quarta-feira, 17 de julho de 2013

Protestos eclodem na Índia após morte de 22 crianças por merenda contaminada

Atualizado em  17 de julho, 2013 - 06:41 (Brasília) 09:41 GMT

Dezenas de crianças doentes estão recebendo tratamento
Protestos violentos eclodiram no Estado de Bihar, na Índia, após a morte de pelo menos 22 crianças por causa de merenda escolar contaminada.
Multidões armadas com paus atacaram veículos policiais na cidade de Chapra, para onde foram levadas várias crianças que adoeceram depois de comer a refeição em uma escola no vilarejo de Masrakh.
Dezenas de crianças, todas com menos de 12 anos, estão sendo tratadas em hospitais da cidade de Chhapra e na capital do Estado, Patna. Muitas delas estão em estado grave.
Segundo o ministro da Educação do Estado, P.K. Shahi, médicos disseram que os corpos exalavam cheiro de organofosforados, usados em pesticidas.
Autoridades estão investigando o caso. As famílias das vítimas receberam ofertas de indenização de (US$ 3.370) cada.
O programa de merenda escolar indiano, conhecido como Merenda Escolar do Meio-Dia, oferece refeições gratuitas às crianças como estratégia para aumentar o índice de presença escolar, mas geralmente é afetado por condições higiênicas precárias.
O pai de um dos estudantes, Raja Yadav, contou que o filho começou a vomitar após chegar da escola e teve de ser levado às pressas para o hospital.

Inseticidas

Os médicos que estão atendendo as crianças confirmaram que a causa das 21 mortes foi intoxicação alimentar.
"Nós suspeitamos que os legumes ou o arroz estivessem contaminados com inseticidas", disse à BBC Amarjeet Sinha, autoridade da rede de educação local.
Outro médico acredita que o óleo vegetal estava contaminado.
A jornalista Amarnath Tewary disse que moradores do vilarejo relataram que este não é o primeiro caso de comida contaminada no programa de merenda escolar.
O governador do Estado de Bihar, Nitish Kumar, convocou uma reunião de emergência e enviou uma equipe de peritos à escola.
Bihar é um dos Estados mais pobres e populosos da Índia.
A merenda escolar do meio-dia é o maior programa de alimentação escolar do mundo, alcançando 120 milhões de crianças em 1,2 milhões de escolas espalhadas pela Índia, informou o governo.
O esquema começou em 1925 na cidade de Chennai, no sul do país, para atender crianças pobres. Segundo correspondentes na Índia, no Estado de Bihar o programa já foi alvo de várias acusações de corrupção.

