quarta-feira, 27 de junho de 2012

Crise no Paraguai expõe conflito entre sem-terra e brasiguaios

Atualizado em  27 de junho, 2012 - 05:49 (Brasília) 08:49 GMT

Foto: João Fellet/BBC Brasil
Crise trouxe à tona conflitos de trabalhadores sem-terra e fazendeiros brasiguaios
Na estrada de terra que cruza as prósperas plantações de soja e milho de fazendeiros brasileiros em Ñacunday, no sudeste do Paraguai, a monotonia da paisagem é bruscamente alterada por um gigantesco acampamento no alto de um morro, de onde emanam torres de fumaça.
Lá, numa área reclamada pelo catarinense Tranquilo Favero, conhecido no país como "o rei da soja", 5.000 famílias de trabalhadores sem-terra se instalaram em barracas há oito meses para pressionar o governo a lhes conceder porções de terra na região.
À entrada do acampamento, um sinal de que a convivência entre o grupo e o produtor de soja não anda muito boa: preso a uma forca, um boneco teve o nome Favero estampado em seu peito. Abaixo da inscrição, um recado ao fazendeiro: "vai morrer assim".
A tensão entre sem-terra e "brasiguaios" (como são chamados os cerca de 350 mil brasileiros e seus descendentes que começaram a migrar para o Paraguai em busca de terras baratas nos anos 60) alcança seu ápice em Ñacunday e explica por que a maioria da comunidade apoiou o impeachment do presidente paraguaio Fernando Lugo, na última sexta-feira.
Primeiro presidente esquerdista na história recente do Paraguai, Lugo era apontado por grandes proprietários de terra como um aliado dos sem-terra. Segundo fazendeiros "brasiguaios", enquanto permaneceu no cargo, ele estimulou ocupações, o que teria provocado uma escalada na violência no campo.
Já os sem-terra dizem que simplesmente intensificaram seus esforços para conquistar parte das terras ocupadas "ilegalmente" pelos brasileiros durante a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

Mortes

Em 15 de junho, um tiroteio durante uma ação de reintegração de posse na fazenda de um paraguaio em Curuguaty, ao norte de Ñacunday, provocou a morte de 11 sem-terra e seis policiais. O episódio foi citado por congressistas paraguaios como uma mostra de que Lugo perdera o controle dos conflitos agrários. A matança foi um dos argumentos dos parlamentares para destituí-lo, na última sexta-feira.
Para os sem-terra, porém, o confronto em Curuguaty foi desencadeado por "mercenários contratados", que haviam se escondido entre as árvores sem o conhecimento do grupo nem dos policiais. Segundo os "carperos", como os sem-terra são chamados no Paraguai por viverem em "carpas" (barracas), a ação foi armada por poderosos descontentes com o governo Lugo para desestabilizá-lo.
A queda do ex-bispo e a posse do novo presidente, Federico Franco, político à direita do antecessor, gerou apreensão entre a maioria dos líderes sem-terra. Em Ñacunday, eles temem que a mudança fortaleça os "brasiguaios" na disputa, que nos últimos meses ganhou contornos macabros.
No início de maio, o fazendeiro brasileiro Fábio Ruffato, de 35 anos, e seu pai, Valmir Ruffato, 53, foram presos acusados de assassinar três sem-terra que pescavam em sua propriedade. Após serem mortos por tiros, Javier, 25, Justo César, 21, e Oscar Alfredo, de 19, foram estripados.
O advogado Alfredo Maggi, que defende a dupla brasileira, afirma que Fábio confessou o crime, mas que seu pai é inocente. Segundo ele, o brasileiro alegou ter sido provocado anteriormente pelo trio, que já teria entrado na fazenda sem permissão outras vezes. Se condenado, diz o advogado, Fábio pode passar até 25 anos na cadeia.
"Todo brasileiro na área é inimigo dos camponeses."
Federico Ayala, líder do assentamento Santa Lucia
Segundo Federico Ayala, líder do assentamento Santa Lucia, em Ñacunday, outros dois "carperos" foram mortos por "brasiguaios" na região nos últimos meses. Ele diz que um jovem foi atropelado propositalmente por um caminhão de Favero, e que outro foi alvejado enquanto passava por uma de suas propriedades.
"Todo brasileiro na área é inimigo dos camponeses. Eles estão aqui ilegalmente, são usurpadores", afirma Ayala.
Para Guillermo Duarte, advogado de Favero, as acusações do líder sem-terra "são descabidas, temerárias e deveriam ser feitas ao Ministério Público".
"Essa confusão toda se gerou porque o ex-presidente (Lugo) os enganou, induzindo-os a invadir aquela terra. Mas é uma propriedade privada, que estava prestes a ser cultivada."
Duarte rebate também a acusação de que Favero não detém o título da terra. "Os títulos foram apresentados ao juiz, e não aos sem-terra. Por isso a ordem de despejo foi emitida". O advogado diz esperar que, com a troca no governo, a ação "se cumpra imediatamente".
Nem todos os líderes sem-terra, porém, adotam discurso tão inflamado contra os "brasiguaios". Principal dirigente da Liga Nacional de Carperos (LNC), um dos maiores movimentos sem-terra paraguaios, José Rodríguez diz à BBC Brasil que "para nós não existem brasiguaios".
"Ou são brasileiros, ou são paraguaios. Não somos contra os brasileiros legalmente estabelecidos no Paraguai, mas sim contra a outorga ilegal de terras a estrangeiros".
Segundo ele, porém, "lamentavelmente os brasileiros são a maioria entre esse grupo".
"Eles se assumem como brasileiros ou paraguaios conforme a conveniência. E tentam difundir a falsa ideia de que somos xenófobos".

'Todos têm títulos'

Representante jurídica dos "brasiguaios" e assessora do Itamaraty, a advogada "brasiguaia" Marilene Sguarizi nega que haja brasileiros estabelecidos ilegalmente no Paraguai. "Todos os colonos brasileiros têm títulos". Ela diz, no entanto, que em parte das contendas entre "brasiguaios" e sem-terra estão em disputa áreas adjacentes às terras tituladas.
Segundo ela, embora as áreas pertençam ao Estado e sejam reclamadas pelos sem-terra, os brasileiros investiram nelas e merecem, portanto, continuar ocupando-as.
Ela afirma ainda que outros conflitos se dão em terras ocupadas pelos brasileiros que tiveram títulos duplicados por "máfias". Nesses casos, a advogada também argumenta que, por terem tornado produtivas terras inóspitas, os brasileiros detêm a primazia de cultivá-las.
"A contribuição dos colonos brasileiros fez com que o Paraguai se tornasse o quarto maior produtor de grãos do mundo", ela afirma. "Nossa produção contribui com 23% da economia do país".
"Os brasileiros escolheram este país para criar seus filhos e netos", diz Sguarizi. "Estamos economicamente bem. Não queremos voltar e não vamos voltar."
Fonte: BBC Brasil

