.
Soldados armados e usando coletes à prova de balas bloqueavam as ruas que levavam ao bairro governamental. A polícia disse que Breivik se rendeu a policiais armados quando eles chegaram até a pequena ilha de Utoeya em um lago que fica a 42 km no noroeste de Oslo. Antes disso, ele metodicamente atirou e matou pelo menos 85 pessoas, a maioria adolescentes e jovens em um acampamento da ala jovem do partido trabalhista norueguês, atualmente no poder.
A ilha tinha 650 pessoas quando Breivik, usando um uniforme de polícia, abriu fogo. A polícia disse que levou uma hora para chegar ao local depois que fora avisado do ataque, o mais violento feito por um único atirador em tempos modernos. Um ferido no tiroteio morreu no hospital, aumentando o número de vítimas para 93, disse a televisão norueguesa NRK.
De acordo com a polícia, há alguns desaparecidos e noventa e sete pessoas foram feridas.
Contra muçulmanos
O chefe de polícia Sponheim confirmou que Breivik, de extrema-direita, publicou um manifesto de 1,5 mil páginas contra o Islã na sexta-feira, poucas horas antes dos ataques. O manifesto online, escrito em inglês, descreve como ele planejou o ataque e fez os explosivos, além de revelar a sua violenta filosofia.
As mortes trariam atenção para o manifesto “2083 – Uma declaração européia de Independência”, escreveu Breivik.

Atirador da Noruega admite que tinha cúmplices

Atualizado em  25 de julho, 2011 - 11:39 (Brasília) 14:39 GMT
Breivik/reuters
A audiência desta segunda-feira ocorreu sob portas fechadas
O atirador que matou ao menos 76 pessoas na Noruega admitiu que trabalhava em conjunto com "duas outras células" para combater a "dominação muçulmana". A polícia investiga quem seriam os cúmplices de Andres Behring Breivik.
As declarações foram feitas durante a primeira audiência de Anders Behring Breivik, que assumiu os ataques de sexta-feira. A audiência de 40 minutos ocorreu sem presença do público ou da imprensa
"O acusado fez declarações hoje que precisam ser investigadas, inclusive de que 'há duas mais células em nossa organização'", disse o juíz Kim Heger em pronunciamento à imprensa após a audiência. Breivik havia dito anteriormente que agia sozinho.
"Apesar do fato de o acusado ter admitido os fatos ocorridos, ele não se declarou culpado."
"A corte entende que o acusado acredita que ele precisava cometer estes atos para salvar a Noruega e a Europa ocidental, entre outras coisas, do “marxismo cultural e da dominação muçulmana".
Breivik permanecerá detido isolado de outros presos por pelo menos outras oito semanas, por quatro delas sem acesso a visitas, correspondência ou imprensa.
Meio-irmão
A polícia norueguesa revisou de 86 para 68 nesta segunda-feira o número de mortos no acampamento para jovens da ilha de Utoeya, levando a um total de 76 as vítimas fatais do atirador.
Grupos e familiares das vítimas vinham pedindo que a imprensa boicotasse a aparição, temendo que Breivik a usasse como plataforma para propagar suas opiniões extremistas.

O país observou um minuto de silêncio nesta segunda-feira
De acordo com a lei norueguesa, Breivik pode ser sentenciado a um máximo de 21 anos de prisão. A sentença pode ser estendida se o prisioneiro for considerado uma ameaça à segurança pública.
O país observou um minuto de silêncio ao meio-dia (05h00 de Brasília) em memória das vítimas.
Surgiu a informação na segunda-feira de que Trond Berntsen, meio-irmão da princesa norueguesa Mette-Marit, estava entre os 86 mortos no campo de jovens na ilha de Utoeya.
Acredita-se que o tiroteio tenha durado pelo menos 90 minutos. A polícia afirmou que demorou para chegar ao local por não encontrar um barco apropriado e não dispor de helicópteros nas proximidades.
Breivik foi preso quando ainda tinha munição consigo. Exames mostram que ele usou balas “dum-dum”, que se fragmentam no corpo das vítimas, com o objetivo aparente de causar maiores danos.
No sul da França, a polícia fez buscas na casa do pai de Breivik, Jens Breivik, mas não comentou sobre a operação. Acredita-se que os dois não mantivessem contato havia anos.
Breivik assumou a autoria pela explosão de uma bomba no centro político da capital, Oslo, que deixou oito vítimas e do massacre de jovens em Utoeya, duas horas depois, que resultou em ao menos 68 mortes.
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110725_breivik_audiencia_
rc.shtml