Fonte : BBC Brasil


Um mês depois, manifestantes avaliam legado de megaprotestos

Atualizado em  17 de julho, 2013 - 04:36 (Brasília) 07:36 GMT 
 
Denis se converteu em uma liderança comunitária depois de organizar uma caminhada pacífica; Bruno diz que as coisas estão mudando, mesmo sem saber se para melhor ou pior. E Lucio avalia que sua geração saiu da "sonolência" política.
Eles são alguns dos jovens que engrossaram as multidões que tomaram as ruas do país na onda de manifestações que se espalhou por todas as regiões do Brasil.
Exatamente um mês atrás, em 17 de junho, os protestos alcançaram diversas cidades brasileiras e culminaram com a tomada do teto do Congresso Nacional pelos manifestantes de Brasília; poucos dias depois, em 20 de junho, a multidão que saiu para protestar foi estimada em mais de 1 milhão de pessoas em todo o país.
Mas até onde vai o impacto da mobilização vista em junho na vida dos jovens do país? E qual é o papel que eles veem para si nos rumos da política do país?
"Essa geração, que já é a maior parcela da população brasileira, assumiu um novo tipo de protagonismo, e acho que isso é irreversível", opina à BBC Brasil o cientista político Paulo Baía, da UFRJ.
"Eles não têm a obrigação de serem gratos pelo fim da hiperinflação como a geração anterior. Demandam reconhecimento, respeito, participação no processo decisório", diz Baía.
"Mas as instituições comuns não os representam neste momento. São pessoas que sabem o que não querem e estão abertas a possibilidades" - mesmo que essas possibilidades ainda não estejam totalmente claras, acrescenta o acadêmico.
A BBC Brasil conversou com cinco jovens de diferentes perfis e graus de militância política, em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, e perguntou como os protestos mudaram suas expectativas em relação ao país - bem como suas próprias vidas. Confira:
Denis Neves (à esq.) em reunião com Eduardo Paes
Denis (esq.) levou demandas da Rocinha a reunião com o prefeito Eduardo Paes (segundo à dir.)
A onda de protestos acabou transformando Denis da Costa Neves, de 27 anos, em uma liderança na favela da Rocinha (RJ), onde mora.
"Fui nos dois primeiros protestos (de 17 e 18 de junho), no Centro do Rio, mas depois resolvi fazer algo diferente: um protesto com a pauta (das reivindicações) da Rocinha", diz o estudante de Design na PUC-RJ.
Da ideia saiu a caminhada que levou milhares de pessoas da Rocinha a um protesto diante da casa do governador Sérgio Cabral, no Leblon, em 25 de junho. "Com amigos, criei o evento no Facebook e fiquei surpreso quando 2 mil confirmaram presença. Quando a favela desce pro asfalto o pessoal acha que vai dar problema, mas a caminhada foi pacífica", conta.
O grupo conseguiu se reunir com Cabral e com o prefeito Eduardo Paes, levando demandas específicas: "O principal é o dinheiro do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do qual um terço é previsto para ser gasto com um teleférico. A comunidade se divide quanto a se quer o teleférico, mas é unânime em uma coisa: temos outras prioridades, como saneamento, saúde", conta.
Denis conta que Cabral se comprometeu a finalizar obras do PAC 1, que ele diz estarem paralisadas, antes de debater o teleférico. Outro passo concreto foi a criação de uma comissão de fiscalização das obras, formada pelos próprios moradores da Rocinha.
"Valeu a pena protestar, porque estamos conseguindo ser consultados, mas estamos de olho", prossegue Denis, que se diz neófito no jogo da política.
"Passei a receber telefonema de deputados, sofri pressão política enorme, foi muita exposição e minha mãe ficou até preocupada. Mas quero me manter apartidário. Estamos aprendendo a quem recorrer (no caso de demandas populares), com quem conversar."
Denis diz que no momento tem "respirado política", mas não pensa em virar candidato e mantém seus planos de trabalhar na área de jogos eletrônicos. Ao mesmo tempo, suas perspectivas quanto ao Brasil mudaram.
"Antes dos protestos, não imaginava que isso pudesse acontecer. As pessoas veem os brasileiros como um povo acomodado, então dá orgulho de lutar pelos nossos direitos."
 
Fonte: BBC Brasil

terça-feira, 28 de maio de 2013

O desafio de exportar valor


Os manufaturados vêm perdendo espaço nos embarques da região sul do país. Pudera: nunca os asiáticos compraram tanta comida

Por Flávio Ilha
Os exportadores de bens manufaturados terão de lidar com boas e más notícias em 2013. O movimento de recuperação da economia americana, iniciado no último trimestre de 2012, deve se estender no próximo ano e puxar as exportações brasileiras da categoria, especialmente dos três Estados do sul. Essa é a boa notícia.

A nem tão boa é que a conjuntura internacional deve tirar espaço dos manufaturados na pauta de exportações do sul do país. Mais ainda diante da visível retomada dos preços das commodities. A alta esperada das cotações será muito influenciada pelo aumento de produção da China, maior compradora de insumos básicos do Brasil. Outra contrapartida negativa é que os chineses estão vendendo cada vez mais manufaturados na América Latina – e neste compasso o gigante asiático vai conquistando fatias de mercado das indústrias brasileiras, tradicionais fornecedoras do mercado latino-americano.