Despreparo da polícia deixa maioria dos crimes sem solução e aumenta insegurança

25/6/2012 12:54,  Por Redação, com Rede Brasil Atual – de São Paulo
Polícia
Dados da ONU colocam Brasil em 3º lugar em violência na América Latina e na 26ª posição no mundo
Aos 30 anos, Humberto Ramos é o que chamam de linha de frente da polícia civil paulista. Escrivão, trabalha no plantão policial com a arma na cintura no 49º Distrito, em São Mateus, o mais movimentado de São Paulo, e quiçá do Brasil. Desde janeiro até maio foram registradas nove mil ocorrências. Ali Humberto passa até mesmo as suas férias.
- Vim para ajudar, tem muito serviço – explicou. Naquele dia também estava ali para dar uma entrevista sobre o livro que está lançando, “Dê um novo poder ao policial”, o primeiro escrito por um policial brasileiro sobre neurolinguística, neurociências e as técnicas de Reid, processo desenvolvido pelo policial de Nova York, John Reid, que integra entrevista e interrogatório. É aí que o escrivão quer colocar o dedo. “A polícia não precisa usar a força desnecessária, basta usar o poder de persuasão. O verdadeiro poder policial está na habilidade de conquistar e influenciar pessoas”, diz ele, que garante querer ser escritor e palestrante “para melhorar a polícia brasileira”.
Não é uma tarefa fácil. Segundo diagnóstico da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp), traçada pelo Ministério Público, Conselho Nacional de Justiça e Ministério da Justiça com o objetivo de reduzir a impunidade dos crimes de homicídio no país, o treinamento técnico da polícia deve ser prioridade para melhorar a segurança pública. A Enasp realizou um mutirão nacional com as policiais estaduais para levantar os inquéritos de homicídios não solucionados até 2007 – 135 mil – e conseguiu denunciar suspeitos em 19% dos casos. A porcentagem parece pequena, mas é grande quando comparada à média nacional de elucidação de homicídios: de 5 a 8%. Os mais de 90% restantes ficam sem solução.
São 50 mil homicídios por ano no país, o maior do mundo em termos absolutos, segundo relatório da ONU de 2011, que colocou o Brasil no 3º lugar em violência na América Latina, e 26o do mundo. Desses, apenas 4 mil por ano têm seus autores presos, segundo estimativa de Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da pesquisa Mapas da Violência.
CSI brasileiro
A fragilidade das investigações policiais é regra do norte ao sul do país. Em Alagoas, o grupo de trabalho do Enasp descobriu o sumiço de mil dos 4.180 inquéritos instaurados entre 1990 e 2007 para apurar homicídios dolosos. No Rio Grande do Sul, o Relatório de Controle Externo da Atividade Policial, encaminhado à cúpula da Secretaria de Segurança Pública, constatou que delitos com “repercussão na imprensa” têm preferência nas delegacias da grande Porto Alegre, enquanto os demais permanecem parados. Em 2008, apenas 16% dos inquéritos tornavam-se processos judiciais em Porto Alegre. O restante era devolvido ou arquivado pelo Ministério Público por insuficiência de provas técnicas para denunciar os réus.
E por que o Ministério Público devolve e arquiva tantos inquéritos? Porque em muitos casos as investigações são insuficientes ou incompletas, diz a promotora de Justiça da área criminal e professora doutora em Ciências Penais, Ana Luiza Almeida Ferro. Ela explica que o Ministério Público só pode apresentar denúncia para o juiz – abrindo assim um processo judicial – se houver suporte “testemunhal, pericial ou documental” que mostre que houve um crime e indícios que apontam para o suspeito. Senão, o processo será rejeitado pelo juiz.
Em sua rotina de promotora, Ana Luiza raramente encontra inquéritos consistentes: “Enfrento esta realidade cotidianamente. Em expressiva parte dos casos, o inquérito chega incompleto, deficiente, sem provas suficientes para a formulação da denúncia e a fundamentação de uma futura condenação. Então o Ministério Público não tem outra escolha que não se manifestar pela devolução do inquérito à polícia para o cumprimento dessas necessárias diligências complementares. O Judiciário, de sua parte, nada pode fazer sem a denúncia. Se os inquéritos fossem mais fundamentados, menos incompletos, haveria maior rapidez”, diz.
O vai-e-vem de inquéritos entre Ministério Público e polícia acaba facilitando a vida dos autores dos assassinatos. “A prescrição lhes favorece. Fica mais difícil localizar testemunhas. Vestígios se apagam. Provas esmaecem. Por outro lado, denunciar sem dispor de provas suficientes para tal e, sobretudo, para alicerçar uma futura condenação também interessa aos criminosos e àqueles que torcem pela impunidade”, reconhece Ana Luiza, para quem “a Justiça tardia e, pior, a impunidade são negações da democracia”.
O sociólogo Michel Misse, coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro, acredita que a divisão de funções entre Ministério Público e polícia civil entre investigação (feita pela polícia civil), e a denúncia (a cargo do MP, que é o titular da ação penal) é o principal problema: “É o chamado pingue-pongue, o vai e vem entre o delegado e o MP, um modo de o inquérito não ficar em lugar nenhum até que, passados meses e, em vários casos anos, ele venha a ser arquivado”.
Segundo a Constituição, a investigação também é atribuição do MP. “Apenas no Brasil encontramos uma solução ambivalente na persecução criminal”, diz Misse. Em qualquer outro país, diz, a fase destinada a apurar se houve crime e a identificar o autor pode ser exclusiva da polícia ou do Ministério Público. Ou seja, o Ministério Público pode investigar e apresentar a denúncia e não apenas encampar o inquérito policial ou devolver ao delegado.
A promotora Ana Luiza acredita que reforçar a capacidade de investigação da polícia também ajudaria a reduzir o “pingue-pongue” que favorece a impunidade: “Uma deficiência crônica, por exemplo, está na parte pericial, nos casos em que tal prova é exigida. E há casos complexos, particularmente aqueles que envolvem crimes do colarinho branco e de lavagem de dinheiro, além de atividades do crime organizado”, pondera.
“Não podemos viver numa tragédia e achar normal”
Apesar da ineficiência do sistema, os gastos do país em segurança atingem R$ 60 bilhões por ano. “Em relação ao PIB gastamos mais que a França e estamos no mesmo patamar da Alemanha”, compara Renato Sérgio de Lima, secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.“Só que o serviço é muito pior”, constata.
Renato, como a maioria dos especialistas ouvidos pela Pública, acredita que é preciso pensar em um novo modelo de segurança pública no Brasil. Porque este que está aí “é caro e ineficiente, com altas taxas de violência”, diz. O maior problema, diz, é que “a polícia que temos não está voltada para o cidadão, está preparada para defender os interesses do Estado”.
- Precisamos saber o que a gente quer – afirma o secretário do Fórum. “O governo, o Estado tem que ter responsabilidade, não é só punir quem está na ponta. Tem que punir quem autoriza, quem delega poderes. Não podemos viver numa tragédia e achar normal, precisamos de política pública”.
O relatório da Enasp enfatiza a necessidade de contratar mais peritos e obter mais equipamentos para os órgãos periciais de algumas regiões do país – a distribuição de recursos e expertising é bastante desigual, já que os Estados têm capacidade financeira e prioridades políticas diferentes. Mas dá maior ênfase à necessidade de treinamento dos que participam da elucidação dos crimes, de estimular a meritocracia na carreira policial e estabelecer o controle externo das investigações nos crimes de homicídio.
Uma conclusão parecida à que chegou em seu dia-a-dia na polícia o escrivão Humberto, que investiu as economias dos nove anos de carreira em cursos de treinamento. Nos últimos dez anos, ele diz, os investimentos que viu na polícia civil paulista ficaram concentrados em armamentos e tecnologias digitais. “Nesse mesmo tempo quase nada foi aplicado em desenvolvimento humano”, lamenta.
63% da população não confia na polícia
A curva ascendente da violência acompanha a da impunidade. Entre 1992 e 2009, a taxa de homicídios cresceu 41% de acordo com pesquisa divulgada pelo IBGE em junho. Os números de 2009, os mais recentes, mostram uma média de 27,1 mortes para cada 100 mil habitantes. De acordo com parâmetros internacionais, a violência em um país pode ser considerada endêmica a partir de 10 mortes para cada 100 mil.
Números que contribuem para a má imagem da polícia junto à população. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas realizada no primeiro trimestre de 2012 apontou que 63% da população de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Distrito Federal não confia na polícia. Conforme o levantamento, coordenado pela professora Luciana Gross Cunha, a população com renda inferior a dois salários mínimos (R$ 1.244) é a que mais desconfia dos policiais: 77% disseram-se “muito insatisfeitos” ou “um pouco insatisfeitos” com os policiais. “São as pessoas que sofrem mais discriminação e preconceito da polícia”, diz ela.
São as mais frequentes vítimas da violência policial que fez o Conselho de Direitos Humanos da ONU pedir a extinção da PM e a Anistia Internacional denunciar a tortura como “método” de interrogatório nas delegacias paulistas e as execuções extrajudiciais praticadas por forças policiais.
- Precisamos urgentemente discutir que tipo de polícia a gente tem – diz a professora.
As conclusões do relatório mais recente da Anistia Internacional convergem para a percepção da violência policial entre os mais pobres. A prática da tortura, afirma a entidade só joga mais lenha na fogueira; é usada nas ruas, em delegacias, presídios, centros de recolhimento de adolescentes “como meio de obter confissões, subjugar, humilhar e controlar pessoas sob detenção, ou com frequência cada vez maior, extorquir dinheiro ou servir aos interesses criminosos de policiais”.
Como agravante, relata a Anistia, “a grande maioria das vítimas é composta de suspeitos criminais de baixa renda, com grau de instrução insuficiente, frequentemente de origem afro-brasileira ou indígena, setores da sociedade cujos direitos sempre foram ignorados no Brasil”.
Já o Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu ao Brasil maiores esforços para “combater a atividade dos esquadrões da morte” (compostos por policiais civis e militares) e que trabalhe para “suprimir a Polícia Militar, acusada de numerosas execuções extrajudiciais”.
O relatório também pediu que o Brasil garanta que “todos os crimes cometidos por agentes da ordem sejam investigados de maneira independente”.
Seguir essa recomendação significa mexer em outro ponto crítico do sistema de segurança pública: o corporativismo que substitui a rivalidade entre as polícias e departamentos policiais quando o réu é agente do sistema de segurança. No estado de São Paulo, por exemplo, a Secretaria de Segurança Pública determinou em abril de 2011 que mortes em confrontos com PMs fossem investigadas pelo departamento de homicídios da Polícia Civil. De lá para cá, nenhum policial foi punido. Dos 500 casos analisados, todos na região metropolitana, 40% foram esclarecidos e em nenhum deles constatou-se desvio de conduta, ou seja, em todos os casos os PMs teriam tido motivo para atirar.
O que fez o relatório da Enasp incluir como medida a ser adotada imediatamente a “definição de parâmetros específicos para o controle externo nas investigações dos crimes de homicídio”.
Armas que vão e voltam
A corrupção também está entre os ingredientes que enfraquecem a segurança pública e multiplicam os homicídios. Armas de criminosos recolhidas pela polícia voltam a circular e o comércio ilegal de armas raramente é investigado, menos ainda punido. Policiais fazem bicos, aceitam propinas e vendem proteção para comerciantes, o que dá origem à formação de esquadrões da morte e à circulação ilegal de armas, como aponta o relatório da Anistia. Mais de 80% das armas apreendidas em situação ilegal é de fabricação brasileira, ou seja, foram comercializadas aqui.
- O debate da segurança pública é frequentemente contaminado por considerações de ordem ideológica, impedindo a implementação de medidas importantes nessa seara. Falta a sensibilidade de entender que deve haver um equilíbrio entre o interesse da garantia dos direitos dos cidadãos (e dos investigados) e o interesse da segurança pública – defende a promotora Ana Luiza.
Junte-se a isso o apelo à força policial, a ideia de que “bandido não tem direitos humanos”, rotineiramente defendidos por uma parte da sociedade, também são vistos como fatores que enfraquecem a segurança pública de acordo com especialistas e estudiosos do tema.
Em março de 2012, confrontado com os índices de homicídio haviam aumentado 50% em comparação com o mês anterior, o coronel Josiel Freire, subsecretário de operações da secretaria de segurança de Brasília – cuja polícia é a mais bem paga do país –declarou à imprensa: “Quase 70% das vítimas de homicídios estão envolvidas com crime e tráfico. O transeunte mesmo não está sendo vítima”. É digno de nota que a declaração não tenha causado escândalo – e nem mesmo muitas críticas.
Para o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, que há mais de uma década vem fazendo mapas de violência no Brasil, a situação da violência chegou a um ponto do que ele chama de pandemia. “É um problema estrutural, mais difícil de cuidar. A violência está incorporada”.
- A identificação do brasileiro como ‘homem cordial’ não se sustenta mais – lamenta ele.
Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Paraguai tem novo presidente em meio a clima de incerteza

