
Ativistas do Greenpeace protestaram, semana passada, contra o vazamento de petróleo causado pela Chevron
Segundo a nota, o presidente da Chevron foi convocado para depor sobre as circunstâncias dos novos derramamentos e a ANP consentiu que a empresa interrompesse totalmente a produção no Campo de Frade, localizado na Bacia de Campos. Na quinta-feira passada, a Chevron já havia anunciado que tinha detectado uma nova fuga de petróleo perto da área onde foi registrado o vazamento de novembro passado. Porta-vozes da empresa disseram que tinham encontrado ‘uma pequena mancha’ de petróleo na superfície marinha e que a Chevron tinha mobilizado ‘imediatamente’ seus dispositivos de contenção.
Dois dias depois, a Justiça emitiu uma ordem que impede 17 diretores da Chevron e da Transocean de abandonar o país. Eles serão acusados criminalmente pelo acidente.
Prejuízo
Antes de deixar o Brasil, a Chevron precisará cumprir as normas ambientais que determinam a selagem do campo de Frade, na Bacia de Campos, e a completa desativação da plataforma. O procedimento, segundo cálculos de especialistas, custará quase o mesmo valor dos investimentos realizados pela companhia para iniciar a exploração do poço. Os mais de US$ 2,5 bilhões investidos até agora para implementar o sistema de produção na costa brasileira deverão ser duplicados para que a empresa possa deixar o país. E o processo será lento, advertem observadores, porque o processo de desmontagem da plataforma é extremamente complicado.
Estudo da Bain & Company e Tozzini Freire Advogados, divulgado nesta terça-feira, lista as várias atividades envolvidas na desativação e no abandono dos poços de petróleo. Além do acompanhamento integral por parte dos técnicos em meio ambiente, há uma série de etapas que envolvem não apenas novos estudos ambientais como o desmonte ou afundamento das estruturas. Segundo o estudo feito pela Chevron, “ao final das etapas de perfuração e produção do campo de Frade será necessário realizar a desativação do empreendimento, visando a evitar qualquer risco de poluição ao meio ambiente, minimizar possíveis impactos e garantir a completa segurança de pessoas e instalações durante esta etapa”.
Se houver o vazamento de petróleo em pontos que não a perfuração principal, esse custo da obra tende a crescer exponencialmente. No lugar da selagem integral do poço, porém, a Chevron poderá ceder o direito de exploração a outro grupo ou negociar com os sócios uma saída do consórcio explorador. Os sócios do consórcio são Petrobras e Japão Frade, mas a Chevron possui mais de 50% de participação. A empresa OGX, do investidor Eike Batista, seria uma das interessadas na aquisição dessas cotas, segundo analistas financeiros, na Bolsa Mercadorias de São Paulo.
O Senado marcou, para esta quarta-feira, uma audiência pública na comissão de Meio Ambiente para debater sobre o novo vazamento de óleo no poço da Chevron. Foram convidados os executivos da empresa e autoridades brasileiras.
Fonte: Correio do Brasil
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