graos-sacos-projexp-350Uma superprodução agrícola brasileira, prevista para esta safra, também deve embaralhar o mercado com o peso da balança pendendo ainda mais para o lado das commodities. O resultado é que a participação de bens industriais no total de exportações brasileiras vem caindo fortemente. Era de 80% no primeiro semestre de 2005 – e chegou a 59% no mesmo período de 2012, segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). “As exportações de produtos industriais tendem a melhorar em 2013, tendo um parceiro importante como os Estados Unidos, que começaram a absorver mais bens industrializados nos últimos meses do ano passado. Mas o peso maior continuará sendo dos produtos básicos”, diz Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

As estimativas da Funcex para 2013 são de superávit de US$ 21 bilhões na balança comercial brasileira, resultantes de exportações da ordem de US$ 262 bilhões e importações de US$ 241 bilhões. De acordo com a Funcex, a produção industrial terá desempenho mais forte, contribuindo para um crescimento de 3,5% no PIB neste ano. “O perfil exportador focado em commodities não mudará, mas a indústria tende a se recuperar internamente, o que deve contribuir para o aumento das suas exportações”, diz Branco. Apesar de terem perdido para a China o posto de principal parceiro comercial do Brasil, os Estados Unidos ainda são os principais compradores de produtos acabados nacionais. O grande interesse dos americanos é por aviões, peças automotivas, motores e máquinas, descreve Branco. “Recentemente, as exportações para os Estados Unidos de etanol – produto de alto valor agregado – subiram 9% em função da quebra de safra americana, mas isso é pontual e não deve se repetir”, avisa o economista.

Branco ressalta, ainda, que o Brasil precisa acelerar sua competitividade industrial para reverter o desinteresse dos mercados internacionais pelos manufaturados. Quase metade das exportações brasileiras se concentra, hoje, em apenas cinco commodities. As vendas de minério de ferro, petróleo bruto, complexo soja, açúcar (bruto e refinado) e carnes responderam, em 2012, por 46,8% dos produtos destinados ao exterior. O percentual cresce ininterruptamente, desde 2006, quando a fatia dos cinco produtos ficou em 28,2% nos oito primeiros meses daquele ano. Em 2011, a parcela das cinco commodities atingiu 43,4%. A demanda asiática, em especial da China, por produtos primários fez disparar os preços e aumentar os volumes das exportações nos últimos anos. Ao mesmo tempo, as vendas de produtos manufaturados perderam fôlego, prejudicadas pelo dólar barato e pela desaceleração da economia global no pós-crise.

Enxurrada de commodities

Com essa combinação, as commodities dominaram a pauta de exportações, definindo uma tendência que incomoda muitos analistas, tanto pela dependência exagerada dos produtos primários quanto pela concentração excessiva em poucos deles. “Há dez anos, nossa pauta de exportações de bens acabados aos EUA era liderada pela venda de aviões, celulares e automóveis. Em 2012, a inversão foi completa, com o petróleo encabeçando as vendas aos Estados Unidos com 22% do total, seguida por bens siderúrgicos”, detalha Branco.

A tarefa de defender um mercado tradicional é dificultada pela falta de políticas objetivas do governo brasileiro para a indústria, além dos constantes desentendimentos entre os próprios países parceiros da América Latina – vide a crise com a Argentina. O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor Müller, ressalta que a perspectiva é melhor em 2013, embora o cenário não mude de forma tão radical. “Vamos dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. O mercado mundial estava ruim para qualquer Estado brasileiro. Acontece que temos uma ligação direta com a Argentina. Quando eles fecharam as fronteiras, sentimos isso mais do que os outros Estados”, alerta.

Um estudo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) mostra que, em 2012, o Brasil teve participação de 1,6% nas exportações mundiais, o melhor índice nas vendas globais desde 1950 – quando a participação foi de 2,3%. Ou seja: a fatia brasileira está crescendo mesmo com a enxurrada de commodities na pauta de exportações. “Mas, em termos de cenário internacional, nós continuamos na mesma posição: 20º, 21º, 22º lugar”, destaca José Augusto de Castro, presidente da AEB. Ele atribuiu o patamar atingido em 2012 ao aumento de preços. “Como o próprio governo diz, as exportações cresceram porque o preço das commodities aumentou. Não foi a quantidade. Ou seja, (não há) nenhum mérito para o Brasil. O país sequer define o preço desses produtos.”

