quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Mubarak chega de maca para julgamento histórico no Cairo

Atualizado em  3 de agosto, 2011 - 05:42 (Brasília) 08:42 GMT
O julgamento do ex-presidente do Egito Hosni Mubarak começou nesta quarta-feira no Cairo, capital do Egito.
O ex-líder do Egito, de 83 anos e que permaneceu quase 30 anos no poder, renunciou à Presidência no dia 11 de fevereiro, após 18 dias de protestos populares contra o seu regime.
Mubarak e seus dois filhos se declararam inocentes das acusações de corrupção, de apropriação indébita e de ordenar a morte de manifestantes - crime que pode ser punido com a pena de morte.
O ex-presidente foi levado ao tribunal, na academia de polícia, em uma maca - para delírio de opositores que se aglomeravam na entrada da corte.
Confronto
Manifestantes contra e a favor de Mubarak se enfrentaram diante do tribunal.
O ex-presidente egípcio é o primeiro líder árabe a ir a julgamento desde que teve início a onda de protestos populares em diferentes países do Oriente Médio.
Correligionários de Mubarak e ativistas contrários ao seu regime trocaram insultos e lançaram pedras uns contra os outros.
Eles tiveram de ser contidos por forças de segurança em frente ao tribunal montado dentro da academia de polícia local. O júri estava inicialmente marcado para ocorrer em um centro de convenções na capital egípcia, mas as autoridades mudaram o local do julgamento para um fórum temporário dentro da academia, devido a questões de segurança.

Acusações e penas

  • Hosni Mubarak: Conspirar para matar manifestantes (15 anos ou pena de morte); abuso de poder para acumular riqueza (5 a 15 anos)
  • Alaa e Gamal Mubarak: abuso de poder para acumular riqueza (5 a 15 anos)
  • Ex-ministro do Interior Habib al-Adly e seis assessores: conspirar para matar manifestantes (15 anos ou pena de morte)
  • Hussein Salem, empresário e confidente e Mubarak: julgado à revelia por corrupção (5 a 15 anos)
Cerca de três mil homens, entre soldados e policiais, foram convocados para manter a ordem no local do julgamento.
O ex-presidente estava hospitalizado na cidade de Sharm el-Sheikh desde abril e seus advogados afirmam que ele está muito doente - alegação que é vista com ceticismo por adversários de seu antigo governo.
Mubarak foi transportado de avião de Sharm el-Sheikh para o Cairo e chegou ao tribunal de helicóptero.
Segurança
Partidária de Mubarak protesta em frente à corte no cairo
Um forte esquema de segurança foi montado em toda a cidade. Relatos indicam que as forças de segurança deram tiros de advertência na praça Tahrir, no centro da cidade, para dispersar manifestantes. O local foi palco dos protestos populares que levaram Mubarak a renunciar, em fevereiro deste ano.
Os filhos de Mubarak Alaa and Gamal também serão julgados, assim como o ex-ministro do Interior Habib al-Adly - já condenado a 12 anos de prisão - e seis autoridades do antigo regime.
Mubarak foi levado de maca até uma cela construída na corte, de onde assistiu ao julgamento ao lado dos outros réus - incluindo seus dois filhos.
A expectativa é de que cerca de 600 pessoas comparecerão ao julgamento.
O enviado especial da BBC ao Cairo, Jon Leyne, conta que muitos egípcios estavam céticos quanto à presença do ex-presidente no tribunal, já que muitos dentro da cúpula militar do país não desejam ver o ex-presidente sendo humilhado.
No último mês, novos protestos foram realizados na praça Tahrir, por pessoas cansadas com o ritmo das mudanças no país, considerado lento.
Entre as demandas dos manifestantes à junta militar que comanda o país, está o julgamento mais rápido de autoridades do antigo regime.
Na segunda e na terça-feira, a polícia, com o apoio de soldados, tirou da praça os últimos manifestantes.
Silêncio e espanto
O juiz Ahmed Refaat abriu a sessão pedindo ordem e dizendo que "o povo civilizado do Egito pede calma, para garantir que a missão desta corte seja levada a cabo completamente, para que possamos satisfazer ao Deus todo poderoso e nossas consciências".
Na rua em frente ao tribunal, um silêncio pairava e uma sensação de espanto imperava entre a multidão que assistia ao julgamento através de um telão.
Reuters
Manifestantes pró e contra Mubarak se enfrentaram diante do tribunal



O manifestante Nariman Yousseff, contrário a Mubarak, disse à BBC:
"Não acho que ninguém aqui tenha ilusões de que esse julgamento será real", disse. "Estamos esperando ver o que vai acontecer, como eles vão escapar, porque está muito claro que o Conselho Supremo das Forças Armadas, que está à frente do país no momento, não tem a intenção de cumprir as demandas da revolução", afirmou ele, referindo-se a uma possível condenação de Mubarak.

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