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Disputas sobre royalties ameaçam atrasar exploração do pré-sal, diz 'WSJ'

Atualizado em  22 de julho, 2011 - 05:28 (Brasília) 08:28 GMT
Plataforma de petróleo da Petrobras
Discussões sobre divisão dos royalties do petróleo se arrastam desde o governo Lula
As discussões entre os Estados brasileiros pela divisão dos royalties do petróleo ameaçam atrasar a exploração das reservas na camada pré-sal, adverte reportagem publicada nesta sexta-feira pelo diário econômico americano The Wall Street Journal.
"O Brasil está apenas começando a explorar parte dos maiores campos de petróleo descobertos nos últimos 30 anos, mas um crescente debate sobre como distribuir a riqueza recém-encontrada ameaça atrasar o desenvolvimento das reservas que poderiam transformar o país em um dos maiores exportadores de petróleo do mundo", afirma o jornal.
A reportagem observa que uma disputa política vem crescendo entre os Estados produtores - Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo - e os Estados mais pobres, que também querem uma parcela das receitas.
"A disputa pode atrasar os planos para desenvolver rapidamente os campos de petróleo em águas profundas conhecidos como pré-sal e ao mesmo tempo atrasar por vários anos a receita que o Brasil diz que poderia tirar milhões da pobreza", diz o Wall Street Journal.
O jornal observa que a legislação atual não dá aos Estados produtores nada de royalties pela exploração de petróleo, mas diz que a perspectiva de aumento da produção diária dos atuais 2,1 milhões de barris para 5 milhões de barris nos próximos anos levou-os a reivindicar uma participação nas receitas.
"Apesar de todos os Estados brasileiros receberem indiretamente o dinheiro do petróleo por meio dos gastos do governo federal, os Estados que não recebem royalties da produção de petróleo dizem que o sistema torna os ricos mais ricos às custas dos mais pobres", comenta a reportagem, observando que Rio de Janeiro e São Paulo já estão entre os Estados mais ricos do país.
Discussão arrastada
O diário compara a discussão brasileira com a situação nos Estados Unidos, onde "o debate sobre a distribuição dos royalties do petróleo também são uma questão recorrente".
A reportagem observa que uma crescente porção da produção americana de petróleo ocorre em águas federais no Golfo do México, mas o governo federal vem resistindo às pressões dos Estados da região por uma maior parcela dos royalties.
A reportagem comenta que a discussão no Brasil vem se arrastando desde o governo anterior, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendia a divisão igualitária dos royalties entre os 27 Estados da União, mas foi obrigado a vetar um projeto sobre isso aprovado no Congresso após a pressão dos Estados produtores.
O jornal observa que enquanto as disputas sobre os royalties não forem resolvidas, o país não poderá começar a leiloar os direitos de exploração para o pré-sal. A previsão era de que os primeiros blocos de exploração fossem leiloados até o fim deste ano ou no início de 2012.
Para o diário, a agenda cheia do Congresso brasileiro no segundo semestre deste ano, com debates sobre reformas tributária e política e de uma nova lei de mineração, aumenta a chance de novos atrasos.