23/6/2012 13:02,  Por Redação, com BBC - de Assunção



 Fernando Lugo
Até a madrugada de sábado, o Itamaraty não havia emitido posição oficial do Brasil sobre o impeachment de Lugo
Com o centro tomado por barricadas, lojas fechadas e ruas desertas, a capital paraguaia, Assunção, assistiu na sexta-feira à queda de Fernando Lugo e a ascensão ao poder de Federico Franco – em um processo ‘relâmpago’ de impeachment visto com grande apreensão pela comunidade internacional.
Ao menos 5 mil partidários do presidente deposto se reuniram em frente ao Parlamento e entraram em confronto com forças policiais assim que o Senado anunciou o afastamento de Lugo do poder.
Mais de 4 mil policiais tentaram dispersar a multidão usando gás lacrimogênio e munição não letal. A ação levou confusão e desespero à multidão de manifestantes, que acabou se dispersando. Muitos voltaram depois, dessa vez para protestar pacificamente.
- Derrubaram Lugo – afirmou uma mulher de meia idade no aeroporto de Assunção. As reações dos demais variaram entre olhares graves, palavras de reprovação mas também indiferença.
Passageiros ouviam o desfecho do julgamento por meio de rádios ainda dentro do avião que chegava do Brasil. No desembarque, taxistas avisavam que o centro da cidade – onde fica o Congresso – havia sido interditado pela polícia após ser tomado pelos manifestantes
- Houve um golpe, é muito perigoso ir para lá agora – explicou um motorista, que concordou em deixar um grupo de jornalistas – entre os quais a reportagem da BBC Brasil – em um ponto a dez quadras do centro.
Bloqueios
Franco
Franco trai Lugo e assume a presidência do Paraguai em meio a um golpe de Estado
No caminho, as ruas vazias e o comércio fechado davam a impressão de uma tarde de domingo. À medida que o carro se aproximava da praça do Congresso, porém, barricadas e cercas vigiadas por policiais mostravam que não se tratava de um dia comum.
As barricadas haviam sido montadas com barris de metal enfileirados. Policiais usavam varas de metal para improvisar cancelas.
No trajeto de dez quadras a pé em direção ao centro, a BBC Brasil cruzou com cerca de 15 manifestantes solitários ou em pequenos grupos, que aparentavam cansaço e desalento. Diziam que o grosso da multidão já havia se dispersado e que retornariam às ruas no dia seguinte.
Mais numerosos eram jornalistas, arrastando malas e equipamentos de TV para seus hotéis, e principalmente policiais agrupados nas esquinas.
Num ponto de táxi nos arredores do Congresso, três taxistas assistiam à transmissão dos eventos na TV.
- Temos que esperar pelas reações: muita gente ainda não sabe o que está acontecendo, tudo foi muito rápido – diz o taxista Ariel Ortega. “Nós, paraguaios, somos tranqüilos, mas há limites”.
Reação internacional
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que não reconhece o novo governo do Paraguai. Ele disse que a destituição de Lugo foi um golpe contra a população paraguaia, a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e que o atual governo é ilegítimo.
Os governo da Argentina, do Equador, da República Dominicana e da Bolívia também classificaram a destituição de Lugo como um “golpe de Estado”, segundo a agência de notícias Efe.
O secretário-geral da Unasul Ali Rodrigues Araque afirmou à BBC Brasil que a comunidade sul-americana está diante de “uma situação de fato, de um golpe de Estado”.
A Unasul avalia que não foi respeitado o devido processo legal para que Lugo pudesse se defender das acusações e que a democracia no país está ameaçada.
O presidente Chávez indicou ainda que poderá haver sanções contra o novo governo paraguaio por parte dos países da Unasul. “Isso não termina aí”, afirmou.
O Brasil liderou uma missão de chanceleres sul-americanos enviada ao Paraguai ainda na quinta-feira. A viagem se baseou em um protocolo da Unasul que dá aos seus membros a possibilidade de impor sanções a um país em caso “de ruptura ou ameaça de ruptura da ordem democrática”.
Um dos artigos do documento prevê como sanção o fechamento das fronteiras com o Paraguai. Até a madrugada de sábado, o Itamaraty não havia emitido posição oficial do Brasil sobre o impeachment de Lugo.
Processo relâmpago
A Câmara dos Deputados paraguaia aprovou na quinta-feira a abertura do processo de impeachment contra Lugo como reflexo de um conflito agrário que deixou 18 mortos – entre policiais e sem-terra – durante a reintegração de posse da fazenda de um empresário ocorrida há uma semana.
Horas depois da aprovação, deputados apresentaram no Senado cinco principais acusações contra o então presidente. A maioria delas se relacionava a ligações de Lugo com movimentos “carperos” (sem-terra), ao suposto emprego irregular de militares em ações políticas ou relacionadas à questão da terra, e ao resultado desastroso da reintegração de posse da semana anterior.
Lugo e sua equipe tiveram então 18 horas para preparar uma defesa e mais duas horas para apresentá-la aos senadores na tarde de sexta-feira. No início da noite, um Senado dominado por ampla maioria oposicionista considerou Lugo culpado das acusações por 39 votos a quatro.
Já destituído do cargo – pouco mais de um dia após o início do processo de impeachment – Lugo fez um discurso de despedida no qual acatou a decisão do Congresso, embora a considerasse “covarde”.
- Hoje não é Fernando Lugo que recebe um golpe, hoje não é Fernando Lugo quem é destituído, é a história do Paraguai e sua democracia – afirmou.
Minutos depois, seu ex-vice, Federico Franco, do PLRA (Partido Liberal Radical Autentico) recebeu a faixa presidencial prometendo respeito às instituições democráticas do país e garantindo que entregará o cargo ao próximo presidente, que deve ser eleito em 2013.
Lugo e Franco haviam chegado ao poder em 2008 formando uma aliança que quebrou uma hegemonia de seis décadas do Partido Colorado na Presidência. Mas, a aliança acabou sendo desfeita ao longo do mandato. O apoio do PLRA, que tem a segunda maior bancada no Senado, teve grande influência na aprovação do impeachment.
- O destino quis que eu assumisse a Presidência da República – disse Franco em sua posse.

Fonte: BBC Brasil/Correio do Brasil

Golpe de Estado no Paraguai é afronta aos países democráticos da América Latina

22/6/2012 21:50,  Por Gilberto de Souza - do Rio de Janeiro
Lugo
A polícia protegeu a elite, no Congresso, durante golpe de Estado no Paraguai
Em menos de 30 horas, o Parlamento paraguaio conseguiu derrubar o presidente da República, Fernando Lugo, e empossar o vice-presidente, Frederico Franco, principal opositor ao mandatário deposto. Nenhum ministro da Suprema Corte se pronunciou acerca do golpe de Estado em curso. Nenhum setor militar se rebelou contra o retrocesso democrático. Pela expressão de surpresa do líder impedido, nenhum informe dos setores de inteligência daquele país o informaram que 99% do Congresso estavam prestes a lhe puxar o tapete.
A desestabilização de Lugo, iniciada desde a eleição dele mas intensificada há uma semana, por um massacre de sem-terra nos rincões do país, perto da fronteira com o Brasil, não serviu de alerta ao presidente para mobilizar a sociedade organizada e as instituições. Sequer comentou com aliados de primeira hora como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amigo pessoal, da situação tensa em que vivia. Lugo, ao que tudo indica, foi tragado em um bem engendrado plano para afastá-lo, aproveitando-se de uma posição aparentemente isolada, distante das bases que sustentaram sua vitória nas urnas.
Um país dividido entre dois partidos, ambos de direita, mostra à América Latina o quanto é frágil a democracia no continente. A reação popular dos paraguaios, de espanto, primeiramente, não pode ser avaliada ainda, mas deixa para os próximos dias um suspense no ar, que torna irrespirável a atmosfera de frustração e incredulidade que ora inunda o país vizinho. A aparente tranquilidade do inquilino, despejado do Palacio de los López  por interesses aos quais não respondeu, durante seus quase três anos por lá, deve-se ao adestramento nas décadas de serviços prestados à Igreja Católica, de onde saiu como bispo. Apesar do olhar fixo no horizonte, porém, apontou em seu discurso que as forças do narcotráfico e do grande capital foram os principais algozes do seu fracasso. Fracasso ao qual parece ter respondido muito prontamente. Sem luta. Sem resistência.
Lugo, de saúde tão frágil quanto a sua capacidade de levantar os movimentos sociais em defesa das conquistas democráticas, diz que sai pela porta principal dos corações paraguaios. Mas sai. Não cogitou, sequer um minuto, mobilizar a nação para assegurar uma trincheira que não apenas ele representava, mas às forças populares submetidas a mais de seis décadas de abusos por parte da elite. A mesma elite, branca e rica, que festeja aos abraços, nos acordes do hino nacional, protegida pela polícia que a defende e mantém a salvo da fúria popular, concentrada a poucos metros dali, na Plaza de Armas.
Um golpe de Estado assim, às claras, não pode ficar sem resposta dos países que respeitam a vontade legítima das urnas e sabem que a ameaça ora concretizada naquele pequeno país sul-americano pesa sobre os governos eleitos democraticamente. Exige uma resposta dura. Eficaz. É evidente que os Estados Unidos estarão na primeira fila de cumprimentos à nova administração, ao lado de seus asseclas. As tais ‘forças ocultas’, que andam soltas ao Sul do Equador, conseguiram cravar a baioneta – disfarçada de maioria parlamentar – em uma nação estratégica para seus interesses na região. Mas precisam saber que não será fácil mantê-la. Têm que aprender, de uma vez por todas, a se curvar diante a soberania dos eleitores, e não à vontade dos dólares e do latifúndio.
A União das Nações Sul Americanos (Unasul) terá que dizer, agora, ao que veio. Ao que se propõe. Se a um clube de ótimos convescotes ou a organização dos países dispostos a enfrentar os desmandos da minoria vendida aos interesses inconfessáveis do imperialismo.
Ou repudia o golpe, ou vira geléia.
Gilberto de Souza é editor-chefe do Correio do Brasil.