A liderança de países exportadores é exercida pela China – que detinha a 28ª posição em 1950. É, disparado, a melhor evolução no ranking mundial. “A China é a locomotiva do mundo. Serve como exemplo para nós”, entende Castro. Ele chama a atenção, também, para um segundo vagão – a Índia, que já passou o Brasil e ocupa, atualmente, a 17ª posição na relação de países exportadores. Segundo Castro, a Índia exporta mais de 90% de produtos manufaturados e apresenta crescimento econômico consistente, a exemplo da China.

Quem analisa os números da balança comercial sabe que as exportações dependem, hoje, de um número reduzido de commodities e, especialmente, do mercado chinês. Se, no antigo sistema colonial, o Brasil estava atrelado exclusivamente a Portugal, no século 20 essa dependência no comércio exterior passou a ser em relação aos Estados Unidos e, agora, no século 21, à China. Uma dependência que cresce ainda mais à medida que a Ásia se firma como o último oásis de crescimento acelerado do mundo. Recentemente, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) promoveu rodadas de negócios de empresas brasileiras com compradores da China, Taiwan, Hong Kong e Cingapura focadas na venda de commodities. Os setores contemplados foram os de carne bovina, de frango e suína, cafés especiais, vinho e mel. Ao todo, 45 compradores manifestaram interesse em fechar negócio – proporcionando uma expectativa de US$ 55 milhões em vendas para 2013.

O próprio governo, porém, está buscando uma forma de nivelar o peso das commodities e o dos produtos industrializados. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), por exemplo, vem desenvolvendo rodadas de negócios no exterior com empresas de diferentes portes e setores. Todos podem contar com consultoria e estruturas de apoio da agência no exterior. Com uma condição: “A gente não apoia exportações de commodities”, avisa Regina Silveiro, diretora de gestão e planejamento da Apex-Brasil. Segundo ela, a agência esteve diretamente ligada a 16,8% de tudo que o país exportou em 2012. O que indica um avanço de 1,4% em relação ao ano anterior. “Temos, hoje, 15 setores que não são nem mesmo de indústrias, mas de serviços. São empresas da chamada ‘economia criativa’, como produtores independentes de TV, cinema, editoras de livro e até grupos de artes contemporâneas”, descreve Regina.

Mas ainda é pouco. Cada vez mais, a produção industrial brasileira dá sinais de estagnação. Ao mesmo tempo, os concorrentes estrangeiros se apropriam de parte do crescimento do consumo no Brasil. Edson Campagnolo, presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), diz que o industrial do seu Estado tem “um olho no gato e outro no rato”. “Ele olha para o mercado externo em busca de redução de custos e de oportunidades com o câmbio. Mas também olha para o mercado interno – até porque não pode esquecer dele”, ilustra Campagnolo. O desafio, agora, é não perder o rato e nem o gato.