Fome, sexo, mentira e violação



21/7/2011 11:03,  Por Rui Martins, de Genebra Por redação, com Reuters - de São Paulo
Reprodução
O neoliberalismo viola países, sindicatos e a própria Europa como na telenovela DSK.
Fome no Sudão, Grécia e europeus à beira da falência, a dominação dos bancos sobre países tudo isso são violações econômicas em cadeia, como na telenovela DSK.
O espectro da fome ressurge na África. São três milhões de mortos em perspectiva. Mas os países ocidentais não podem ajudar, ao contrário, até diminuíram suas ajudas pela metade, pois o dinheiro disponível para as emergências precisou ser usado na ajuda aos bancos, ameaçados de falência na recente crise.
Nesta quinta-feira, os dirigentes dos países europeus se reúnem para tentar encontrar uma saída para a crise grega, um país inteiro à beira da falência, com o risco de arrastar consigo toda a estabilidade financeira e mesmo política da Europa.
Nos EUA, Obama tem mais algumas semanas para encontrar uma solução para a crise da dívida interna, enquanto o dólar vai perdendo o valor e sua cotação é menos da metade do valor do ano retrasado na Europa.
Na França, já em plena pré-campanha eleitoral para a presidência, não se fala no terremoto financeiro detetado pelos sismógrafos das bolsas. Mas da telenovela de sexo, mentira, complô, traição e tentativa de violação de uma camareira pelo ex-dirigente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Khan, DSK, agravada pela denúncia de uma jovem escritora francesa, de ter também sido assediada pelo potente e insaciável economista, que, pelo jeito, não precisa de Viagra.
A telenovela DSK tem todo os ingredientes de um vaudeville ou ópera tragicômica, com a entrada em cena das personagens francesas. A jovem quase violada vem a público e abre processo oito anos depois dos fatos, quando nada se poderá provar. Mas sua intempestiva intrusão na justiça acaba por envolver sua própria mãe, que confessa ter tido uma relação sexual consentida com DSK, porém de rara violência.
O caso assume feições familiares, pois a queixosa de tentativa de violação é amiga da filha de DSK, que estuda em Nova Iorque e apareceu na televisão com a atual esposa de DSK, no episódio da prisão e libertação preventiva do ex-dirigente do FMI. E, por sua vez, a ex-esposa de DSK é madrinha da escritora vítima de tentativa de violação. Ao que parece todas estavam a par dessa história, mas, interrogadas pela polícia francesa, contaram versões diferentes.
E, reforçando a hipótese dos amantes de complôs, houve realmente uma tentativa de se envolver o candidato socialista, François Hollande nessa confusão, por ter sido informado, quando presidente do Partido Socialista, dos ardores de DSK, mas sem tomar qualquer iniciativa. Enraivecido e com receio de ser envolvido, Hollande fez questão de ir à polícia para declarar não ter nada a ver com essa história.
Com isso, os franceses se esquecem de que o capitalismo está de novo hospitalizado no serviço de cuidados intensivos. Os sintomas são os mesmos da crise ocorrida nos EUA – muito capital especulativo, pouco capital produtivo, muito dinheiro nas mãos de poucos e pouco nas mãos da população provocando um alto endividamento, ou seja, o excesso de acumulação de capital está provocando uma baixa de consumo.
Para reforçar suas exportações, os patrões alemães conseguiram dobrar os sindicatos e baixar seus salários, competindo no mercado com os produtos portugueses, espanhóis, gregos, irlandeses e italianos.
Embora hoje alvo das críticas européias, a Grécia cedeu às ofertas dos países ricos europeus, comprando um excesso de desnecessários armamentos, que agora reforça sua dívida e não tem condições para pagar.
Sem se esquecer que as riquezas desses países ameaçados de falência como a Grécia voaram rapidamente para lugares seguros como a Suíça e outros paraísos, que mesmo melhor controlados continuam sendo um bom refúgio.
A política neoliberal está destruindo a União Européia tanto politica como economicamente. E o pior é que se a Grécia falir, virão junto os bancos que dela se apropriaram e com os bancos toda a Europa. E logo a seguir os EUA.
A fome no Sudão, a perda das conquistas sociais dos gregos e logo a seguir de todos os europeus, a força dos bancos que dominam países com seus empréstimos, tudo isso são violações econômicas em cadeia, como na telenovela DSK. (Publicado originalmente no Direto da Redação)
Rui Martins, jornalista, escritor, correspondente em Genebra.
Fonte: Correio do Brasil

terça-feira, 19 de julho de 2011

Submarino nuclear pode alterar equilíbrio da região e fomentar sentimento anti-Brasil em populistas