Fonte: Correio do Brasil.

EUA, rapidamente, oficializam golpe de Estado ao reconhecer queda de Lugo

22/6/2012 22:39,  Por Redação, com agências internacionais - de Washington e Assunção

Paraguai
Manifestantes protestam na praça principal da capital do Paraguai: EUA pedem calma
O departamento de Estado dos EUA reconheceu, na noite desta sexta-feira, o impeachment do presidente paraguaio Fernando Lugo e conferiu aparência legal ao golpe de Estado em curso naquele país. Em nota oficial, o governo norte-americano de Barack Obama diz que “reconhece o voto do senado paraguaio pelo impeachment do presidente Lugo” e “pede para que todos os paraguaios ajam pacificamente, com calma e responsabilidade, dentro do espírito dos princípios democráticos” da nação.
Antes, o porta-voz para América Latina do departamento de Estado norte-americano, William Ostick, afirmava que os Estados Unidos desejavam alcançar um “escrupuloso” respeito no processo contra o presidente do Paraguai, Fernando Lugo.
Segundo a agência francesa de notícias AFP, Washington acompanha de perto a crise no Paraguai e sua embaixada em Assunção observa a situação muito atentamente. “Com base nos compromissos com a democracia no continente, é importante que as instituições do governo sirvam aos interesses do povo paraguaio”, destacou Ostick.
“Para tal, é criticamente importante que estas instituições ajam de maneira transparente e que os princípios do devido processo e dos direitos do acusado sejam escrupulosamente respeitados”, completou, em nota, o porta-voz americano.

Fonte: Correio do Brasil 

Paraguai se levanta contra cassação do presidente Lugo

22/6/2012 18:32,  Por Redação, com agências internacionais - de Assunção
Paraguai
Manifestantes se rebelam contra decisão do Congresso
Embora o advogado de defesa do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, tenha qualificado de “ilegal” o processo instaurado, na véspera, pela Câmara de deputados, o Senado aprovou, no início desta noite, por 39 votos a quatro, o pedido de impeachment contra o mandatário. Milhares de paraguaios resistem ao que consideram um golpe de Estado.
– Trata-se de uma palhaçada – protestou o senador Carlos Filizzolla, um dos votos contra a cassação de Lugo.
Sentença anunciada
“Caso se reúna o número de votos requeridos pela Constituição Nacional para tal efeito, o acusado será declarado culpado e afastado de seu cargo. Em caso de ele ter cometido delitos, as acusações serão repassadas à Justiça comum. Caso contrário, o caso será arquivado”.
Para outro dos defensores de Lugo Emilio Camacho, a parte do texto do documento – assinado pelo presidente da Casa, Jorge Oviedo Matto – é uma prova de que a sentença que condena o presidente já estava decidida antes mesmo do julgamento começar. A parte controversa seria a que afirma: “o acusado será declarado culpado e afastado do cargo”.
“Caso se reúna o número de votos requeridos pela Constituição Nacional para tal efeito, o acusado será declarado culpado e afastado de seu cargo. Em caso de ele ter cometido delitos, as acusações serão repassadas à Justiça comum. Caso contrário, o caso será arquivado”.
Para um dos defensores de Lugo Emilio Camacho, a parte do texto do documento – assinado pelo presidente da Casa, Jorge Oviedo Matto – é uma prova de que a sentença que condena o presidente já estava decidida antes mesmo do julgamento começar. A parte controversa seria a que afirma: “o acusado será declarado culpado e afastado do cargo”.
Ruptura
Lugo
Manifestantes protestam contra a deposição do presidente Lugo
Na opinião da maioria dos chanceleres latino-americanos que acompanharam o julgamento político do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, a sentença que cassou o mandato presidencial se transforma uma “ameaça de ruptura da ordem democrática” no país, segundo nota divulgada minutos após a decisão no Senado.
Segundo os chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), o julgamento do impeachment do socialista Lugo, aberto na véspera de maneira inesperada e rápida pelo Congresso, “não respeita o devido processo legal”.
Os ministros de Relações Exteriores afirmaram, ainda, que vão avaliar “em que medida será possível continuar a cooperação no contexto da integração sul-americana”.
Repressão
Policiais paraguaios usaram balas de borracha, jatos d’água e gás lacrimogêneo contra manifestantes favoráveis ao presidente destituído do Paraguai Fernando Lugo.
Os manifestantes haviam montado barricadas em frente ao Congresso e arremessaram objetos, enfurecidos com a velocidade do julgamento político com a aprovação do impeachment contra Lugo.
Espera-se que o Congresso convoque o atual vice-presidente, o liberal Federico Franco, para prestar juramento como novo chefe de Estado.

Fonte: Correio do Brasil

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Unasul vê 'ameaça de ruptura democrática' no Paraguai

Atualizado em  21 de junho, 2012 - 18:16 (Brasília) 21:16 GMT
Chanceler Antonio Patriota afirma que Unasul pode usar sanções para evitar ruptura democrática
A Unasul (União de Nações Sul-Americanas) enviará ainda nesta quinta-feira uma comissão de chanceleres ao Paraguai com o objetivo de ajudar a preservar a ordem democrática no país após a abertura de um processo de impeachment contra o presidente Fernando Lugo.
A missão se baseia em um protocolo da Unasul que dá aos seus membros a possibilidade de impor sanções a um país em caso "de ruptura ou ameaça de ruptura da ordem democrática", de acordo com o documento.
Um dos artigos prevê até mesmo o fechamento das fronteiras do Paraguai. ( Clique Veja o documento)
O protocolo foi citado pelo chanceler brasileiro Antonio Patriota após reunião extraordinária de líderes da Unasul reunidos no Rio de Janeiro por ocasião da Rio+20.
"Os presidentes consideram que os países da Unasul conquistaram com muito esforço a democracia e nesse sentido nós todos devemos ser defensores extremados da integridade democrática na América do Sul", disse Patriota.
O chanceler disse ainda que os líderes da Unasul "expressaram sua convicção de que se deve preservar a estabilidade e o pleno respeito à ordem democrática, observar o pleno cumprimento dos dispositivos constitucionais e assegurar o direito de defesa e ao devido processo."
Patriota e secretário-geral da Unasul, o venezuelano Alí Rodrigues, estão entre os membros da missão que se dirige ao Paraguai.
A situação política no país se deteriorou rapidamente após a morte, na última sexta-feira, de 18 pessoas, entre policiais e camponeses sem-terra, em um confronto em uma fazenda em Curuguaty, no Departamento (Estado) de Canindeyú, próximo à fronteira com o Paraná.
O episódio derrubou ministros do governo, como Carlos Filizzola (Interior), e agora ameaça o próprio Lugo.

Julgamento

Os deputados aprovaram a abertura do processo de impeachment por 73 votos contra um em uma votação relâmpago também transmitida pelas televisões paraguaias nesta quinta-feira.
No Paraguai, as regras para impeachment são diferentes das do Brasil, onde as duas casas do Congresso precisam aprovar a abertura do processo.
Segundo a imprensa paraguaia, ainda nesta quinta-feira um grupo de deputados deverá expôr as acusações contra o presidente em uma sessão extraordinária na Câmara.
Lugo e seu equipe terão então 18 horas para elaborar sua defesa. Ele deverá apresentá-la em uma sessão de apenas duas horas, marcada para o meio dia de sexta-feira no Senado paraguaio.
Em seguida, opositores devem apresentar supostas provas contra o mandatário e fazer alegações finais. A decisão final sobre o impeachment deve ocorrer a partir das 16h30 (17h30 de Brasiília). O Senado paraguaio é dominado por opositores de Lugo.

Reações

O anúncio do processo de impeachment surpreendeu o país a nove meses do fim do mandato de Lugo. As eleições presidenciais estão marcadas para abril de 2013, e a Constituição não permite a reeleição presidencial.
O presidente deu declarações em cadeia de TV desmentindo rumores de que pretenderia renunciar.
"Não renunciarei ao cargo para o qual fui eleito pelo voto popular. Não interromperei um processo democrático e me submeterei ao processo político, como mandam as leis paraguaias, com todas as suas consequências, como indica a Constituição paraguaia", afirmou o presidente.
Afirmou ainda que se submeterá ao julgamento e todas as suas consequências.
"A vontade popular expressada nas urnas em abril de 2008 (data da eleição de Lugo) está sendo alvo de ataques de misericórdia por parte de setores que sempre foram contra as mudanças e se opuseram a que o povo pudesse ser protagonista da sua democracia. O povo não esquecerá que se pretende interromper um processo democrático histórico a apenas nove meses das eleições gerais ", disse.
Lugo, um ex-bispo católico ligado a movimentos sociais, tornou-se em 2008 o primeiro presidente a quebrar a hegemonia de seis décadas do Partido Colorado no poder, incluindo os 35 anos do regime militar comandado por Alfredo Stroessner (1954-1989).
Moradores e comerciantes de Assunção temem que a situação política dê origem a protestos de rua como os desencadeados em 1999 pelo assassinato do vice-presidente Luis Maria Argana, do partido Colorado.