Fonte: http://www.amanha.com.br/home-internas/4849-o-desafio-de-exportar-valor

Empresas diminuem exigências para ampliar contratações no Brasil


Por Camilla Costa
Atualizado em  28 de maio, 2013 - 04:46 (Brasília) 07:46 GMT
Indústria no Brasil | Foto: Reuters
Empresas brasileiras estão diminuindo suas exigências para a contratação de profissionais como forma de driblar a escassez de talentos, segundo um levantamento da consultoria internacional Manpower Group.
Segundo a pesquisa, publicada anualmente, 68% dos empregadores do Brasil dizem ter dificuldades para contratar profissionais de áreas mais e menos qualificadas - de operários a diretores financeiros.
O número representa uma pequena queda em relação a 2012, quando 71% diziam ter dificuldades. Mesmo assim, o Brasil continua em segundo lugar entre os 42 países analisados e todo o mundo - atrás apenas do Japão, onde 85% dos patrões sofrem mais para contratar. A média global de dificuldade é 35%.
"Na Ásia, o principal problema é que eles não encontram pessoas para preencher as vagas. No Brasil há pessoas, mas elas não tem a qualificação adequada. E as empresas já perceberam não vão encontrar esses profissionais mais qualificados."
Segundo Marcia Almström, diretora de recursos humanos da consultoria no Brasil, a diminuição do percentual no Brasil é resultado de estratégias as empresas para lidar com a escassez de talentos, que incluem diminuir as exigências para que os candidatos preencham as vagas.
"Ao invés de esperar por um profissional 100% pronto, as empresas estão contratando os menos prontos e absorvendo a responsabilidade de capacitar essas pessoas", disse à BBC Brasil.
Na pesquisa de 2013, um número menor de empresários citou a falta de talentos específicos e de candidatos como as principais razões de não conseguir preencher vagas. O estudo entrevistou cerca de 40 mil empregadores em todo o mundo, 750 somente no Brasil.

Mudanças

Os engenheiros, caíram da terceira para a sexta posição do ranking, mas de acordo com Almström, a maior facilidade para contratar profissionais de engenharia ainda não é efeito da abertura de novos cursos universitários e centros de inovação no país.
"Ainda existe a necessidade de formar engenheiros e só vamos colher frutos efetivos das ações de educação e formação entre três e cinco anos", afirma.

Áreas com maior dificuldade de contratação no Brasil

1. Técnicos
2. Operadores de produção
3. Profissionais de finanças
4. Trabalhadores de ofício manual
5. Operários
6. Engenheiros
7. Motoristas
8. Secretárias, Assistentes pessoais e pessoal de assistência em escritórios
9. Representantes de vendas
10. Mecânicos

Fonte: Pesquisa de Escassez de Talentos 2013, do Manpower Group
"O que acontece hoje é que temos mais engenheiros atuando na área de engenharia. Havia muitos engenheiros em bancos e na indústria de telecom, por exemplo. A procura das empresas e o aumento dos salários acabou trazendo mais engenheiros para os cargos."
A mobilização dos engenheiros, de acordo com a especialista, beneficiou especialmente as áreas de construção civil, engenharia de petróleo e outras relacionadas a infraestrutura.
O terceiro lugar na lista de profissionais difíceis de contratar em 2013 foi ocupado pelos contadores e outros profissionais de finanças. Mas nesse caso, a dificuldade de contratar funcionários está relacionada ao aumento da exigência das empresas.
"A gestão das empresas ficou mais complexa. Elas têm que conseguir resultados num mercado que não está reagindo bem, especialmente no Brasil, com um crescimento que foi anunciado e não se concretizou. Por isso elas estão procurando profissionais de finanças mais experientes, especialmente CFOs e diretores financeiros", diz Almström.
Os profissionais de finanças, no entanto, são os únicos altamente qualificados a figurar entre as primeiras cinco posições da lista. O levantamento põe em evidência mais uma vez a falta de profissionais com nível técnico ─ que ocupam o primeiro lugar ─ e também de operários e trabalhadores manuais. A escassez permeia todas as áreas técnicas, de automação a edificações, de eletrônica a alimentos e bebidas.
O "apagão de mão de obra" em setores de baixa e média qualificação no mercado brasileiro já havia sido apontado por estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao governo.
De acordo com a especialista, muitos destes funcionários buscam oportunidades de atuar em funções mais qualificadas ─ fenômeno que também motivou a criação da nova estratégia por parte dos empregadores.
"As empresas estão tentando dar cada vez mais oportunidades de carreira e de formação para tornar os postos mais atraentes para os operários e não perdê-los para o mercado. Oferecendo oportunidades de carreira também se abrem janelas na etapa mais básica da produção (à medida que os operários são promovidos), mas a empresa controla melhor a rotatividade de profissionais", disse Marcia Almström.