Maurício Moraes
Atualizado em  19 de julho, 2011 - 05:04 (Brasília) 08:04 GMT
Presidente Dilma Rousseff, em Itaguai, RJ. Foto: Getty
Para Dilma, o submarino nuclear vai defender as reservas de petróleo do pré-sal e o comércio exterior
A construção de quatro submarinos nucleares no Brasil, iniciada nesta semana, coloca o país na antesala do seleto grupo das cinco nações detentoras de uma das mais avançadas tecnologias militares do mundo. O avanço, no entanto, deve aprofundar diferenças com os vizinhos sul-americanos e eventualmente fomentar o discurso antibrasileiro por parte de setores populistas da região, segundo especialistas.
Na solenidade que deu início à operação no último sábado em Itaguaí, no Rio de Janeiro, a presidente Dilma Rousseff ressaltou que o Brasil é um país de “paz e diálogo”, mas defendeu o projeto, fruto de um acordo de transferência de tecnologia com a França, como uma “garantia de soberania” para as reservas de petróleo do pré-sal. Dilma lembrou, ainda, que “a principal via de circulação de nosso comércio exterior é o mar”.

“Com o projeto se aprofunda a distância entre o Brasil e os demais países, não só em termos econômicos, mas também em segurança”, disse o professor, à BBC Brasil.A estratégia de defesa do país, no entanto, “deve mudar a percepção” do Brasil na vizinhança, segundo o especialista em segurança internacional Roberto Durán, da Pontifícia Universidade Católica do Chile.

Para Antonio Jorge Ramalho da Rocha, da UNB (Universidade de Brasília), “não há uma desconfiança por parte dos vizinhos de uma política expansionista do Brasil, já que as fronteiras estão bem delimitadas”.
“Mas pode haver um maior temor sobre a influência que o Brasil vai exercer. E isso não apenas pela questão do submarino, mas pela própria expansão de empresas brasileiras pela região”, diz.
Coerência
Orçado em R$ 6,7 bilhões, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da Marinha remonta ao regime militar. Mas foi a assinatura de um acordo de transferência de tecnologia com a França, em 2008, que possibilitou ao país contar com o lançamento de um primeiro submarino (ainda não nuclear) em 2016.
Em 2023, o país finalmente fará parte do clube de nações com submarinos nucleares, junto com a França, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Rússia e a China. A Índia já entrou na corrida e pode ter seu veículo antes do Brasil.
Para Ramalho da Rocha, a construção do submarino do tipo Scórpene pode até render dividendos políticos à região, já que a Estratégia Nacional de Defesa prevê que países vizinhos forneçam peças e equipamentos para o reaparelhamento das Forças Armadas.
No discurso de sábado, reforçado na segunda-feira no programa Café com a Presidenta, Dilma disse que “cada submarino a ser fabricado no Brasil vai contar com mais de 36 mil itens, produzidos por 30 empresas brasileiras”.
"
Com o projeto se aprofunda a distância entre o Brasil e os demais países, não só em termos econômicos, mas também em segurança."
Roberto Durán, Pontifícia Universidade Católica do Chile
Para o estrategista Luiz Alberto Gabriel Somoza, do Instituto Universitário da Polícia Federal Argentina, “a construção do submarino nuclear é coerente com a política de defesa do Brasil, que é continuada e não sofreu rupturas, nem nos governos de esquerda de Lula e Dilma”.
Segundo o professor argentino, o projeto reforça o movimento de liderança do Brasil na região. A mudança de status, não apenas econômico, mas também militar, faz com que Brasília possa “se tornar interlocutora dos países da América do Sul frente ao mundo. E isso pode não ser do agrado de alguns países”, ressalta.
Populismo
Para o chileno Roberto Durán, “à medida que os países vão crescendo, há elementos que reforçam seu novo status, como um melhor aparelhamento militar”. “Isso já ocorre com a China”, diz.
Embora veja o investimento nas Forças Armadas como parte da emergência do Brasil como potência econômica, Durán ressalta que o projeto do submarino pode causar desconforto na região e ser usado como bandeira política por movimentos nacionalistas, “sobretudo nos países andinos”, citando a Bolívia, o Peru, a Colômbia e também a Venezuela.
Ramalho da Rocha acha “lamentável”, mas diz que “é de se esperar que o tema possa ser explorado politicamente por alguns setores populistas”. Ele menciona o Paraguai.
O argentino Somoza também acredita na exploração do tema em eventuais momentos de crise na vizinhaça.
“Ainda não está claro o que pensam os chavistas, sobretudo agora, com Hugo Chávez doente. Também pode haver alguma repercussão no Equador de Rafael Correa. Na Argentina não creio, já que não temos discurso anti-brasileiro”, diz.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