Surpresa

Ouvido pela BBC Brasil, o analista político e amigo de Lugo, Alfredo Boccia, que também é médico particular do presidente, disse que o pedido de impeachment surpreendeu a todos.
"Uma surpresa desagradável para o país, que vive um momento de recuperação econômica histórica e que vinha enfrentando seus piores problemas que são a pobreza e a desigualdade social", disse.
"Há comoção porque ninguém esperava uma ação assim. A maioria opositora no Congresso sempre foi um desafio para Lugo. mas ninguém sabe agora o que vai acontecer ", acrescentou.
Para Boccia, o Paraguai vive momentos de incerteza, mas a expectativa é de que o Senado decida sobre o afastamento do presidente nos próximos dias. Na opinião dele, como a oposição tem ampla maioria no Senado, o impeachment, se nada mudar, seria apenas uma formalidade.
Com pouco mais de 6 milhões de habitantes, o Paraguai tem uma trajetória política e economica marcada pelas incertezas e golpes militares. Segundo Boccia, a diferença é que desta vez o processo politico está previsto na Constituição.
A legislação prevê que o vice, Federico Franco, assuma o cargo caso seja aprovada a destituição do presidente. Franco é opositor de Lugo desde o rompimento da coalizão nos primeiros anos do governo.
Colaborou Márcia Carmo, de Buenos Aires

Fonte: BBC Brasil

Governo pretende levar água até Salvador fazendo transposição do Rio São Francisco

Por Redação, com ABr – de Brasília

Rio-SãoFrancisco
Plano de transposição do Rio São Francisco foi revelado por Ministro Fernando Bezerra na manhã desta terça-feira
O governo federal vai contratar até o final do ano uma empresa para realizar estudo sobre uma nova transposição das águas do Rio São Francisco. O canal do Eixo Sul, que pode ter entre 500 e 600 quilômetros de extensão, partirá no Lago de Sobradinho, no norte da Bahia, e chegará até “os contornos da Região Metropolitana de Salvador”, passando por todo o semiárido baiano.
Com o novo eixo, as águas do São Francisco serão levadas para a bacia do Rio Paraguaçu, que corta o estado e abastece a Grande Salvador.
A informação é do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, que nesta terça-feira pela manhã participou em Brasília do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Diretoria de Captação e Serviços da EBC e pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República.
Após o programa, o ministro disse à Agência Brasil e à TV Brasil que já recebeu “orientação da presidenta Dilma [Rousseff] de contratar os estudos”. Bezerra acredita que entre quatro e seis meses deverá estar selecionada e contratada a empresa que prestará o serviço para elaboração dos projetos básico e executivo, e do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto do Meio Ambiente (EIA-Rima). Esses estudos levaram de 18 a 24 meses para a conclusão.
- Nós queremos – essa é a nossa animação – que a decisão para a construção do Eixo Sul possa ser tomada ainda neste primeiro mandato da presidenta Dilma, tendo todos elementos para a tomada de decisão – afirmou Fernando Bezerra. A elaboração dos projetos e do EIA-Rima ajudará a definir o percurso do canal e para definição do custo da obra. O custo da obra de transposição nos eixos Leste e Norte, que estão em execução, é estimado pelo Ministério da Integração Nacional em R$ 6,85 bilhões (o valor inicial era de R$ 5 bilhões).
O ministro avalia que a obra contribuirá para a segurança hídrica na Bahia, que tem o maior território no semiárido. “É uma obra importante, eu diria até que é um desdobramento natural, agora que nós avançamos para conclusão do projeto de integração da Bacia do Rio São Francisco com os eixos Leste e Norte. É natural que se estude novas áreas a serem beneficiadas com as águas do Rio São Francisco”, frisou.
As obras do eixo Norte e Leste da transposição do Rio São Francisco ainda não chegaram, no entanto, a 40% de finalização, de acordo com informação do próprio ministro. Em fevereiro, a presidenta Dilma Rousseff visitou a obra e disse que o governo vai cobrar o cumprimento de metas e prazos, após reconhecer que o projeto estava parado em alguns lotes.
A Controladoria-Geral da União está fazendo auditoria nas obras do Lote 6 da transposição, localizado em Mauriti, no interior do Ceará, vencido por um consórcio de empreiteiras que inclui a Delta Construções.
Juntamente com a expansão das obras de transposição do Rio São Francisco, o governo quer ampliar o Programa Água para Todos. Além do semiárido nordestino e de Minas Gerais, o programa deverá atender os estados da Região Norte (como Tocantins, Pará e Amazonas, nos quais a cheia dos rios diminui o fornecimento de água potável) e da Região Sul (o Rio Grande do Sul é a unidade da Federação com maior número de municípios em situação de emergência por causa da estiagem).
Segundo o ministro, a disponibilidade de água nesses estados é problemática, inclusive, para as atividades produtivas, como a agricultura familiar. “O relatório da ANA [Agência Nacional de Águas] mostra que o grande desafio do Brasil é distribuir a água de forma correta, de forma adequada, para poder atender as necessidades das pessoas que moram não só nos espaços urbanos, nas regiões metropolitanas, mas também aquelas que vivem na zona rural”.

Fonte: Correio do Brasil

Atentado contra mesquita na Cisjordânia reacende acusações de impunidade

Atualizado em  19 de junho, 2012 - 09:41 (Brasília) 12:41 GMT

Mesquita incendiada na Cisjordânia (Foto: Iyad Haddad, B'Tselem)
Alguns dos responsáveis por incêndios anteriores ainda não foram capturados pela polícia de Israel
Um incêndio na mesquita da aldeia de Jaba (Cisjordânia), na madrugada desta terça-feira, reacendeu em Israel a discussão sobre a impunidade a crimes contra palestinos, já que as autoridades israelenses ainda não capturaram os responsáveis por vários ataques semelhantes.
Durante a madrugada foram lançadas substâncias incendiárias na mesquita de Jaba, perto de Ramallah, causando danos ao local.
Os autores do ataque também deixaram pichações nas paredes da mesquita, com os dizeres "Ulpana - guerra" e "etiqueta de preço".
Ulpana é o nome de um assentamento composto por cinco prédios que deverá ser demolido segundo ordem da Suprema Corte de Justiça, por ter sido construído em terras privadas tomadas ilegalmente de palestinos.
"Etiqueta de preço" é a expressão utilizada por grupos de colonos de extrema-direita que adotaram a tática de executar represálias contra palestinos em casos de demolição de construções ilegais na Cisjordânia.
A represália contra civis palestinos assume a forma de incêndio de mesquitas, depredação de residências e veículos e destruição de plantações.

Casos prévios

Em dezembro de 2011, houve três casos de incêndio a mesquitas – na aldeia de Burka, perto de Ramallah, em Jerusalém, e na aldeia de Brukin, perto da cidade de Qalqylia.
Até agora os responsáveis não foram identificados e presos.
De acordo com Micky Rosenfeld, porta-voz da polícia de Israel, "uma equipe especial de investigação foi formada depois dos graves incidentes nas mesquitas, no verão do ano passado (julho-agosto de 2011)".
"Observamos um aumento no número de incidentes de 'etiqueta de preço' e decidimos investir mais recursos na investigação. Existem algumas investigações que ainda estão em andamento", disse em entrevista à BBC Brasil.
Mesquita incendiada na Cisjordânia (Foto: Iyad Haddad, B'Tselem)
Polícia israelense diz suspeitar de um 'incidente criminal com motivações nacionalistas'
No entanto, Rosenfeld não deu nenhum exemplo de alguma investigação de incêndio em mesquitas que tenha obtido resultado, e cujos responsáveis tenham sido indiciados e julgados.

‘Motivações nacionalistas’

Sobre o incêndio desta terça feira, Rosenfeld afirmou que a equipe de investigação da polícia já foi ao local para verificar "de onde vieram os responsáveis e para onde fugiram".
"A principal suspeita neste momento é de que se trata de um incidente criminal com motivações nacionalistas", acrescentou o porta-voz.
Já Sarit Michaeli, diretora da ONG de direitos humanos Btselem, criticou o que chamou de “fracasso contínuo das autoridades em relação à implementação da lei aos cidadãos israelenses nos territórios ocupados".
Michaeli opinou à BBC Brasil que as forças de segurança e o sistema judiciário de Israel "não investem os recursos necessários para capturar e julgar os responsáveis por atos de violência contra palestinos".
"Um ou dois dias depois de mais um incêndio em uma mesquita, há um clima de choque no país. Os líderes politicos condenam o ataque, mas depois esquecem e não tomam as medidas necessárias para prender os responsáveis", afirmou.

Estopim

Há duas semanas houve uma reunião de especialistas em Oriente Médio com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, na qual os estudiosos advertiram o premiê de que "um incêndio a uma mesquita na Cisjordânia poderá ser o estopim de um novo levante palestino".
O ex-rabino-chefe de Israel Meir Lau criticou a "ineficácia" da polícia em prender os responsáveis pelos incêndios nas mesquitas.
Em entrevista à radio estatal israelense, Kol Israel, o rabino afirmou que a religião judaica proíbe atos de violência contra lugares sagrados de outras religiões.
Netanyahu, por sua vez, declarou que o incêndio na mesquita de Jaba foi um ato "de criminosos, intolerantes e irresponsáveis".
"Tomaremos medidas para que eles sejam levados à Justiça rapidamente", prometeu o premiê.