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Crescem indícios de que Hezbollah ajuda governo sírio em conflito

Atualizado em  2 de maio, 2013 - 08:59 (Brasília) 11:59 GMT

Milicianos na fronteira sírio-libanesa (BBC)
Na fronteira, milicianos só admitem que Hezbollah ajuda 'dando apoio logístico'
O grupo militante xiita libanês Hezbollah há tempos vinha sendo suspeito de enviar combatentes para ajudar o regime de Bashar al-Assad, na vizinha Síria.
Inicialmente, os únicos indícios dessa colaboração eram funerais de membros do Hezbollah realizados na Síria, mas era impossível saber ao certo quanto combatentes xiitas libaneses estiveram no país ou qual seria exatamente o seu papel.
Agora, pela primeira vez, a BBC pode testemunhar o envolvimento do Hezbollah em alguns dos combates-chave com os quais o regime Assad diz estar reconquistando o controle de determinadas áreas.
E o indicativo mais claro do envolvimento do Hezbollah vem do próprio grupo.
Em um raro discurso transmitido na terça-feira, o líder do grupo, Hassan Nasrallah, declarou que "a Síria tem amigos verdadeiros que não a deixarão cair (perante) os EUA, Israel ou radicais islâmicos".
Alegando que grupos armados de oposição são fracos demais para derrubar Assad, Nasrallah afirmou que, ante a ameaça de rebeldes de capturar aldeias sob controle do governo, "é normal oferecer toda a ajuda possível e necessária para o Exército sírio".

Apoio militar e treinamento

Sabe-se que o Hezbollah vinha provendo ajuda médica, logística e prática para refugiados sírios que tentam escapar da guerra civil em seu país.
Mas, na últimas semanas, a BBC viu, em algumas áreas, combatentes do Hezbollah cruzando livre e abertamente a fronteira sírio-libanesa, dando apoio militar e treinamento para seus aliados na Síria.
Nasrallah em discurso
Em discurso, líder do Hezbollah disse que a Síria tem 'amigos verdadeiros'
No norte do Líbano, no vale Bekaa, a fronteira tradicional significa pouco para moradores locais, que há séculos fazem trocas comerciais e casam entre si. Mas, passando a fronteira, na crucial cidade síria de Quseir, estão ocorrendo algumas das mais duras batalhas da guerra civil.
Imagens e depoimentos colhidos em Quseir sugerem que o Hezbollah está cada vez mais envolvido no combate e na coordenação de milícias pró-governo, que são pouco organizadas e inexperientes.
O Exército sírio, ainda que amplo e bem equipado, está em seu limite, tentando conter uma rebelião em vários pontos do país que já dura dois anos.
Por isso, o que o Hezbollah conseguir conquistar em Quseir, na cidade próxima de Homs e nos subúrbios de Damasco, será vital para a estratégia militar síria.

Controle de fronteira

A situação do conflito está claramente em mudança. Em partes do noroeste do Líbano, ambos os lados da fronteira são controlados pelo Hezbollah e seus aliados sírios. E eles dizem estar ganhando terreno.
Abu Mohammed
'Estamos defendendo nossa terra de rebeldes', diz miliciano
Com a ajuda de "comitês populares locais", a equipe da BBC conseguiu cruzar a fronteira com a Síria para conversar com Abu Mohammed, miliciano pró-governo.
Durante o breve e tenso encontro, cercado por homens armados com fuzis AK-47, ficou claro que, ao menos nesta área, o Hezbollah, o Exército sírio e as milícias ligadas a Assad operam como se fossem um só.
Ainda assim, Mohammed insistiu que o Hezbollah não está diretamente envolvido no conflito.
"Eles nos dão apoio logístico e médico e nos ajudam a reconquistar território, mas não estão combatendo", diz o miliciano, com seu rosto coberto.
Questionado quanto à preocupação de que o envolvimento de grupos libaneses como o Hezbollah desestabilizariam ainda mais as relações na frágil fronteira, ele disse: "Estamos defendendo nossa terra de rebeldes que bombardeiam nossas aldeias."