EUA se comprometem em pagar ao Brasil compensação por algodão até 2012

16/7/2011 15:54,  Por redação, com BBC Brasil
Representantes do governo dos Estados Unidos se comprometeram a continuar pagando a compensação pelos subsídios do algodão ao Brasil até o fim de 2012, e pediram este prazo para negociar mudanças na política de incentivos agrícolas no Congresso americano sem enfrentar uma retaliação brasileira.
O acordo foi firmado nesta sexta-feira, em reunião com representantes dos dois governos no Rio.algodão
Segundo o Itamaraty, o governo reafirmou seu compromisso de não aplicar a retaliação autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2009. No mês passado, o Brasil disse que retaliaria os Estados Unidos caso o pagamento da compensação fosse suspensa.
Para evitar que Brasil aplicasse a retaliação de US$ 829 milhões permitida pela OMC há dois anos, os EUA acertaram, no ano passado, o pagamento de uma compensação de US$ 147,3 milhões anuais para compensar o Brasil pelos subsídios que paga aos produtores de algodão americanos.
Em junho, porém, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou uma lei para suspender o pagamento da compensação. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o Brasil retaliaria os Estados Unidos comercialmente caso a lei fosse sancionada.
“A eventual suspensão dos pagamentos ao fundo do algodão configurará um rompimento de um compromisso bilateral”, disse o chanceler na ocasião.
Negociação no Congresso
De acordo com o Itamaraty, nesta sexta-feira, representantes dos EUA pediram até o fim de 2012 para negociar, no Congresso, mudanças dos subsídios pagos aos agricultores, e reafirmaram o compromisso de pagar a compensação.
Diante da promessa, o Brasil afirmou que manterá suspensa a retaliação autorizada pela OMC.
Embora o fim do pagamento da compensação tenha sido aprovada no Congresso, precisa ser votada no Senado e dependeria de sanção do presidente Barack Obama para entrar em vigor.
O fim do pagamento da compensação foi proposto pelo deputado democrata Ron Kind. Ele defende que os EUA parem de conceder subsídios a seus produtores em vez de pagar uma compensação ao Brasil.
Entretanto, o fim dos subsídios depende de aprovação do Congresso americano e enfrenta resistência de vários setores. A demora esperada para o processo levou o Brasil a aceitar a contraproposta dos EUA em caráter temporário.
Reunião trimestral
O evento no Rio foi a quarta reunião trimestral de consultas entre o Brasil e Estados Unidos desde a assinatura, em junho do ano passado, do acordo-quadro que estabeleceu o pagamento da compensação em troca de uma não-retaliação brasileira.
Na reunião, o governo brasileiro informou os representantes americanos sobre as ações do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), criado para gerir os recursos transferidos pelos Estados Unidos nesta compensação temporária, aplicados para promover o setor do algodão no Brasil.
Além disso, foram discutidos detalhes técnicos para um programa para garantir crédito americano às exportações brasileiras, e os dois países avançaram nas negociações para que o Brasil possa exportar carne bovina proveniente de 14 Estados para os americanos.
A delegação brasileira foi chefiada pelo embaixador Roberto Azevedo, representante do Brasil na OMC. Do lado americano, estavam o embaixador Isi Siddiqui, negociador-chefe do Escritório do Representante Comercial (USTR, na sigla em inglês) para assuntos agrícolas, e Darci Vetter, subsecretária-adjunta do Serviço Exterior Agrícola do Departamento de Agricultura (USDA).