Fonte: BBC Brasil

Semiárido brasileiro 'ganhará um Alagoas' até 2070, prevê Inpe

Atualizado em  18 de junho, 2012 - 16:17 (Brasília) 19:17 GMT

Carregamento ilegal de madeira | Foto: Paulo Cabral/BBC Brasil
Segundo especialistas, desmatamento ilegal é um dos fatores que contribui para a desertificação.
Projeções feitas por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com base em tendências climáticas apontam para uma acentuada "aridização" (aumento da aridez) no sertão brasileiro nas próximas décadas.
Se os cenários previstos pelos cientistas estiverem corretos, não só a região crescerá em extensão, como também se tornará cada vez mais árida.
"É importante notar que estas são apenas estimativas. Mas os dados sugerem que as áreas de semiárido podem se ampliar em até 12% até meados do século", diz José Marengo, pesquisador do Inpe.
Isso equivaleria a um aumento de quase 29 mil quilômetros quadrados – área similar à do Estado de Alagoas – na região sujeita a secas, acrescenta o pesquisador.
Projeções elaboradas por Marengo e sua equipe mostram, no centro dessa vasta região semiárida, o crescimento de uma grande mancha de "hiperaridez". Em 2070, ela avançaria para o norte da Bahia, quase todo o interior de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, parte do sudeste do Piauí, além de alguns outros pontos isolados em outras partes do país.
"Essas regiões hiperáridas são as que podem, no longo prazo, se tornar desertos por uma combinação de condições climáticas e fatores antrópicos (relacionados à ação humana, como desmatamento)", diz Marengo.
"O processo de desertificação se comporta como um câncer, se ampliando quando não é combatido", acrescenta.
Veja abaixo mapas que ilustram as projeções do Inpe:
O grau de aridez é determinado pelo equilíbrio entre a quantidade de chuva que chega à terra e o volume de evaporação. Aridez significa ausência de água, e essa condição por um período prolongado pode levar à desertificação, à ausência de vida, diz Marengo.
Humberto Barbosa, coordenador do laboratório de meteorologia da Universidade Federal de Alagoas, observa que, nas áreas mais secas do Nordeste, chove em média 800 milímetros de água por ano, mas a "evapotranspiração" (perda de água dos solos por evaporação e perda de água das plantas por transpiração) passa dos 3 mil milímetros por ano.
Barbosa diz que secas como a deste ano aceleram o processo de desertificação, que já é causado pelo uso não sustentável do solo. "A agricultura de subsistência de milho e feijão feita pelo sertanejo demanda muito de um solo, que já é bastante pobre", avalia o pesquisador.
Atualmente, há quatro "núcleos de desertificação" formalmente identificados – e reconhecidos - pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em território brasileiro.
Todos eles estão no sertão nordestino: Seridó (RN), Irauçaba (CE), Gilbués (PI) e Cabrobó (PE). Juntos, somam mais de 18 mil quilômetros quadrados.
O coordenador-geral da ONG Centro de Assessoria e a Apoio aos Trabalhadores e Instituições Não-Governamentais Alternativas (Caatinga), Paulo Pedro de Carvalho, observa que outro problema é a dependência do sertanejo da vegetação para geração de energia.
"Há estudos que mostram que 30% de toda a energia usada na caatinga (incluindo consumo doméstico) vem da lenha", diz Carvalho.

Risco ambiental

Dados históricos indicam que o semiárido já perdeu quase 50% de sua cobertura vegetal, a caatinga, bioma que especialistas costumam descrever como o mais típico do Brasil.
Além do desmatamento feito para abrir espaço para agricultura familiar ou para fornecer lenha à família, a devastação também ocorre para atender a setores como gesso e cerâmica, que usam a madeira em seus fornos.
Nas regiões de divisa entre Pernambuco e Ceará, é comum passar por campos devastados (com tocos espalhados pelas propriedades denunciando desmatamento recente) e por caminhões carregando enormes cargas de madeira, com aparência de torres mal equilibradas.
Carregamento ilegal de madeira | Foto: Paulo Cabral/BBC Brasil
Governo tem cobrado certificação do material usado por empresas para reduzir erosão do solo
O governo brasileiro tem um plano de combate à desertificação coordenado pelo MMA e há uma expectativa de que novas medidas sobre o assunto possam ser anunciadas durante a conferência Rio+20.
O diretor de combate à desertificação do Ministério do Meio Ambiente, Francisco Campelo, diz que a chave para retardar, pelo menos parcialmente, o processo é investir em estratégias de desenvolvimento sustentável.
"Já temos diversas empresas dos polos de gesso do Ceará e de cerâmica de Pernambuco que estão adotando praticas sustentáveis e usando madeiras certificadas", diz Campelo.
Mas ele observa que, em muitos casos, a estratégia será a de aceitar que o processo está acontecendo e se adaptar a ele. "Precisamos de uma ampla discussão com as populações e da implantação de tecnologias sociais que permitam a vida digna na seca", afirma.

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Nove temas da atualidade que podem cair no Enem e nos vestibulares de 2012/2013

Confira seleção de tópicos feita por professores de cinco cursinhos clicando no link.

http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/nove-temas-da-atualidade-que-podem-cair-no-enem-e-nos-vestibulares-de-2012 

Nathalia Goulart
Placa na Argentina diz "as Malvinas são argentinas" Placa na Argentina diz "as Malvinas são argentinas" (Marcos Brindicci / Reuters)
Eles não fazem parte do manual do candidato. Mas os estudantes já sabem que, para conseguir a aprovação nos vestibulares mais concorridos do país, incluindo o Enem, é preciso dedicar-se aos temas da atualidade. A leitura de sites, revistas e jornais, portanto, é prática obrigatória. "Os exames de seleção exigem que o aluno seja capaz de transcender a informação: ele deve saber interpretar os fatos, além de relacionar as novidades com o conteúdo aprendido em sala de aula. Em geral, não é preciso decorar nomes, datas e acontecimentos", diz Alberto Nascimento, coordenador do Anglo Vestibulares.
Não existem provas específicas de atualidades no Enem e nos vestibulares. O que há, de fato, são disciplinas como história e geografia fazendo uso de fatos recentes para abordar o que foi aprendido ao longo da vida escolar. A constante atualização auxilia no desenvolvimento de outra competência exigida pelos vestibulares, e também pelo Enem: a fluência na leitura. "O Enem traz enunciados longos e cheios de informação. Quem tem a leitura como hábito, atravessa com mais facilidade esse terreno arenoso, além de dispor de uma concentração mais apurada", afirma Elias Feitosa, coordenador de história e geografia do Cursinho da Poli.
Outra razão importante para que os candidatos mantenham o olho no noticiário é o fato de que as informações jornalísticas podem enriquecer a argumentação, tão valorizada na prova da segunda fase dos vestibulares e na redação. "Ou o candidato tem um bom repertório ou a dissertação não para de pé", diz Samuel Loureiro, professor de atualidades do Cursinho do XII.
Pata manter-se bem informado e preparado para a maratona de vestibulares, os professores dão algumas orientações. A primeira delas é filtrar os assuntos mais importantes do noticiário. O importante é identificar tópicos de relevância e aprofundar-se neles. "O problema de muitos alunos é que eles leem, mas não absorvem. Preocupados em decorar, se esquecem de interpretar a notícia", diz Célio Tasinafo, do cursinho Oficina do Estudante. Outra orientação é fazer da leitura um hábito. "Se não é possível acessar um portal ou ler um jornal todos os dias, ter em mãos uma publicação semanal é indispensável", diz Alex José Perrone, professor de atualidades do cursinho CPV.

Temas atuais que podem cair no Enem e vestibulares

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Marina Silva e Kátia Abreu protagonizam embate entre ambientalistas e agronegócio