Ampliação do conflito

Casa no Líbano alvejada por foguete da oposição síria
Casa libanesa alvejada por sírios mostra que conflito está ultrapassando as fronteiras
O temor é de que o envolvimento do Hezbollah e outras facções façam com que o conflito sírio se espalhe para o outro lado da fronteira. E isso parece já estar acontecendo.
No Líbano, a cidade xiita de Hermel tem sido constantemente alvejada por foguetes de rebeldes sírios, já que a cidade apoia o regime Assad e é acusada de enviar combatentes ao lado sírio da fronteira.
No país, nem todos apoiam o papel do Hezbollah na Síria. Abu Alawa é um idoso da aldeia que fala com carinho das relações sírio-libanesas na região antes de a guerra civil começar.
"Há mais vozes moderadas na comunidade xiita que deveriam ter um papel na resolução do conflito", diz ele. Mas sua voz é cada vez mais solitária numa região com cada vez mais tensões sectárias.

Radicalização

Assim, quanto mais o conflito sírio se prolonga, mais expostas ficam as diferenças entre sunitas e xiitas nos dois países.
Em mesquitas sunitas libanesas, jovens estão sendo radicalizados. Sobretudo em cidades como Trípoli, onde as divisões sectárias espelham as da Síria, clérigos estimulam seus seguidores com chamados à jihad (guerra santa).
Nas últimas semanas, diversos imãs fizeram chamados públicos para que jovens se alistem para o combate.
Em conversa com a BBC em Trípoli, o xeique Salem Rafii disse que a iniciativa é uma resposta necessária ao papel do Hezbollah no conflito vizinho. "Há pessoas oprimidas lá (na Síria). Mulheres e crianças estão sendo estupradas, mortas e expulsas. Então qualquer libanês deveria ir ajudá-los, e será recompensado por Deus", diz.
Com isso, o futuro do Líbano fica ameaçado pelas turbulências na Síria. Geograficamente cercado e historicamente dominado pelo vizinho maior, talvez fosse querer demais que o Líbano e suas divisões sectárias ficassem alheias aos desdobramentos sírios.

Fonte: BBC Brasil

Coreia do Norte condena americano a 15 anos de trabalho forçado

Atualizado em  2 de maio, 2013 - 07:19 (Brasília) 10:19 GMT

Kenneth Bae (AP)
Kenneth Bae foi detido em novembro
A Coreia do Norte anunciou nesta quinta-feira que condenou um cidadão americano a 15 anos de trabalho forçado.
Kenneth Bae, também conhecido pelo seu nome coreano de Pae Jun Ho, foi preso em novembro enquanto trabalhava no país como operador de turismo.
Ele foi acusado de tentar derrubar o governo da Coreia do Norte.
Segundo a agência de notícias oficial norte-coreana, a KCNA, o americano foi julgado na Suprema Corte do país na terça-feira e admitiu as acusações.
O veredito foi dado depois de semanas de tensão entre o governo americano e o norte-coreano, devido ao teste nuclear realizado pela Coreia do Norte em fevereiro.
Vários outros visitantes americanos já foram detidos na Coreia do Norte nos últimos anos. Todos foram libertados depois de negociações.

Fonte: BBC Brasil

Fome matou 260 mil pessoas na Somália entre 2010 e 2012, diz ONU

Atualizado em  2 de maio, 2013 - 08:33 (Brasília) 11:33 GMT

Um relatório produzido pelas Nações Unidas e a Rede de Sistemas de Alertas Antecipados para Crises de Fome, financiada pelos Estados Unidos (Fews Net), mostra que 260 mil pessoas morreram nos últimos dois anos na Somália. A cifra é maior do que a crise que atingiu o país em 1992 e deixou 220 mil mortos.
Metade delas eram crianças com menos de cinco anos, aponta o documento.
A ONU também deixa claro que o mundo ainda reage com muita lentidão a crises humanitárias deste tipo.
A crise atual, segundo especialistas uma das piores tragédias humanas ligadas à fome nos últimos 25 anos, foi gerada por uma seca extrema, e piorada por uma guerra civil entre grupos rivais que lutam pelo poder no país.

Fonte: BBC Brasil