Atualizado em  15 de junho, 2012 - 06:50 (Brasília) 09:50 GMT

Floresta amazônica paraense
Grupos usam Rio+20 para expor bandeiras e discutir a questão ambiental no Brasil
Em lados opostos nas discussões sobre preservação ambiental no Brasil, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) são as principais faces de grupos que pretendem usar a Rio+20 (Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável) para expor suas bandeiras e fortalecer-se na acirrada disputa que travam no Brasil.
Maior liderança política dos ambientalistas, Marina Silva, de 54 anos, ainda desfruta da popularidade experimentada na última disputa presidencial, em 2010.
À época, após uma arrancada nas últimas semanas, ficou em terceiro lugar, com 20 milhões de votos, e teve seu apoio disputado pelos candidatos que se enfrentaram no segundo turno – o tucano José Serra e a petista Dilma Rousseff. Optou pela neutralidade.
O desempenho, atribuído ao crescente endosso às causas ambientais na sociedade brasileira, foi um dos pontos altos de uma carreira catapultada pelo período em que chefiou o Ministério do Meio Ambiente, entre 2003 e 2008, no governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Marina SIlva
Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva é liderança política dos ambientalistas
Em entrevista à BBC Brasil, Marina diz que a gestão ambiental no Brasil vem se deteriorando de forma acelerada desde então. "A base legal que fez com que, desde 2004, se conseguisse reduzir a pobreza e o desmatamento agora está sendo abolida".
A ex-ministra critica a atuação do governo na reforma do Código Florestal e cita duas iniciativas que, segundo ela, ameaçam os avanços conquistados nos últimos governos: a Medida Provisória 558, que reduziu oito unidades de conservação na Amazônia; e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 213, que tramita no Congresso e busca transferir do Executivo para o Legislativo a responsabilidade de demarcar Terras Indígenas.
No outro lado do embate, a senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu, representa um setor cujo apoio político tem crescido nos últimos anos, ancorado no sucesso econômico do agronegócio.
Hoje no controle de quase um quarto da Câmara e de 16% do Senado, a bancada ruralista foi responsável pelas maiores derrotas do governo no Congresso neste ano: além de fazer avançar a PEC 213, que dispõe sobre a demarcação de Terras Indígenas, impôs sua versão do Código Florestal, parcialmente vetada por Dilma nas semanas seguintes e que agora voltará à análise dos congressistas.
Kátia Abreu
Pecuarista, a senadora Kátia Abreu preside a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
Ela própria uma pecuarista – em 1987, assumiu a fazenda do marido, morto em acidente de avião –, Abreu diz à BBC Brasil que o Código trouxe dois grandes benefícios ao setor: deu segurança jurídica aos produtores e "tirou a hegemonia das ONGs, que faziam mudanças (na legislação ambiental) através do Ministério do Meio Ambiente, via decretos".
Abreu e Marina devem continuar a se enfrentar nos próximos anos, mas despistam quando questionadas se a disputa também poderá se dar numa eventual corrida presidencial. Marina tem dito que não vai ficar na "cadeira cativa de candidata" e que não sabe se disputará o cargo outra vez.
Abreu, por sua vez, diz que "Presidência da República é destino, e não trajeto", e cita os "acasos" que levaram ao cargo os ex-presidentes Itamar Franco (o impeachment de Fernando Collor) e José Sarney (a morte de Tancredo Neves).
O próximo embate, no entanto, se dará já nas próximas semanas, quando o Congresso analisar o Código Florestal assinado por Dilma.
Enquanto Abreu diz que trabalhará para aprimorar o texto, o que inclui artigo para transferir aos Estados a responsabilidade de estabelecer os critérios de recomposição de matas ciliares, Marina diz que as mudanças "piorarão o que já era impossível de ser piorado". "Será avassalador".

Fonte: BBC Brasil

Rio+20: crise e políticas domésticas limitam papel do Brasil

Atualizado em  13 de junho, 2012 - 06:21 (Brasília) 09:21 GMT

Belo Monte | Foto: AFP
Para analistas, construção da usina de Belo Monte reduz protagonismo do Brasil na Rio +20.
Embora afirmem que o Brasil tem influenciado as discussões globais sobre o meio ambiente nas últimas décadas, analistas ouvidos pela BBC Brasil avaliam que a crise econômica global e a opção do país por políticas que consideram danosas à natureza – como a construção de hidrelétricas na Amazônia e a concessão de estímulos ao setor automobilístico – devem reduzir seu peso na Rio+20.
Com isso, segundo eles, dificilmente o Brasil repetirá o papel que desempenhou na Eco-92, conferência ocorrida no Rio de Janeiro há vinte anos que é tida como um marco para o movimento ambientalista e para países subdesenvolvidos.
Para Haroldo Mattos de Lemos, presidente do Instituto Brasil Pnuma, ONG que divulga o Programa da ONU para o Meio Ambiente, o Brasil tem se esforçado para que a Rio+20 repita os resultados "fantásticos" que ele atribui à Eco-92.
O esforço, diz ele, inclui insistir na vinda do maior número possível de líderes. "Sabemos que alguns não virão, como o dos EUA (Barack Obama), mas pelo visto teremos um número significativo de chefes de Estado."
Ainda assim, Lemos afirma que a crise econômica internacional deve dificultar as negociações, e que a Rio+20 ocorrerá em momento mais desfavorável que a Eco-92.
"Sempre que condições econômicas apertam, governos cortam em áreas consideradas menos importantes. Não há muita esperança de que de se consiga incluir metas de desenvolvimento sustentável na Rio+20."
Por outro lado, Lemos diz que a sociedade civil estará mais mobilizada neste encontro do que no de 1992, o que, segundo ele, pressionará governantes a dar mais atenção às causas ambientais.
Já o físico Ennio Candotti, vice-presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), diz que a Eco-92 foi realizada em um momento tão complicado como o atual.
Ele lembra a resistência dos Estados Unidos (que também enfrentavam problemas econômicos à época), países árabes (exportadores de petróleo) e do Japão em acordar metas de redução nas emissões de gases causadores do efeito estufa.
No entanto, Candotti diz que desde então os problemas ambientais ficaram mais complexos, "porque são mais discutidos e novas reivindicações surgiram".
Além disso, afirma que tensões militares e o aumento populacional tornaram mais urgente sua solução. "De 1992 para cá, houve quatro ou cinco guerras, os preços do petróleo subiram, e o mundo se adaptou a níveis crescentes de consumo."
Diante das dificuldades e da disputa entre países ricos e pobres, o físico afirma que a responsabilidade do anfitrião da Rio+20 aumenta. Nesse papel, segundo ele, o Brasil é beneficiado por suas condições naturais e demográficas.
"O Brasil está na liderança (das discussões sobre meio ambiente) não porque tenha encontrado ideias novas ou por ter tido desempenho acima da média, mas por estar em posição privilegiada quanto a laboratórios naturais".
"É no Brasil que há a Floresta Amazônica, inúmeros rios, aquíferos e áreas férteis de grande extensão, sem que aqui haja uma superpopulação como na China, Europa ou Índia."

Conquistas da Eco-92

George Bush | Foto: AP
George Bush discursa na Eco-92; para analistas, Brasil não terá mesma relevância na Rio+20.
O físico José Goldemberg, ex-secretário do Meio Ambiente e de Ciência e Tecnologia no governo federal, elogia a atuação do Brasil na Eco-92 por conduzir as negociações sobre quem financiaria as medidas previstas nas Convenções do Clima e da Biodiversidade, o acordo aprovado na Eco-92.
Alguns anos depois, diz Goldemberg, o Brasil voltou a ter papel decisivo na inclusão do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) no Protocolo de Kyoto, aberto para assinaturas em 1997 e que prevê a redução nas emissões globais dos gases causadores do efeito estufa.
O MDL permite que países adeptos do protocolo adquiram créditos pela redução em emissões de carbono ocorrida em países subdesenvolvidos.
No entanto, o físico diz que o Brasil abriu mão de liderar as negociações atuais.
"De modo geral, o Brasil se associou com o G-77 (grupo com 77 países emergentes) e a China e não tem sido entusiasta de ideias novas para reorientar desenvolvimento para economia sustentável."
Goldemberg afirma ainda que políticas recentes adotadas pelo governo, como a construção da hidrelétrica de Belo Monte, indicam que o país não está disposto a liderar discussões sobre a preservação ambiental.
Ele menciona ainda a "euforia com o pré-sal" e os recentes estímulos fiscais ao setor automobilístico, que, ao contrário dos concedidos pelos Estados Unidos à indústria automotiva americana, não condicionam os benefícios a melhorias em eficiência energética.
"Todas as medidas estão na contramão do que se esperaria."
Candotti, da SBPC, critica a prioridade destinada pelo governo ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que prevê investimentos bilionários em hidrelétricas, portos, ferrovias e outras grandes obras.
"Isso obviamente não foi planejado com olhar atento ao potencial do patrimônio genético e ambiental das florestas."
Mesmo assim, ele enaltece o papel que o Brasil tem exercido nos foros globais ao defender o apoio às nações mais pobres, para que reduzam as injustiças sociais e eliminem a fome.
"Só espero que o Brasil não caia na armadilha de dizer que alimentar a todos implica poluir ou desmatar mais."

Fonte: BBC Brasil

Da Eco-92 à Rio+20: Duas décadas de debate ambiental

Atualizado em  13 de junho, 2012 - 06:32 (Brasília) 09:32 GMT

Em 1992, ano da Eco-92, o mundo havia recém-saído da Guerra Fria e a Europa assinava o Tratado de Maastrich, um marco para a formalização da União Europeia. Ao mesmo tempo, a agenda ambiental ganhava força e passava a ser discutida por toda a sociedade.
Agora, na Rio+20, a discussão ambiental ganhou mais urgência, diante do aumento da temperatura global e da perda de recursos naturais do planeta. O equilíbrio de forças global mudou com a ascensão de países emergentes como China e Brasil. Mas a crise econômica, com seu epicentro na Europa, e as medidas para combatê-la ofuscam as preocupações com mudanças climáticas.

Fonte: BBC Brasil

Entenda a crise na Síria

Atualizado em  11 de abril, 2012 - 17:49 (Brasília) 20:49 GMT
Prédio danificado por artilharia em Homs
Prédio atingido por artilharia do regime sírio, segundo opositores do regime de Bashar Assad
A TV estatal síria afirmou na quarta-feira que o regime do presidente Bashar Al-Assad encerraria todas as operações militares nesta quinta-feira - data estabelecida pelo acordo de cessar-fogo negociado com o país pelo enviado especial da Liga Árabe e da ONU, Kofi Annan. Contudo, a violência continuava na quarta-feira, especialmente na cidade de Homs.
A BBC reuniu perguntas e respostas sobre o conflito iniciado em março de 2011, entenda a crise:

Guia do conflito

Desde o início dos protestos antigoverno, em março de 2011, o regime sírio vem lançando uma ofensiva contra opositores que, segundo a ONU, já deixou mais de 9 mil mortos no país.
Já o governo sírio divulgou em fevereiro sua própria estimativa de vítimas: 3.838, das quais 2.493 eram civis e 1.345 membros das forças de segurança.

Como os protestos começaram?

A rebelião começou na cidade de Daraa (sul do país), quando 14 crianças foram presas e supostamente torturadas após escrever em um muro um slogan relacionado às revoltas que ocorriam na Tunísia e no Egito.
Manifestações que pediam mais democracia - porém não a queda de Assad - foram reprimidas pelas tropas sírias, mas os protestos não só continuaram como se espalharam para todo o país.

O que os opositores querem?

Os protestos começaram pedindo mais democracia e liberdades individuais. Porém, quando as forças de segurança abriram fogo contra manifestantes desarmados, a oposição passou a exigir a queda de Assad.
O presidente se recusou a renunciar, mas fez concessões para tentar aplacar os manifestantes. Entre elas estão o fim do estado de emergência, que durou 48 anos, e uma nova constituição, que prevê a realização de eleições multipartidárias.

Há uma oposição organizada?

Depois que as manifestações se espalharam por todo o país, opositores e partidos políticos clandestinos formaram a frente antigoverno Conselho Nacional Sírio (CNS), de maioria sunita e apoiada pela Irmandade Muçulmana e que opera fora da Síria.
Um segundo grupo, o Comitê de Coordenação Nacional, que age de dentro do país, foi formado por opositores que temem a orientação islâmica do CNS.
Já a oposição armada ao regime é composta por militares desertores que se organizaram no Exército Livre da Síria, que coordena ataques contra as forças de segurança do regime a partir da Turquia.

O que a comunidade internacional está fazendo?

A Liga Árabe inicialmente se manteve em silêncio sobre a crise, mas em novembro de 2011 impôs sanções econômicas à Síria após o país não permitir a entrada de observadores no país. Os observadores foram autorizados um mês depois, mas não conseguiram frear a violência.
Duas tentativas da comunidade internacional de aprovar resoluções contra a Síria no Conselho de Segurança da ONU foram vetadas pela Rússia, que tem fortes laços econômicos e militares com o regime de Assad.
No último mês de março, a Liga Árabe e a ONU nomearam o ex-secretário geral das Nações Unidas Kofi Annan como enviado para negociar um cessar-fogo entre o governo e os rebeldes.

É um conflito sectário?

O regime de Assad concentrou poder econômico, político e militar nas mãos da comunidade alauíta (10% da população). A maioria sunita (74%) se viu excluída e passou a acusar o governo de corrupção e nepotismo.
Os protestos antiregime mais intensos vêm ocorrendo sistematicamente em cidades e áreas totalmente sunitas, onde praticamente não há alauítas ou cristãos.

Quais foram as perdas econômicas na Síria?

Mesmo antes da revolta, os sírios vinham enfrentando décadas de desemprego e aumento dos preços de alimentos. Sanções da Liga Árabe, da União Europeia e dos EUA prejudicaram os setores de agricultura e de negócios.
O Fundo Monetário Internacional afirmou que a economia da Síria retraiu 2% em 2011 e o valor da moeda local caiu 60% em relação ao dólar. A inflação também aumenta rápido (11% em março), e o desemprego é estimado em 20%.

Fonte: BBC Brasil

domingo, 10 de junho de 2012

Filme ‘A paz é o caminho’ denuncia estratégia de dominação dos EUA

7/6/2012 12:32,  Por Redação, com Vermelho.org - de São Paulo
paz
Igor Fuser, doutor em Ciência Política pela USP e mestre em Relações Internacionais pela Unesp (2005), fala no filme
O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) realiza nesta sexta e sábado, em São Paulo, sua 3ª Assembleia Nacional. A entidade “coloca de forma muito clara que a luta pela paz está absolutamente ligada à denúncia dos promotores da guerra”, como esclarece a presidenta da entidade, Socorro Gomes.
Com o objetivo de levar o debate sobre a paz a mais pessoas, o Cebrapaz realizou o filme
A paz é o caminho, dirigido por Diogo Gomes do Santos. O média-metragem expõe as estratégias dos Estados Unidos para a dominação da América Latina, Oriente Médio e África e é uma ferramenta a serviço da luta por uma cultura de paz diante de um mundo militarizado.
Assista aqui ao filme, na íntegra
http://www.youtube.com/watch?v=izrI8Ft27hA&feature=player_embedded

Irã exige seu direito a um programa nuclear civil e pacífico

7/6/2012 13:03,  Por Redação, com ACSs - de Teerã

Irã
O conselheiro do governo do Irã Akbar Velayati participa das negociações
Autoridades iranianas pediram nesta quinta-feira que os países do Grupo 5+1 reconheçam seu direito de desenvolver um programa nuclear civil e pacífico, para assegurar o êxito da próxima reunião sobre o tema prevista para acontecer em Moscou, nos dias 18 e 19 de junho, indicou a imprensa iraniana.
“Esperamos que os países do Grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) participem com realismo da reunião de Moscou e tomem suas decisões respeitando os direitos justos do Irã” de desenvolver um programa nuclear civil, disse Ali Akbar Velayati, conselheiro para assuntos internacionais do aiatolá Ali Khamenei.
“O Irã também se compromete a manter atividades nucleares pacíficas dentro das normas internacionais”, acrescentou. O Irã e o Grupo 5+1 se reunirão em Moscou para dar prosseguimento às negociações sobre o programa nuclear que começaram em abril em Istambul e foram mantidas depois em Bagdá nos dias 23 e 24 de maio.
“As pressões da frente da arrogância (ocidentais) nos impedem de negociar com base em um plano em que todos nós possamos ganhar”, disse o ex-presidente Akbar Hachemi Rafsandjani, que dirige o Conselho do Discernimento, uma entidade encarregada de aconselhar o aiatolá.
“O ocidente deve saber que o caminho do êxito nas negociações passa pelo reconhecimento dos direitos justos do Irã e do abandono de uma política miserável de pressão, ameaças e sanções”, acrescentou.
 Fonte: Correio do  Brasil

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Operação pretende destruir 1700 fornos de carvão no sul da Bahia



Cidades do extremo sul baiano são alvo de uma operação do Ministério Público estadual, a Polícia Militar e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) que tem o objetivo de combater a produção e venda irregulares de carvão.

Segundo o promotor de Justiça Regional Ambiental de Teixeira de Freitas, Fábio Fernandes Corrêa, a “Operação Cruzeiro do Sul II” deve destruir aproximadamente 1700 fornos que produzem carvão sem licença ambiental, usando madeira roubada ou retirada da Mata Atlântica, em Teixeira de Freitas, Mucuri, Alcobaça, Prado, Caravelas e Nova Viçosa. 


A operação pretende ainda apurar outros crimes ambientais ligados à produção, transporte e comercialização de carvão, bem como ilícitos correlatos, a exemplo de incêndio, furto, roubo, receptação, formação de quadrilha e sonegação fiscal.

Segundo o MP, o carvão produzido é comercializado por empresas “laranja” e abastece siderúrgicas da Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais. A operação já começou, mas o Ministério Público não divulgou quando será encerrada.
 
Fonte:IBahia.com

sábado, 2 de junho de 2012

A História das Coisas


Brasil já tem 2,9 milhões de empregos verdes, diz OIT Estudo divulgado nesta quinta-feira classifica Brasil e Estados Unidos como bons exemplos. Até 60 milhões de empregos ao redor do mundo podem ser criados na nova economia

Luís Bulcão
Parque eólico em funcionamento na Praia do Porto das Dunas, no Ceará: energia limpa Parque eólico em funcionamento na Praia do Porto das Dunas, no Ceará: energia limpa (Jarbas Oliveira/AE - 22/06/2007 )
"O atual modelo de desenvolvimento tem se mostrado ineficiente e insustentável, não só para o ambiente, mas também para as economias e sociedades", disse o diretor geral da OIT, Juan Somavia
A transformação da economia atual — considerada poluidora, ineficiente, desigual e insustentável — para uma economia verde — que dê prioridade ao uso de recursos renováveis e leve em conta o futuro do planeta — pode gerar até 60 milhões de empregos ao redor do mundo nas próximas duas décadas, afirma um relatório da Organização Mundial do Trabalho, publicado nesta quinta-feira.
No documento, o Brasil, juntamente com os Estados Unidos, é citado como exemplo de liderança nessa transição, por já ter criado 2,9 milhões de empregos com a nova economia em 2010. O número, de acordo com o relatório, corresponde a 6,6% da força total de trabalho do país no mesmo ano. Essa proporção pode aumentar, caso iniciativas em setores chave sejam tomadas em direção a uma economia verde.

"O atual modelo de desenvolvimento tem se mostrado ineficiente e insustentável, não só para o ambiente, mas também para as economias e sociedades", disse o diretor geral da OIT, Juan Somavia, durante o lançamento do relatório, ocorrido em Genebra, na Suíça.

Com o nome de "Rumo ao Desenvolvimento Sustentável: oportunidades de trabalho decente e inclusão social em uma economia verde", o estudo afirma que a adoção de políticas corretas para uma economia sustentável é fundamental para que as oportunidades de emprego sejam aproveitadas.

“As descobertas salientam que milhões de pessoas podem ser incluídas nos esforços para combater a pobreza e para a melhoria da qualidade de vida desta e das futuras gerações. É uma mensagem positiva de oportunidade em um mundo atordoado por desafios que estamos enviando às principais cidades do planeta no exato momento em que os líderes do mundo se preparam para a Rio+20”, afirmou Achim Steiner, chefe do .

O setor da economia verde que mais emprega e mais cresce no mundo é o de energia renovável, que, em 2010, respondia por 5 milhões de trabalhos no mundo. Em 2006, havia apenas 2,3 milhões de pessoas empregadas pelo setor, o que indica que o mercado está mais do que duas vezes maior. No Brasil, 913 mil pessoas são empregadas no setor, sendo 889 mil na geração de biocombustíveis.
 
 Fonte: Revista VEJA